sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Mantega diz em Londres que medidas do Fed estimulam guerra de divisas entre os países


O Brasil está disposto a comprar mais dólares para manter o real desvalorizado, disse hoje (21) o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Segundo ele, o governo pretende evitar uma apreciação da moeda brasileira provocada pela política de estímulo monetário dos Estados Unidos, reiterando o risco de uma "guerra de divisas". Mantega deu as declarações em Londres, durante uma conferência organizada pela revista The Economist.
O valor do dólar ante o real tem se depreciado desde a última semana, quando o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) anunciou que comprará US$ 40 bilhões ao mês em títulos hipotecários até que a situação do emprego melhore no país.
Segundo Mantega, "é natural que os países se defendam dessas atitudes, que não trazem necessariamente benefícios diretos nem vão recuperar os mercados locais, mas que vão estimular a guerra de divisas porque vão levar outros países a fazê-la".
Na segunda-feira, o Banco Central brasileiro interveio no mercado de câmbio, adquirindo US$ 2,1 bilhões (R$ 4,2 bilhões) no mercado de futuros para tentar conter a alta do real diante da moeda norte-americana. Até o último dia 14, o saldo da entrada e saída de dólares do país, fluxo cambial, ficou positivo em US$ 460 milhões.
"O Banco Central comprará mais reservas se houver uma oferta de dólares muito forte na economia brasileira. Atuaremos também no mercado de derivados", afirmou Mantega. O ministro disse que as autoridades brasileiras estão atentas e que adotarão as "medidas necessárias" para proteger as exportações. "Não permitiremos que a nossa economia perca competitividade, sobretudo a indústria", destacou.
Mantega disse ter receio de que a política dos EUA aumente o risco de mais países tomarem parte em uma "guerra de divisas" para combater a desvalorização do dólar. "A resposta imediata ao estímulo monetário dos EUA é o estímulo monetário japonês, porque o Japão já reagiu e adotará medidas para tentar desvalorizar o iene em relação a outras divisas", comentou.
*Com informações da Agência Lusa

Brasil reage às críticas dos Estados Unidos sobre protecionismo e sinaliza que vai recorrer à OMC


O governo do Brasil reagiu às críticas dos Estados Unidos que condenaram o que julgam ser o protecionismo brasileiro. Em protesto à afirmação, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, enviou ontem (20) carta ao embaixador Ron Kirk, representante para o Comércio dos Estados Unidos. No texto, o chanceler diz que os norte-americanos são os principais responsáveis pelas barreiras impostas, por exemplo, aos produtos agrícolas brasileiros.
“O Brasil tem sido obrigado a enfrentar a valorização artificial de sua moeda e uma enxurrada de mercadorias importadas a preços baixos. Os Estados Unidos têm sido um dos principais beneficiários desta situação”, reage o chanceler. “Preocupa-nos a perspectiva de continuação de subsídios ilegais concedidos à produção agrícola pelos Estados Unidos.”

O ministro destacou que esses benefícios concedidos à produção agrícola pelos Estados Unidos causam impactos negativos nas economias dos países em desenvolvimento. “[Eles] impactam o Brasil e outros países em desenvolvimento, inclusive alguns dos mais pobres da África”, diz o texto.

Patriota diz ainda, na carta, que todos os mecanismos adotados pelo Brasil têm o respaldo da Organização Mundial do Comércio (OMC) e que o governo não abrirá mão dos instrumentos que julga legítimos. “O governo brasileiro não abdicará de seu direito de fazer uso de todos os instrumentos legítimos permitidos pela OMC”, informa o texto.

Em relação a eventuais efeitos negativos nas negociações na chamada Rodada Doha, como insinuaram as autoridades norte-americanas, Patriota negou impactos. “Discordo totalmente de Vossa Excelência quanto aos efeitos que as medidas adotadas pelo Brasil poderiam ter sobre o resultado da Rodada Doha”, disse.

De 2007 a 2011, a venda de produtos norte-americanos para o Brasil dobrou, segundo dados oficiais. Em quatro anos, as exportações dos Estados Unidos para o mercado brasileiro saltaram de US$ 18,7 bilhões para US$ 34 bilhões. O Brasil passou de 16º para 8º maior mercado de produtos norte-americanos.

CNI informa que há crescimento gradual da produção


A indústria mostra tendência de crescimento da produção, de acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), que divulgou hoje (21) a Sondagem Industrial de agosto.
De acordo com a avaliação, “o indicador de evolução da produção alcançou 54,7 pontos em agosto, distanciando-se da linha de 50 pontos que divide a evolução negativa da positiva”. Em julho, esse indicador estava em 51,1 pontos e no mesmo mês do ano passado em 50,1 pontos.
O indicador de emprego no setor passou de 48,5 pontos, em julho, para 49,8 pontos em agosto, mas segundo a CNI “deverá voltar a crescer nos próximos meses, caso a tendência de crescimento da produção se mantenha”.

O percentual médio de utilização da capacidade instalada aumentou um ponto percentual de julho para agosto, quando ficou em 74%. Esse percentual ficou 1 ponto percentual inferior ao apurado em agosto de 2011.
Para a CNI, “a tendência é redução da ociosidade, mas, assim como retratado pelos demais indicadores, de forma gradual”.

Quanto à expectativa de demanda para os próximos seis meses, o indicador passou de 48,5 pontos, na pesquisa feita em agosto, para 49,8 pontos, este mês. No caso das exportações, a expectativa foi ajustada de 52,4 pontos para 52,6 pontos. E para o número de empregados, de 51,2 para 51,8 pontos.

A Sondagem Industrial de agosto foi feita com base em pesquisa a 1.983 empresas de todo o país entre os dias 3 e 14 de setembro. Os indicadores variam no intervalo de 0 a 100, sendo que valores acima de 50 indicam expectativa positiva.

Gleisi diz que houve abuso nas greves de servidores


A ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, disse hoje (21) que houve abuso por parte de servidores públicos na recente onda de greves registrada no país. Segundo ela, o Ministério do Planejamento e a Advocacia Geral da União (AGU) discutem internamente a regulamentação do direito de greve, mas não há uma definição sobre possível envio ao Congresso de projeto de lei por parte do Executivo.

“Este tema está em pauta e eu acredito que, com os abusos que tivemos nessa greve recente, com certeza isso vai ter um reflexo nas discussões e nas definições do Congresso Nacional”, ressaltou. Ela falou no programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República em parceria com a EBC Serviços.

Sobre a greve dos Correios, Gleisi lembrou que os funcionários paralisaram os serviços no ano passado, quando conseguiram reajuste salarial. “Temos que ter direitos, os trabalhadores podem reivindicar, mas temos que saber que há limites e que há uma situação econômica do país, com limites principalmente no serviço público na questão orçamentária”, concluiu.

Diário Oficial publica MP que desonera folha de pagamento de setores da indústria


Diário Oficial da União publica hoje (21) a Medida Provisória (MP) 582, que prevê a desoneração da folha de pagamento para setores da indústria e serviços, além da depreciação acelerada de bens de capital. As mudanças, que têm o objetivo de estimular a economia, foram anunciadas na semana passada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.

A desoneração da folha de pagamento prevê que os setores contemplados deixem de arcar com a contribuição de 20% ao Instituto Nacional do Seguro Social e paguem um percentual de 1% a 2% sobre o faturamento. Já a depreciação permite lançar parte do preço de máquinas e equipamentos como despesa a cada ano, podendo haver redução no Imposto de Renda recolhido. Mantega anunciou redução da depreciação de dez para cinco anos.

Além dos benefícios referentes à folha de pagamento e à depreciação de bens, a MP 582 institui o Regime Especial de Incentivo ao Desenvolvimento da Infraestrutura de Fertilizantes, com isenção de tributos como o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins. Poderão se candidatar ao regime empresas com projeto aprovado para implantação ou ampliação de infraestrutura de produção de fertilizantes e insumos.

A MP também amplia a abrangência do Regime Especial Tributário da Indústria da Defesa, altera a incidência das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins sobre a comercialização de laranja, e reduz o Imposto de Renda para os prestadores autônomos de transporte de carga.

Influenciados pela crise, países diminuem repasses para redução da pobreza


A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou relatório no qual informa que a maior parte dos países diminuiu as contribuições destinadas à redução da pobreza e inclusão social no mundo. Para a ONU, a crise econômica internacional que atinge principalmente os países da zona do euro, os Estados Unidos e parte da Ásia é a principal responsável pela diminuição dos repasses financeiros.

Dos 23 países que integram o comitê de ajuda ao desenvolvimento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), 16 reduziram suas contribuições no ano passado, depois que registraram queda de suas receitas fiscais. As quedas mais acentuadas foram na Grécia e Espanha, em seguida na Áustria e Bélgica.

Após atingir um recorde em 2010, os repasses caíram 3% em 2011, registrando US$ 133,5 bilhões, diz o relatório referente às Metas do Milênio para o Desenvolvimento (OMD). A previsão era US$ 166,8 bilhões. Se o mesmo ritmo for mantido, dizem os especialistas, as metas só serão atingidas em 2015.

Apenas a Suécia, a Noruega, a Dinamarca, a Holanda e Luxemburgo contribuíram com valores superiores à meta fixada – aproximadamente 0,7% a mais do total bruto. O comitê apelou para todos os colaboradores tentarem cumprir as metas ao ordenar os repasses previstos para a ONU.

*Com informações da agência pública de notícias de Portugal, Lusa.

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