'Ele deve entender que os outros
ministros não são vaquinhas de presépio', afirmou o ministro do STF
O ministro Marco Aurélio Mello, do STF,
recomendou nesta sexta-feira, 9, ao relator do mensalão, ministro Joaquim
Barbosa, que ele entenda que divergências são próprias de colegiados. Os dois
têm se desentendido durante as sessões de julgamento da ação do mensalão.
Sobre o fato de Barbosa assumir a
presidência da Corte, dentro de alguns dias, Marco Aurélio declarou: "Vai
dar tudo certo. Deus queira que ele (Barbosa) entenda que o presidente do
Supremo coordena e não enfia goela abaixo. Divergência é própria de colegiado.
Ele deve entender que os outros ministros não são vaquinhas de presépio, amém,
amém, amém."
Marco Aurélio revelou preocupação com o
estilo de Barbosa, a quem comparou com um regime totalitário. "Eu continuo
preocupado com a ótica exteriorizada, que seria uma ótica de voz única",
declarou Marco Aurélio, em
São Paulo, onde participa de um ciclo de debates na Escola da
Advocacia-Geral da União sobre concessão de rodovias. "No colegiado há
divergências, só enriquece o pronunciamento. A dissidência é própria ao regime
democrático. A voz única descamba para o totalitarismo."
Sobre a medida do relator que mandou
apreender os passaportes dos réus do mensalão, Marco Aurélio observou:
"cada cabeça, uma sentença". Ele disse que vai se manifestar sobre
essa medida se provocado pela defesa. Segundo o ministro, o julgamento sinaliza
com prisão em regime fechado para alguns mensaleiros.
Ainda sobre a gestão de Barbosa na
presidência do STF, Marco Aurélio anotou: "a expectativa é que ele perceba
a importância da cadeira ocupada pelo presidente, que o presidente é chefe de
um Poder, que o presidente é um coordenador de trabalho desenvolvido por
iguais."
Marco Aurélio lembrou, ainda, que
Barbosa vai acumular a função de presidente do Conselho Nacional de Justiça
(CNJ). "Que ele se preocupe também com o diálogo em termos de presidência
do CNJ, já que é um colegiado que tem a participação de pessoas de diversos
segmentos, não é um colegiado de iguais como o Supremo."
Desconhecimento. Sobre uma eventual
investigação de possível envolvimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da
Silva no esquema do mensalão, Marco Aurélio afirmou não conhecer o depoimento
prestado pelo publicitário Marcos Valério ao procurador-geral da República que
mencionaria a participação de Lula. Além disso, o ministro ressaltou que caso
houvesse alguma ação nesse sentido, o foro competente seria a justiça de
primeiro grau, vez que Lula não está mais à frente da presidência. "O
judiciário é um órgão inerte, só atua a partir de uma provocação. E se houver
alguma coisa, não é competência do Supremo", avaliou.
Fausto Macedo, de O Estado de S. Paulo -
COLABOROU BEATRIZ BULLA
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