quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Frei Betto: 'PT precisa esclarecer o que houve no mensalão'

Frei Betto diz que partido deveria se manifestar ou na defesa de condenados ou apontando erros; ele quer votar em Lula de novo


Amigo de Luiz Inácio Lula da Silva e assessor especial da Presidência da República no primeiro mandato do petista no Palácio do Planalto, o escritor Frei Betto não esconde o desejo de votar de novo no ex-presidente, mas cobra uma posição mais clara do PT em relação às denúncias que envolvem o partido.

Além do mensalão, cujo julgamento foi concluído pelo Supremo Tribunal Federal na semana passada, a Operação Porto Seguro, deflagrada pela Polícia Federal no mês passado, teve entre os alvos a ex-chefe do gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha, amiga íntima de Lula.

O frade dominicano se diz "penalizado" pelas cenas do julgamento do mensalão no Supremo, mas afirma que a direção petista deve esclarecer se erros foram cometidos e o que foi feito para corrigi-los.

Coordenador de Mobilização Social do Programa Fome Zero entre 2003 e 2004, o dominicano deixou o cargo por não concordar com a política econômica adotada pelo governo Lula e para voltar a se dedicar à literatura. Oito anos depois, Frei Betto critica o PT por "não ter um projeto Brasil", mas, sim, "um projeto de poder".

No último mês, Lula sofreu desgastes não só pela proximidade com Rose, denunciada pelo envolvimento com um esquema de venda de pareceres técnicos, como pelas acusações do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, condenado pelo Supremo a mais de 40 anos de prisão por atuar como operador do mensalão.

Em 24 de setembro, em depoimento à Procuradoria-Geral da República cujo teor foi revelado no início do mês pelo Estado, Valério disse que parte do dinheiro do esquema pagou despesas pessoais do ex-presidente e ele deu o "ok" para empréstimos do mensalão. Dois dias depois, em uma palestra em Paris, Lula sugeriu que pode voltar a ser candidato.

Como o sr. acompanhou o julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal?

Acompanhei muito penalizado porque, embora eu nunca tenha sido militante de nenhum partido político, nem do PT, através da minha atividade pastoral eu ajudei a construir esse partido. Gostaria que o partido viesse a público esclarecer se houve ou não houve culpa, se houve ou não houve ações que faltaram à ética. Acho que está precisando de uma palavra do partido a respeito de todos esses fatos que têm sido manchetes na nossa imprensa.

As sucessivas críticas de dirigentes do PT às condenações e ao julgamento não são suficientes para ter uma ideia do que pensa o partido?

Não vou avaliar o partido, digo minha opinião. As denúncias são graves e é preciso que o partido se manifeste, ou na defesa (dos acusados) ou dizendo se realmente houve falhas e que medidas serão tomadas.

O julgamento do mensalão é um marco no combate à corrupção no País?

Só o tempo dirá. O resto é apenas achismo.

(O Estado de S.Paulo)

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