domingo, 19 de agosto de 2012

Assange diz que EUA devem parar de ameaçar o WikiLeaks


Discurso foi realizado em sacada na Embaixada do Equador, em Londres.
Equador deu asilo a ele, mas Reino Unido mantém extradição.
Assange realizou seu discurso de sacada na embaixada do Equador, em Londres (Foto: AP Photo/Sang Tan)

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, afirmou, em discurso realizado neste domingo (19), na embaixada equatoriana em Londres, que os Estados Unidos devem parar de ameaçar o site. “Peço ao presidente Obama que faça o correto, que os EUA devem renunciar a caça às bruxas sobre o WikiLeaks”, disse.
Assange, que não chegou a sair da embaixada, falou de uma sacada. Ele pediu ao governo dos EUA que acabe com a perseguição à mídia e aos indivíduos que vazaram documentos oficiais. “Bradley Manning deve ser liberado”, disse o fundador do WikiLeaks sobre o soldado dos EUA que vazou documentos confidenciais.

Assange também afirmou que a polícia britânica tentou entrar na Embaixada do Equador em Londres na última quarta-feira (15), mas que a presença de seus seguidores e da imprensa inibiu a ação. Assange agradeceu a todos que estão lhe dando apoio e ao Equador, que lhe concedeu asilo político. "Agradeço a esta corajosa nação latino-americana e ao presidente (Rafael) Correa pela coragem, e em especial ao Ricardo Patiño (chanceler equatoriano)", disse.

Ele pediu que os países da OEA (Organização dos Estados Americanos), com reunião prevista para a próxima sexta-feira em Washington, "defendam o direito ao asilo". "Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, El Salvador, Honduras, México, Nicarágua, Argentina, Peru e Venezuela", enumerou Assange. Neste domingo, a União das Nações Sul-Americanas (Unasul) tem reunião marcada, em Guayaquil, visando analisar a situação diplomática derivada da decisão de conceder asilo a Julian Assange.
Julian Assange com seu advogado, Baltasar Garzón, neste domingo (19), na embaixada equatoriana, em
Londres (Foto: AP Photo / Sean Dempsey, PA)

Salvo-conduto
O ex-juiz espanhol Baltasar Garzón, advogado de Julian Assange, assegurou neste domingo em frente à embaixada do Equador em Londres que espera "uma resposta formal" britânica ao pedido de salvo-conduto apresentado por seu cliente para deixar o país.
"Para conseguir o salvo-conduto, a primeira coisa que precisamos é de uma resposta formal do governo britânico, estamos esperando que isso aconteça, e o passo seguinte tem que ser do governo equatoriano", disse Garzón na embaixada de Londres.

"Vamos exigir a concessão de um salvo-conduto, apoiar iniciativas da justiça que possam surgir a partir do Equador e esperar a ação do governo do Equador sobre isso", acrescentou.

WikiLeaks quer garantia da Suécia
O número 2 do WikiLeaks, Kristinn Hrafnsson, assegurou neste domingo em declarações à AFP que se a Suécia se comprometesse a não extraditá-lo aos Estados Unidos, seria uma "boa base para negociar" uma saída para Assange.

"Seria uma boa base para negociar, uma maneira de encerrar este assunto, se as autoridades suecas declarassem sem nenhuma reserva que Julian (Assange) nunca será extraditado da Suécia aos Estados Unidos", indicou o porta-voz.

"Posso assegurar que ele (Assange) quer responder às perguntas do promotor sueco há muito tempo, há quase dois anos", acrescentou Hrafnsson.

A Suécia reagiu rapidamente: "O suspeito não tem o privilégio de ditar suas condições". "Se o WikiLeaks quer dar uma mensagem deste tipo, deve fazê-lo conosco diretamente, de maneira convencional", disse um porta-voz do ministério das Relações Exteriores.

Histórico
Com asilo político concedido pelo Equador, mas sem poder deixar a embaixada do país em Londres, o futuro de Julian Assange é incerto, e os temores de uma deportação para a Suécia crescem diante do impasse.

O fundador do site WikiLeaks entrou na embaixada do Equador em Londres no dia 19 de junho, depois de esgotar todas as opções legais contra um pedido de extradição à Suécia, onde é acusado de crimes sexuais, o que ele nega.

A decisão do Equador de conceder asilo diplomático a Assange foi divulgada nesta quinta-feira (16) pelo chanceler do país Ricardo Patiño.

A Grã-Bretanha se disse decepcionada com a decisão equatoriana e ressaltou que ela "não muda nada". "De acordo com nossa legislação, já que Assange esgotou todas as possibilidades de recurso, as autoridades britânicas estão obrigadas a extraditá-lo para a Suécia", informou o governo de Londres.

Além disso, a diplomacia britânica destacou que ainda busca uma solução negociada que permita cumprir com as obrigações dentro do tratado de extradição.

Vítima
Desde que se entregou à Scotland Yard, em dezembro de 2010, o fundador do WikiLeaks, site especializado em vazamento de documentos, sempre se apresentou como vítima de "perseguições" em seu combate para "libertar a imprensa" e "desmascarar os segredos e abusos de Estado".

Declarou-se "ameaçado de morte", denunciou um "boicote econômico" e falou de um complô produzido pelas autoridades americanas para deportá-lo a Guantánamo via Estocolmo.

O WikiLeaks é o pesadelo de Washington desde a divulgação de milhares de documentos americanos, de mensagens militares secretas sobre as guerras de Iraque e Afeganistão e de telegramas diplomáticos confidenciais.

Assange, de 40 anos, disse estar "abandonado" por seu país de origem, a Austrália. Criticou a regularidade dos tribunais britânicos em querer enviá-lo à Suécia para responder às acusações - infundadas, segundo ele - de estupro e agressão sexual denunciadas por duas mulheres.
A primeira pessoa que aplaudiu sua solicitação de asilo foi sua mãe, Christine. "Bom trabalho, garoto", disse, da Austrália, chamando-o de "prisioneiro político".

Apoio do Equador
Assange contou, desde o início, com o apoio do presidente equatoriano. Quando o entrevistou, em abril, Rafael Correa disse estar diante de um homem "perseguido, caluniado, linchado midiatiamente" depois de ter colocado os Estados Unidos "em xeque".

A entrevista fazia parte de uma série de programas políticos polêmicos na rede de televisão internacional russa pró-Putin RT. O primeiro convidado, o líder do movimento xiita libanês Hassan Nasrallah, aproveitou o espaço para reafirmar seu apoio ao regime sírio de Bashar al-Assad, envolvido em uma sangrenta repressão.

Recluso na embaixada do Equador, o australiano de cabelos brancos e sorriso muitas vezes sarcástico agora vive um impasse. É bem vindo no país sul-americano, mas não tem meios para deixar a embaixada em Londres sem ser detido.

'Homem do Ano'
Assange foi considerado o "Homem do Ano" pela revista americana Time e recebeu prêmios de defensores dos direitos humanos.

Hoje o homem que disse ter inventado "o primeiro serviço de inteligência do povo do mundo" parece estar um pouco sozinho. A maioria dos meios de comunicação que o apoiaram divulgando suas informações se distanciaram. Ele também já mudou várias vezes de advogados e se irritou com seu editor, que terminou por lançar uma autobiografia "não autorizada". "Posso ser uma espécie de porco chauvinista, mas não sou estuprador", afirmou Assange no livro.

Em seu combate para existir midiaticamente, chegou a dublar a voz de seu próprio personagem na série de desenhos animados americana Os Simpsons, em um exercício de autocrítica pouco comum a ele.

Estudantes protestam contra a nova lei de cotas para as federais


Manifestantes defendem melhorias na educação e na escola pública.
Grupo de Goiânia articulou evento pela internet e diz ser apartidário.

Um grupo de estudantes articulou via rede social o protesto “Não cotas, sim educação” que acontece em frente à Assembleia Legislativa de Goiás, no Setor Oeste, em Goiânia, neste domingo (19). O objetivo dos manifestantes, que se vestiam de verde para representar o “Brasil e a esperança”, é protestar contra a lei aprovada no senado federal que determina a reserva de 50% das vagas nas instituições federais para egressos de escolas públicas.

Um dos organizadores do movimento é Heitor Crispim, 17 anos, estudante do 3º ano do ensino médio de um colégio particular com elevado índice de aprovação no vestibular. Heitor já prestou vestibular como treineiro na Universidade Federal de Goiás (UFG) para direito e não passou. O projeto dele para este ano é tentar uma vaga na Universidade de São Paulo (USP) e também na UFG.
“Ficamos indignados com a lei aprovada no senado, pois não é com essa lei que se resolve o problema da escola pública, que deve ser prioridade. Aliás, pelo Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica], as particulares também não estão bem”, observa o estudante.

Uma das críticas do jovem é em relação à destinação de vagas para cotas raciais em um país mestiço como o Brasil. Para ele, "o Brasil é um país muito miscigenado” e isso dificulta a concessão de cotas.

“A revolução tem que ser feita na escola. O governo tem que começar a investir na educação de base. As cotas nas universidades públicas não devem ser a solução”, defende o adolescente que destaca não ser totalmente contrário às cotas, mas que elas não devem ser a principal bandeira do governo para a educação.

Colégio da irmã
A estudante do terceiro período do curso de direito da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), Ana Laura Teles, 17 anos, soube da manifestação por meio da irmã e de amigos que estudam em um colégio particular de Goiânia. “Também me informei sobre o evento na internet”, contou.

Com uma bandeira do Brasil sobre os ombros, a universitária afirmou ser a favor da educação, mas acredita que as cotas não são a solução para o problema. “O governo tem que mexer na base, no ensino fundamental. O que nós pedimos é uma escola pública de qualidade”, discursou.

Ana Laura comentou que não é radicalmente contra as cotas, e reforçou que essa medida não é o único caminho. “Os beneficiados pelas cotas não têm culpa, mas o governo tem de parar de tapar o sol com a peneira”, criticou a jovem.

Participantes
De acordo com Heitor Crispim, cerca de mil pessoas participavam da manifestação pacífica. Ele afirmou também que o protesto é apartidário e que as despesas foram bancadas com recursos dos próprios participantes. Até às 12h30, a Polícia Militar ainda não tinha uma estimativa do número de adeptos do protesto.

Crispim comentou que outras capitais também estão se mobilizando pelas redes sociais para protestar contra as cotas. Segundo o manifestante, passeatas como essa, que saiu da Assembleia Legislativa e iria até a Praça Cívica, também foram articuladas em cidades como Brasília e São Paulo. Belo Horizonte e Rio de Janeiro também estariam se programando para realizá-las.

sábado, 18 de agosto de 2012

Atenção é o segredo da memória


Evento discute as melhores formas de evitar esquecimento e mostra que processo permanente de aprendizado é fundamental

Dos jovens aos mais velhos, é raro encontrar alguém que não reclame de esquecer coisas importantes, seja um livro recente, uma palestra, um compromisso ou um comunicado. A tendência é achar que há problemas de memória. A boa notícia é que, na maioria dos casos, não há nenhuma deficiência no funcionamento do cérebro. O indivíduo só precisa estar mais atento, focar em suas atividades, além de sempre exercitar a mente. E mais, o esquecimento é um processo absolutamente natural, que faz parte do aprendizado do ser humano. É o que garantiram especialistas que participaram da quinta edição dos Encontros O GLOBO Saúde e Bem-Estar, na última quarta-feira, sobre a memória.

— Na maioria dos casos, quando não há uma doença, o problema de memória é, na verdade, um problema de atenção — afirmou a neurocientista Suzana Herculano-Houzel, da UFRJ.

Com o advento da internet, uma das dificuldades do mundo moderno é lidar com a enxurrada de dados e imagens, segundo o cardiologista Cláudio Domênico, coordenador do evento, que citou o autor americano bestseller Nicholas Carr.

— Uma das frases dele é que “a mente linear, focada, sem distrações está sendo expulsa por um novo tipo de mente que quer e precisa tomar e aquinhoar informação em surtos curtos, desconexos, frequentemente superpostos, quanto mais rapidamente, melhor”. Realmente, hoje há um excesso de informação e a internet tem aquela história de surfar, a gente não se aprofunda — criticou.

A neurologista Carla Tocquer concorda que a internet distrai e aconselhou a focar em apenas um assunto:
— É preciso engajar a atenção, estar presente no agora. Aquele comportamento da internet de passar de um assunto a outro, acaba sendo nocivo à memória. Como posso melhorar o registro? Se estiver 100% presente, disponível no momento, amanhã quando eu quiser me lembrar do dia de hoje vai ser muito mais fácil.

A ideia da internet como vilã, porém, não é aceita como argumento por Suzana Herculano-Houzel.
— É muito fácil colocar a culpa na internet. Não existe informação demais hoje. Sempre existiu informação demais para o cérebro da gente, desde o início dos tempos. O problema é que o cérebro só consegue prestar atenção em uma coisa de cada vez — defendeu.

A construção da identidade
Muito além de apenas um sistema de armazenamento de informações no cérebro, a memória está ligada ao aprendizado e é responsável por definir a identidade de cada um, por mudar o cérebro conforme as experiências.

— O cérebro aprende, muda, faz diferente, isto é memória. Há a mudança do comportamento por causa das experiências anteriores. Perder a memória quer dizer passar pela vida em branco. Seu cérebro não registra o que aconteceu, e é como se nada tivesse acontecido ao seu redor — afirmou Suzana.
A neurocientista também explica que a memória é um processo físico, que envolve mudanças de conexões do cérebro, que são as sinapses, onde os neurônios trocam informações uns com os outros. Até a década de 1950, acreditava-se que o indivíduo já nascia com um número estabelecido de sinapses. Hoje se sabe que novas sinapses são criadas e outras, perdidas, ao longo da vida.

— Uma parte importante do aprendizado é de remoção daquilo que não serve, do que não funciona. Mas ao mesmo tempo, aquelas sinapses que servem para alguma são fortalecidas. Enfraquecer ou fortalecer uma sinapse quer dizer, essencialmente, diminuir ou aumentar o impacto que um neurônio tem sobre o seguinte. É um processo de lapidação, a memória é a escultura que fica.

Não existem pílulas milagrosas
A capacidade de aprendizado na infância é maior do que na idade adulta, assim como é mais comum o idoso ter queixas de perda de memória do que o jovem. Mas uma série de pesquisas lança otimismo em relação ao envelhecimento do cérebro, e aponta para a possibilidade de recuperação da memória se ela for estimulada, por exemplo, com exercícios físicos e com o hábito da leitura frequente.
Por outro lado, há fatores que influenciam negativamente na memória humana, e acabam por agravar os efeitos do tempo. Álcool e outras drogas, depressão, alimentação inadequada, assim como algumas doenças e deficiências nutricionais.

Técnicas para melhorar a memória tiveram espaço de destaque durante o debate, assim como o alerta para comprimidos que se dizem milagrosos e que prometem melhorar o desempenho cerebral:
— Há uma pílula que acabou de sair chamada Cognizin, está à venda por R$ 69,99. Para quem adora vitamina, é uma ótima maneira de fazer um xixi mais caro, não serve para absolutamente nada — comentou Domênico.

Segundo ele, não há fórmula mágica: ler, boa alimentação e exercícios são as melhores formas de desenvolver o cérebro. Já Carla Tocquer deu outra dica:
— O relaxamento vai deixar a pessoa mais disponível e a meditação vai ajudar não só no registro como no armazenamento da informação.

Países da OEA aprovam reunião de chanceleres sobre o caso Assange

Renata Giraldi* - Agência Brasil

Por 23 votos a 3, e com 5 abstenções, representantes de 31 países aprovaram, na noite passada, uma reunião extraordinária de ministros das Relações Exteriores na Organização dos Estados Americanos (OEA). Na reunião, prevista para o próximo dia 24, será discutido o impasse entre o Equador e o Reino Unido, provocado pela presença do fundador do site Wikileaks, Julian Assange, na embaixada equatoriana em Londres.

Os países integrantes da OEA debaterão a questão da  inviolabilidade da Embaixada do Equador no Reino Unido, onde Assange está abrigado há dois meses, uma vez que autoridades britânicas sinalizaram que pretendem entrar no local. Nos últimos dias, o assunto dominou o debate político porque aliados apoiam o Reino Unido no impasse. 


O Reino Unido se recusou a conceder o salvo-conduto, autorização para que Assange saia do país, e informou que ele será preso se deixar a Embaixada do Equador em Londres. O Reino Unidos tem um acordo de extradição com a Suécia.

O presidente do Equador, Rafael Correa, entendeu que a posição do Reino Unido é uma forma de pressionar e pediu uma resposta urgente na OEA, na Aliança Bolivariana para as Américas (Alba) e na União de Nações Sul-Americanas (Unasul). A Alba se reúne hoje (18) e a Unasul, amanhã (20), em Guayaquil, no Equador.

Pela Convenção de Viena, de 1961, que se refere aos tratados internacionais, uma representação diplomática é inviolável. A determinação é clara no Parágrafo 1º do Artigo 22. A exceção é se o chefe da representação autorizar a entrada dos agentes estrangeiros no local.     

*Com informações da BBC Brasil 




Assange faz Equador levantar ‘bandeira anti-imperialista’


Quando Julian Assange pediu asilo pela primeira vez na embaixada do Equador, há dois meses, ele havia faltado a audiências na Justiça e tentava postergar o dia em que seria extraditado para a Suécia para responder a acusações de crime sexual.

Naquele momento, o governo de Quito tinha o cuidado de afirmar que não desejava deteriorar suas relações diplomáticas com a Grã-Bretanha. A chancelaria britânica insistiu que desejava uma saída negociada para a saia-justa.

Mas o que ficou claro nesta semana é que não há muito espaço para concessões. Embora o governo britânico afirme que deseja continuar as negociações, também diz categoricamente que Assange não terá salvo-conduto para sair do país e não negociará com a Suécia seu compromisso de extradição.

A Grã-Bretanha “não recuou uma polegada”, segundo o chanceler equatoriano Ricardo Patiño, e o que vinha sendo um diálogo amistoso se transformou em ameaça e chantagem explícita.

Mas o que particularmente enfureceu o Equador foi a insinuação feita pela Grã-Bretanha de que o país poderia usar uma lei britânica de 1987 para revogar o status de embaixada do edifício ocupado pela representação equatoriana para permitir que a polícia entrasse no local e prendesseAssange.

Se isso funcionasse, seria uma forma mais fácil de pôr fim ao impasse, segundo um embaixador britânico, do que a opção nuclear de romper relações diplomáticas com o Equador por completo.

Mas mesmo levantar a possibilidade de enviar a polícia à embaixada se mostrou uma medida polêmica por parte dos britânicos.
Além dos debates legais sobre se a lei britânica de 1987 poderia realmente se sobrepôr às salvaguardas internacionais há muito asseguradas pela Convenção de Viena para assegurar a imunidade de diplomatas estrangeiros e embaixadas em todo o mundo, isso poderia abrir um precedente preocupante: que outros países poderiam seguir o exemplo e usar o pretexto de pegar criminosos para invadir embaixadas estrangeiras que abrigam dissidentes?

Mas o argumento que o Ministério das Relações Exteriores britânicos poderia utilizar seria: como ficar de lado e permitir que uma embaixada estrangeira em Londres possa ser usada por propósitos não-diplomáticos para abrigar um potencial criminoso que burlou os termos de sua fiança, sem tomar qualquer ação?

De imediato, já está claro que a cisão entre a Grã-Bretanha e o Equador se intensificou.
Em Quito, o Ministro das Relações Exteriores, Ricardo Patiño, agora argumenta que Assange é uma ”potencial vítima de perseguição política”, por conta de sua defesa da liberdade de expressão e de imprensa, devido às suas publicações no WikiLeaks.

Ele afirma ainda que é dever do Equador protegê-lo e assegurar que não se consumarão seus temores em ser extraditado para os Estados Unidos e possivelmente encarar uma longa pena de prisão – como a do militar Bradley Manning, que vazou segredos militares para o WikiLeaks – ou até mesmo a pena de morte. pena de morte.

Em meio a tudo isso, a Grã-Bretanha ainda foi acusada de tratar o Equador como uma colônia.
Não resta dúvida que o presidente equatoriano, Rafael Correa, vê toda a saga como uma oportunidade de firmar suas credenciais anti-imperialistas entre seus colegas. O Equador já convocou um encontro de países latino-americanos para que eles ofereçam uma resposta apropriada.
Visto que a Grã-Bretanha já vinha tentando lidar de forma delicada com a América Latina, a fim de evitar que sua briga com a Argentina sobre as Ilhas Malvinas se disseminasse pelo continente, o momento em que essa crise ocorre é ruim, para dizer o mínimo.

Por outro lado, a Suécia rapidamente se alinhou com a Grã-Bretanha para expor seu descontentamento com o Equador, convocando o embaixador do país na Suécia ao Ministério das Relações Exteriores em Estocolmo, classificando como inaceitável que o Equador tente bloquear a investigação sueca.

E uma questão permanece: por quanto tempo Assange permanecerá enfurnado na embaixada equatoriana, tendo obtido asilo, mas incapaz de sair da representação diplomática sem ser preso?
Parece haver pouca esperança prática de retirá-lo às escondidas. Em teoria, ele poderá permanecer lá por muito tempo.

O dissidente chinês Fang Lizhi, que buscou refúgio na embaixada americana em Pequim, em 1989, onde permaneceu por um ano.
O cardeal húngaro József Mindszenty, que encontrou abrigo na embaixada dos Estados Unidos em Budapeste após a insurreição anticomunista no país em 1956, permaneceu lá por 15 anos, até 1971. E há também dois integrantes da junta militar que governou a Etiópia que ainda estão refugiados na embaixada da Itália em Adis Abeba, onde se encontram desde 1991.

Foi talvez tendo isso em mente que um diplomata britânico observou, com aparente frustração, que seria impossível e caro demais manter um policiamento de 24 horas em torno à embaixada equatoriana indefinidamente e que alguma outra solução ao impasse teria de ser encontrada.

O que começou como uma negociação complicada se transformou em uma profunda crise, envolvendo não apenas a Grã-Bretanha e o Equador, mas também a Suécia e os Estados Unidos.
E quanto mais elevada for a temperatura política nesta história complexa e cheia de meandros, mais difícil será encontrar uma saída diplomática.

Brasil está entre os maiores doadores de alimentos do mundo


Ao doar apenas até agosto deste ano, US$ 75 milhões em comida para os países que enfrentam situações de crise, o Brasil passa a ser considerado um dos maiores colaboradores do Programa Mundial de Alimentos (PMA) da comunidade internacional. Em 2011, o governo brasileiro doou mais de 300 mil toneladas de comida para 35 países. Paralelamente, o Brasil é apontado como uma das nações que mais se destacam no apoio à ajuda humanitária.

Em comunicado, o PMA ressaltou a atuação do Brasil tanto na doação de alimentos como na assistência humanitária internacional, por meio de parcerias. O governo brasileiro comunicou que manterá as doações de alimentos não só até dezembro como também em 2014.

A ideia é distribuir até o fim do ano 90 mil toneladas de arroz para a Bolívia e Honduras, na América Latina, e Burundi, Congo, Etiópia, Gâmbia, Uganda, Moçambique, Níger, Senegal e Zimbábue, na África.

O Brasil colabora com missões de paz no Haiti, país cujo governo atua para buscar a estabilidade política, econômica e social, e na Síria, que há 17 meses enfrenta confrontos internos devido às divergências entre o presidente, Bashar Al Assad, e a oposição.

O Ministério das Relações Exteriores informou que o Brasil mantém uma série de parcerias com vários países para estimular a produtividade agrícola e o desenvolvimento rural, na tentativa de buscar a segurança alimentar.

"As experiências em programas de alimentação escolar, em que os alimentos são comprados a partir de pequenos agricultores locais podem enriquecer o debate entre o Brasil e os governos africanos em torno da promoção do direito à alimentação", disse o diretor do Centro de Excelência do Programa Mundial de Alimentos para a África, Daniel Balaban, que atua em parceria com o Brasil.

Só no Haiti, o país mais pobre das Américas, mais de 24 mil toneladas de arroz e feijão brasileiros foram distribuídas para os moradores que sofreram com o terremoto de janeiro de 2010. Os custos de distribuição foram cobertos pela Espanha. Na África, mais de 65 mil toneladas de milho e feijão brasileiros foram doados para países, como a Somália.

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