segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Americanos compram outra brasileira da área da saúde


CareFusion compra Intermed, de aparelhos respiratórios

O valor do negócio não foi divulgado, mas a CareFusion estima que a aquisição da Intermed representará uma receita adicional de US$ 25 milhões
A CareFusion, fabricante americana de produtos hospitalares, anunciou nesta segunda-feira que está comprando a brasileira Intermed Médico Hospitalar, fabricante de aparelhos respiratórios.

Em comunicado divulgado em seu site, a CareFusion afirmou que a transação reflete o desejo da companhia de expandir suas operações para outros países. O comunicado ressaltou que o Brasil é hoje a sexta economia mundial, com cada vez mais pessoas chegando à classe média, e que essa conjuntura, além dos investimentos do governo no setor, favorecem o acesso a serviços de saúde.

O valor do negócio não foi divulgado, mas a CareFusion estima que a aquisição da Intermed representará uma receita adicional de US$ 25 milhões ao ano. A transação deve ser finalizada até o fim de 2012.
A direção da Intermed disse que o negócio deve possibilitar investimentos em pesquisa e desenvolvimento.

Portugal - No porto, os palavrões não são obscenos





Paulo Moura - Semiótica do palavrão *
Em nenhum outro lugar do país se fala um português tão rico como no Porto. Perdoem-me os bem-falantes de todas as latitudes, mas eu, que já morei em muitas terras, nunca vi acariciar as palavras como no Porto. E não me refiro às camadas cultas. Por mais que isto custe aos lusos doutores, na invicta, o povo apoderou-se do verbo. "No Porto?", pasmará um lisboeta. "Eu quando lá vou só ouço palavrões!" Precisamente. Esse é um exemplo fascinante. No resto do país, os palavrões são usados em situações extremas, para mostrar desagrado por uma situação, ou para insultar alguém, que pretendemos rebaixar. E, usando-os, rebaixamo-nos a nós próprios também. É para isso que servem: para reduzir à obscenidade.

No porto, os palavrões não são obscenos: são uma arte e uma filosofia. Não sei se algum linguista analisou alguma vez este fenómeno. Mas valia a pena. Primeiro porque, no Porto, os palavrões são fiéis à sua natureza - são vulgares e ordinários. Não são, como noutras regiões, raros e extraordinários. São de todos, e não de uma elite indecente. Depois, porque servem para exprimir uma sabedoria.

A táctica é esta (e digo-o com todo o respeito e admiração pela terra onde nasci): há um jogo de metáforas, todas elas referentes ao acto sexual, que servem para compreender a vida. É um universo alegórico em que o sexo não é mais do que um exercício utilitarista de dominação e humilhação, uma economia do dar e do receber, um negócio de favores, promessas e cobranças. Visto desta forma, a vida erótica comporta uma panóplia de situações que correspondem a outras tantas da vida em geral.

Atenção, trata-se de um jogo tácito, e não de um machismo empedernido ou um marxismo de caserna. Por exemplo, se se disser que alguém "apanhou no c. e nem piou", isto significa que foi vítima de um abuso tão descarado que nem teve tempo de protestar. A expressão aplica-se a situações tão variadas como ter pago um preço exagerado num restaurante ou ter sido despedido sem justa causa. Parte do princípio de que o sexo anal é um acto de prazer unilateral, que implica portanto a humilhação do sujeito passivo.

Por outro lado, a expressão "tenho apanhado muito no c." significa que já sofri muito na vida, pelo que estou preparado para grandes desafios. Uma expressão equivalente mas talvez ainda um pouco mais amarga é "eu já fiz muitos b."

Se alguém responder a um pedido ou a uma proposta com a frase "na c. da tua tia!", isso significa uma recusa peremptória, como quem diz "isso é que era bom!" ou "isso é o que tu querias!", numa alusão ao eventual desejo subliminar e inconfessado de ter acesso às partes íntimas de figuras respeitáveis da família. Mas, se a frase for "até rima da c. da tua prima", significa um sinal de cumplicidade. A simples alteração do grau de parentesco implica uma reviravolta semântica. É todo um jogo de subtilezas. Mais um exemplo: as elocuções "p. que te pariu" ou "filho da p." são inequivocamente negativas, pois pressupõem que a mãe do interlocutor seria uma trabalhadora do sexo, pelo que o coito que deu origem àquele terá sido, não de amor, mas um acto mercantil. Pelo contrário, dizer "meu grande filho da p." é um gesto de carinho, talvez por sugerir que o indivíduo em causa, por se ter comportado como um grande filho merece o respeito e a protecção da sociedade, apesar das circunstâncias pouco auspiciosas em que foi concebido.
*in "Público", 18 de Fevereiro de 2007
Via Fórum do Facebook

Advogado do goleiro Bruno diz estar 'convicto' da sua absolvição

Bruno está preso há mais de 2 anos pelo desaparecimento da ex-amante, a modelo Eliza Samudio. Foto: Lucas Prates/Futura Press
Bruno está preso há mais de 2 anos pelo desaparecimento da ex-amante, a modelo Eliza Samudio

O advogado Rui Caldas Pimenta, que defende o goleiro Bruno Fernandes de Souza, afirmou que está "convicto" de que seu cliente será absolvido. Segundo ele, o ex-atleta do Flamengo, acusado pela morte da ex-amante Eliza Samudio, já foi informado sobre a decisão da juíza Marixa Fabiane de marcar o início do júri popular para o dia 19 de novembro.

Pimenta mostra confiança com relação ao resultado do julgamento. "Eu quero que o Bruno seja julgado o mais rápido possível e vá para a rua logo", disse. O caso será julgado no Tribunal do Júri de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG). "Ele já está sabendo e está tudo certinho", afirma o defensor.

Além de Bruno, serão julgados os réus Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, acusado de executar Eliza; Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, amigo de Bruno; Wemerson Marques, o Coxinha; a ex-mulher do goleiro Daiane Rodrigues; a ex-namorada Fernanda Gomes Castro; e o ex-caseiro do goleiro Elenílson da Silva. Sérgio Rosa Sales, primo de Bruno, também era réu pelo crime, mas foi morto a tiros em 22 de agosto deste ano.

Enquanto aguarda o julgamento, o ex-atleta segue preso, o que é motivo de protestos do advogado. "O Bruno está preso preventivamente há dois anos. Isso não existe", contesta Pimenta. O defensor afirma que são poucas as esperanças de que o pedido de habeas-corpus para o seu cliente, pendente de julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), seja avaliado enquanto a Corte está ocupada com o processo do mensalão. Por isso, Rui Pimenta entrou com uma liminar de habeas-corpus, negada na última quinta-feira em despacho do ministro Joaquim Barbosa.

No despacho, Barbosa afirma que "a petição em referência em nada inova na matéria ventilada na peça inicial, permanecendo inalterado, portanto, o quadro fático-jurídico que motivou a vice-presidência deste Tribunal a indeferir o pedido de liminar". No entanto, o advogado afirma que o ministro errou ao dizer que os fatos atuais são os mesmos da primeira petição e, por esse motivo, ingressou com embargo declaratório pedindo que Barbosa corrija o despacho.

"O ministro pode até não botar o Bruno na rua, mas tem que corrigir aquele despacho que ele fez sem ler", afirma. Segundo Pimenta, o ex-atleta estava preso devido a um pedido de prisão preventiva da Justiça mineira e a uma condenação da Justiça do Rio de Janeiro. "Só que hoje é diferente. Eu já fui ao Rio de Janeiro e acabei com o processo de lá", diz.
O mérito do habeas-corpus ainda está pendente de julgamento pelo colegiado de ministros do STF. Se a decisão for mantida, o goleiro Bruno deverá aguardar o julgamento popular preso, já que ele teve negada a liberdade em todas as instâncias judiciais.

O caso Bruno
Eliza desapareceu no dia 4 de junho de 2010 quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano anterior, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, então com 4 meses, estava lá. A então mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno foi apontado como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação de uma namorada do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.

No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou quatro anos e seis meses de prisão por cárcere privado, lesão corporal e constrangimento ilegal, e seu amigo, três anos de reclusão por cárcere privado. Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão, Sérgio Rosa Sales e Bola serão levados a júri popular por homicídio triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação de cadáver. Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson também irão a júri popular, mas por sequestro e cárcere privado. Além disso, a juíza decidiu pela revogação da prisão preventiva dos quatro. Flávio, que já havia sido libertado após ser excluído do pedido de MP para levar os réus a júri popular, foi absolvido. Além disso, nenhum deles responderá pelo crime de corrupção de menores.

Sudeste bate recorde em votos brancos e Nordeste em nulos


As capitais da região Sudeste bateram o recorde em número de votos brancos nas eleições de domingo. São Paulo e Rio de Janeiro tiveram 5,43% de votos brancos; Belo Horizonte, 5,79% e Vitória, 3,65%. A segunda região com mais votos brancos é o Nordeste: Fortaleza teve 2,92%; Natal teve 4,42%; João Pessoa, 3,36%; Recife, 4,57%; Maceió, 5,58%; Aracaju, 3,41%; e Salvador, 4,84%.

Já as capitais do Norte foram as com menos votos brancos registrados pelo Tribunal Superior Eleitoral. Boa Vista teve 1,43%; Manaus, 2,09%; Acre, 1,48%; Porto Velho, 2,53%; Belém, 2,82%; Palmas, 1,48%; e Macapá - que foi a capital com menos votos brancos -, 1,39%. Goiânia foi a capital com maior número de votos brancos, 5,80%.

Em 21 capitais, cerca de 20% da população deixou de votar. No total, mais de 5 milhões de brasileiros não compareceram às urnas. Também tiveram aqueles que foram até a zona eleitoral, mas anularam o voto. A região Nordeste teve as capitais com mais votos nulos contabilizados pelo TSE. São Luís registrou 4,04%; Piauí, 3,99%; Fortaleza, 4,69%; Natal, 7,28%; João Pessoa, 5,58%; Recife, 4,81%; Maceió, 6,99%; Aracaju, 6,02%; e Salvador, 9,39%.

Entre as capitais do País, se destacaram Salvador, Natal, Belo Horizonte (9,15%), Rio de Janeiro (8,48%), São Paulo (7,35%) e Goiânia (12,92%) - capital que bateu recorde em número de votos nulos.

Dilma parabeniza Haddad pelo resultado e "certamente" subira no seu palanque no 2º turno


A presidente Dilma Rousseff telefonou para parabenizar o candidato petista à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, pelo desempenho nas urnas no primeiro turno. Dilma também entrou em contato com o petista Nelson Pelegrino (Salvador) e com o peemedebista Eduardo Paes (Rio de Janeiro). Segundo a ministra da Comunicação Social, Helena Chagas, Dilma "certamente" subirá novamente no palanque de Haddad na campanha para o segundo turno.

"Claro que a presidente irá a outros lugares, mas ainda não definiu quais", acrescentou a ministra. Segundo fontes do Planalto, a tendência é que Dilma visite Salvador e Manaus para agendas de campanha. Nesta manhã, a presidente já falou também com o candidato derrotado petista à eleição de Belo Horizonte, Patrus Ananias, num embate que teve por trás as influências de possíveis rivais no pleito presidencial de 2014: Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB).

Segundo Helena Chagas, "o PT foi o partido que recebeu mais votos no pleito". A ministra não informou como a presidente reagiu com o crescimento do PSB, registrando vitórias sobre o próprio PT, como aconteceu em Recife (PE).

Dilma passou a manhã tratando ainda de assuntos referentes à disputa por prefeituras em todo o País. Hoje, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, apresentou o quadro geral das eleições com base em levantamento feito pela Subchefia de Assuntos Federativos na noite de ontem. A presidente reuniu-se ainda com o ministro da Secretaria-Geral, Gilberto Carvalho, que é importante auxiliar político, e também com o vice-presidente, Michel Temer.

A presidente receberá nesta tarde o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e o prefeito reeleito do Rio, Eduardo Paes. Dilma ainda ligará para o prefeito reeleito de Porto Alegre, José Fortunati, para felicitá-lo.

Comissão da Verdade vai pedir mudanças no ensino de escolas militares


A Comissão da Verdade, que investiga crimes ocorridos durante a ditadura militar, deve recomendar às Forças Armadas mudanças no currículo das escolas militares, informa o jornal O Estado de S. Paulo nesta segunda-feira. De acordo com o sociólogo Paulo Sérgio Pinheiro, membro da comissão, a questão principal é o ensino relacionado ao golpe militar de 1964. 
"As academias militares continuam a conviver com o mito de que o golpe de 1964 foi uma revolução democrática para impedir o comunismo", disse em entrevista ao programa Roda Viva, que vai ao ar nesta segunda-feira na TV Cultura.

O sociólogo aponta que a comissão não tem autoridade para intervir diretamente nas academias militares, mas que fará "recomendações precisas sobre esses programas de ensino". 
O general da reserva Durval de Andrade Néri, ex-diretor do Clube Militar do Rio e conselheiro da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra contestou Pinheiro. "O que tivemos em 1964 foi um contragolpe em defesa da democracia", afirmou, ao defender a ação militar contra o que chamou de um "golpe de esquerda que levaria à comunização do Brasil".

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