terça-feira, 26 de novembro de 2013

O Assistente Social e sua Competencia Ético-Política


O ASSISTENTE SOCIAL E A ÉTICA POLÍTICA
  • O projeto ético-político do Serviço Social tem como objetivo central a construção de um novo referencial á profissão.

    A dimensão ético-política trabalha com a contradição histórica da profissão em seu processo de trabalho. A sua inserção na sociedade, sua proposição, posicionamento e atuação se dão através da ética profissional e da proposição política. A dimensão ético-política da profissão não se dá sem uma ética norteadora que dê sentido, clareza e finalidade ás suas ações.

    O Projeto ético-político visa garantir a capacidade de discernimento crítico em análises a fim de buscar, compreender, explicar, criticar e problematizar a realidade em um âmbito institucional, se posicionando ética e politicamente no enfrentamento da questão social e da inserção profissional, descrevendo e analisando as demandas do Serviço social, atribuindo condições para que se formem profissionais competentes, renovadores, críticos e propositivos.

    O enfoque ético-político vem motivar, questionar e incentivar a uma praxis na atuação do Serviço Social, pois a práxis, não define somente no atendimento do usuário, mas, também envolve uma postura profissional que perpassa as suas ações, como por exemplo iniciar um atendimento, demonstrar interesse em reuniões de equipe com outros profissionais, sempre se voltando a um melhor atendimento ás demandas institucionais e aos usuários, bem como nas políticas públicas, buscando a garantia de direitos de todos os usuários.

    A Competência ético-política é fundamental ao assistente social, pois atribui ao profissional uma contribuição para o enfrentamento da questão social, tendo clareza em seu processo de trabalho. Aponta para essa questão de estimular, provocar, para que haja uma formação profissional competente, onde trabalhem a construção do caráter ético-político respeitando a individualidade do cidadão. Seu objetivo é buscar uma transformação social embasada e fundamentada em uma teoria social transformadora de grande importância na realização de uma prática profissional competente e propositiva, intervindo como facilitador na formação de usuários conscientes, com direitos garantidos, para que exerçam seu papel de cidadão, saindo de uma percepção alienada.

    O caráter ético-político nos mostra a amplitude da prática da profissão, deixando em evidência as ações e a intervenção profissional, sempre destacando ao usuário seus direitos e seu dever de cidadão. O profissional deve se pautar em uma prática competente e ética, tendo como dever trabalhar na conscientização da sociedade, formulando idéias que desenvolvam sua consciência no que diz respeito a toda sociedade na construção de um novo projeto societário. Esse projeto societário busca se embasar nos princípios norteadores do Código de Ética Profissional do Assistente Social, onde o reconhecimento da liberdade e da democracia é assumido como valores centrais e éticos-políticos.
    "O projeto societário que historicamente serve de referência ideo-político ao projeto profissional de ruptura se insere no âmbito do ideário socialista e dos movimentos emancipatórios a ele conectados". (BARROCO, 1997).

    A questão política está ligada a conduta profissional, pois ela faz com que os próprios profissionais tenham consciência da importância dessa perspectiva para uma prática ética e competente, que não permite o assistencialismo e uma prática alienada, mas para uma prática motivadora que sempre busca renovação e atualização, buscando também uma prática informativa, questionadora, argumentativa e transformadora. Essa compreensão deve se dar através de reflexões e questionamentos com uma ligação dialética do exercício profissional, da teoria do Serviço Social, da vivências históricas, da apreensão da realidade e de um compromisso ético e político que orienta, motiva e questiona, a fim de alcançar uma prática competente, com resultados que alcancem os objetivos da prática profissional vinculada a questão de compromisso com a sociedade e com a classe trabalhadora.
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"Continuidade política dificultou punição de militares"


" POLÍTICOS DIFICULTARAM PUNIÇÃO DE MILITARES"
  • Segundo analista português, a permanência de parte da elite autoritária na política dificultou a identificação de criminosos.

    Por Marsílea Gombata

    Prestes a lembrar 50 anos do golpe de 1964, o Brasil se encontra em meio à busca sobre o papel das comissões da verdade que pipocaram nos últimos meses e debate a necessidade de punição dos agentes torturadores do Estado. Diferentemente da vizinha Argentina, que levou ao banco dos réus seus ditadores, o País provavelmente não conseguirá punir os culpados, uma vez que optou por um processo contínuo de transição. A avaliação é do politólogo da Universidade de Lisboa António Costa Pinto, que juntamente com historiador Francisco Carlos Palomanes Martinho, da Universidade de São Paulo, organizou o livro O Passado Que Não Passa (Civilização Brasileira), lançado na semana passada em São Paulo.

    “A transição brasileira teve um grande elemento de continuidade na própria elite política. Depois das eleições diretas, uma parte significativa dos políticos da Arena continuaram no Congresso, o que não aconteceu em Portugal e em outras transições democráticas. Foi um processo muito continuísta, ou seja, uma parte da elite autoritária sobreviveu e integrou-se ao regime democrático”, observou Costa Pinto em entrevista a CartaCapital. “Nesses casos, é sempre mais difícil ter uma justiça de transição punitiva, porque se buscará punir políticos que têm legitimidade democrática, e isso pode soar como contradição dentro da democracia.”

    O especialista explica que, de modo distinto de outros países palcos de ditaduras, o Brasil contou com a participação massiva da elite, criando uma ditadura não apenas militar, mas também civil. “Desse modo, fica mais difícil identificar e punir o criminoso. Sabemos, claro, que quem dirigia a ditadura brasileira era a elite militar, mas a colaboração da elite civil foi mais importante no Brasil do que, por exemplo, na Argentina e no Chile”, explicou ao lembrar que transições desse tipo podem levar à punição os instrumentos da repressão, mas não quem a ordenava.

    Para o especialista, cujo livro busca fazer uma comparação entre o modo pelo qual democracias da Europa e da América Latina reagiram aos regimes autoritários, o tipo de reparação simbólica é ainda mais efetivo do que o punitivo para a efetividade do processo democrático. “A reparação é, muitas vezes, mais efetiva que a punição. Passados dez, 15 anos da ditadura, esgotam-se as potencialidades de se assegurar uma maior qualidade ao regime democrático”, avaliou. “Quando olhamos para democracias latino-americanas verificamos que a transição, aquela que passou há anos, foi a oportunidade para se punir as autoridades. Depois de um certo tempo, a consolidação democrática e o funcionamento das instituições impedem a justiça retroativa.” Assim, segundo Pinto, cabe ao momento atual do Brasil fazer justiça em um movimento de reparação simbólica, dando voz e dignidade às vítimas.

    “O Brasil é um dos casos, ao contrário do Chile e da Argentina, em que a justiça punitiva foi bloqueada, e creio que ficará”, analisou. “A elite democrática brasileira preferiu o compromisso de consolidação democrática ao de abrir feridas do passado em relação à elite autoritária que coabitava e ainda coabita no Congresso e está presente também na hierarquia das Forças Armadas. E essa foi, temos de reconhecer, a decisão da sociedade brasileira.”

    Do site Carta Capital
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Não penso, logo relincho


NÃO PENSO, LOGO RELINCHO
  • Um pequeno glossário com a lista dos principais clichês repetidos pelas redes sociais para justificar, no discurso, um mundo de violência e exclusão.

    Por Matheus Pichonelli

    Dizem que uma mentira repetida à exaustão se transforma em verdade. Pura mentira. Uma mentira repetida à exaustão é só uma mentira, que descamba para o clichê, que descamba para o discurso. E o discurso, quando mal calibrado, é o terreno para legitimar ofensas, preconceitos, perseguições e exclusões ao longo da História. Nem sempre é resultado da má fé. Por estranho que pareça, é na maioria das vezes fruto da indigência mental – uma indigência mental que assola as escolas, a imprensa, as tribunas, as mesas de bares, as redes sociais. Com os anos, a liberdade dos leitores para se manifestar sobre qualquer assunto e o exercício de moderação de comentários nos levam a reconhecer um clichê pelo cheiro. Listamos alguns deles abaixo com um apelo humanitário: ao replicar, você não está sendo original; está apenas repetindo uma fórmula pronta sem precisar pensar sobre tema algum. E um clichê repetido à exaustão, vale lembrar, não é debate. É apenas relincho*.

    “Negros tem preconceitos contra eles mesmos”

    Tentativa clássica de terceirizar o próprio racismo é a frase mais falada das redes sociais durante o Dia da Consciência Negra. É propagada justamente por quem mais precisa colocar a mão na consciência em datas como esta: pessoas que nunca tomaram enquadro na rua nem foram preteridas em entrevistas de emprego sem motivos aparentes. O discurso é recorrente na boca de quem jamais se questionou por que a maioria da população brasileira não circula em ambientes frequentados pela elite financeira e intelectual do País, como universidades, centros culturais, restaurantes, shows e centros de compra. Tem a sua variação homofóbica aplicada durante a Parada Gay. O sujeito tende a imaginar que Dia Branco e Dia Hétero são equivalentes porque ignora os processos históricos de dominação e exclusão de seu próprio país.

    “Não precisamos de consciência preta, parda ou branca. Precisamos de consciência humana”

    Eis uma verdade fatiada que deixa algumas perguntas no contrapé: o manifestante a exigir direitos iguais não é gente? O que mais se busca, nessas datas, se não a consciência humana? Ou ela seria necessária, com ou sem feriado, caso a cor da pele (ou o gênero ou a sexualidade) não fosse, ainda hoje, fatores de exclusão e agressão?

    “Heteros morrem mais do que homossexuais. Portanto, somos mais vulneráveis”
    É o mesmo que medir o volume de um açude com uma régua escolar. Crimes como homicídio, latrocínio, roubo ou furto têm causas diversas: rouba-se ou mata-se por uma carteira, por ciúmes, por fome, por motivo fútil, por futebol, mas não necessariamente por causa da orientação sexual da vítima. O argumento é utilizado por quem nunca se perguntou por que ninguém acorda em um belo dia e decide estourar uma barra de ferro na cabeça de alguém só porque este alguém gosta e anda de mãos dadas com alguém do sexo oposto. O crime motivado por ódio contra heterossexuais é tão plausível quanto ser engolido por uma jaguatirica em plena Avenida Paulista.

    “Estamos criando uma ditadura gay (ou racial) no Brasil. O que essas pessoas querem é privilégio”

    Frase utilizada por quem jamais imaginou a seguinte cena: o sujeito acorda, vê na tevê sempre os mesmos apresentadores, sempre as mesmas pautas, sempre as mesmas gracinhas. No caminho do trabalho, ouve ofensas de pedestres, motoristas e para constantemente em uma mesma blitz que em tese serviria para todos. Mostra documento, RG. Ouve risada às suas costas. Precisa o tempo todo provar que trabalha e paga imposto (além, é claro, de trabalhar e pagar imposto). Chega ao trabalho e é recebido com deferência: “oi boneca”; “oi negão”; “veio sem camisa hoje (quando usa camisa preta)?”. Quando joga futebol, vê a torcida imitando um macaco, jogando bananas ao campo, ou imitando gazelas. E engasga toda vez que vira as costas e se descobre alvo de algum comentário. Um dia diz: “apenas parem”. E ouve como resposta que ele tem preconceito contra a própria condição ou está em busca de privilégio. Resultado: precisamos de um novo glossário sobre privilégios.

    “A mulher deve se dar o valor”

    Repetida tanto por homens como mulheres, é a confissão do recalque, em um caso, e da incompetência, no outro: o homem recorre ao mantra para terceirizar a culpa de não controlar seus próprios instintos; a mulher, por pura assimilação dos mandamentos do pai, do marido e dos irmãos. Nos dois casos o interlocutor acredita que, ao não se dar o valor, a menina assume por sua conta e risco toda e qualquer violência contra sua pretensão. Para se vestir como quer, andar como quer, dizer e fazer o que quer com quem bem quiser, ouvirá, na melhor das hipóteses, que não é a moça certa para casar; na pior, que foi ela quem provocou a agressão.

    “Os homens também precisam ser protegidos da violência feminina”

    Na Lua, é possível que a relação entre gêneros seja equivalente. Na Terra, ainda está para aparecer o homem que apanhou em casa porque foi chamado de gostoso na rua, levou mão na bunda, ouviu assobios ou ruídos com a língua sem pedir a opinião da mulher. Também não há relevância estatística para os homens que tiveram os corpos rasgados e invadidos por grupos de mulheres que dominam as delegacias do País e minimizam os crimes ao perguntar: “Quem mandou tirar a camisa?”.

    “Se ela se deixou ser filmada, é porque quis se exibir”. Verdade. Mas não leva em conta um detalhe: existe alguém do outro lado da tela, ou da câmera. Este alguém tem um colchão de conforto a seu favor. Se um dia o vídeo vazar, será carregado nos braços como comedor. Ela, enquanto isso, vai a exibida. A puta. A idiota que se deixou ser flagrada. A vergonha da família. A piada na escola. Parece uma relação bastante equilibrada, não?

    “O humor politicamente correto é sacal”

    É a mais pura verdade em um mundo no qual o politicamente incorreto serve para manter as posições originais ao riso: ricos rindo de pobres, paulistas ridicularizando nordestinos, brancos ricos fazendo troça de mulatos pobres, machões buscando graça na vulnerabilidade de gays e mulheres. As provocações são brincadeiras saudáveis à medida que a plateia não se identifica com elas: a graça de uma piada sobre português é proporcional à distância do primeiro português daquele salão. Via de regra, a frase é usada por quem jura se ofender quando chamado de girafa branca tanto quanto um negro ao ser chamado de macaco. Só não vale perguntar se o interlocutor já foi chamado de “elemento suspeito”, com tapas e humilhações, pelo simples fato de ser alto como o artiodátilo.

    “Bolsa Família incentiva a vagabundagem. Pegar na enxada e trabalhar ninguém quer”

    Há duas origens para a sentença. Uma advém da bronca – manifestada, ironicamente, por quem jamais pegou em enxada – por não se encontrar hoje em dia uma boa empregada doméstica pelo mesmo preço e a mesma facilidade. A outra origem é da turma do “pegar o jornal e ler além o horóscopo ninguém quer”; se quisesse, o autor da frase saberia que o Bolsa Empreiteiro (que também dispensa a enxada) consome muito mais o orçamento público do que programa de transferência de renda. Ou que a maioria dos beneficiários de Bolsa Família não só trabalha como é obrigada a vacinar os filhos, manter a regularidade na escola e atravessar as portas de saída do programa. Mas a ojeriza sobre números e fatos é a mesma que consagrou a enxada como símbolo do nojo ao trabalho.

    “Na ditadura as coisas funcionavam”

    Frase geralmente acolhida por pacientes com síndrome de Estocolmo. Entre 1964 e 1985, a economia crescia para poucos, às custas de endividamento externo e da subserviência a Washington; universalização do ensino e da saúde era piada pronta, ninguém podia escolher os seus representantes, a imprensa não podia criticar os generais e a sensação de segurança e honestidade era construída à base da omissão porque ninguém investigava ninguém. Em todo caso, qualquer desvio identificado era prontamente ofuscado com receitas de bolo na primeira página (os bolos eram de fato melhores).

    “Você defende direito de presos porque ele não agrediu ninguém da sua família”. É o sofisma usado geralmente contra quem defende o uso das leis para que a lei seja garantida. Para o sujeito, aplicação de penas e encarceramentos são privilégios bancados às custas dele, o contribuinte. Em sua lógica, o Estado só seria efetivo se garantisse a sua segurança e instituísse a vingança como base constitucional. Assim, a eventual agressão contra um integrante de uma família seria compensada com a agressão a um integrante da família do acusado. O acúmulo de experiência, aperfeiçoamento de leis e instituições, para ele, são licença poética: bons eram os tempos dos linchamentos, dos apedrejamentos públicos, da Lei de Talião. Falta perguntar se o defensor do fuzilamento está disposto a dar a cara a tapa, ou a tiro, quando o filho dirigir bêbado, atropelar, agredir e violentar a família de quem, como ele, defende penas mais duras para crimes inafiançáveis.

    “A criminalidade só vai diminuir quando tiver pena de morte no Brasil”

    Frase repetida por quem admira o modelo prisional e o corredor da morte dos EUA, o país mais rico do mundo e ao mesmo tempo o mais violento entre as nações desenvolvidas. Lá o crime pode não compensar (em algum lugar compensa?), mas está longe de ser varrido junto com seus meliantes.

    “Político deveria ser tratado por médico cubano”

    Tradução: “não gosto de política nem de médico cubano”. Pelo raciocínio, todo paciente tratado por cubanos VAI morrer e todo político que precisa de tratamento médico DEVE morrer. Para o autor da frase, bons eram os tempos em que, na falta de médico brasileiro, o melhor é deixar morrer – ou quando as leis eram criadas não pelo Legislativo, mas pelo humor de quem governa na canetada.

    “Deveriam fazer testes de medicamento em presidiários, não em animais”

    Também conhecida como “não aprendemos nada com a parábola do filho Pródigo que tantas vezes rezamos na catequese”. É citada por quem não aceita tratamento desumano contra os bichos, mas não liga para o tratamento desumano contra humanos. É repetida também por quem se imagina livre de todo pecado e das grandes ironias da vida, como um certo fiscal da prefeitura de São Paulo que um certo dia criticou o direito ao indulto de presidiários e, no outro, estava preso acusado de participação na máfia do ISS. É como dizem: teste de laboratório na cela dos outros (ou do filho dos outros) é refresco.

    “Por que você não vai para Cuba?”

    Também conhecida como “acabou meu estoque de argumentos. Estou andando na banguela”.

    *Este post é permanente: será atualizado conforme outros clichês não contemplados na primeira postagem aparecerem. Todos estão convidados a colaborar.
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Doações de civis para a ditadura começaram antes do golpe


CIVIS DOARAM PARA A DITADURA ANTES DO GOLPE
Egydio Martins
  • Doações de civis para a ditadura começaram antes do golpe

    Segundo Paulo Egydio Martins, governador de SP entre 1975 e 1979, empresários ajudaram a reequipar frotas do II Exército antes de 1964.

    Por Marsílea Gombata
    Antes mesmo de os militares chegarem ao poder por meio do golpe, em 1º de abril de 1964, civis já os apoiavam com doações financeiras com o intuito de deter o governo do então presidente João Goulart. De acordo com Paulo Egydio Martins, governador do estado de São Paulo entre 1975 a 1979, não houve um grande empresário que não tivesse apoiado o golpe. “Se me perguntarem quem não apoiou, não saberia dizer. Foram muitos, mas duas figuras se destacaram: Quartim Barbosa (presidente do Banco do Commércio e Indústria de São Paulo) e Gastão Vidigal (do Banco Mercantil de São Paulo)”, disse Egydio Martins em depoimento nesta terça-feira 26 à Comissão da Verdade Vladimir Herzog, na Câmara Municipal de São Paulo. “As doações foram fundamentais para os militares chegarem ao poder. O II Exército, aqui em São Paulo, era uma piada e estava, literalmente, no chão”, lembrou sobre a ajuda dada para a compra de pneus, baterias, carburadores e combustível para os veículos militares.

    Segundo Egydio Martins, hoje com 85 anos de idade, as doações eram feitas em dinheiro, por pessoas físicas, para coronéis do Estado Maior do II Exército e não em nome das empresas. “Esse dinheiro, claro, deveria ser forçosamente caixa 2 das empresas dessas pessoas, mas não era oficialmente o dinheiro desses grupos”, disse. O ex-governador contou ainda que antes mesmo de assumir o Palácio dos Bandeirantes foi diretor da Associação Comercial do estado de São Paulo, cargo no qual ajudou a montar um grupo de coordenação para as doações destinadas à reequipagem do II Exército. “Isso foi feito com a maior boa vontade, quando se aproximava já do fim o governo Jango. Foi feito de forma escancarada e não houve reclamação”, lembrou ao ressaltar a relação de amizade que mantinha com Júlio de Mesquita Filho, da família dona do jornal O Estado de S. Paulo, com quem cuidava do que chamou de “pensamento estratégico” da elite empresarial e dos bastidores do poder.

    Apesar de dizer que não tem informações precisas sobre as doações de pessoas físicas para os militares depois de 1969, quando foram montados órgãos de repressão como a Operação Bandeirante e os DOI-CODI, Egydio Martins disse que não crê em alguma razão para as doações terem cessado.
    Segundo o ex-governador paulista, a colaboração da elite civil ocorreu para impedir que o Brasil se tornasse um país como Cuba e não para o que viria a ser uma ditadura de mais de 20 anos. “A aliança civil-militar não era para a implantação de uma ditadura. Era para derrubada de um presidente eleito, sim, e sabia-se da gravidade do ato. Era para não haver uma cubanização no Brasil”, afirmou. “Não houve espírito civil ditatorial, mas antiditatorial, antigolpista. Temia-se, pelo pronunciamento do Jango, a constituição de um Estado socialista aos moldes de Cuba. Mas em hipótese alguma esperávamos uma ditadura militar. Nós, civis que participamos do movimento, fomos traídos no fim e nunca nos foi dito que a nossa participação seria usada para a implantação de uma ditadura.”

    Para ele, existia um estado de tensão e nervosismo provocado pelos “discursos cada vez mais violentos” do presidente da República, João Goulart, e as pessoas passaram a se mobilizar para “não deixar o Brasil virar um ‘Cubão’. "Eu aprendi a odiar todas as ditaduras, aprendi a odiar o comunismo antes mesmo do fascismo. E uma das razões que me levou à conspiração foi buscar evitar uma ameaça ditatorial como a dos bolcheviques e a de Mao Tsé-Tung, com milhares de pessoas assassinadas, ou a de Fidel Castro. Eu não queria isso para o Brasil.”

    Escolhido por voto indireto durante o governo do general Ernesto Geisel (1974-1979), Martins disse no depoimento desta terça-feira ainda que a morte do jornalista Vladimir Herzog no DOI-CODI em São Paulo fazia parte de um complô para derrubar o então ditador. “Eles (os militares) queriam um regime mais forte, muito mais violento. O próprio Sylvio Frota, ex-ministro do Exército do Geisel, era um deles.”

    No site da Carta Capital
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José Dirceu é contratado para trabalhar em hotel de Brasília


JOSÉ DIRCEU VOLTARÁ A TRABALHAR
  • José Dirceu é contratado para trabalhar em hotel de Brasília

    O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu foi contratado para trabalhar como gerente administrativo do Hotel Saint Peter, em Brasília. De acordo com o contrato de trabalho assinado pelo ex-ministro, ele deve receber salário de R$ 20 mil. Segundo a assessoria do Supremo Tribunal Federal (STF), caberá ao juiz da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal decidir sobre a autorização de trabalho externo.

    Dirceu foi condenado a sete anos e 11 meses de prisão em regime semiaberto na Ação Penal 470, o processo do mensalão. Ele está preso na Penitenciária da Papuda, em Brasília. De acordo com a Lei de Execução Penal, os condenados em regime semiaberto podem trabalhar dentro do presídio, em oficinas de marcenaria e serigrafia, por exemplo, ou externamente, em uma empresa que contrate detentos.

    Segundo o contrato de trabalho assinado pelo ex-ministro, ele deverá cumprir horário de trabalho das 8h às 17h e terá uma hora de almoço. Na ficha de solicitação de emprego, Dirceu afirmou que se candidatou ao emprego “por necessidade e por apreciar hotelaria e a área financeira”.
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Laudo afirma que cardiopatia de Genoino não é grave

A junta médica do Hospital Universitário de Brasília, formada para avaliar o estado de saúde do deputado José Genoino (PT-SP), concluiu que ele é portador de cardiopatia “que não se caracteriza como grave”. O laudo foi entregue hoje (26) ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa. Com a base no documento, Barbosa vai decidir se Genoino, condenado na Ação Penal 470, o processo do mensalão, vai permanecer em prisão domiciliar temporária ou voltará para o Presídio da Papuda.
Foram indicados os seguintes médicos para fazer a perícia: Luiz Fernando Junqueira Júnior, professor de cardiologia da Universidade de Brasília e presidente da junta; Cantídio Lima Vieira, cardiologista e especialista em perícia médica; Fernando Antibas Atik, especialista em cirurgia cardiovascular; Alexandre Visconti Brick, professor de cirurgia cardiovascular, e Hilda Maria Benevides da Silva de Arruda, médica cardiologista do hospital universitário.

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