sábado, 13 de agosto de 2022
O que o 7 de setembro será para Bolsonaro e poderá ser para Lula
O PT atirou em si mesmo, resta saber onde acertou
RICARDO NOBLAT
O sentimento dominante no PT depois das pesquisas Genial-Quaest que mostram Bolsonaro embicado para cima em São Paulo e Minas Gerais equivale a de um boxeador, ex-campeão mundial, em luta para recuperar o título, que acabou de ser atingido por um duro golpe, cambaleia zonzo e não sabe como reagir.
Em tal estado, só lhe resta entrar em clinch com o adversário para ganhar tempo e não ir a nocaute. Lula ainda está vencendo a luta por uma margem folgada de votos. Em dezembro passado, em pesquisa nacional, a Quaest lhe conferiu 28 pontos de vantagem sobre Bolsonaro. É possível que a vantagem tenha caído à metade.
A próxima semana será pródiga de pesquisas nacionais para presidente, começando pela do Ipec, ex-Ibope, passando por mais uma do Datafolha e terminando com uma nova da Quaest. Alguns pesquisadores viram como um “ruído” o que a Quaest registrou em São Paulo e Minas, outros como uma tendência.
Acredito que seja uma tendência. De Bolsonaro, todos dizem com razão que é especialista em atirar no próprio pé. O que dizer do tiro que deu em si mesmo o PT ao votar pela aprovação do “pacote de bondades” do governo que está empurrando Bolsonaro para o alto entre os eleitores que antes o rejeitavam?
O ato do PT foi um tiro no pé ou no peito? E por que ele foi disparado? Por medo de perder votos? Ou por que deputados e senadores do PT e de partidos de esquerda e da centro-esquerda só pensaram no seu futuro e não no do país? Muitos se beneficiaram diretamente das emendas do relator ao chamado Orçamento Secreto.
Haveria desgaste se tivessem votado contra o pacote, mas talvez um desgaste passageiro. Agora, o que há? Uma eleição que poderia ser vencida no primeiro turno por Lula tornou-se uma eleição indefinida. Por enquanto, Bolsonaro atrai os votos que perdeu para candidatos da terceira via. Se começar a atrair os de Lula…
O eleitor é pragmático, vota no candidato que for capaz de lhe garantir mais dinheiro no bolso. Democracia não enche a barriga de ninguém. Bolsonaro não chegará ao ponto de admitir isso, mas é o que pensa. E o que Lula tem a dizer a respeito? Não basta lembrar o que fez. Será obrigado a dizer o que fará, se eleito.
O 7 de setembro próximo será uma data importante para os dois candidatos que lideram todas as pesquisas até aqui. Bolsonaro imagina aproveitá-lo para ensaiar o golpe com que tanto ameaça o país no caso de uma derrota. Lula poderá aproveitá-lo para dar passos convincentes na direção de uma candidatura de centro.
Acabou o horário da propaganda eleitoral destinada ao público que sempre votou em Lula. Vai começar, com atraso, o horário em que todo o país prestará atenção no que ele disser.
Entenda a decisão de Fachin que anulou as condenações de Lula e o que acontece agora
As
anulações das condenações de Lula
valeram para quais processos?
Por que STF
decidiu anular as decisões do ex-juiz Sergio Moro? Por que agora? Com a
anulação, Lula agora é considerado inocente? O que acontece agora? Veja
respostas para essas e outras perguntas.
Por Tahiane
Stochero, G1 SP — Brasília
O ministro
Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou em 8 de março todas as
condenações impostas pela Justiça Federal do Paraná ao ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva na Operação Lava Jato. Em 15 de abril, o plenário do
tribunal referendou, por 8 votos a 3, essa decisão de Fachin, que apenas seguia
jurisprudência já consolidada do Tribunal.
Com as
decisões, Lula recuperou os direitos políticos e se tornou elegível.
Abaixo,
veja perguntas e respostas sobre a decisão:
- A
anulação das condenações de Lula vale para quais processos?
- Por que
Fachin decidiu anular as condenações?
- Por que
Fachin tomou a decisão nesse momento e qual a relação com Moro?
- Fachin
absolveu Lula?
- O que
acontece depois da decisão de Fachin?
- O que
acontece com o processo em que Lula pedia suspeição de Moro?
- Supostos
crimes de Lula podem prescrever?
- Onde os
supostos crimes de Lula serão julgados?
1. A
anulação das condenações de Lula vale para quais processos?
Cronologia:
entenda os processos e condenações de Lula na Lava Jato
O triplex
do Guarujá – condenação em julho de 2017 (por corrupção e lavagem de dinheiro),
confirmada em 2ª e 3ª instâncias, que levou o ex-presidente a ficar preso por
580 dias.
O sítio de
Atibaia – condenação em fevereiro de 2019 (sob acusação de recebimento de
propina) e confirmada em 2ª instância.
As doações
ao Instituto Lula – neste caso, são duas ações, que ainda não foram julgadas.
No caso do
triplex no Guarujá, no litoral paulista, Moro havia condenado Lula a 12 anos e
1 mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro.
Já no caso
do sítio de Atibaia, no interior paulista, a juíza substituta Gabriela Hardt,
que estava no lugar de Moro, condenou Lula a 12 anos e 11 meses de prisão.
Com relação
ao Instituto Lula, havia duas ações:
Doações – a
denúncia do Ministério Público Federal (MPF) diz que o instituto recebeu R$ 4
milhões da Odebrecht disfarçados de doações. Essa ação está suspensa pelo
Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4).
Terreno e
apartamento – em dezembro de 2016, uma denúncia do MPF foi aceita pela Justiça
Federal do Paraná envolvendo a compra de um terreno para a construção da nova
sede do instituto e de um imóvel vizinho ao apartamento de Lula em São Bernardo
do Campo. Esse processo estava pronto para a sentença do juiz desde maio de
2020.
2. Por que
Fachin decidiu anular as decisões? Por que agora?
Segundo Fachin,
a 13ª Vara Federal de Curitiba – que estava nas mãos de Sergio Moro e depois
passou para Gabriela Hardt – não era o "juiz natural" dos casos.
Fachin
entendeu que não há relação entre os desvios praticados na Petrobras,
investigados na Lava Jato, e as irregularidades atribuídas a Lula, como o
custeio da construção e da reforma do tríplex.
Segundo o
ministro, em outros casos de agentes políticos denunciados em circunstâncias
semelhantes às de Lula, a 2ª Turma do Supremo já vinha transferindo esses processos
para a Justiça Federal do Distrito Federal.
O ministro
disse seguir decisões anteriores do STF que já determinaram que, na Lava Jato,
cabem à 13ª Vara Federal de Curitiba processos relacionados a crimes praticados
"direta e exclusivamente" contra a Petrobras.
Em 15 de
abril, o plenário do STF decidiu, por 8 votos a 3, confirmar a anulação.
3. Por que
Fachin tomou a decisão nesse momento e qual a relação com Moro?
Fachin
anulou as condenações antes que houvesse uma decisão sobre outro recurso da defesa
de Lula, que pede a suspeição de Moro.
O ministro,
assim, determinou a extinção desse pedido mas, dias depois, a 2ª Turma do STF
declarou Moro suspeito para julgar os processos de Lula. Isso porque o ministro
Gilmar Mendes – que está com o recurso de Lula desde 2018 – ignorou a decisão
de Fachin e submeteu a suspeição à 2ª Turma do Supremo. Esse trâmite estava
parado desde dezembro.
Em março, a
2ª Turma decidiu, por 3 votos a 2, declarar Moro parcial. E depois, em 22 de
abril, o plenário do STF formou maioria para manter a suspeição de Moro – o
julgamento não havia sido concluído até a última atualização desta reportagem
porque o ministro Marco Aurélio pediu vistas do processo.
4. Fachin
absolveu Lula?
Não. Ele
não tratou do mérito da condenação. Fachin tampouco disse, em hora nenhuma, que
Lula é inocente, mas considerou que não cabia a Moro (ou Hardt) julgá-lo nesses
processos específicos. Para ele, a sentença dada no Paraná foi irregular e, por
isso, inválida.
Vale
lembrar que a Constituição Brasileira prevê que ninguém será considerado
culpado até que se esgotem todos os recursos — ou quando um tribunal, como o
STF, der a última palavra no processo.
Mas,
enquanto esse processo corre — e independentemente de recursos —, o suspeito
pode ser preso. Foi esse o caso de Lula, que ficou um ano e meio em uma sala da
Polícia Federal em Curitiba.
5. O que
acontece depois da decisão de Fachin?
Com a
decisão de Fachin, 13ª Vara da Justiça Federal em Curitiba, responsável no
Paraná pelos processos da Operação Lava Jato, determinou, em 25 de março, os
envios dos processos de Lula à seção judiciária federal do Distrito Federal
para uma reanálise. A decisão de enviar os processos para a Justiça do DF foi
confirmada em 22 de abril pelo plenário do STF.
O novo juiz
do caso vai poder decidir se os atos realizados nos quatro processos (1 do
triplex, 1 do sítio de Atibaia e 2 do Instituto Lula) são válidos ou se terão
de ser refeitos.
O novo juiz
pode até rejeitar as denúncias do MPF e absolver Lula sumariamente.
6. O que
acontece com o processo em que Lula pedia suspeição de Moro?
A decisão
monocrática de Fachin declarou a "perda do objeto" e extinguiu 14
processos que tramitavam no STF apontando suposta parcialidade do ex-juiz
Sergio Moro ao condenar Lula.
Mas, mesmo
assim, a suspeição de Moro foi julgada pela 2ª Turma da Corte, que entendeu que
Moro não tinha condições de analisar os processos do ex-presidente e foi ser
imparcial. Em 22 de abril, o plenário formou maioria para manter a suspeição de
Moro --o julgamento não foi concluído porque o ministro Marco Aurélio pediu
vistas do processo.
7. Supostos
crimes de Lula na Lava Jato podem prescrever?
Os supostos
crimes de Lula denunciados pela Lava Jato podem começar a prescrever a partir
de janeiro de 2022, segundo juristas ouvidos pelo G1.
Mas
especialistas alertam que existem diferentes entendimentos sobre o tema e que a
contagem dos prazos de prescrição pode variar, a depender da decisão da Justiça
do Distrito Federal, que ainda não saiu, de retomar os processos.
Nos quatro
processos, Lula foi denunciado pelos crimes de lavagem de dinheiro de forma
contínua, que podem prescrever em até 16 anos. Em três deles, foi denunciado
por corrupção passiva majorada, que pode prescrever em até 20 anos. Como o
ex-presidente tem mais de 70 anos, o prazo para prescrição cai pela metade,
para 8 e 10 anos, respectivamente.
Levando-se
em conta todas as denúncias apresentadas contra Lula na Lava Jato do Paraná, os
crimes mais antigos a ele atribuídos (de corrupção) teriam sido cometidos até
janeiro de 2012 – com prescrição, portanto, a partir de janeiro de 2022.
Já os
crimes de lavagem de dinheiro teriam sido praticados até 2014 ou 2016,
dependendo do processo. Nesses casos, os crimes poderiam prescrever,
respectivamente, a partir de março de 2022 ou 2024.
8. Onde os
supostos crimes de Lula serão julgados?
No Distrito
Federal, conforme decisão do plenário do STF dada em 22 de abril.
Em 14 de
abril de 2015, Fachin foi indicado pela presidente Dilma Rousseff para o cargo
de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), na vaga que estava em aberto
havia mais de oito meses, desde a aposentadoria de Joaquim Barbosa em 31 de
julho de 2014.
terça-feira, 9 de agosto de 2022
Denúncia por lavagem de dinheiro deve demonstrar ato imputado a acusado
Por Danilo Vital – Conjur
Para que alguém seja processado pelo crime de lavagem de dinheiro, a denúncia deve apresentar indícios de que o acusado tinha conhecimento da ilicitude dos valores e apontar especificamente o ato no qual houve a ocultação da origem ilícita dos bens.
Com esse entendimento, a 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça deu
provimento ao recurso especial para trancar a ação penal contra Julia Iskin.
Para o colegiado, não havia indícios mínimos de que ela lavou dinheiro obtido
em irregularidades cometidas pelo pai.
O caso trata da ação contra o empresário Miguel Iskin, alvo da "lava jato", que teria usado dinheiro desviado da saúde do Distrito Federal para bancar a reforma da mansão na qual sua filha morava, no Rio de Janeiro.
Segundo o Ministério Público Federal, embora o imóvel esteja no nome de Miguel Iskin, Júlia é a verdadeira proprietária. O MPF afirmou que ela agiu em conluio com o pai para ocultar a origem ilícita do dinheiro desviado, por meio da reforma da mansão.
No STJ, a defesa de Júlia sustentou que ela não responde por crimes licitatórios, corrupção ou organização criminosa e que sua menção na denúncia é feita de maneira absolutamente desconexa com todos esses fatos, apenas por ser filha de Miguel Iskin.
Relator, o ministro Sebastião Reis Júnior observou que é difícil identificar na denúncia qual a conduta praticada pela acusada para contribuir para a ocultação de valores. Segundo a jurisprudência, o elemento volitivo do crime deve ser identificado na peça acusatória.
No caso, ainda que a filha tenha permitido que o pai bancasse a reforma da casa em que ela morava, isso em nada teria contribuído para a ocultação dos valores, além de ela usufruir do bem.
"Ainda que se possa conjecturar que a recorrente tivesse conhecimento das atividades supostamente criminosas praticadas por seu pai ou, ainda, que tivesse conhecimento de atividades criminosas nas quais estaria envolvida empresa da qual seria sócia-administradora, impende que o iter criminis esteja claramente exposto na inicial acusatória, o que não se extrai do caso dos autos", afirmou o ministro relator.
Em voto-vista, a ministra Laurita Vaz concordou, destacando a ausência absoluta de elementos individualizados que apontem a relação entre o crime e a conduta da moradora do imóvel.
"Tal fato não autoriza a instauração de processo criminal, se não restar comprovado o vínculo entre a conduta e a agente, sob pena de se reconhecer impropriamente a responsabilidade penal objetiva, não admitida no nosso ordenamento jurídico"
Clique aqui para ler o acórdão
RHC 154.162
Estudo na Holanda mostra impacto da síndrome da covid longa
Publicado na revista médica The Lancet, trata-se do primeiro relatório abrangente sobre da condição atípica dos infectados pelo coronavírus.
Via Site Exame
Uma em cada oito pessoas que se recupera de covid-19 apresenta sintomas persistentes devido à doença pelo menos três meses depois, segundo um estudo que traz maior clareza sobre os males desencadeados pela pandemia.
A proporção de participantes que tiveram um ou mais sintomas característicos foi de 21% entre os que pegaram covid, ante cerca de 9% nas pessoas que não pegaram, o que deixa cerca de 13% dos pacientes com sintomas que podem ser atribuídos ao coronavírus, de acordo com pesquisadores da Universidade de Groningen.
O estudo, publicado na quinta-feira, 4,
na revista médica The Lancet, é o primeiro relatório abrangente sobre a covid
longa, também chamado de condição pós-covid.
Ele faz ajustes
para os sintomas que as pessoas tinham antes de serem infectadas e os que
ocorrem na população em geral, disseram os autores. A pesquisa pode ajudar a
formar uma ideia mais clara dos sintomas duradouros que afligem até 5 milhões
de adultos somente nos EUA.
“Esta descoberta
mostra que a condição pós-covid-19 é um problema urgente com um custo humano
crescente”, escreveram Aranka Ballering e colegas da Universidade de Groningen.
Os dados
fornecem uma demonstração única e “muito poderosa” dos efeitos de longo prazo
da covid na saúde, disse Rachel Evans, professora do Instituto de Saúde do
Pulmão da Universidade de Leicester, que não estava envolvida na pesquisa.
O estudo, realizado na região norte da
Holanda, usou dados coletados de 76.422 participantes do final de março de 2020
até o início de agosto de 2021. Desde então, os riscos de covid longa foram
reduzidos pelas imunizações e, mais recentemente, por tratamentos com
medicamentos.
Mesmo assim, a
rápida disseminação da variante ômicron significa que mais pessoas estão sendo
infectadas, aumentando os casos de covid longa, disse Evans em entrevista.
A Organização Mundial da Saúde conta mais de 577 milhões casos de Covid-19 em todo o mundo desde 2020, com infecções diárias acima de 900.000.
“Uma em cada 20
pessoas que foram vacinadas três vezes e contraem covid ainda apresentarão
sintomas três a quatro meses depois. Isso é muito”, disse Evans.
“Estou vendo
pessoas infectadas em março de 2020 em minha clínica que ainda estão muito
debilitadas. A maioria está em uma trajetória de melhora, mas é muito, muito
lenta.”
terça-feira, 2 de agosto de 2022
A Consciência Política tentando combater a Ignorância Erudita
es do Estado estão concentrados em um indivíduo, um grupo ou um partido. O ditador não admite oposição a seus atos e ideias, e tem grande parte do poder de decisão.
O Antipetismo e a eleição do "mito"
Dag Vulpi - 04 de maio de 2022
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