sábado, 10 de novembro de 2012

Flórida tem recontagem e denúncias

Democratas acusam republicanos de estimular filas em distritos que votaram em Obama, mas presidente deve vencer no Estado


O Estado de S. Paulo
MIAMI, EUA  - Doze anos depois de um impasse que só foi resolvido na Suprema Corte dos EUA, o Estado da Flórida voltou a recontar seus votos. Mas, ao contrário do que ocorreu na disputa entre Al Gore e George W. Bush, a recontagem deste ano não será decisiva para a disputa no Colégio Eleitoral.
Eleitores esperam em fila para votar em Miami, na terça - David Santiago/El Nuevo Herald/AP
David Santiago/El Nuevo Herald/AP
Eleitores esperam em fila para votar em Miami, na terça
Com a apuração concluída em 49 Estados, o presidente Barack Obama já tem 303 delegados eleitos, 33 a mais do que o mínimo necessário. Assim, a pequena vantagem de 50 mil votos na Flórida apenas ampliaria sua vantagem em 29 delegados. Na quinta-feira, a campanha do republicano Mitt Romney admitiu a derrota no Estado, mesmo com a recontagem de votos enviados pelo correio ainda em vigor. Segundo a apuração parcial, Obama teve 49,9% dos votos e Romney, 49,3%.
Para assessores de Obama, a oficialização da vitória é uma formalidade. "Em algum momento seremos oficialmente declarados ganhadores", afirmou o chefe da campanha do presidente, Jim Messina. Mas lideranças do partido no Estado criticaram a demora. "É constrangedor que dois dias após a eleição a Flórida ainda não tenha o resultado da eleição", declarou o líder dos democratas no Estado, Rod Smith.
Humor
O episódio foi alvo também de brincadeiras de humoristas políticos. "Na Flórida a eleição ainda não foi resolvida. A boa notícia é que a eleição foi decidida sem ela", disse o apresentador Jon Stewart. O cineasta Billy Corben foi mais irônico. "Depois dessa eleição, a Flórida será pior do que motivo de piadas. Será um motivo de piadas irrelevante", escreveu no Twitter.
De acordo com analistas, a recontagem e as longas filas e tumultos no dia da eleição no Estado devem-se a uma mudança nas regras eleitorais instituída pelo governador republicano Rick Scott em 2011 e alterou uma reforma feita após a eleição de 2000 que buscava evitar novos problemas com a recontagem.
A comissão eleitoral estadual reduziu de 14 para oito dias o prazo para votos antecipados. O domingo que antecede a eleição presidencial, quando a comunidade negra do Estado vai em peso votar, ficou de fora do período, o que inflou as filas na terça-feira. Com o prazo mais curto, democratas recorreram à Justiça Federal para que os eleitores pudessem votar pelo correio.
Além disso, 11 emendas à Constituição estadual foram incluídas na cédula, o que a tornou grande e difícil de manejar. Quebras em máquinas de votação também atrasaram o processo. As filas em Miami chegaram a durar 5 horas. O governo estadual rejeita as acusações. "Houve um atraso na divulgação dos resultados da eleição em razão da alta participação, não por problemas no processo", disse a supervisora da eleição Christine White.
Para o professor de políticas públicas da Universidade da Flórida Lance de Haven-Smith, os republicanos reverteram as reformas aprovadas após o impasse de 2000 para restringir a participação democrata no processo. "Os números de dias foram reduzidos para aumentar as filas em zonas urbanas, onde estão os distritos majoritariamente democratas", disse. / NYT E AFP

Record nega rombo de R$ 200 milhões e diz que crescerá 15%


Emissora diz que são falsos os boatos de que estaria sofrendo sérios problemas com prejuízo e problemas na administração


São Paulo – A Rede Record enviou hoje um comunicado à imprensa afirmando não ser verídica as informações sobre a crise financeira da emissora, que tem reestruturado programas e demitido pessoas nos últimos meses. A suspeita é de que as mudanças teriam acontecido em decorrência de um prejuízo atual de 200 milhões de reais da empresa, segundo informações divulgas ontem na mídia.

“A sequência de publicações ignora que em 2012 a Record fez uma inédita e exclusiva cobertura dos Jogos Olímpicos de Londres, que marcou a história da televisão brasileira, e colocou em evidência os patrocinadores que acreditaram em nosso projeto”, afirmou a empresa em comunicado.

A Record deve fechar o ano com um crescimento de 15 % do faturamento publicitário, “mais do que a média de todo o mercado”, diz a emissora de TV por meio da nota.
A empresa afirma também que já definiu o seu cronograma em televisão aberta e gratuita para 2013 que incluirá a produção de uma macrosérie baseada no espetáculo teatral “Dona Xepa” e a primeira novela do autor Carlos Lombardi na Record. “Além disso, acabamos de adquirir o direito de produzir um dos maiores sucessos da televisão americana e europeia, o Show Got Talent”, diz em nota.

Gestão suspeita
De acordo com o UOL, a emissora estaria sendo forçada a fazer uma série de mudanças para reduzir custos rapidamente, enquanto realiza ao mesmo tempo outras alterações de grade na tentativa de aumentar a audiência – e a publicidade, claro. A estimativa é que a programação do canal tenha médias de até 0,4 ponto de ibope (cada ponto corresponde a 60 mil domicílios na Grande São Paulo).

Pagamento de altos salários, despesas com o contrato caro pago para a exclusividade de transmissão das últimas Olimpíadas e erros de planejamento são alguns dos fatores que contribuíram para que as contas da emissora não fechassem nos últimos tempos. Outro agravante, de acordo com o site, foi o fato do dinheiro da igreja Universal pela cessão de horários na madrugada ter se tornado insuficiente para equilibrar ou ao menos reduzir o volume das despesas da emissora.

Na segunda-feira, dia 5, a emissora avisou que o Record News, seu programa jornalístico, passaria por uma grande reformulação de sua grade de programação na tentativa de sanar o prejuízo.
“A experiência do primeiro canal de notícias em televisão aberta totalmente gratuito demonstrou que o formato precisa se adequar ao novo momento de comunicação no País. Assim, a nova Record News terá conteúdo estritamente jornalístico e sua programação vai priorizar as principais informações do dia”, afirmou a empresa por meio de comunicado.

No dia seguinte, com a demissão de cerca de 40 funcionários, o ex-âncora de algumas edições do "Hora News", principal boletim de notícias da Record News, e do vespertino "Direto da Redação", João Santos desabafou em seu Twitter: “Queridos ap de hoje não faço mais parte da Record News, que demitiu quase todos os profissionais . Boa sorte pra gente e vamos em frente!.”





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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Marco Aurélio compara estilo de Joaquim Barbosa a regime totalitário



'Ele deve entender que os outros ministros não são vaquinhas de presépio', afirmou o ministro do STF


O ministro Marco Aurélio Mello, do STF, recomendou nesta sexta-feira, 9, ao relator do mensalão, ministro Joaquim Barbosa, que ele entenda que divergências são próprias de colegiados. Os dois têm se desentendido durante as sessões de julgamento da ação do mensalão.

Sobre o fato de Barbosa assumir a presidência da Corte, dentro de alguns dias, Marco Aurélio declarou: "Vai dar tudo certo. Deus queira que ele (Barbosa) entenda que o presidente do Supremo coordena e não enfia goela abaixo. Divergência é própria de colegiado. Ele deve entender que os outros ministros não são vaquinhas de presépio, amém, amém, amém."

Marco Aurélio revelou preocupação com o estilo de Barbosa, a quem comparou com um regime totalitário. "Eu continuo preocupado com a ótica exteriorizada, que seria uma ótica de voz única", declarou Marco Aurélio, em São Paulo, onde participa de um ciclo de debates na Escola da Advocacia-Geral da União sobre concessão de rodovias. "No colegiado há divergências, só enriquece o pronunciamento. A dissidência é própria ao regime democrático. A voz única descamba para o totalitarismo."

Sobre a medida do relator que mandou apreender os passaportes dos réus do mensalão, Marco Aurélio observou: "cada cabeça, uma sentença". Ele disse que vai se manifestar sobre essa medida se provocado pela defesa. Segundo o ministro, o julgamento sinaliza com prisão em regime fechado para alguns mensaleiros.

Ainda sobre a gestão de Barbosa na presidência do STF, Marco Aurélio anotou: "a expectativa é que ele perceba a importância da cadeira ocupada pelo presidente, que o presidente é chefe de um Poder, que o presidente é um coordenador de trabalho desenvolvido por iguais."

Marco Aurélio lembrou, ainda, que Barbosa vai acumular a função de presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). "Que ele se preocupe também com o diálogo em termos de presidência do CNJ, já que é um colegiado que tem a participação de pessoas de diversos segmentos, não é um colegiado de iguais como o Supremo."

Desconhecimento. Sobre uma eventual investigação de possível envolvimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no esquema do mensalão, Marco Aurélio afirmou não conhecer o depoimento prestado pelo publicitário Marcos Valério ao procurador-geral da República que mencionaria a participação de Lula. Além disso, o ministro ressaltou que caso houvesse alguma ação nesse sentido, o foro competente seria a justiça de primeiro grau, vez que Lula não está mais à frente da presidência. "O judiciário é um órgão inerte, só atua a partir de uma provocação. E se houver alguma coisa, não é competência do Supremo", avaliou.

Fausto Macedo, de O Estado de S. Paulo - COLABOROU BEATRIZ BULLA

Funai confirma morte de índio munduruku


Brasília - A morte de um índio da etnia Munduruku, ocorrida quarta-feira (7), durante confronto com a Polícia Federal, foi confirmada hoje (9) pela Fundação Nacional do Índio (Funai). O corpo foi localizado às margens do Rio Teles, na Terra Indígena Kayabi, na divisa dos estados de Mato Grosso e do Pará.  
Em nota, a Funai informou que, “durante a operação, houve confronto, que resultou em policiais e indígenas feridos" e que um indígena morreu. De acordo com a Funai, alguns indígenas prestaram depoimento às autoridades policiais, no município de Sinop (MT), e voltaram para a aldeia.
A assessoria da Polícia Federal na região disse que tomou conhecimento da morte de Adenilson Kirixi Mundukuru, mas ressaltou que aguarda a necropsia para saber a causa do óbito. A Funai informou que está acompanhando a situação e que também aguarda a investigação sobre a causa da morte pelos órgãos competentes.
A denúncia partiu dos próprios indígenas, que acusaram a Polícia Federal de ter matado Adenilson. Ele desapareceu durante confronto entre índios Mundukuru e agentes da Polícia Federal, no início da manhã de quarta-feira. O conflito foi durante a Operação Eldorado, voltada para a repressão do  garimpo ilegal na região.
De acordo com os índios, a Polícia Federal chegou ao local por volta das 8h, usando helicópteros e fortemente armada. O barulho das máquinas teria assustado a comunidade, que lançou flechas em defesa da aldeia. Os agentes, então, revidaram com tiros e armas de efeito moral.
Cinquenta e uma organizações lançaram, ontem (8) nota em defesa dos índios munduruku e repudiando o ocorrido. “Exigimos que os fatos sejam apurados e os culpados pelos ataques e assassinato do índio munduruku sejam criminalmente penalizados." A nota das organizações critica também o projeto do governo federal para a região, considerando-o um “projeto de destruição da floresta, dos rios e da vida na Amazônia”.

Luciano Nascimento -  Agência Brasil - Edição: Nádia Franco

Economia chinesa superará a dos EUA em 2016




O Produto Interno Bruto (PIB) da China superará o dos Estados Unidos em 2016, disse nesta sexta-feira a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), em um relatório sobre o crescimento da economia mundial até 2060. "O equilíbrio da potência econômica irá mudar sensivelmente nos próximos 50 anos", diz a OCDE, que prevê ainda que a economia mundial crescerá em média 3% ao ano.
Posteriormente, também o PIB da Índia irá superar o dos Estados Unidos, mas no "longo prazo". "A crise econômica que temos vivido nos últimos cinco anos terminará sendo superada, mas o mundo de nossos filhos e netos talvez seja muito diferente do nosso", diz o diretor geral da OCDE, Angel Gurría, segundo o relatório. "Dadas suas fortes taxas de crescimento, o PIB total de China e Índia superará a das sete maiores economias mundiais (G7) até 2025.
Será 1,5 vezes superior em 2025, sendo que, em 2010, representava menos da metade do PIB do G7", indica a OCDE. Em termos gerais, "a diferença que há atualmente entre o nível dos mercados emergentes e o de economias avançadas será reduzido até 2060", diz a OCDE. Para a Organização, as economias de países cujas populações envelhecem, como o Japão, ocuparão um lugar menor que agora com relação a países com populações mais jovens, como Indonésia e Brasil.

Estudante é premiada por trabalho que cria índice de desigualdade de gênero para o Brasil


Brasília - Mulheres e homens têm acesso praticamente igual à educação no Brasil, mas quando se fala em política e economia, os homens têm vantagem considerável. Eles estão em cerca de 54,4 milhões de posições no mercado de trabalho, enquanto elas ocupam 43 milhões. O peso também está no orçamento do final do mês: na média, os homens ganham R$ 4,9 por hora a mais que as mulheres em cargos semelhantes. Na política, são 2.013 homens e 292 mulheres no poder.

Os dados estão no trabalho A Mensuração da Desigualdade de Gênero: um Índice para os Estados Brasileiros, da estudante de economia Luísa Cardoso, premiado pelo Conselho Regional de Economia do Distrito Federal (Corecon-DF). Luísa propõe a criação do Índice Nacional de Desigualdade de Gênero (INDG) capaz de medir, por estado, o acesso das mulheres à educação, saúde, economia e política.
A estudante se baseia no Índice Global de Desigualdade de Gênero (do inglês Global Gender Gap Index - GGGI) medido pelo Fórum Econômico Mundial em 135 países, no qual, em 2012, o Brasil aparece em 62º lugar. “O Brasil não tem um índice próprio. O GGGI considera variáveis que não fazem parte da nossa realidade. O INDG seria uma forma de monitoramento das desigualdades brasileiras e pode ser atualizado constantemente”, justifica a autora.
Com base em dados de 2009, 2010 e 2011 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Congresso Nacional e outros bancos de dados oficiais, ela aplicou a escala internacional de 0 a 1, na qual quanto mais próximo a 1, maior o nível de igualdade para cada estado brasileiro. No total, o Brasil obteve 0,71 ponto. Se utilizado o INDG, o país estaria na 45ª posição no ranking mundial.
Na escala, Santa Catarina, com 0,676, aparece como o estado mais desigual, enquanto Rio Grande do Norte (0,779), como o estado com maior igualdade de acesso, seguido por Roraima (0,776) e Maranhão (0,768). O resultado mostra que a desigualdade não está ligada a uma menor renda, já que o Rio Grande do Norte tem quase metade (R$ 456,94) da renda per capita de Santa Catarina (R$ 864,51) de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (Pnad) 2009.
“O Brasil tem uma desigualdade regional imensa. Mensurar isso com dados nacionais é mais interessante e confiável. Embora a discriminação por gênero, uma das principais causas da desigualdade, não possa ser medida por dados quantitativos, ela continua existindo na sociedade como um todo”,  afirma a integrante do colegiado de gestão do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea), a socióloga Nina Madsen.
A socióloga explica que a discriminação começa na educação e se estende ao mercado de trabalho, prejudicando os salários e as promoções de mulheres a altos cargos. Segundo Nina, um dos fatores da diferenciação é que as mulheres ainda são responsáveis ao mesmo tempo pela produção e reprodução, o que faz com que acumulem funções.
O acesso à economia teve pontuação 0,730, quase igual ao índice nacional. Já a política foi a área com os menores índices: o Brasil obteve 0,102. O estado de Santa Catarina aparece mais uma vez em última posição (0,035), seguido por Paraná (0,044) e Ceará (0,055). Os primeiros lugares também se repetem: são Rio Grande do Norte (0,404), Maranhão (0,321) e Roraima (0,273).
De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil aparece como penúltimo país do ranking da América Latina em representatividade política: somente 9% dos candidatos eleitos são mulheres. “É preciso uma reforma de âmbito partidário para inclusão de mulheres. Tem que haver um trabalho de base, de trabalho junto à sociedade, para que as mulheres tenham mais destaque em propagandas políticas”, afirma a oficial de Monitoramento e Avaliação do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) no Brasil,  Juliana Winceslau.
A secretária nacional de Articulação Institucional e Ações Temáticas da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), Vera Soares, afirma que o governo tem se esforçado para diminuir as desigualdades. “Os países mais produtivos são os que têm menor desigualdade de gênero. É onde se aproveita melhor a capacidade produtiva e onde se utiliza o capital humano de maneira mais completa. Ganha o mercado, ganha o governo e ganham as pessoas.” Ela informou que a secretaria discute a elaboração de indicadores complexos, como o INDG.
Mariana Tokarnia - 
Agência Brasil - 
Edição: Davi Oliveira 

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