segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Movimentos fazem manifesto contra o ajuste fiscal e Eduardo Cunha


Cerca de 600 pessoas, segundo a Polícia Militar, compareceram na tarde deste domingo (8) ao ato de lançamento da Frente Povo Sem Medo, contra o ajuste fiscal e pela destituição de Eduardo Cunha da presidência da Câmara dos Deputados, na Avenida Paulista, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp).

Representantes de 27 movimentos sociais fizeram discursos em cima de um trio elétrico, antes de iniciar uma marcha rumo ao Parque Ibirapuera, por volta das 15h40. Várias viaturas e motocicletas da PM estavam de prontidão nas proximidades, mas o ato seguiu pacífico.

“Somos contra o ajuste fiscal porque ele está cortando os direitos trabalhistas, está cortando os programas sociais e está fazendo o trabalhador pagar a conta pela crise [econômica brasileira]”, defendeu um dos organizadores, Guilherme Boulos. O líder social também justificou que o ato também defende a saída de Cunha por causa das medidas “antipopulares e conservadoras” tomadas pelo parlamentar.

Com faixas e cartazes de movimentos sociais, com participação, principalmente, de ativistas do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto e do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), a marcha seguiu o carro do trio elétrico, provocando morosidade nas ruas próximas da Avenida Paulista.

Em Brasília, cerca de 100 manifestantes ocupou parte do gramado em frente ao Congresso Nacional. Eles também reivindicam a saída de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência da Câmara dos Deputados e protestam contra o ajuste fiscal do governo.



O grupo é o mesmo que há alguns dias entrou em confronto com outros manifestantes do Movimento Brasil Livre, que está acampado no mesmo gramado pedindo o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Para evitar novos confrontos, a Polícia Militar formou um cordão de isolamento entre as duas manifestações e escoltou a descida dos ativistas que compõem a Frente Povo Sem Medo.

Apesar de alguns relatos de provocações de ambas as partes, o protesto aconteceu sem confrontos entre os dois grupos. Um incidente entre manifestantes que compunham a frente, que iniciaram uma briga envolvendo três pessoas, terminou com três manifestantes detidos. O coordenador do grupo, Eduardo Borges, no entanto, disse “desconhecer” os envolvidos.

De acordo com a coordenadora nacional do MTST, Maria Almeida, o objetivo da manifestação não era provocar o grupo contrário e sim “dizer que o povo não vai pagar a conta pela crise”, além de protestar contra a “criminalização dos movimentos sociais” e defender “a saída do Cunha”.

“Do nosso ponto de vista de movimentos sociais, eles [grupo pró-impeachment] têm o direito de estar aqui. Nós somos um movimento pacífico”, disse. Segundo ela, o ato não era a favor do governo, nem em defesa da presidenta Dilma Rousseff. “Nossa pauta é essa, o governo que pegue a parte que lhe cabe”, disse.

Coordenador do Movimento Brasil Livre, Alexandre Paiva, também considerou que o protesto da Frente Povo Sem Medo é um “direito democrático de livre manifestação”, e disse acreditar que a polícia seria suficiente para manter o clima de paz.

“Hoje as lideranças disseram que vão ficar pacificamente. Esperamos que siga assim e depois voltem para as casas deles. Nós vamos ficar indefinidamente, até que o processo de impeachment seja colocado em votação”, disse.

Coordenando os trabalhos da PM, o tenente-coronel Rodrigues Ferreira disse ter conversado com as lideranças de ambos os lados para garantir que não houvesse confrontos. “A Esplanada é livre. Há uma área de segurança nacional que não pode ser ultrapassada, mas até aqui a Constituição está sendo respeitada. Todos são livres para se manifestar”, disse.

"Esperança vai diminuindo" em encontrar sobreviventes, diz governador de MG


O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel , disse ontem (8) que a prioridade é buscar as 28 pessoas desaparecidas por causa do rompimento das barragens de rejeito da mineradora Samarco, mas que as chances de serão encontradas com vida estão diminuindo. “A gente pode, quem sabe, localizar alguém que fugiu que ficou perdido em alguma localidade, que não foi encontrado. Não quero tirar a esperança de ninguém, pode ser que a gente consiga achar alguém com vida ainda, mas a medida que o tempo vai passando a esperança vai diminuindo”, afirmou em entrevista à imprensa em Mariana (MG). O rompimento das barragens destruiu o distrito de Bento Rodrigues, que fica na zona rural de Mariana.

Dos 28 desaparecidos, 13 são funcionários de empresas que prestam serviços à mineradora Samarco, e 15 são moradores do distrito. Entre eles, um bebê de 3 meses e um homem de 70 anos. Até o momento, há confirmação de uma morte.

A causa do rompimento das duas barragens, segundo o governador, ainda não foi esclarecida. A barragem de Fundão, ressaltou, estava licenciada e não apresentava nenhuma falha aparente nesse aspecto. O governador reconheceu que é preciso melhorar os protocolos de emergência, com a exigência dos alarmes sonoros que lembrou não são obrigatórios de acordo com legislação vigente. As barragens concentravam resíduos do processo de mineração.

A ministra das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, Nilma Lino Gomes, também está na região. Ela visitou famílias desabrigadas que foram levadas para três hotéis de Mariana e discutirá com os municípios envolvidos e com governo do Estado o cumprimento das orientações do Protocolo Nacional Conjunto para Proteção Integral a Crianças e Adolescentes, Pessoas Idosas e Pessoas com Deficiência em Situações de Riscos e Desastres, lançado em 2012. O documento traz diretrizes e orientações para a garantia plena de direitos para essas pessoas em situações de desastre como, por exemplo, garantias a benefícios socais e, no caso de crianças e adolescentes, que eles continuem frequentando a escola.

Passagem da lama
Segundo boletim divulgado hoje pelo Serviço Geológico do Brasil, primeiro indício da mudança do nível do Rio Doce na estação de monitoramento de Governador Valadares (MG) foi verificado às 11h30. A próxima estação de monitoramento a ser atingida pela onda de cheia é Tumiritinga (MG), que fica a 400 quilômetros de Bento Rodrigues. Esta onda de cheia, porém, não irá causar enchentes nos municípios que estão localizados na margem do Rio Doce, segundo as autoridades.

Mineradora monitora no Espírito Santo efeitos de rompimento de barragens em MG


A mineradora Samarco, responsável pelas duas barragens de rejeito que se romperam na última quinta-feira (5) em Mariana (MG), divulgou nota hoje (8) na qual afirma que está atenta a qualquer repercussão no Espírito Santo e em constante contato com as autoridades competentes em função do acidente ocorrido nas barragens de Fundão e Santarém. O rompimento das barragens de rejeito (que concentra os resíduos do processo de mineração) destruíram o distrito de Bento Rodrigues, que fica na zona rural da cidade mineira. A lama oriunda do acidente está sendo levada pelo Rio Doce, aumentando o nível do rio e pode provocar enchentes, por exemplo. 

“A expansão da mancha [de lama] que avança no Rio Doce está sendo permanentemente monitorada pela empresa. A Samarco está tomando todas as providências possíveis para mitigar os impactos ambientais gerados e, em caso de necessidade, auxiliar prefeituras e as comunidades em eventuais ocorrências. A coleta de amostras de água nos trechos impactados já foi iniciada e terá continuidade até a normalização da situação. É importante mencionar que a empresa está, no momento, concentrando seus esforços no atendimento às pessoas atingidas”, diz o documento.

Ainda segundo a mineradora, as operações da empresa na Unidade de Germano (MG) estão paralisadas. Na Unidade de Ubu, em Anchieta (ES), as operações industriais serão paralisadas ao final dos estoques de minério. O mesmo acontecerá com as operações de embarque, que serão interrompidas ao término dos estoques de produtos.

Segundo o último boletim divulgado dia (7) às 13h pelo Serviço Geológico do Brasil, que monitora 24 horas a cheia do Rio Doce provocada pelos rompimentos das barragens, na tarde deste domingo a previsão é que o pico da onda de cheia chegue nas estações de monitoramento de Governador Valadares (MG). Esta onda de cheia, ainda segundo os técnicos que monitoram a região, não irá causar enchentes nos municípios localizados na margem do Rio Doce.

Após temporal, equipes retomam buscas por desaparecidos em Minas Gerais


Os trabalhos de busca e resgate no distrito de Bento Rodrigues, na zona rural em Mariana (MG), começaram por volta das 6h de hoje (8), após o temporal que caiu na região durante a madrugada. Homens do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, do Exército e da Defesa Civil do estado buscam 28 pessoas que continuam desaparecidas após o rompimento de duas barragens da mineradora Samarco.

Em entrevista à Agência Brasil, o major Rubens da Cruz, do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, explicou que o ideal é que o tempo fique mais firme para que a lama no local fique mais sólida e facilite o deslocamento na região.

"Mesmo com tempo fechado, nós vamos continuar", disse. "Não há previsão para parar. A população tem medo que se interrompa as buscas, mas não existe essa possibilidade", ressaltou.

A previsão, segundo ele, é que, ao longo do dia, as equipes de busca se desloquem para outros distritos de Mariana também afetados pelo rompimento das barragens, como Paracatu, Rio Doce e Barra Longa. "Vamos descendo, seguindo o leito do rio", explicou.

sábado, 7 de novembro de 2015

Acidente de avião russo ocorreu de forma rápida e violenta, confirma caixa-preta


Os testes em uma das caixas-pretas do avião da companhia russa MetroJet que caiu na península egípcia do Sinai confirmaram o caráter “violento e rápido” dos acontecimentos que levaram à queda da aeronave.

A informação foi divulgada hoje (6) em Paris por uma fonte próxima do dossiê que contém os dados das caixas pretas, citada pela agência francesa AFP. A mesma fonte citada pela AFP indicou que os testes feitos nas duas caixas-pretas, cruzados com os dados recolhidos no local do acidente e a experiência dos investigadores, permitem “privilegiar fortemente” a hipótese de que um atentado causou a queda do avião russo.

Segundo os dados fornecidos pela caixa, tecnicamente designada Flight Data Recorder (FDR) e que registra todos os parâmetros técnicos do voo "tudo estava normal, absolutamente normal durante o voo e, de repente, não há mais nada”, indicou a mesma fonte.

“Isto dá a sensação de rapidez, do caráter imediato” dos acontecimentos, informou a fonte, em um momento em que as duas caixas pretas do aparelho, uma que contém os parâmetros do voo e outra que registra as conversas da tripulação, foram analisadas.

O Airbus A321 da companhia Metrojet caiu no sábado no Sinai, após ter descolado da estância balneária egípcia Sharm el-Sheikh com destino à cidade russa de São Petersburgo, deixando 224 mortos.

A descodificação do Flight Data Recorder e do gravador de vozes de cabine (Cockpit Voice Recorder) do aparelho indica que “tudo estava normal”, tanto ao nível dos mecanismos como das conversas, até ao 24.º minuto do voo, referiu a fonte, que pediu anonimato. A partir desse momento, acrescentou a fonte, as duas caixas-pretas do aparelho deixaram de funcionar abruptamente, sendo percetível “uma descompressão explosiva muito repentina”.

A autoria do desastre foi reivindicada pelo grupo radical Estado Islâmico (EI).
As autoridades norte-americanas e britânicas declararam ser possível que um explosivo tenha causado a queda do avião, enquanto o Egito e a Rússia pediram paciência antes de tirar conclusões até que os resultados da investigação sobre o acidente sejam conhecidos.

O jumento da semana


O jumento da semana vai para o deputado paranaense Fernando Francischini.

Ladeado por Eduardo Cunha, Francischini ultrapassou a barreira do decoro e cruzou a linha da estupidez na visita do príncipe Akishino, do Japão, à Câmara. 

O deputado obrigou um estafeta a escrever a seguinte frase numa cartolina:

“We want the impeachment of the (sic) president Dilma Roussef because we hope Brazil becomes as honoured as Japan”.

Diante de Akishino, empunhou o cartaz, como um daqueles sujeitos que vendem ouro no centro da cidade. O homem deu um sorriso sem graça e saiu apressado, de fininho, assustado com os costumes daquele estranho povo.

“Não aguentei: tive que falar para o príncipe do Japão que a situação da corrupção no Brasil está imoral”, afirmou Francischini. No Facebook, lamentou: “Se toda essa corrupção fosse no Japão seria diferente. Ah, seria…”


Sobre o Blog

Bem‑vindo ao Blog Dag Vulpi!

Um espaço democrático e apartidário, onde você encontra literatura, política, cultura, humor, boas histórias e reflexões do cotidiano. Sem depender de visões partidárias — aqui prevalecem ideias, conteúdos e narrativas com profundidade e propósito.

Visite o Blog Dag Vulpi