quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Desembarque de Milhares de Marines Americanos em Israel Parece Indicar que Ataque ao Irã Está Próximo

por: marco fernandes 

O confronto tão anunciado, tão temido, e tantas vezes adiado, parece estar próximo. Em uma nova onda de sanções, Washington está organizando um boicote global ao petróleo iraniano, o maior produto de exportação daquele país. Teheran já respondeu que, caso os EUA e Israel sufoquem assim a sua economia, eles vão retaliar fechando o estratégico estreito de Hormuz ao tráfego comercial. Em outras palavras, "se sufocarem o Irã, nós sufocaremos o mundo," sabendo-se que Hormuz é um estreito gargalo por onde passam todos os dias cerca de 15 navios-petroleiros carregando 15.5 milhões de barris de óleo cru (20% do consumo mundial). A maior parte do petróleo da Arábia Saudita, Iraque, Kuwait (e do próprio Irã) passa obrigatoriamente por ali.
Fechar essa passagem de apenas 50 km de largura é uma tarefa relativamente fácil para os iranianos, afinal Hormuz é uma praia do território iraniano (veja no mapa abaixo), portanto eles não estão simplesmente blefando.

Apesar do silêncio da mídia americana sobre o assunto, eu acabo de assistir a notícias alarmantes pelo canal russo de TV a cabo Russia Today. Há vários indícios de que o Irã será atacado em breve por Israel e pelos Estados Unidos.
Com as tensões em torno do estreito de Hormuz em alta, os planos iranianos de conduzir "os maiores exercícios de guerra naval" da história do país poderão coincidir com exercícios conjuntos EUA-Israel no golfo Pérsico. Com os dois lados tomando posições, aumenta o risco de que esses "exercícios" transformem-se em uma batalha de verdade.
Oxalá esses exercícios maciços não passem de exercícios. Mas com três exércitos sobre o tabuleiro, uma fagulha pode bastar para deflagrar uma guerra total. Depois de realizar recentemente um exercício naval de 10 dias próximo ao estreito de Hormuz para demonstrar a sua proeza militar, o Irã está agora planejando novas e "maciças" manobras codinominadas O Grande Profeta. Essas manobras serão conduzidas pelas tropas de elite da Guarda Revolucionária, a qual tem as suas próprias forças de terra, ar e mar independentes do exército regular.
Na quinta-feira, a agência iraniana semi-oficial Fars citou o comandante naval da Guarda Revolucionária, almirante Ali Fadavi, dizendo que a próxima rodada de jogos de guerra será "diferente" das anteriores, relata a AP. Eventualmente, no mesmo dia, um porta-voz militar israelense declarou em off que o seu país está se preparando para o maior exercício naval conjunto EUA-Israel jamais realizado.
Codinominada Austero Desafio 12, essa manobra está agendada para acontecer nas próximas semanas. O seu propósito primário será testar múltiplos sistemas de defesa aérea americanos e israelenses, em particular o sistema Arrow, desenhado especialmente para interceptar mísseis iranianos. O que talvez mais esteja alarmando a liderança iraniana, é que milhares de soldados americanos serão desembarcados em Israel como parte da manobra.
Apesar de os militares israelenses insistirem que esses gigantescos exercícios não têm conexão com eventos recentes, Martin van Creveld, um historiador militar da Universidade Hebraica de Jerusalém, disse que a manobra seria usada para intimidar o Irã.
"A defesa contra eventuais ataques não é algo que você improvisa da noite para o dia. É preciso preparar-se, é preciso ensaiar... Este, entre outras coisa, é um exercício para mostrar ao Irã, à gente em Teheran, que Israel e os Estados Unidos estão prontos para contra-atacar," ele teria dito, ainda segundo a AP.
Mas Jamal Abdi do Conselho Nacional Iraniano-Americano em Washington disse ao canal russo que as ações da América e de Israel não são meramente preventivas. "Estamos mais e mais perto de uma guerra contra o Irã. Essa extraordinária confluência de eventos - os exercícios planejados pelos EUA e Israel, os exercícios do lado iraniano, muitas sanções e nenhuma diplomacia - coisas assim não terminam senão em confronto."

Via Portal LN

Lista de Furnas: Advogado prova que deputado mentiu em entrevista


Em nota à imprensa, divulgada na quarta-feira (04/01/12), o advogado Rogério Marcolini, que representa o ex-diretor de Furnas Dimas Fabiano Toledo no caso conhecido como “Lista de Furnas”, desmonta, de forma cabal, a tentativa desesperada por parte do deputado Rogério Correia (PT/MG) de atribuir credibilidade à  “Lista de Furnas”, através da divulgação de declaração do deputado Antônio Júlio (PMDB/MG) de que, a pedido dele, Furnas, sob a presidência de Dimas, teria feito a doação de 150 mil reais a hospital do município de Três Pontas, no Sul de Minas, o que comprovaria o conteúdo da “Lista”.

A declaração do advogado prova que não tem fundamento a tentativa de confundir o que é uma doação legal, transparente, registrada em ata feita diretamente pela empresa Furnas para um hospital, com as supostas doações de Caixa Dois para políticos relacionadas nos papéis fraudados da “Lista de Furnas”. Nos papéis falsificados está escrito que as doações tinham origem em recursos não contabilizados de empresas fornecedoras de Furnas e não da própria empresa.

São várias as mentiras que constam da entrevista do deputado Antônio Júlio, que deve ser compreendida como parte do esforço de salvar o deputado Rogério Correia das graves acuações que pesam contra ele. Entre elas o uso de servidores da Assembleia, durante o expediente, para localizar documentos oficiais assinados por deputados e pelo diretor Furnas, para repassá-los a um falsário; a disponibilização de assessor jurídico para acompanhar, defender e orientar Nilton Monteiro, em depoimento; e uso de estrutura da Assembleia, como gabinete e linhas telefônicas para finalidades ilegais.

Não é verdade, por exemplo, que Dimas Toledo era o presidente da estatal na época em que foi aprovada a doação para o hospital.


Nota no Estado de Minas aborda contradição
A nota informa que realmente houve a doação por parte da empresa Furnas à Santa Casa de Misericórdia daquele município, mas que a iniciativa foi proposta por outro diretor da estatal e aprovada pelo presidente da companhia que antecedeu a Dimas no cargo, isso ainda em abril daquele ano, portanto fora do período eleitoral. Todo o processo de aprovação da doação, conforme a nota, foi comprovadamente oficial e, inclusive, registrado em ata de reunião da diretoria do dia 02 de abril de 2002.

Furnas, segundo informa a nota, tem dotação orçamentária própria para a doação de recursos financeiros para vários projetos sociais nas áreas onde atua, sendo que para o período de 2011/2012, estão reservados cinco milhões em investimentos sociais.

O advogado ressalta, ainda, que na verdade, o que se vê (na declaração do deputado) é o aproveitamento de valores coincidentes, já que tanto o valor doado pela estatal para o hospital quanto o valor que consta como repasse pra Antônio Júlio na “Lista de Furnas” são, por coincidência, os mesmos, “com o propósito de, mais uma vez, tentar emprestar artificiosamente credibilidade a documento material e ideologicamente falso a fim de atender objetivos puramente políticos. Como é natural, também convém à farsa a invocação de médico do hospital já falecido a título de suposta testemunha”.

A “Lista de Furnas”, como já demonstrado aqui, relaciona políticos brasileiros de vários partidos e de vários Estados que teriam recebido recursos em espécie para custearem as suas campanhas eleitorais, em 2002, e não se trata de repasse de recursos oficiais de apoio por parte da empresa para projetos sociais da estatal.

A “Lista” tem a sua origem no notório falsário Nilton Monteiro, atualmente preso e que responde a diversos processos por falsificação de documentos e de notas promissórias, que somam mais de trezentos milhões de reais.

Como o deputado Antônio Júlio declarou que conhece apenas um repasse financeiro, tendo como origem a empresa de Furnas e esse repasse foi feito de forma transparente, regular e registrada inclusive em ata, isso significa dizer que o outro repasse alegado na “Lista de Furnas”, que teria sido feito em espécie e teria tido como origem empresas fornecedoras de serviços para a estatal, não existiu. Essa é, portanto, mais uma prova da falsidade dos papéis.

Essa entrevista do deputado Antônio Júlio poderia, inclusive, servir como mais uma prova da falsificação dos papéis. Como dissemos em post anterior, quanto mais se mexe nesse assunto, mais mentiras vão surgindo e mais clara fica a fraude.

Vamos esperar os próximos amigos do deputado Rogério Correia. O que será que eles vão inventar pra tentar ajudar o deputado?

Vamos mexer, vamos mexer, gente…

PS: Hoje faz 23 dias da publicação da reportagem da revista Veja com os diálogos comprometedores entre o deputado Rogério Correia, seu assessor Simeão de Oliveira e o falsário Nilton Monteiro, e ele continua no mais absoluto silêncio. Explica, Rogério!

Veja aqui os principais pontos da nota divulgada pelo advogado de Dimas Fabiano

“A declaração do deputado estadual contribui para comprovar a falsidade dos papéis conhecidos como a Lista de Furnas. Ora, nos papéis apresentados pelo falsário Nilton Monteiro são relacionadas diversas empresas que manteriam relação comercial com Furnas como supostas doadoras dos recursos que teriam sido entregues a políticos de diversos partidos e de vários estados brasileiros para custear as campanhas eleitorais no ano de 2002, de modo a sugerir que os recursos não teriam origem no caixa de Furnas. Seriam, portanto, “recursos não contabilizados”.”

“A doação ao Hospital de Três Pontas foi feita diretamente por FURNAS à Santa Casa de Misericórdia, a partir de verba da própria prevista no orçamento da companhia destinada a entidades filantrópicas. O processo de análise da referida doação teve tramitação absolutamente transparente, com a aprovação pela diretoria da estatal, registrada formalmente em ata de 02.abr.02. Mais: a proposta de doação partiu de outro diretor que não Dimas Fabiano Toledo e foi aprovada na gestão de seu antecessor na Presidência de Furnas.”

“A atuação de Furnas em projetos sociais é largamente conhecida, tanto é que agora, no período de 2011/2012, o Programa Eletrobrás Furnas Social destinará cinco milhões de reais para “as Instituições selecionadas e que estejam alinhadas com a Política de Responsabilidade Social de FURNAS”, conforme edital disponibilizado no site da empresa”.

“A doação foi feita fora do período eleitoral, sem qualquer relação com a campanha ou intermediação de Dimas Fabiano Toledo.”

“Outra incongruência evidente é que, nos papéis tidos como “Lista de Furnas”, os valores destinados à Minas Gerais teriam sido entregues ao que seria espécie de “tesoureiro” da campanha para repasse aos candidatos. Nesse contexto, ainda que por absurdo se desse crédito à malfadada lista, é absolutamente incoerente a afirmação do Deputado Antônio Júlio de que tivesse tratado do assunto diretamente com Dimas Fabiano Toledo.”

“Na verdade, o que se vê é o aproveitamento de valores coincidentes com o propósito de, mais uma vez, tentar emprestar artificiosamente credibilidade a documento material e ideologicamente falso a fim de atender objetivos puramente políticos. Como é natural, também convém à farsa a invocação de médico do hospital já falecido a título de suposta testemunha.”

PORQUE A INTERNAÇÃO COMPULSORIA DE DEPENDENTE DE CRACK É NECESSÁRIA

Ilustrativa
A dependência química é uma doença crônica classificada pela Organização Mundial de Saúde cujos sintomas compulsivos reaparecem. Por isso, o dependente não deve ser tratado como um marginal, mas como um doente que precisa de tratamento.
Em geral, a decisão inicial de usar drogas é voluntária. No entanto, a dependência pode se estabelecer e, nesse momento, a capacidade de exercer autocontrole pode ficar seriamente comprometida. Nesse caso, sair das drogas deixa de ser um ato de vontade.
Estudos de imagens do cérebro de dependentes químicos mostram mudanças físicas em áreas do cérebro críticas para julgamento, tomada de decisão, aprendizagem, memória e controle do comportamento.
 Acredita-se que essas mudanças alteram o funcionamento do cérebro, explicando, pois, os comportamentos compulsivos e destrutivos do dependente. Por isso, a dependência é considerada uma doença mental.
Se o dependente químico é um doente mental que não possui critério para decidir por si próprio porque não possui autocontrole, é preciso que alguém decida por ele. Isso dito, é preciso que existam mecanismos de internação compulsória.
Não bastam ações que mais parecem o jogo de “gato e rato” ou afirmar que há uma boa infra-estrutura de assistência hospitalar à disposição daquele que quer largar as drogas. Não se trata de uma decisão de vontade.
O fato é que, hoje, quem depende da rede pública para o atendimento de um familiar dependente de drogas enfrenta uma burocracia que não combina com urgência da situação. Um dependente em surto coloca em risco sua família e si próprio.
Os mecanismos de internação compulsória adotados, atualmente, interferem na agilização que a situação exige. Sem eles, não é possível enfrentar o problema da cracolândia. Acresce que não há, em São Paulo, nenhum hospital de referência em atendimento aos dependentes químicos. Como é possível enfrentar esse problema sem uma infraestrutura que de suporte aos encaminhamentos?
Na verdade, muitos médicos e hospitais sequer sabem como proceder diante da situação e não atendem o paciente como um doente, mas como um marginal. O usuário é estigmatizado.
Pergunto às autoridades: o que fariam se tivessem um filho dependente químico na cracolândia? Deixá-lo-iam “perambular em busca de mais droga até que ele pedisse ajuda?” Não se trata apenas de um problema de segurança, mas também de saúde pública. Aceitem ou não é uma doença que precisa de tratamento especializado.
Às autoridades faltam compaixão e bom senso.


*Beatriz Silva Ferreira
Fundadora do Grupo Amor Exigente/São Luís
Especialista em Dependência química
Mediadora e terapeuta Famíliar
Autora dos livros Só Por Hoje Amor Exigente e Filhos que Amam Demais
Participação de um capítulo do livro “Aconselhamento em Dependência Química.”, organizado por Neliana Buzi Figlie, Selma Bordin e Ronaldo Laranjeira

Fernando Bezerra e as Bases Geopoliticas do Presidencialismo de Coalizão

Fernando Bezerra - Ministro da Integração Nacional
   fonte imagem: Google
Por: José Roberto Bonifácio*

Examinando o caso do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, e a decisão escandalosa de alocar 95% dos fundos para prevenção e mitigação de catástrofes naturais a seu estado natal, nos indagamos quais fatores e aspectos geram tal comportamento aberrante.

O episódio afeta um partido importante na base governista, o PSB, e um potencial presidenciável, o governador Eduardo Campos (PE). E ainda realça o fato de que aquele mesmo estado tornou-se um ator de peso na Federação, liderando a frente pela redistribuição de royalties do petróleo e obteve a indicação de uma Ministra para o Tribunal de Contas da União. Simultaneamente, o PSB registrou forte expansão nas regiões Norte e Nordeste (além do ES) nas eleições de 2010.

Tomando emprestado o titulo de um famoso artigo do cientista político Sérgio Abranches, vejamos como nosso sistema político desenvolveu aspectos que afetam o bem-estar do eleitor-cidadão-contribuinte.

Com o advento da republica e do federalismo, em 1889-92, findou o sistema unitário herdado da Colônia e do Império. Até ali o desenvolvimento desigual e combinado das regiões, ao longo dos históricos ciclos de valorização das commodities (cana, mineração, algodão, borracha, café), diferenciou as elites o bastante em termos de idéias e interesses. A cisão do corpo politico da União ganhou dimensões e consequencias realísticas, mas não reslpaldadas na doutrina patrimonialista insculpida em nosso Constitucionalismo. Tal arranjo juridico inibe separatismos mas não impediu as elites de travarem conflitos entre si, que ás vezes desestabilizaram a ordem política e induziram dramáticas transições de regime (1930, 1945, 1964, 1985).

Assim os estados federados emergem como atores geopolíticos de facto, ainda que não em direito próprio. Como previsto por Abranches, o multipartidarismo e o federalismo potencializam a projeção dos estados na arena nacional, de modo que o regionalismo oligárquico tende a se impor como clivagem no sistema político. Mas os estados vão além: tendem a conceber e executar projetos de poder autonomos e singulares.

Deputados e senadores, além de buscarem benefícios para suas bases, ainda engajam-se, sob as ordens dos governadores, em escambos com outras bancadas visando maximizar seus ganhos. Certos estados capturam órgãos e áreas de políticas do Governo Federal: assim MG “comanda” o DNIT, os nordestinos a ADENE, os do centro-oeste o Ministério da Agricultura...

A coordenação de politicas se torna assim precária e ineficiente, originando problemas de recursos fiscais comuns como este documentado anualmente em função do ciclo das chuvas e do emprego abusivo da dispensa e da inexigibilidade de licitações para contratar obras, bens e serviços demandados pelos desabrigados.

Por isso, a triste experiencia oferecida pela pasta da Integração Nacional torna evidentes e compreensíveis diversos aspectos da política brasileira.

*José Roberto Bonifácio é Sociólogo (UFES) e Cientista Político (IUPERJ). Email: bonifacio78@gmail.com

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Indignem-se! com os contrários à democracia


Indignez-vous!


Aos 94 anos, depois de lutar na Resistência, sobreviver aos campos nazistas e escrever a Declaração Universal dos Direitos Humanos, Stéphane Hessel publicou um livrinho de 32 páginas, “Indignem-se”, que teve eco global.

Em entrevista ao Página/12 ele fala sobre sua obra e critica o ultra liberalismo predador, a servidão da classe política ao sistema financeiro, a anexação da política pela tecnocracia financeira, as indústrias que destroem o planeta e a ocupação israelense da Palestina.

Eduardo Febbro - Página/12 A revolta não tem idade nem condição. Nos seus afáveis, lúcidos e combativos 94 anos, Stéphane Hessel encarna um momento único na história política humana: ter conseguido desencadear um movimento mundial de contestação democrática e cidadã com um livro de escassas 32 páginas: “Indignem-se”. O livro foi lançado na França em outubro de 2010 e em março de 2011 se converteu no alicerce do movimento espanhol dos indignados. O quase um século de vida de Stéphane Hessel se conectou primeiro com a juventude espanhola que ocupou a Puerta del Sol e depois com os demais protagonistas da indignação que se tornou planetária: Paris, Londres, Roma, México, Bruxelas, Nova York, Washington, Tel-Aviv, Nova Déli, São Paulo.

Em cada canto do mundo e sob diferentes denominações, a mensagem de Hessel encontrou um eco inimaginável. Seu livro, entretanto, não contém nenhum discurso ideológico, menos ainda algum chamado à excitação revolucionária. Indignem-se é, ao mesmo tempo, um convite a tomar consciência sobre a forma calamitosa em que estamos sendo governados, uma restauração nobre e humanista dos valores fundamentais da democracia, um balde de água fria sobre a adormecida consciência dos europeus convertidos em consumidores obedientes e uma dura defesa do papel do Estado como regulador. Não deve existir na história editorial um livro tão curto com um alcance tão extenso.

Quem olhe a mobilização mundial dos indignados pode pensar que Hessel escreveu uma espécie de panfleto revolucionário, mas nada é mais estranho a essa idéia. “Indignem-se” e os indignados se inscrevem em uma corrente totalmente contrária a que se desatou nas revoltas de Maio de 68. Aquela geração estava contra o Estado. Ao contrário, o livro de Hessel e seus adeptos reivindicam o retorno do Estado, de sua capacidade de regular. Nada reflete melhor esse objetivo que um dos slogans mais famosos que surgiram na Puerta del Sol: “Nós não somos anti-sistema, o sistema é anti-nós”.

Em sua casa de Paris, Hessel fala com uma convicção na qual a juventude e a energia explodem em cada frase. Hessel tem uma história pessoal digna de uma novela e é um homem de dois séculos. Diplomata humanista, membro da Resistência contra a ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial, sobrevivente de vários campos de concentração, ativo protagonista da redação da Declaração Universal dos Direitos Humanos, descendente da luta contra essas duas grandes calamidades do século XX que foram o fascismo e o comunismo soviético. O nascente século XXI fez dele um influente ensaísta. Quando seu livro saiu na França, as línguas afiadas do sistema liberal desceram sobre ele um aluvião de burlas: “o vovozinho Hessel”, o “Papai Noel das boas consciências”, diziam no rádio e na televisão os marionetes para desqualificá-lo. Muitos intelectuais franceses disseram que essa obra era um catálogo de banalidades, criticaram seu aparente simplismo, sua superficialidade filosófica, o acusaram de idiota e de anti-semita.

Até o primeiro-ministro francês, François Fillon, desqualificou a obra dizendo que “a indignação em si não é um modo de pensamento”. Mas o livro seguiu outro caminho. Mais de dois milhões de exemplares vendidos na França, meio milhão na Espanha, traduções em dezenas de países e difusão massiva na Internet. O ultra liberalismo predador, a corrupção, a impunidade, a servidão da classe política ao sistema financeiro, a anexação da política pela tecnocracia financeira, as indústrias que destroem o planeta, a ocupação israelense da Palestina, em suma, os grandes devastadores do planeta e das sociedades humanas encontraram nas palavras de Hessel um inimigo inesperado, um “argumentário” de enunciados básicos, profundamente humanista e de uma eficácia imediata. Sem outra armadura além de um passado político de social-democrata reformista e um livro de 32 páginas, Hessel opôs ao pensamento liberal consumista e ao consenso um dos antídotos que eles mais temem, ou seja, a ação.

Não se trata de uma obra de reflexão política ou filosófica, mas de uma radiografia da desarticulação dos Estados, de um chamado à ação para que o Estado e a democracia voltem a ser o que foram. O livro de Hessel se articula em torno da ação, que é precisamente ao que conduz à indignação: resposta e ação contra uma situação, contra o outro. O que Hessel qualifica como mon petit livre é uma obra curiosa: não há nenhuma novidade nela, mas tudo o que diz é uma espécie de síntese do que a maior parte do planeta pensa e sente cada manhã quando se levanta: exasperação e indignação.

– Você foi, de alguma maneira, o homem do ano. Seu livro foi sucesso mundial e acabou se convertendo no foco do movimento planetário dos indignados. Houve, de fato, duas revoluções quase simultâneas no mundo, uma nos países árabes e a que você desencadeou em escala planetária.

– Nunca previ que o livro tivesse um êxito semelhante. Ao escrevê-lo, havia pensado em meus compatriotas para dizer a eles que o modo no qual estão sendo governados propõe interrogações e que era preciso indignar-se diante dos problemas mal solucionados. Mas não esperava que o livro fosse lançado em mais de quarenta países nos quatro pontos cardeais. Mas eu não me atribuo nenhuma responsabilidade no movimento mundial dos indignados. Foi uma coincidência que o meu livro tenha aparecido no mesmo momento em que a indignação se expandia pelo mundo. Eu só convidei as pessoas a refletirem sobre o que elas acham inaceitável. Acho que a circulação tão ampla do livro se deve ao fato de que vivemos um momento muito particular da história de nossas sociedades e, em particular, desta sociedade global na qual estamos imersos há dez anos. Hoje vivemos em sociedades interdependentes, interconectadas. Isto muda a perspectiva. Os problemas aos que estamos confrontados são mundiais.
–As reações que seu livro desencadeou provam que existe sempre uma pureza moral intacta na humanidade?

- O que permanece intacto são os valores da democracia. Depois da Segunda Guerra Mundial resolvemos problemas fundamentais dos valores humanos. Já sabemos quais são esses valores fundamentais que devemos tratar de preservar. Mas quando isto deixa de ter vigência, quando há rupturas na forma de resolver os problemas, como ocorreu após os atentados de 11 de setembro, da guerra no Afeganistão e no Iraque e a crise econômica e financeira dos últimos quatro anos, tomamos consciência de que as coisas não podem continuar assim. Devemos nos indignar e nos comprometer para que a sociedade mundial adote um novo curso.

– Quem é responsável de todo este desastre? O liberalismo ultrajante, a tecnocracia, a cegueira das elites?
– Os governos, em particular os governos democráticos, sofreram uma pressão por parte das forças do mercado à qual não souberam resistir. Essas forças econômicas e financeiras são muito egoístas, só buscam o beneficio em todas as formas possíveis sem levar em conta o impacto que essa busca desenfreada do lucro tem nas sociedades. Não lhes importa nem a dívida dos governos, nem os ganhos medíocres das pessoas. Eu atribuo a responsabilidade de tudo isto às forças financeiras. Seu egoísmo e sua especulação exacerbada são também responsáveis pela deterioração do nosso planeta. As forças que estão por trás do petróleo, da energia não-renovável nos conduzem a uma direção muito perigosa.

O socialismo democrático teve seu momento de glória depois da Segunda Guerra Mundial. Durante muitos anos tivemos o que se chama Estados de providência. Isto derivou em uma boa fórmula para regular as relações entre os cidadãos e o Estado. Mas depois nos distanciamos desse caminho sob a influência da ideologia neoliberal. Milton Friedman e a Escola de Chicago disseram: “deixem a economia com as mãos livres, não deixem que o Estado intervenha”. Foi um caminho equivocado e hoje nos damos conta de que nos encerramos em um caminho sem saída. O que aconteceu na Grécia, Itália, Portugal e Espanha nos prova que não é dando cada vez mais força ao mercado que se chega a uma solução. Não. Essa tarefa compete aos governos, são eles que devem impor regras aos bancos e às forças financeiras para limitar a sobre exploração das riquezas que eles detêm e a acumulação de benefícios imensos enquanto os Estados se endividam. Devemos reconhecer que os bancos estão contra a democracia. Isso não é aceitável.
– É chocante comprovar a indiferença da classe política ante a revolta dos indignados. Os dirigentes de Paris, Londres, Estados Unidos, em suma, ali onde estourou este movimento, se omitiram diante das reivindicações dos indignados.

– Sim, é verdade. Por enquanto se subestimou a força desta revolta e desta indignação. Os dirigentes disseram uns aos outros: isto nós já vimos antes, em Maio de 68, etc., etc. Acho que os governos se equivocaram. Mas o fato de que os cidadãos protestem pela forma em que estão sendo governados é algo muito novo e essa novidade não se deterá. Predigo que os governos se verão cada vez mais pressionados pelos protestos contra a maneira em que os Estados são governados. Os governos se empenham em manter o sistema intacto. Entretanto, o questionamento coletivo do funcionamento do sistema nunca foi tão forte como agora. Na Europa atravessamos um momento muito denso de questionamento, tal como aconteceu antes na América Latina. Eu estou muito orgulhoso pela forma como a Argentina soube superar a gravidade da crise. Isto prova que é possível atuar e que os cidadãos são capazes de mudar o curso das coisas.

–De alguma maneira, você acendeu a chama de uma espécie de revolução democrática. Entretanto, não convocou uma revolução. Qual é então o caminho para romper o cerco no qual vivemos? Qual é a base do renascimento de um mundo mais justo?

– Devemos transmitir duas coisas às novas gerações: a confiança na possibilidade de melhorar as coisas. As novas gerações não devem perder a esperança. Em segundo lugar, devemos fazê-los tomar consciência de tudo o que está se fazendo atualmente e que está no sentido correto. Penso no Brasil, por exemplo, onde houve muitos progressos, penso na presidenta Cristina Fernández de Kirchner, que também fez as coisas progredirem muito, penso também em tudo o que se realiza no campo da economia social e solidária em tantos e tantos países. Em tudo isto há novas perspectivas para encarar a educação, os problemas da desigualdade, os problemas ligados à água. Tem gente que trabalha muito e não devemos subestimar seus esforços, inclusive se o que se consegue é pouco por causa da pressão do mundo financeiro. São etapas necessárias. Acho que, cada vez mais, os cidadãos e as cidadãs do mundo estão entendendo que o seu papel pode ser mais decisivo na hora de fazer entender aos governos, que são responsáveis pela vigência dos grandes valores, que esses mesmos governos estão deixando de lado. Há um risco implícito: que os governos autoritários acabem empregando a violência para calar as revoltas. Mas acho que isso já não é mais possível. A forma pela qual os tunisianos e os egípcios se livraram de seus governos autoritários mostra duas coisas: uma, que é possível; dois, que com esses governos não se progride.

O progresso só é possível se for aprofundada a democracia. Nos últimos 20 anos a América Latina progrediu muitíssimo graças ao aprofundamento da democracia. Em escala mundial, mesmo com as coisas que se conseguiram, mesmo com os avanços que se obtiveram com a economia social e solidária, tudo isto é extremamente lento. A indignação se justifica nisso: os esforços realizados são insuficientes, os governos foram débeis e até os partidos políticos da esquerda sucumbiram ante a ideologia neoliberal. Por isso devemos nos indignar. Se os meios de comunicação, se os cidadãos e as organizações de defesa dos direitos humanos forem suficientemente potentes para exercer uma pressão sobre os governos as coisas podem começar a mudar amanhã.

– Pode-se mudar o mundo sem revoluções violentas?

Se olharmos para o passado, veremos que os caminhos não-violentos foram mais eficazes que os violentos. O espírito revolucionário que empolgou o começo do século XX, a revolução soviética, por exemplo, conduziram ao fracasso. Homens como o checo Vaclav Havel, Nelson Mandela ou Mijail Gorbachov demonstraram que, sem violência, podem-se obter modificações profundas. A revolução cidadã que assistimos hoje pode servir a essa causa. Reconheço que o poder mata, mas esse mesmo poder se vai quando a força não-violenta ganha. As revoluções árabes nos demonstraram a validade disto: não foi a violência quem fez cair os regimes de Túnis e do Egito. Não, nada disso. Foi a determinação não violenta das pessoas.

– Em que momento você acha que o mundo se desviou de sua rota e perdeu sua base democrática?
– O momento mais grave se situa nos atentados de 11 de setembro de 2001. A queda das torres de Manhattan desencadeou uma reação do presidente estadunidense George W. Bush extremamente prejudicial: a guerra no Afeganistão, por exemplo, foi um episodio no qual se cometeu horrores espantosos. As conseqüências para a economia mundial foram igualmente muito duras. Foram gastas somas consideráveis em armas e na guerra em vez de colocá-las à disposição do progresso econômico e social.
– Você marca com muita profundidade um dos problemas que permanecem abertos como uma ferida na consciência do mundo: o conflito israelense-palestino.

– Este conflito dura há 60 anos e ainda não se encontrou a maneira de reconciliar estes dois povos. Quando se vai à Palestina voltamos traumatizados pela forma como os israelenses maltratam seus vizinhos. A Palestina tem direito a um Estado. Mas também tem que reconhecer que, ano após ano, presenciamos como aumenta o grupo de países que estão contra o governo israelense, por sua incapacidade de encontrar uma solução. Pudemos constatar isso com a quantidade de países que apoiaram o presidente palestino Mahmud Abbas, quando pediu, diante das Nações Unidas, que a Palestina seja reconhecida como um Estado de pleno direito no seio da ONU.

– Seu livro, suas entrevistas e mesmo este diálogo demonstram que, apesar do desastre, você não perdeu a esperança na aventura humana.

-Não, pelo contrário. Acho que diante das gravíssimas crises que atravessamos, de repente o ser humano acorda. Isso aconteceu muitas vezes ao longo dos séculos e desejo que volte a ocorrer agora.
– “Indignação” é hoje uma palavra-chave. Quando você escreveu o livro, foi essa palavra a que o guiou?
A palavra indignação surgiu como uma definição do que se pode esperar das pessoas quando abrem os olhos e vêem o inaceitável. Pode-se adormecer um ser humano, mas não matá-lo. Em nós há uma capacidade de generosidade, de ação positiva e construtiva que pode despertar quando assistimos a violação dos valores. A palavra “dignidade” figura dentro da palavra “indignidade”. A dignidade humana desperta quando é encurralada. O liberalismo bem que tentou anestesiar essas duas capacidades humanas - a dignidade e a indignação-, mas não conseguiu.


Tradução: Libório Júnior

Recebido por e-mail de um amigo.

O Côncavo - Homossexual contra igreja - O Convexo - Igreja contra Homossexuais

Por Erick Andrades (Jornal do Brasil)
Primeiro vamos entender o Cônvavo 
Deputado Jean Wyllys do programa Big Brother Brasil da Rede Globo ofende cristãos e declara guerra aos ‘inimigos’ os Cristãos Brasileiros e a Família.

O recém-eleito deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), homossexual militante que conseguiu alguma notoriedade participando do programa Big Brother Brasil da Rede Globo, lançou, na semana passada, uma campanha de combate ao cristianismo.
Em sua página do Twitter, Jean publicou várias mensagens dizendo que cristãos são doentes, homofóbicos, preconceituosos, violentos, ignorantes e fanáticos, e que ele se dedicará ainda mais a eliminar a influência do cristianismo na sociedade. O deputado enfatizou que seu mandato tem como foco a defesa dos interesses da militância gay e o combate a seus “inimigos”.
O deputado, que é membro da Frente Parlamentar LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e travestis) no Congresso Nacional, aproveitou para convocar seus seguidores para se juntar a ele em sua guerra particular. Jean obteve respostas diversas: angariou o apoio previsível de seus seguidores militantes da causa gay, e provocou a reação de inúmeros outros usuários da rede social, indignados com as ofensas do parlamentar aos cristãos e com seus ataques à liberdade de expressão, religião e comunicação.
Jean promove uma campanha de censura a usuários do Twitter que são contrários às idéias que ele defende, como o “casamento” homossexual, as cartilhas de suposto combate à “homofobia” do MEC (mais conhecidas como Kit Gay) e o PLC 122/2006 (lei da mordaça gay), projeto de lei que pretende transformar em crime qualquer crítica ou oposição ao comportamento homossexual ou às pretensões do lobby gay.
Uma das primeiras vítimas da campanha censória de combate ao cristianismo deflagrada por Jean Wyllys foi o usuário Carlos Vendramini.
Valendo-se do direito que qualquer cidadão possui em uma democracia, Vendramini fez, no Twitter, críticas ao Kit Gay, ao PLC 122/06 e a outros projetos dos militantes gays e aos parlamentares que os apóiam, como Jean Wyllis, Marta Suplicy e Cristovam Buarque, dentre outros. Incomodado com as críticas, o deputado disse, em seu blog, que estava acionando advogados da Frente LGBT para censurar o perfil de Vendramini, que Jean imagina ser “membro fundamentalista de uma parcela conservadora da direita católica em São Paulo” (sic) e estar praticando “perseguição” a ele.
(Fonte: Jornal do Brasil)
E agora o Convexo 

Pastor defende jovem gay que sofria homofobia na sua Igreja e acaba demitido na Bahia

Ainda há luz no fim do túnel entre a comunidade evangélica. Se por um lado nos deparamos com vídeos inacreditáveis como do pastor Edir Macedo, chefão da Igreja Universal do Reino de Deus, que tenta expulsar o demônio do corpo de um rapaz gay, por outro vemos uma notícia que mostra que nem todos que participam dessas comunidades religiosas têm o pensamento homofóbico.

Na tarde dessa última segunda (09), o pastor Sérgio Emílio Meira Santos, da Igreja Batista da Graça, compareceu à delegacia da cidade de Vitória da Conquista, na Bahia, para fazer uma denúncia de homofobia que aconteceu dentro de sua própria igreja.


De acordo com o pastor, um adolescente de 16 anos estava sofrendo constrangimentos por ser gay. Sérgio defendeu a permanência do rapaz na Igreja, mas acabou sendo demitido por isso.


O jovem chegou a ser ofendido publicamente por Helita Figueira, ex-vereadora da cidade e vice-presidente do conselho administrativo da Igreja. Helita manifestou sua insatisfação com a presença do adolescente gay durante um culto.


A orientação sexual do jovem, que tocava teclado na Igreja, acabou motivando uma reunião do conselho. Nessa reunião, o pastor disse que com base nas Escrituras Sagradas, não poderia impedir que o jovem frequêntasse os cultos, inclusive na condição de músico. Em seguida, ele recebeu uma carta de demissão assinada pelos membros do conselho. A justificativa é de que ele não estaria cumprindo com suas funções de pastor.


Acompanhado do pai do adolescente, Carlos André da Silva, o pastor prestou queixa contra os integrantes do conselho administrativo da Igreja. O caso será analisado pela polícia local.

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