quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Indignem-se! com os contrários à democracia


Indignez-vous!


Aos 94 anos, depois de lutar na Resistência, sobreviver aos campos nazistas e escrever a Declaração Universal dos Direitos Humanos, Stéphane Hessel publicou um livrinho de 32 páginas, “Indignem-se”, que teve eco global.

Em entrevista ao Página/12 ele fala sobre sua obra e critica o ultra liberalismo predador, a servidão da classe política ao sistema financeiro, a anexação da política pela tecnocracia financeira, as indústrias que destroem o planeta e a ocupação israelense da Palestina.

Eduardo Febbro - Página/12 A revolta não tem idade nem condição. Nos seus afáveis, lúcidos e combativos 94 anos, Stéphane Hessel encarna um momento único na história política humana: ter conseguido desencadear um movimento mundial de contestação democrática e cidadã com um livro de escassas 32 páginas: “Indignem-se”. O livro foi lançado na França em outubro de 2010 e em março de 2011 se converteu no alicerce do movimento espanhol dos indignados. O quase um século de vida de Stéphane Hessel se conectou primeiro com a juventude espanhola que ocupou a Puerta del Sol e depois com os demais protagonistas da indignação que se tornou planetária: Paris, Londres, Roma, México, Bruxelas, Nova York, Washington, Tel-Aviv, Nova Déli, São Paulo.

Em cada canto do mundo e sob diferentes denominações, a mensagem de Hessel encontrou um eco inimaginável. Seu livro, entretanto, não contém nenhum discurso ideológico, menos ainda algum chamado à excitação revolucionária. Indignem-se é, ao mesmo tempo, um convite a tomar consciência sobre a forma calamitosa em que estamos sendo governados, uma restauração nobre e humanista dos valores fundamentais da democracia, um balde de água fria sobre a adormecida consciência dos europeus convertidos em consumidores obedientes e uma dura defesa do papel do Estado como regulador. Não deve existir na história editorial um livro tão curto com um alcance tão extenso.

Quem olhe a mobilização mundial dos indignados pode pensar que Hessel escreveu uma espécie de panfleto revolucionário, mas nada é mais estranho a essa idéia. “Indignem-se” e os indignados se inscrevem em uma corrente totalmente contrária a que se desatou nas revoltas de Maio de 68. Aquela geração estava contra o Estado. Ao contrário, o livro de Hessel e seus adeptos reivindicam o retorno do Estado, de sua capacidade de regular. Nada reflete melhor esse objetivo que um dos slogans mais famosos que surgiram na Puerta del Sol: “Nós não somos anti-sistema, o sistema é anti-nós”.

Em sua casa de Paris, Hessel fala com uma convicção na qual a juventude e a energia explodem em cada frase. Hessel tem uma história pessoal digna de uma novela e é um homem de dois séculos. Diplomata humanista, membro da Resistência contra a ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial, sobrevivente de vários campos de concentração, ativo protagonista da redação da Declaração Universal dos Direitos Humanos, descendente da luta contra essas duas grandes calamidades do século XX que foram o fascismo e o comunismo soviético. O nascente século XXI fez dele um influente ensaísta. Quando seu livro saiu na França, as línguas afiadas do sistema liberal desceram sobre ele um aluvião de burlas: “o vovozinho Hessel”, o “Papai Noel das boas consciências”, diziam no rádio e na televisão os marionetes para desqualificá-lo. Muitos intelectuais franceses disseram que essa obra era um catálogo de banalidades, criticaram seu aparente simplismo, sua superficialidade filosófica, o acusaram de idiota e de anti-semita.

Até o primeiro-ministro francês, François Fillon, desqualificou a obra dizendo que “a indignação em si não é um modo de pensamento”. Mas o livro seguiu outro caminho. Mais de dois milhões de exemplares vendidos na França, meio milhão na Espanha, traduções em dezenas de países e difusão massiva na Internet. O ultra liberalismo predador, a corrupção, a impunidade, a servidão da classe política ao sistema financeiro, a anexação da política pela tecnocracia financeira, as indústrias que destroem o planeta, a ocupação israelense da Palestina, em suma, os grandes devastadores do planeta e das sociedades humanas encontraram nas palavras de Hessel um inimigo inesperado, um “argumentário” de enunciados básicos, profundamente humanista e de uma eficácia imediata. Sem outra armadura além de um passado político de social-democrata reformista e um livro de 32 páginas, Hessel opôs ao pensamento liberal consumista e ao consenso um dos antídotos que eles mais temem, ou seja, a ação.

Não se trata de uma obra de reflexão política ou filosófica, mas de uma radiografia da desarticulação dos Estados, de um chamado à ação para que o Estado e a democracia voltem a ser o que foram. O livro de Hessel se articula em torno da ação, que é precisamente ao que conduz à indignação: resposta e ação contra uma situação, contra o outro. O que Hessel qualifica como mon petit livre é uma obra curiosa: não há nenhuma novidade nela, mas tudo o que diz é uma espécie de síntese do que a maior parte do planeta pensa e sente cada manhã quando se levanta: exasperação e indignação.

– Você foi, de alguma maneira, o homem do ano. Seu livro foi sucesso mundial e acabou se convertendo no foco do movimento planetário dos indignados. Houve, de fato, duas revoluções quase simultâneas no mundo, uma nos países árabes e a que você desencadeou em escala planetária.

– Nunca previ que o livro tivesse um êxito semelhante. Ao escrevê-lo, havia pensado em meus compatriotas para dizer a eles que o modo no qual estão sendo governados propõe interrogações e que era preciso indignar-se diante dos problemas mal solucionados. Mas não esperava que o livro fosse lançado em mais de quarenta países nos quatro pontos cardeais. Mas eu não me atribuo nenhuma responsabilidade no movimento mundial dos indignados. Foi uma coincidência que o meu livro tenha aparecido no mesmo momento em que a indignação se expandia pelo mundo. Eu só convidei as pessoas a refletirem sobre o que elas acham inaceitável. Acho que a circulação tão ampla do livro se deve ao fato de que vivemos um momento muito particular da história de nossas sociedades e, em particular, desta sociedade global na qual estamos imersos há dez anos. Hoje vivemos em sociedades interdependentes, interconectadas. Isto muda a perspectiva. Os problemas aos que estamos confrontados são mundiais.
–As reações que seu livro desencadeou provam que existe sempre uma pureza moral intacta na humanidade?

- O que permanece intacto são os valores da democracia. Depois da Segunda Guerra Mundial resolvemos problemas fundamentais dos valores humanos. Já sabemos quais são esses valores fundamentais que devemos tratar de preservar. Mas quando isto deixa de ter vigência, quando há rupturas na forma de resolver os problemas, como ocorreu após os atentados de 11 de setembro, da guerra no Afeganistão e no Iraque e a crise econômica e financeira dos últimos quatro anos, tomamos consciência de que as coisas não podem continuar assim. Devemos nos indignar e nos comprometer para que a sociedade mundial adote um novo curso.

– Quem é responsável de todo este desastre? O liberalismo ultrajante, a tecnocracia, a cegueira das elites?
– Os governos, em particular os governos democráticos, sofreram uma pressão por parte das forças do mercado à qual não souberam resistir. Essas forças econômicas e financeiras são muito egoístas, só buscam o beneficio em todas as formas possíveis sem levar em conta o impacto que essa busca desenfreada do lucro tem nas sociedades. Não lhes importa nem a dívida dos governos, nem os ganhos medíocres das pessoas. Eu atribuo a responsabilidade de tudo isto às forças financeiras. Seu egoísmo e sua especulação exacerbada são também responsáveis pela deterioração do nosso planeta. As forças que estão por trás do petróleo, da energia não-renovável nos conduzem a uma direção muito perigosa.

O socialismo democrático teve seu momento de glória depois da Segunda Guerra Mundial. Durante muitos anos tivemos o que se chama Estados de providência. Isto derivou em uma boa fórmula para regular as relações entre os cidadãos e o Estado. Mas depois nos distanciamos desse caminho sob a influência da ideologia neoliberal. Milton Friedman e a Escola de Chicago disseram: “deixem a economia com as mãos livres, não deixem que o Estado intervenha”. Foi um caminho equivocado e hoje nos damos conta de que nos encerramos em um caminho sem saída. O que aconteceu na Grécia, Itália, Portugal e Espanha nos prova que não é dando cada vez mais força ao mercado que se chega a uma solução. Não. Essa tarefa compete aos governos, são eles que devem impor regras aos bancos e às forças financeiras para limitar a sobre exploração das riquezas que eles detêm e a acumulação de benefícios imensos enquanto os Estados se endividam. Devemos reconhecer que os bancos estão contra a democracia. Isso não é aceitável.
– É chocante comprovar a indiferença da classe política ante a revolta dos indignados. Os dirigentes de Paris, Londres, Estados Unidos, em suma, ali onde estourou este movimento, se omitiram diante das reivindicações dos indignados.

– Sim, é verdade. Por enquanto se subestimou a força desta revolta e desta indignação. Os dirigentes disseram uns aos outros: isto nós já vimos antes, em Maio de 68, etc., etc. Acho que os governos se equivocaram. Mas o fato de que os cidadãos protestem pela forma em que estão sendo governados é algo muito novo e essa novidade não se deterá. Predigo que os governos se verão cada vez mais pressionados pelos protestos contra a maneira em que os Estados são governados. Os governos se empenham em manter o sistema intacto. Entretanto, o questionamento coletivo do funcionamento do sistema nunca foi tão forte como agora. Na Europa atravessamos um momento muito denso de questionamento, tal como aconteceu antes na América Latina. Eu estou muito orgulhoso pela forma como a Argentina soube superar a gravidade da crise. Isto prova que é possível atuar e que os cidadãos são capazes de mudar o curso das coisas.

–De alguma maneira, você acendeu a chama de uma espécie de revolução democrática. Entretanto, não convocou uma revolução. Qual é então o caminho para romper o cerco no qual vivemos? Qual é a base do renascimento de um mundo mais justo?

– Devemos transmitir duas coisas às novas gerações: a confiança na possibilidade de melhorar as coisas. As novas gerações não devem perder a esperança. Em segundo lugar, devemos fazê-los tomar consciência de tudo o que está se fazendo atualmente e que está no sentido correto. Penso no Brasil, por exemplo, onde houve muitos progressos, penso na presidenta Cristina Fernández de Kirchner, que também fez as coisas progredirem muito, penso também em tudo o que se realiza no campo da economia social e solidária em tantos e tantos países. Em tudo isto há novas perspectivas para encarar a educação, os problemas da desigualdade, os problemas ligados à água. Tem gente que trabalha muito e não devemos subestimar seus esforços, inclusive se o que se consegue é pouco por causa da pressão do mundo financeiro. São etapas necessárias. Acho que, cada vez mais, os cidadãos e as cidadãs do mundo estão entendendo que o seu papel pode ser mais decisivo na hora de fazer entender aos governos, que são responsáveis pela vigência dos grandes valores, que esses mesmos governos estão deixando de lado. Há um risco implícito: que os governos autoritários acabem empregando a violência para calar as revoltas. Mas acho que isso já não é mais possível. A forma pela qual os tunisianos e os egípcios se livraram de seus governos autoritários mostra duas coisas: uma, que é possível; dois, que com esses governos não se progride.

O progresso só é possível se for aprofundada a democracia. Nos últimos 20 anos a América Latina progrediu muitíssimo graças ao aprofundamento da democracia. Em escala mundial, mesmo com as coisas que se conseguiram, mesmo com os avanços que se obtiveram com a economia social e solidária, tudo isto é extremamente lento. A indignação se justifica nisso: os esforços realizados são insuficientes, os governos foram débeis e até os partidos políticos da esquerda sucumbiram ante a ideologia neoliberal. Por isso devemos nos indignar. Se os meios de comunicação, se os cidadãos e as organizações de defesa dos direitos humanos forem suficientemente potentes para exercer uma pressão sobre os governos as coisas podem começar a mudar amanhã.

– Pode-se mudar o mundo sem revoluções violentas?

Se olharmos para o passado, veremos que os caminhos não-violentos foram mais eficazes que os violentos. O espírito revolucionário que empolgou o começo do século XX, a revolução soviética, por exemplo, conduziram ao fracasso. Homens como o checo Vaclav Havel, Nelson Mandela ou Mijail Gorbachov demonstraram que, sem violência, podem-se obter modificações profundas. A revolução cidadã que assistimos hoje pode servir a essa causa. Reconheço que o poder mata, mas esse mesmo poder se vai quando a força não-violenta ganha. As revoluções árabes nos demonstraram a validade disto: não foi a violência quem fez cair os regimes de Túnis e do Egito. Não, nada disso. Foi a determinação não violenta das pessoas.

– Em que momento você acha que o mundo se desviou de sua rota e perdeu sua base democrática?
– O momento mais grave se situa nos atentados de 11 de setembro de 2001. A queda das torres de Manhattan desencadeou uma reação do presidente estadunidense George W. Bush extremamente prejudicial: a guerra no Afeganistão, por exemplo, foi um episodio no qual se cometeu horrores espantosos. As conseqüências para a economia mundial foram igualmente muito duras. Foram gastas somas consideráveis em armas e na guerra em vez de colocá-las à disposição do progresso econômico e social.
– Você marca com muita profundidade um dos problemas que permanecem abertos como uma ferida na consciência do mundo: o conflito israelense-palestino.

– Este conflito dura há 60 anos e ainda não se encontrou a maneira de reconciliar estes dois povos. Quando se vai à Palestina voltamos traumatizados pela forma como os israelenses maltratam seus vizinhos. A Palestina tem direito a um Estado. Mas também tem que reconhecer que, ano após ano, presenciamos como aumenta o grupo de países que estão contra o governo israelense, por sua incapacidade de encontrar uma solução. Pudemos constatar isso com a quantidade de países que apoiaram o presidente palestino Mahmud Abbas, quando pediu, diante das Nações Unidas, que a Palestina seja reconhecida como um Estado de pleno direito no seio da ONU.

– Seu livro, suas entrevistas e mesmo este diálogo demonstram que, apesar do desastre, você não perdeu a esperança na aventura humana.

-Não, pelo contrário. Acho que diante das gravíssimas crises que atravessamos, de repente o ser humano acorda. Isso aconteceu muitas vezes ao longo dos séculos e desejo que volte a ocorrer agora.
– “Indignação” é hoje uma palavra-chave. Quando você escreveu o livro, foi essa palavra a que o guiou?
A palavra indignação surgiu como uma definição do que se pode esperar das pessoas quando abrem os olhos e vêem o inaceitável. Pode-se adormecer um ser humano, mas não matá-lo. Em nós há uma capacidade de generosidade, de ação positiva e construtiva que pode despertar quando assistimos a violação dos valores. A palavra “dignidade” figura dentro da palavra “indignidade”. A dignidade humana desperta quando é encurralada. O liberalismo bem que tentou anestesiar essas duas capacidades humanas - a dignidade e a indignação-, mas não conseguiu.


Tradução: Libório Júnior

Recebido por e-mail de um amigo.

O Côncavo - Homossexual contra igreja - O Convexo - Igreja contra Homossexuais

Por Erick Andrades (Jornal do Brasil)
Primeiro vamos entender o Cônvavo 
Deputado Jean Wyllys do programa Big Brother Brasil da Rede Globo ofende cristãos e declara guerra aos ‘inimigos’ os Cristãos Brasileiros e a Família.

O recém-eleito deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), homossexual militante que conseguiu alguma notoriedade participando do programa Big Brother Brasil da Rede Globo, lançou, na semana passada, uma campanha de combate ao cristianismo.
Em sua página do Twitter, Jean publicou várias mensagens dizendo que cristãos são doentes, homofóbicos, preconceituosos, violentos, ignorantes e fanáticos, e que ele se dedicará ainda mais a eliminar a influência do cristianismo na sociedade. O deputado enfatizou que seu mandato tem como foco a defesa dos interesses da militância gay e o combate a seus “inimigos”.
O deputado, que é membro da Frente Parlamentar LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e travestis) no Congresso Nacional, aproveitou para convocar seus seguidores para se juntar a ele em sua guerra particular. Jean obteve respostas diversas: angariou o apoio previsível de seus seguidores militantes da causa gay, e provocou a reação de inúmeros outros usuários da rede social, indignados com as ofensas do parlamentar aos cristãos e com seus ataques à liberdade de expressão, religião e comunicação.
Jean promove uma campanha de censura a usuários do Twitter que são contrários às idéias que ele defende, como o “casamento” homossexual, as cartilhas de suposto combate à “homofobia” do MEC (mais conhecidas como Kit Gay) e o PLC 122/2006 (lei da mordaça gay), projeto de lei que pretende transformar em crime qualquer crítica ou oposição ao comportamento homossexual ou às pretensões do lobby gay.
Uma das primeiras vítimas da campanha censória de combate ao cristianismo deflagrada por Jean Wyllys foi o usuário Carlos Vendramini.
Valendo-se do direito que qualquer cidadão possui em uma democracia, Vendramini fez, no Twitter, críticas ao Kit Gay, ao PLC 122/06 e a outros projetos dos militantes gays e aos parlamentares que os apóiam, como Jean Wyllis, Marta Suplicy e Cristovam Buarque, dentre outros. Incomodado com as críticas, o deputado disse, em seu blog, que estava acionando advogados da Frente LGBT para censurar o perfil de Vendramini, que Jean imagina ser “membro fundamentalista de uma parcela conservadora da direita católica em São Paulo” (sic) e estar praticando “perseguição” a ele.
(Fonte: Jornal do Brasil)
E agora o Convexo 

Pastor defende jovem gay que sofria homofobia na sua Igreja e acaba demitido na Bahia

Ainda há luz no fim do túnel entre a comunidade evangélica. Se por um lado nos deparamos com vídeos inacreditáveis como do pastor Edir Macedo, chefão da Igreja Universal do Reino de Deus, que tenta expulsar o demônio do corpo de um rapaz gay, por outro vemos uma notícia que mostra que nem todos que participam dessas comunidades religiosas têm o pensamento homofóbico.

Na tarde dessa última segunda (09), o pastor Sérgio Emílio Meira Santos, da Igreja Batista da Graça, compareceu à delegacia da cidade de Vitória da Conquista, na Bahia, para fazer uma denúncia de homofobia que aconteceu dentro de sua própria igreja.


De acordo com o pastor, um adolescente de 16 anos estava sofrendo constrangimentos por ser gay. Sérgio defendeu a permanência do rapaz na Igreja, mas acabou sendo demitido por isso.


O jovem chegou a ser ofendido publicamente por Helita Figueira, ex-vereadora da cidade e vice-presidente do conselho administrativo da Igreja. Helita manifestou sua insatisfação com a presença do adolescente gay durante um culto.


A orientação sexual do jovem, que tocava teclado na Igreja, acabou motivando uma reunião do conselho. Nessa reunião, o pastor disse que com base nas Escrituras Sagradas, não poderia impedir que o jovem frequêntasse os cultos, inclusive na condição de músico. Em seguida, ele recebeu uma carta de demissão assinada pelos membros do conselho. A justificativa é de que ele não estaria cumprindo com suas funções de pastor.


Acompanhado do pai do adolescente, Carlos André da Silva, o pastor prestou queixa contra os integrantes do conselho administrativo da Igreja. O caso será analisado pela polícia local.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O mestre e o gafanhoto no lodaçal do Petróleobrás




Por Alex Solomon

Obs. Postagem feita em 10 de janeiro de 2012, ou seja, na época em que não se falava em desvios na Petrobrás. Se fosse atualizada até o mestre Zem perderia a classe. 

Num final de tarde particularmente bonito, com os raios de sol incendiando o céu, o Gafanhoto decidiu que estava na hora de visitar o Mestre, ao qual devia migalhas de saber, cujo efeito era tornar menos opaca a ignorância na qual vivia mergulhado. Bem sabia que na condição de um dos “mais bobinhos da turma”, tudo que lhe restava fazer era abeberar-se na fonte do saber.

Ao chegar perto da entrada da caverna – lugar geométrico tradicional dos gurus - sentiu-se algo inseguro, mas logo superou esse sentimento. Encontrou o Mestre sentado na posição de lótus, mirando com fixidez um ponto indefinido, onde as retas paralelas costumam se encontrar.

- Seja bem-vindo.

- Desculpe minha intromissão. Sei que interrompê-lo na sua meditação irá me valer pontos negativos na avaliação final, mas computando o framework risco x retorno, decidi arriscar.

- Audaces fortuna juvat. A fortuna sorri aos audaciosos – em tradução livre. Aproxime-se.


O Gafanhoto lançou um olhar circular – aprendera que um olhar elíptico poderia causar distorções na percepção - mas tudo que viu não passava de um ambiente austero; as paredes nuas da rocha escavada, um cartaz “Proibido fumar’, a pilha de livros de há muito tempo intocados, tudo mergulhado na fumaça originada pela queima de incenso. Tossiu. O Mestre, também.

- Mestre, venho a pedido de um amigo, conselheiro de investimentos, e antes de tratar dos meus assuntos, gostaria de lhe encaminhar algumas perguntas.


Teve direito ao mutismo do Mestre, que tanto poderia significar encorajamento, quanto a mais profunda reprovação. Decorridos intermináveis segundos, o Mestre decidiu apiedar-se:

- Tentarei ajudar, mas há uma condição. Depois farei também uma pergunta, para avaliar o quanto assimilou.

- Mestre, sei que a Petrobrás está construindo uma refinaria em Pernambuco.

- Já lhe disse que uma pergunta jamais poderá ser feita na forma de uma afirmação. Un maestro de mi categoria e fuerza jamais faz concessões.

- Perdão, ainda não cheguei a pergunta.

- Seja objetivo, Gafa!

- Essa refinaria é necessária?

- Naturalmente, sabe que apesar de ser auto-suficiente em petróleo há mais de quatro anos, o Brasil importa derivados, sendo a balança comercial negativa nesse particular.

- Como assim?

- O valor gasto com importações é maior que a receita de exportações.

- Mas é auto-suficiente.

- Gafanhoto, sempre haverá um critério segundo o qual chegamos à conclusão desejada. Por exemplo: Você me acha magro?

- Sim. Até evitei mencionar o fato. Parece muito magro.

- Errado, Gafanhoto. Sou é muito alto. Se medisse uns trinta centímetros a menos com o mesmo peso, você me acharia obeso, a medida do meu IMC seria maior que 25.

-IMC?

- Índice de massa corporal, Gafanhoto. Não está familiarizado com o uso de siglas?

- Sim, conheço algumas. PAC, FMI, COPOM... Então a refinaria é necessária?

- Não costumo mudar de opinião tão rapidamente. Não é nem questão de coerência que seria a virtude dos imbecis.

- Perdão. Soube que, para esse, a Petrobrás receberá um financiamento de uns R$ 10 bi do BNDES, parte de um pacote maior. Mais uma sigla.

- Veio me comunicar isso?

- Não, mestre. A pergunta é: Depois de uma capitalização de 70 bilhões de dólares, isso era necessário?

- Gafanhoto, o plano de investimentos da Petrobrás para o período 2011-2015 é de mais de 220 bilhões de dólares. O lucro líquido para esse período será de digamos 20-25 bilhões de dólares anuais. Mesmo com a empresa se desfazendo de alguns ativos, falta dinheiro para cumprir esse plano.

-Entendi.

-Não entendeu, Gafanhoto. Se continuar com essas interrupções nada entenderá. Nunca! Daquela capitalização – a maior do mundo, cantada em versos e prosa ufanista – uns 40 bilhões de dólares já foram gastos. A Petrobrás comprou 5 bilhões de barris a U$ 8,51 cada.

- A empresa ficou com medo que esses barris se evaporassem?

- Não, Gafanhoto. Mas é sempre bom garantir o direito de explorá-los

- E a Petrobrás tinha esse dinheiro?

-Você não entende nada. O governo entrou com esse dinheiro que a Petrobrás usou para fazer a compra, de modo que no balanço, ao invés de Caixa ela tem os barris. Mas rápido em conta como o conheço, já viu que não sobrou tanto. Sem contar que o governo apurou uma receita com essa venda, que serviu para vitaminar o superávit primário.

-O Governo tinha esse dinheiro, para capitalizar a Petrobrás?

- Tinha...ou emitiu papel, fez dinheiro e o recebeu de volta. Entendeu?

- Ah. Que governo inteligente!

- É uma pergunta?

- Não, Mestre, é uma exclamação.

- Exclamações não requerem respostas.

- Então, voltando à refinaria Abreu e Lima, a Petrobrás associou-se à venezuelana PDVSA. Está vendo, mestre, mais uma sigla.

- Veio para me impressionar com seu conhecimento de siglas, Gafanhoto?

- Sei que jamais conseguirei impressioná-lo, Mestre. Mas voltando à pergunta, que não tive oportunidade de formular. Essa associação é boa?

- Boa para quem, Gafanhoto?

- Aprendi no curso de doutoramento que um negócio tem de ser bom para ambas as partes.

Tem de ser win, win.

- Está grasnando sem razão, gafanhoto. Por que não diz ganha, ganha? Vamos pensar. Numa associação ambos os sócios investem na proporção acordada. Nessa refinaria, cujo custo não para de subir, a Petrobrás entra com 60% e a PDVSA com...

- 40%.

- Sua habilidade numérica não encontra paralelo no mundo inteligente. Já pode tentar uns testes psicotécnicos para ascensorista do Senado. É a última interrupção que tolerarei hoje. Recapitulando. O custo da refinaria, depois de triplicar em relação á estimativa inicial está, por enquanto, em uns 26bi de reais. Por enquanto, a Petrobrás cacifou e a PDVSA apenas reclama da lentidão. O presidente da Venezuela até disse que ‘há setores da Petrobrás que não gostam’, mas ele pretende resolver esse assunto quando falar com “sua amiga Dilma”.

- Isso mesmo. Foi o que li no Estadão. Mas por que será que esses setores não gostam, Mestre, se for verdade o que Chávez disse?

- É que até agora, com 35% do projeto completados a PDVSA não colocou nenhum tostão. Não me pergunte como se chegou a 35% e não a 33,8 ou 38,1%. Não é o momento de falar em algarismos significativos. É apenas um ballpark.

- O que?

- Uma aproximação.

- E por que a PDVSA não investiu ainda?

- Boa pergunta. Como dizia o grande Carl Herrmann , responda você mesmo!

- Não quis se precipitar. Ou não tinha.

- Correto. Daí a PDVSA pretende levantar um empréstimo com o BNDES. Somos parceiros. Como você disse, Gafa, quen,quen!

-É win, win, mestre!

-Que seja!

- Ah, com nosso dinheiro? E o BNDES emprestará?


- Para não sair mal na foto, o BNDES exigiu garantias, essa bobagem típica de banqueiro – saber se receberá de volta o dinheiro.

- Para uma empresa do porte da PDVSA apresentar garantias é difícil?

- No caso deles levou meses, até que conseguiram duas cartas de fiança cobrindo R$ 4 bi. Uma delas relativa a 1bi é do BB. -Também conheço siglas. Para os outros R$ 3 bi veio uma carta de fiança do BES português – um banco tradicional com quase 150 anos de vida.

- As cartas chegaram apesar da greve dos Correios?

- Gafanhoto, olhe o respeito!

- Então, a PDVSA não tinha dinheiro para investir, precisou de financiamento do BNDES e parte das garantias foi dada por um banco brasileiro?

-Tudo em casa, Gafa! Somos uma grande família!

- Então o projeto receberá o aporte da PDVSA?

- Por enquanto, não, mas isso deverá acontecer, assim que eles verificarem quanto já se investiu para poder pedir ao BNDES o correspondente a 40%, isso acontecerá. Fazem muito bem querer verificar. Não vão torrar dinheiro à toa.

- Então é um bom negócio?

-Chega de perguntas. Seus assuntos ficam para um outro dia. Agora é a minha vez. Pense e responda. O que é azul, está numa árvore e assobia?

- Não sei.

-Pense, Gafanhoto!

- Ma langue au chat. Desisto.

- É o presidente da Petrobrás.

- Por que azul?

- Porque assim o pintei.

- Por que fica numa arvore?

- Porque lá o coloquei

- Por que assobia?

- Foi para dificultar, Gafanhoto!

O Gafanhoto agradeceu e saiu. Uma lufada de ar gelado o fez estremecer. Caminhou tentando entender a razão da pergunta do Mestre.

Texto de Alex Solomon

- Outros livros publicados por Alex Solomon : Plataforma G - Bucareste - Não basta sonhar - O desmonte de Vênus - Um triãngulo de bermudas - na Saraiva,Cultura.. 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

A VELHA MÍDIA E A SÍNDROME DO AMOR BANDIDO

Por: Luis Nassif

Dias atrás li a Dora Kramer se queixando no Twitter de que as acusações contra Fernando Bezerra não tinham eco na oposição porque muitos tucanos sonham com a candidatura do governador pernambucano Eduardo Campos.
A consequência era previsível. Hoje o Estadão ataca Campos, chamando-o de coronel por ter sido presumivelmente responsável pela indicação de parentes para cargos no Estado. A matéria acusa Campos de atropelar a Constituição e tem como fonte exclusiva Jarbas Vasconcellos, o magoadíssimo Jarbas, que compara Campos a um ditador implacável. O repórter admite dificuldades em localizar outros oposicionistas dispostos a criticar um governador que tem recordes de aprovação e admiradores até na oposição, além do meio privado - Jorge Gerdau é fã incondicional da capacidade administrativa de Campos.
Agora, a Eliane Cantanhede informando que o PT não tem candidato para as eleições de 2018. Poderia olhar mais longe e afirmar que nem para 2022. E, talvez, nem para 2026.
Trata Campos como um "trator", por eleger a mãe para o TCU. Não dá exemplos dos atos de tratoragem. As de Serra consistem em dossiês e alimentar a imprensa para ataques à reputação. Ou alguém hoje em dia tem dúvida de que a suposta história do Aécio batendo na namorada não saiu dos esquemas de disseminação de injúrias de Serra? Mas a relativização de ações graves dos aliados, assim como a dramatização de ações menores dos "inimigos" (qualquer um que ameace o espaço do aliado), faz parte dessa perda de rumo atual da mídia.
O curioso é que as "acusações" saem simultaneamente na reportagem e nas colunas. Nem se espera mais a publicação para "repercutir".
"Acusa" Campos de estar com um pé em cada canoa, sem se dar conta de que nesse exato momento - sob os olhos gerais - está sendo moldado um novo desenho político, um rearranjo geral e irrestrito da situação e da oposição. As placas tectônicas da política se movimentam como nunca o fizeram desde a redemocratização. Há um novo desenho sendo construído, com alguns atores iniciais relevantes, mas ainda naquela fase pré-modelagem em que alianças são testadas, lideranças postas à prova, novos discursos sendo gestados.
Enfim, um quadro riquíssimo, exigindo analistas argutos, capazes de vislumbrar em que rios esses afluentes irão desembocar, quem serão os novos atores principais, quais as potencialidades e vulnerabilidades de cada um, quais as alianças possíveis.
Mas Eliane só consegue enxergar pessoas com um "pé em cada barco", a parte mais visível e óbvia de um cenário em transformação.
O jogo anterior já acabou, mas não se dão conta. O político José Serra acabou. E quanto mais tempo demorarem para admitir, mais estarão asfixiando uma nova oposição e fortalecendo o governo que pretendem combater.
A blindagem de José Serra acabou. Em qualquer nova campanha, haverá levantamentos sobre sua vida pública, dos precatórios de Montoro, às importações de equipamentos médicos daquele período, aos sanguessugas da Saúde e às operações atuais. E, depois do livro de Amaury Ribeiro Jr, todos seus pecados - que não são poucos - ganharão nova leitura. Saiam do aquário e conversem, não com adversários, mas com antigos admiradores de Serra, no campo intelectual e/ou empresarial.
Às vezes esse comportamento de parte da mídia me lembra muito a síndrome do "amor bandido" - entendido como a atração trazida pelo sujeito, não necessariamente bandido, mas sem limites.

- Por Sanzio -
Eliane Cantanhede escreve em sua coluna de hoje na Folha que o PT não tem candidato à eleição presidencial de 2018. É isso mesmo, não é piada. Essa moça já tem idade suficiente para evitar constrangimentos a si própria, como fez com relativa frequência nos últimos anos, que já lhe renderam o título de Miss Febre Amarela e Musa das Massas Cheirosas. Talvez fosse o caso de fazermos uma vaquinha para mandá-la ao oculista:
"Quanto a Eduardo Campos, que passou o trator para eleger a própria mãe ministra do TCU: ele dança conforme a música. Está com um pé no governo Dilma, mas ensaia passos com Aécio e com Kassab. Ou seja, está em todas. Ou quase todas.
Os planos do governador passam mais pelo PSDB de Aécio e o PSD de Kassab do que pelo PMDB e pelo PT. Um tem a Vice-Presidência hoje, mas nunca se sabe o dia de amanhã. O outro tem Dilma para concorrer à reeleição, mas não parece, a olho nu, ter ninguém no horizonte para 2018. E a estratégia de Campos, que de bobo não tem nada, inclui a Vice em 2014 e a disputa pelo Planalto em 2018."

O que move o partido-imprensa

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Desde a formação da Bolsa de Londres, a três séculos de capitalismo, o sistema arregimenta, a soldo de oficialato, espirra-tintas dispostos a defendê-lo com fidelidade canina. A tradição se mantém na imprensa atual
Por Gilson Caroni Filho*
A leitura diária dos jornais pode ser um interessante exercício de sociologia política se tomarmos os conteúdos dos editoriais e das principais colunas pelo que de fato são: a tradução ideológica dos interesses do capital financeiro, a partitura das prioridades do mercado. O que lemos é a propagação, através dos principais órgãos de imprensa, das políticas neoliberais recomendadas pelas grandes organizações econômicas internacionais que usam e abusam do crédito, das estatísticas e da autoridade que ainda lhes resta: o Banco Mundial (Bird), o Fundo Monetário Internacional (FMI), a Organização Mundial do Comércio (OMC). É a eles, além das simplificações elaboradas pelas agências de classificação de risco, que prestam vassalagem as editorias de política e economia da grande mídia corporativa.

Claramente partidarizado, o jornalismo brasileiro pratica a legitimação adulatória de uma nova ditadura, onde a política não deve ser nada além do palco de um pseudo-debate entre partidos que exageram a dimensão das pequenas diferenças que os distinguem para melhor dissimular a enormidade das proibições e submissões que os une. É neste contexto, que visa à produção do desencanto político-eleitoral, que deve ser visto o exercício da desqualificação dos atores políticos e do Estado. Até 2002, era fina a sintonia entre essa prática editorial e o consórcio encastelado nas estruturas de poder. 

O discurso “modernizante” pretendia – e ainda pretende – substituir o “arcaísmo” do fazer político pela “eficiência” do economicamente correto. Mas qual o perigo do Estado para o partido-imprensa? Em que ele ameaça suas formulações programáticas e seus interesses econômicos?

O Estado não é uma realidade externa ao homem, alheia à sua vida, apartada do seu destino. E não o pode ser porque ele é uma criação humana, um produto da sociedade em que os homens se congregam. Mesmo quando ele agencia os interesses de uma só classe, como nas sociedades capitalistas, ainda aí o Estado não se aliena dos interesses das demais categorias sociais.

O reconhecimento dos direitos humanos, embora seja um reconhecimento formal pelo Estado  burguês, prova que ele não pode ser uma instituição inteiramente ligada aos membros da classe dominante. O grau maior ou menor da sensibilidade social do Estado depende da consciência humana de quem o encarna. É vista nesta perspectiva que se trava a luta pela hegemonia. De um lado os que querem um Estado ampliado no curso de uma democracia progressiva. De outro os que só o concebem na sua dimensão meramente repressiva; braço armado da segurança e da propriedade.

O partido-imprensa abomina os movimentos sociais,  os sindicatos (que não devem ter senão uma representatividade corporativa), a nação, antevista como ante-câmara do nacionalismo, e o povo sempre embriagado de populismo. Repele tudo que represente um obstáculo à livre-iniciativa, à desregulamentação e às privatizações. Aprendeu que a expansão capitalista só é possível baseada em “ganhos de eficiência”, com desemprego em grande escala e com redução dos custos indiretos de segurança social, através de reduções fiscais.

Quando lemos os vitupérios dos seus principais articulistas contra políticas públicas como Bolsa Família, ProUni e Plano de Erradicação da Pobreza, dentre outros, temos que levar em conta que trabalham como quadros orgânicos de uma política fundamentalista que, de 1994 a 2002, implementou radical mecanismo de decadência auto-sustentada, caracterizada por crescentes dívidas, desemprego e anemia da atividade econômica.

Como arautos de uma ordem excludente e ventríloquos da injustiça, em nome de um suposto discurso da competência , endossaram a alienação de quase todo patrimônio público, propagando a mais desmoralizante e sistemática ofensiva contra a cultura cívica do país. Não fizeram- e fazem- apenas o serviço sujo para os que assinam os cheques, reestruturam e demitem. São intelectuais orgânicos do totalitarismo financeiro, têm com ele uma relação simbiótica. E é assim que devem ser compreendidos: como agentes de uma lógica transversa.

Merval Pereira, Miriam Leitão, Sardenberg, Eliane Catanhede, Dora Kramer e outros mais necessitam ser analisados sob essa perspectiva. É ela que molda a ética e o profissionalismo de todos eles. Sem mais nem menos.

*Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Correio do Brasil e do Jornal do Brasil.


UNIMED VITÓRIA AS LEIS E ORGÃOS OFICIAIS QUE A PROTEGEM, E SUAS MAIORES VITIMAS.

A Unimed Vitória aplicou um reajuste de 104,70% (cento e quatro virgula sete pontos percentuais) sobre os valores das mensalidasdes do plano de sáude dos cooperados da COOPSAÚDE GAROTO/NESTLÉ.

A Unimed Vitória é uma Cooperativa de fachada, que beneficia-se dos Estatutos e das Leis do Cooperativismo, não para promover a igualdade social, mas, para beneficiar-se destas Leis reduzindo seus Encargos Sociais, consequentemente aumentando seus lucros . 

 
Protegida pelo “Pseudo-Cooperativismo”, por uma Agencia Reguladora ineficiente, por um órgão de Defesa do Consumidor limitado e um judiciário tendencioso, a Unimed Vitória sacrifica seus usuários, repassando para suas mensalidades todos os custos diretos e indiretos, majorados por uma margem de lucro capaz de causar inveja à muita instituição financeira. 
 
Com o aparente e firme propósito de inviabilizar as nossas atividades que sempre estiveram sustentados pelos princípios do Cooperativismo: da igualdade social, da dignidade humana e do direito à vida, nossa contratada Unimed Vitória, vem à algum tempo tentando rescindir o contrato celebrado a mais de onze anos.
Com argumentos capitalistas e antissociais, a Unimed vem aplicando sistematicamente ano após ano, reajustes abusivos sobre as mensalidades dos planos de saúde pagos por nossos cooperados e deixando o ônus de suas atitudes a serem pagos por nós, diretores da Coopsaúde.  Ela aplica os reajuste, aumentando seus lucros, e a difícil tarefa de comunicar e justificar os abusivos reajustes sempre cabe a nós, diretores. 
 
A Cooperativa de Saúde e Educação, tem como objetivos e princípios defender os direitos de uma fatia de cidadãos brasileiros que por estarem numa faixa etária muito alta, não despertam o interesse de nenhuma operadora de plano de saúde, muito ao contrário, são cidadãos discriminados e preteridos por aquelas. 
 
São cidadãos que depois de passarem uma vida trabalhando e doando sua saúde para o crescimento do nosso país, simplesmente foram abandonados pelos órgãos oficiais e deixados à própria sorte. 
 
Cidadãos que bravamente conseguiram sobreviver aos piores anos da história do Brasil, sobreviveram a guerras, à escassez de alimentos e a doenças que na época não tinham remédios para curá-las.
Sobreviveram ao pior sistema político implantado no Brasil, a Ditadura Militar. Passaram por dificuldades imagináveis e inimagináveis. 
 
Hoje estes brasileiros que deveriam ser tratados como heróis por terem envelhecido apesar de tudo, são tratados como estorvo, não só para os planos de saúde por serem eles os que mais usam seus serviços, mas também por nossos Legisladores que não criam Leis que realmente o protejam. 
 
O Estatuto do Idoso, (a exemplo do cooperativismo aplicado pela Unimed), é uma FARÇA, não encontrando no LEGISLATIVO, no JUDICIÁRIO, no PROCON ou na ANVISA suporte para defender seus “direitos” justamente adquiridos.

Abaixo disponibilizamos aos nossos Cooperados e amigos uma cópia da notificação emitida por nossa Contratada Unimed Vitória onde, sustentada no aumento da sinistralidade (utilização do plano) e consequente resultado negativo no desempenho dos últimos dose meses, ela já não se satisfaz com seus reajustes abusivos, agora ela comunica a rescisão Contratual.
Na sequencia da postagem mostraremos os desdobramentos, que culminaram na decisão judicial permitindo a Unimed Vitória o direito de reajustar o plano de saúde Unimed Fácil Participativo em 104,70% (cento e quatro virgula setenta pontos percentuais). 

Após receber esta notificação de Rescisão Contratual, comecei a proceder com a defesa dos direitos de nossa Entidade e consequentemente a de nossos cooperados.
A primeira atitude tomada foi procurar apoio junto à COMISSÃO PERMANENTE DE SAÚDE, SANEAMENTO E ASSISTÊNCIA SOCIAL DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO. Conforme Oficio que pode ser lido AQUI.

Este oficio me oportunizou a possibilidade de fazer a defesa na sessão da Comissão Permanente de saúde, Saneamento e Assistência Social da Assembleia Legislativa do Estado do Espirito Santo.
Minha defesa obteve exito, culminando com o apoio de todos os parlamentares presentes, e resultando numa reunião entre: Cooperativa de Saúde Garoto, a Unimed Vitória e por representantes da Comissão da ALES.

A *reunião realizou-se no dia 26 de Setembro de 2011 na Unimed. Na ocasião a Coopsaúde foi representada pelos Diretores Anadelso Pereira e Marcus Antonio Silva Alves, (por motivos pessoais fui impossibilitado de comparecer) A unimed fora representada pelo Sr. Marcio José B. Klein e seu advogado e representaram a Comissão da Assembleia Legislativa do Estado do Espirito Santo os deputados Dary Pagung e Gilsinho Lopes

*(Antes de iniciar à reunião conforme data e horario estabelecidos, os representes da Coopsaúde, Srs Anadelso e Marcus, presenciaram uma reunião reservada, envolvendo os representantes da Unimed Vitória e os representantes do Legislativo.)

Nesta reunião as partes chegaram a um consenso onde:
  • Seria prorrogado por mais 60 (sessenta) dias o prazo da rescisão contratual, e
  • A Unimed Vitória apresentaria uma planilha com propostas de novos valores.

A Unimed Vitória não cumpriu a prorrogação no prazo de rescisão contratual por mais sessenta dias, conforme acordado na reunião, bloqueando os atendimentos de nossos cooperados. Este não cumprimento do acordo, pode ser acompanhado  na troca de e-mails entre a Coopsaúde e a Unimed apresentados (AQUI).

A unimed enviou uma planilha com preços de plano de saúde para pessoas físicas que pode ser conferida (AQUI), e por ser pessoa física não atenderia os interesses da Coopsaúde, afinal ela é pessoa jurídica, e de nada adiantaria tal planilha.

Como os prazos de prorrogação da arbitraria rescisão não foram respeitados pela Unimed Vitória e esta também não apresentou uma planilha compatível com a Coopsaude, nos vimos obrigados a mais uma vez tomar atitudes para defender os interesses de nossa Instituição, e automaticamente os direitos de nossos cooperados.

Procedemos com uma ação judicial, onde requeríamos uma proibição da rescisão contratual unilateral e a determinação de um índice de reajuste nas mensalidades do plano de Saúde Unimed Fácil Participativo, que fosse justo para ambas as partes.

A ação judicial resultou na NÃO rescisão contratual, porém a Unimed apresentou uma tabela de reajustes baseada no aumento da sinistralidade (uso do plano) alegando que o contrato é altamente deficitário e que seria necessário um reajuste de 104,70% (cento e quatro virgula sete pontos percentuais) para manter o contrato ativo.
Os números do reajuste solicitado pela Unimed foram considerados justos pelo Desembargador que sentenciou a Coopsaúde a depositar judicialmente os valores de reajuste propostos pela Unimed, que diante de nosso pedido de revisão, poderá, ou não serem revistos, e em caso da revisão concluir na aplicação de um reajuste inferior aos valores pagos por nossos cooperados, estes serão devidamente ressarcidos pela diferença paga à maior.
Acompanhe (AQUI) todo o desdobramento judicial que acarretou o reajuste abusivo.

Dirijo-me aos nossos cooperados Muito atenciosamente, e 
Me reservo o direito da insatisfação com os órgãos que deveriam defender o cidadão.
Com a forma que o JUDICIÁRIO faz vista grossa aos DIREITOS DO IDOSO, 
Como o PROCON vira as costas para os consumidores, 
Como a ANVISA inverte os valores, defendendo não o cidadão, mas as operadoras de planos de Súde, e 
Com  NOSSOS LEGISLADORES, pela INcapacidade que estes senhores tem de defenderem os Direitos daqueles que os nomeiam seus  REPRESENTANTES através do VOTO.


Dagmar Olindo Vulpi
Diretor Presidente da COOPSAÚDE
Cooperativa dos Usuários dos Serviços de Saúde, Educação e Afins dos Empregados da Chocolates Garoto/Nestlé 

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