sábado, 11 de agosto de 2012

Justiça afasta prefeito acusado de perseguir servidoras casadas com adversários políticos


A juíza Denise Terezinha Corrêa de Melo Krueger, da 2ª Vara Cível de Toledo (PR), determinou o afastamento do cargo do prefeito de São Pedro do Iguaçu (PR), Natal Nunes Maciel (PMDB), acusado de perseguir duas servidoras públicas do município. A decisão foi tomada em resposta a um pedido de liminar formulado pelo Ministério Público (MP) do Paraná.

As duas servidoras ocupavam cargos na área de saúde de São Pedro do Iguaçu, município da região oeste do Paraná. Uma delas foi removida para uma creche. A outra, para uma entidade assistencial. Ambas são esposas de candidatos a prefeito e a vereador que fazem oposição ao atual governo do município.

"Não foi apresentada nenhuma razão que justificasse o interesse público para a remoção das servidoras, restando ausente a sua motivação", diz trecho da decisão judicial, pelo MP. "Diante das provas documentais e testemunhais, revela-se que as transferências das servidoras públicas municipais [...] determinadas pelo réu Natal não ocorreram para atender uma finalidade pública, mas sim para alcançar fins particulares, pois foram efetuadas para perseguir e prejudicar quem simplesmente não externou a mesma opinião do gestor público."

Também foram afastados de seus cargos os secretários municipais da Saúde, Jacir Danelli, e da Educação, Sandra Inês Kaeffer de Albuquerque. Os três réus tiveram ainda parte de seus bens bloqueados, para o caso de uma eventual condenação por dano moral difuso.

A Lei Federal 9.504, em seu Artigo 73, proíbe a remoção ou transferência de servidores nos três meses que antecedem as eleições. O MP solicitou o afastamento do prefeito e dos dois secretários de seus cargos sob o argumento de que eles poderiam interferir na produção de provas. Mesmo afastados, os três continuarão recebendo seus salários normalmente.

Candidato à reeleição, o prefeito alegou, em depoimento ao MP, que a anulação de um concurso realizado em 2007 teria provocado a falta servidores nas creches. "O réu Natal, durante os quatro anos de mandato, não providenciou a abertura de nenhum outro concurso público no município para prover os cargos de que tanto afirmou que necessita", disse a magistrada em sua decisão.

A ação civil pública por improbidade administrativa, proposta pelo Ministério Público no dia 30 de julho, aponta também a existência de um "esquema de concessão de privilégios para servidores que apoiassem a candidatura do réu". O MP, que obteve gravações de diálogos entre os envolvidos, pede ainda a cassação do registro da candidatura à reeleição do atual prefeito. Com a decisão da Justiça, o vice-prefeito Valdir Ribeiro (PP) deve assumir interinamente o cargo. 

Facebook terá seu acesso suspenso por 24 horas em todo o Brasil


A rede social Facebook poderá ter que suspender o acesso dos usuários em todo o país por 24 horas por descumprimento da legislação eleitoral. A decisão é do juiz da 13ª Zona Eleitoral, de Florianópolis, Luiz Felipe Siegert Schuch. O Facebook apresentou a Schuch pedido de reconsideração da decisão. O juiz ainda analisa o caso, que só deve ser decidido na próxima segunda-feira (13).

Se a decisão do juiz for mantida, o Facebook deverá interromper o acesso à rede social e apresentar a informação de que o site está fora do ar por descumprir a legislação eleitoral. Se essa determinação não for atendida, a empresa terá que pagar multa diária de R$ 50 mil e o prazo de suspensão do Facebook no país será duplicado.

De acordo com a decisão, o Facebook descumpriu uma liminar anterior que determinou que fosse retirada do ar a página “Reage Praia Mole”. A suspensão foi solicitada pelo vereador Dalmo Deusdedit Menezes (PP), de Florianópolis, que concorre à reeleição. O parlamentar argumentou que houve veiculação de "material depreciativo" contra ele, feita de maneira anônima por um usuário. O juiz eleitoral também determinou a identificação das pessoas que criaram a página no Facebook.

Segundo o TRE-SC, o Facebook poderá recorrer ao tribunal regional ou ainda ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A assessoria de imprensa do Facebook no Brasil informou que ainda aguarda um posicionamento oficial da sede, na Califórnia (Estados Unidos), para se manifestar.

Argentina restringe ainda mais a compra de dólares


O governo argentino apertou ainda mais o cerco ao dólar, imposto a partir de outubro do ano passado e que afeta também turistas e residentes estrangeiros. A partir de segunda-feira (13), quem viajar da Argentina aos países vizinhos ou da zona do euro só poderá adquirir a moeda desses países com autorização prévia da Receita Federal, que também determina a quantidade que cada viajante poderá levar.

A norma será aplicada também a pessoas físicas e jurídicas estrangeiras que residam na Argentina. O viajante terá que informar à Afip (a Receita Federal local) o destino, os motivos e a duração da estada fora do país. Caso cancele a viagem, terá que reembolsar as divisas estrangeiras adquiridas em cinco dias úteis.
A medida é a última de uma série de controle de câmbio, que começou a ser adotada em outubro passado, para frear a fuga de capitais da Argentina.

“A burocracia é tão grande que se tornou quase impossível comprar dólar na Argentina”, disse o economista Fausto Spotorno, “De certa forma, o cerco serviu para frear a fuga de capitais, mas criou outro problema, o do mercado negro, que não existia, que vende o dólar 30% mais caro do que no mercado oficial”.

Em 2011, saíram da Argentina US$ 21 bilhões – uma cifra preocupante para um governo que, ha uma década, não tem acesso a créditos internacionais e depende das exportações para obter divisas estrangeiras. A presidenta Cristina Kirchner quer assegurar um superávit alto na balança comercial, apesar da crise internacional, para fazer frente aos gastos com importação de energia.

Para alcançar o objetivo, o governo argentino reduziu as importações, o que diminuiu a saída de capitais no primeiro semestre deste ano (US$ 5,6 bilhões, bem menos que no ano passado). “Pelas nossas previsões, a Argentina terá um superávit comercial de US$ 12 bilhões, US$ 2 bilhões a mais que no ano passado”, disse àAgência Brasil o analista de comércio exterior, Marcelo Claveri.

Defensor das políticas protecionistas do governo, que favorecem a indústria nacional, o presidente da União Industrial Argentina (UIA), Horacio de Mendiguren, acha as medidas de controle cambial exageradas. “Podem dar resultado, mas dão a impressão de que o país está em crise, quando não está”. Os argentinos, há décadas, estão acostumados a poupar em dólar e a guardar o dinheiro em casa ou trancados nos cofres dos bancos – mas sempre que possível fora do sistema financeiro nacional.

“É a forma que encontraram para se defender da inflação e da desvalorização. Quando existe crise de confiança, os argentinos compram dólar”, explicou o banqueiro Alfredo Piano, dono do Banco Piano. As novas medidas praticamente proibiram a poupança em dólares.

Em outubro passado, o governo determinou que quem quisesse comprar a moeda norte-americana (ou qualquer divisa estrangeira) teria que pedir autorização a Receita Federal e provar que tem suficientes pesos declarados para fazer a troca. Mas ao longo dos últimos dez meses, as restrições foram aumentando. O governo agora só permite a venda de dólares a quem for viajar, fora da região e dos países da zona euro.
As restrições também afetam os turistas brasileiros, que não podem trocar os pesos que sobram das viagens por reais. As casas de câmbio só aceitam fazer a troca se o turista tiver um recibo, provando que trocou reais por pesos na Argentina. Se não guardou o comprovante do câmbio ou tirou dinheiro de um caixa automático, só poderá comprar reais no Brasil.

Valdemar Costa Neto recebeu dinheiro do PT para pagar dívidas da campanha de 2002, admite advogado


O advogado Marcelo Luiz Ávila de Bessa admitiu durante a sustentação oral em defesa do deputado federal Valdemar Costa Neto (PR-SP), no julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), que o parlamentar recebeu dinheiro do PT para quitar despesas da campanha eleitoral de 2002. O deputado responde pelos crimes formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Ao defender seu cliente do crime de corrupção passiva, Bessa afirmou que Costa Neto recebeu recursos na condição de presidente do partido (então PL) e não usou seu cargo público, de deputado, no esquema. Durante quase 15 minutos, o advogado discutiu a caracterização dos crimes de corrupção ativa e passiva e citou o julgamento do ex-presidente Fernando Collor de Mello no STF, que foi inocentado da acusação de corrupção passiva.

Marcelo de Bessa rebateu a acusação do Ministério Público Federal (MPF) de que o dinheiro era destinado a apoiar votações importantes do governo, lembrando que o partido já integrava a base aliada do governo federal. "O PL fazia parte do governo. O vice-presidente José Alencar fazia parte dos quadros do PL".

Bessa destacou que houve um "acordo eleitoral" para garantir a aliança entre o PT e o PL nas eleições presidenciais de 2012, o que desencadeou o acordo financeiro. “Existia um temor com relação ao PT, que seria inimigo dos empresários, que entraria para estatizar a economia e se tornava necessário colocar um empresário que acalmasse [os ânimos do eleitorado] e desse aparência à chapa, de que não se teria um governo ‘esquerdizante’. [...] Houve ‘partilhamento’ do caixa de campanha, exclusivamente com recursos para a campanha eleitoral. Se fez uma proporção então: três quartos daquele caixa ficariam com o PT e um quarto, com o PL. Não se faz campanha sem dinheiro. E isso não é errado”, detalhou o advogado.

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirma, na denúncia, que Valdemar Costa Neto recebeu, nos anos de 2003 e 2004, a quantia de R$ 8,8 milhões para votar a favor de matérias de interesse do governo federal.

O defensor de Costa Neto explicou que o pagamento do acordo para campanha de 2002 não foi feito, e o PT, por meio do ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares, sugeriu que o PL pegasse um empréstimo a ser pago depois pelo Partido dos Trabalhadores. Segundo Bessa, em agosto e setembro de 2002, o PL tomou empréstimo no valor de R$ 5 milhões com Lúcio Funaro, da empresa Guaranhuns. “O acordo e os pagamentos aconteceriam fosse Valdemar Costa Neto deputado federal ou não. E ele não recebeu esse dinheiro pelo cargo de deputado federal e, sim, como presidente de partido”.

O advogado encerrou a defesa dizendo que Valdemar Costa Neto não pode ser acusado por lavagem de dinheiro porque os recursos recebidos por ele "transitaram pelo sistema bancário nacional".

Atualmente, Valdemar Costa Neto é secretário-geral do PR. Em 2005, para evitar a cassação, o parlamentar renunciou ao mandato de deputado federal, ao admitir que recebeu recursos do publicitário Marcos Valério. Ele voltou à Câmara dos Deputados, com a reeleição em 2006 e 2010.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

A mulher que revelou os bastidores do Facebook


Em seu livro "The Boy Kings", Katherine Losse fala sobre machismo, projetos secretos e a rotina dentro da maior rede social do planeta

Katherine Losse ocupou por três anos um cargo chave dentro do Facebook, a maior rede social do planeta. Ela era gerente de internacionalização da companhia, além de ser a pessoa responsável por publicar todos os anúncios oficiais do CEO Mark Zuckerberg – o que lhe garantia acesso a informações confidenciais, como planos de expansão da empresa e desenvolvimento de ferramentas que nunca efetivadas.

Com o crachá de número 51, ela começou em 2005 na empresa, ainda como funcionária do setor de atendimento ao cliente, e em apenas um ano conquistou a confiança do jovem executivo, que elogiava sua competência profissional e seu conhecimento excepcional do inglês.

Depois de conhecer como poucos os bastidores da empresa que se transformou numa das gigantes da internet, Katherine decidiu contar a história – ou pelo menos parte dela – no livro The Boy Kings: A Journey into the Heart of the Social Network, ainda não traduzido para o português. Em entrevista exclusiva ao site de Veja, ela conta como foi trabalhar com o jovem mais famoso do setor de tecnologia, além de falar sobre alguns segredos da empresa, como o recurso que criava perfis de pessoas que não estavam cadastradas na rede.

Rotina de trabalho - Gente excêntrica e muitas festas? Sim. A imagem que as pessoas fazem do ambiente de trabalho nas empresas de tecnologia e internet corresponde a parte da realidade no caso do Facebook. No livro, Katherine conta que alguns dos engenheiros usavam rip sticks, skates de duas rodas, para se locomover entre os departamentos. E isso era algo que não espantava os demais funcionários. “Trabalhei com vários jovens com comportamento infantil, mas nós nos dávamos bem como colegas.

O importante era concentrar os esforços no crescimento do site e fazer as coisas funcionarem de forma eficiente”, diz. Fora da empresa, as festas eram comuns, e muito parecidas com as das universidades. A outra parte do trabalho era pura rotina, como em qualquer empresa. “Eu chegava às 10h e abria o expediente com e-mails sobre o site ou qualquer outro assunto que precisasse de atenção. Trabalhava até resolver todos os problemas, o que acontecia lá pelas 19h.”

O rei da rede - No livro, Katherine descreve Mark Zuckerberg como uma pessoa introspectiva e extremamente dedicada ao trabalho. “Ele é quieto, se concentra muito na construção do Facebook e na realização das suas ideias”, diz. Segundo a autora, Zuckerberg também é um pouco mais calmo do que a sua versão apresentada no filme A Rede Social. “Ele gosta de se socializar algumas vezes, aos finais de semana, mas há ocasiões onde é visível a sua preferência pelo trabalho.”

Para a autora, a recente queda no preço das ações da companhia, em julho, não está ligada à imagem de Zuckerberg – que foi amplamente criticada por analistas financeiros –, e sim às dificuldades da empresa em atender às altas expectativas do mercado.

Ambiente machista - No dia do aniversário de 22 anos de Zuckerberg, em 2006, a autora conta que todas as mulheres do escritório foram obrigadas a usar camisetas estampadas com a imagem de seu chefe. Os homens deveriam apenas usar sandálias da Adidas. “O código sexual ficou claro: mulheres deveriam mostrar sua dedicação ao Mark, enquanto que os homens deveriam se tornar o Mark”, diz o trecho do livro. A passagem reflete uma companhia composta principalmente por jovens engenheiros. As poucas mulheres estavam restritas à área de atendimento ao cliente.
“Não acho que ele realmente queria essa imagem de fraternidade universitária para a companhia, mas foi o que aconteceu – por algum tempo”, afirmou a autora na entrevista a Veja. “Os engenheiros ditavam o tom de forte influência masculina na empresa. Talvez isso esteja mudando hoje, com a chegada de mais mulheres em postos importantes dentro do Facebook.”

Privacidade - Katherine conta que, em 2006, os engenheiros da rede criaram um recurso experimental chamado “Dark Profiles”, capaz de criar perfis secretos para pessoas que não estivessem cadastradas no Facebook. O sistema coletava nomes e imagens em fotos com tags, criando um pequeno banco de dados. Caso a pessoa resolvesse entrar no site, ela já teria um perfil pré-montado. “Por trás dos panos, a maioria das companhias na área de tecnologia recolhem esses dados de qualquer um que utilize seus serviços”, afirma a autora.

Outro exemplo citado no livro sobre as ideias malucas que ja fizeram parte dos mentores do site é a existência de uma senha mestra, capaz de acessar qualquer perfil na rede, com direito à alteração e remoção de informações. Katherine diz que essa é uma ideia que ficou no passado, não faz mais parte do sistema. “Esse recurso foi abolido do site, e não existe mais.”

Vinda ao Brasil - Ainda acordo com o livro, em 2009, o CEO do Facebook quase desistiu de uma viagem ao Brasil para divulgar a empresa porque ficou em dúvida se a empreitada valeria o esforço. Zuckerberg tinha uma preocupação exagerada com segurança. Ele temia sobretudo ser alvo de um sequestro. Só concordou com a viagem ao cercar-se de uma poderosa equipe de guarda-costas formada por ex-militares – incluindo um soldado americano que serviu no Iraque e um segurança que atuou na guarda pessoal da cantora Britney Spears. Katherine entende que o investimento faz sentido para um executivo na posição de Zuckerberg. “Muitas pessoas nos Estados Unidos têm a percepção de que o Brasil é um lugar perigoso. Provavelmente essa foi a justificativa para a busca de tanta segurança”, disse.

A saída - A decisão de deixar seu cargo dentro Facebook foi difícil para Katherine. Ela escreve que, a partir de 2009, a rede social começou a se dedicar inteiramente à obtenção de dados dos usuários. A cultura de unir as pessoas se perdia dentro de tantas oportunidades financeiras, que dependiam da oferta de dados intimamente relacionados à privacidade dos usuários. Por fim, em 2010, ela decidiu abandonar Zuckerberg e sua equipe. “Eu queria explorar outras oportunidades, e por isso eu saí”, argumenta com diplomacia.
The Boy Kings: A Journey into the Heart of the Social Network

O livro conta detalhes de bastidores do Facebook, a maior rede social do planeta. A autora revela segredos da empresa e fala do machismo no ambiente de trabalho.
Autor: Katherine Losse
Editora: Free Press

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Leia as postagens na íntegra clicando nos títulos das matérias
  1. Mensalão: advogados reforçam necessidade de julgamento técnico
  2. Haddad reconhece que vídeo comparando Serra a Hitler é 'indevido'
  3. Cinco dos menores e mais raros animais do mundo
  4. Meta de investimento em educação terá novo debate
  5. As universidades vão piorar com mais cotas?
  6. A vida real das Cheias de Charme - Urariano Mota
  7. Mensalão: defesa diz que João Cláudio Genu circulava dinheiro a mando da cúpula do PP
  8. Defesa diz que Pedro Henry responde por processo apenas por ter sido líder do PP
  9. Bolsa brasileira é mais resistente que economia
  10. Corte paraguaio de energia? Não tão cedo
  11. Vereador de Aracruz acusado de Rachid permanece afastado
  12. Deputado capixaba Paulo Foletto (PSB) pede para sair da CPMI do Cachoeira
  13. TJES abre processo contra prefeito de Ecoporanga
  14. Reforma de lei une senadores evangélicos e católicos contra drogas e aborto
  15. Defesa do ex-deputado Pedro Corrêa vai tentar explicar por que ele recebeu R$ 700 mil do PT

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