Confira aqui [Estudo da USP embasa lista dos 10 maiores sites de "falsas notícias" no Brasil] a postagem que motivou esta nota de esclarecimento.
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sexta-feira, 10 de março de 2017
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017
As notícias falsas como arma política da extrema-direita
Por Marcelo
Fantaccini Brito
Recentemente, um levantamento feito pela Associação de Especialistas em Políticas Públicas de São Paulo (AEPPSP) divulgou os dez sites brasileiros que mais transmitem informações falsas. Dentro desta lista, havia uma grande participação de
sites conservadores. O que não é surpresa. Não há simetria entre esquerda e
direita na produção e na divulgação de informações falsas. A direita, mais
especificamente a extrema-direita, supera com grande diferença na produção de
informações falsas, que também podem ser conhecidas como boatos, fakes, hoaxes
e lendas urbanas. Não, não estou dizendo que ser de esquerda é ter uma
carteirinha de santidade. Muitos líderes e militantes de esquerda fazem muitas
coisas ruins. Mas divulgar informações falsas raramente é uma delas.
A
hoax como arma política existe bem antes do Facebook. Aliás, existe bem antes
da Internet. Uma hoax clássica no Brasil foi o Plano Cohen, “descoberto” em
1937, que se tratava de um plano de comunistas com sobrenome judeu tomarem o
poder. Este plano serviu para Getúlio Vargas iniciar o Estado Novo. Na década
de 1950, quando a direita passou a ser opositora do Getúlio Vargas, o jornal A
Tribuna da Imprensa apresentava “notícias” sobre ligações entre Vargas e Perón,
sendo muitas destas notícias apenas rumores. Na eleição presidencial de 1989,
circularam rumores de que Lula obrigaria as famílias a abrigarem moradores de
rua em suas residências.
A
Internet, porém, teve importância para ampliar esta prática. Durante a eleição
presidencial de 2010, foram amplamente divulgadas em correntes de email e em
redes sociais informações falsas sobre o auxílio reclusão, que diziam que todas
as famílias tinham o direito a este auxílio (o que não é verdade) e que
apresentavam valores bem maiores do que aqueles que realmente são pagos. A
ficha falsa da Dilma no DOPS, do tempo em que ela era guerrilheira, também foi
amplamente divulgada. Durante a campanha eleitoral de 2014, circularam boatos
de que o PT havia dado título de eleitor para 50 mil haitianos votarem na
Dilma. Logo depois da eleição, circularam boatos sobre urnas eletrônicas
adulteradas que teriam sido úteis para a reeleição da Dilma. Em 2015,
apareceram notícias sobre uma suposta descoberta de que a microcefalia seria
causada por vacinas mal conservadas, e não pelo zika. Este foi um boato de
direita não necessariamente para atingir o governo Dilma, mas para fomentar
campanhas anti-vacina, campanhas estas que têm um ou outro apoio de esquerda,
mas geralmente são apoiados por grupos de direita, principalmente religiosos.
Dois
políticos brasileiros de esquerda que são os mais frequentes alvos de boatos
são a ex-ministra Maria do Rosário e o deputado Jean Wyllys. Maria do Rosário
já foi acusada de ter recebido a assassina Suzanne Von Richtoffen. Há uma lista
enorme de boatos envolvendo Jean Wyllys, que pode ser encontrada clicando aqui.
Entre estes boatos, estão o de que ele quer regulamentar o casamento entre
humanos e animais, e o de que ele defendeu a pedofilia. Durante a eleição para
prefeito do Rio de Janeiro em 2016, circularam boatos de que Jean Wyllys seria
o secretário de educação em uma eventual administração de Marcelo Freixo.
Aliás, houve outros boatos naquela eleição. Houve até mesmo um áudio com uma
imitação da voz de Marcelo Freixo insultando taxistas.
Uma
notícia falsa circulada via Internet no ano passado mostrou que os inventores
deste tipo de notícia não têm qualquer confiança no senso crítico de seus
leitores, que consideram que eles aceitam tudo. A notícia foi a de que uma
policial militar evangélica virgem teria sido estuprada e assassinada por
meninos de menor. A notícia tinha tantos elementos da pauta conservadora que
estava óbvio que se tratava de um fake: exaltação da polícia militar, exaltação
da virgindade, exaltação dos evangélicos, redução da maioridade penal e o “cadê
as feministas?”. Muito provavelmente que difunde este tipo de notícia também
não acredita no conteúdo, apenas acredita que outras pessoas acreditação e
acredita que seja útil que outras pessoas acreditem.
A
prática não existe só no Brasil. A extrema-direita norte americana é recordista
em hoaxes. Entre as farsas, estão a de que Obama nasceu no Quênia, de que
Obama é muçulmano, e de que o Planned Parenthood (organização não governamental
de saúde da mulher que realiza a muitos abortos legais) vendia partes de fetos.
E
a teoria da conspiração da lua, aquela que, através de informações falsas, diz
que o ser humano nunca esteve na lua e que tudo foi filmado em estúdio? Seria
coisa de simpatizantes da União Soviética, inconformados com o fato dos norte
americanos terem chegado antes? Não. Quem difunde a teoria da conspiração da
lua são grupos fanáticos religiosos de direita.
Existem
farsas difundidas por pessoas de esquerda? Sim, mas a quantidade não chega
perto da quantidade de farsas de extrema-direita. No final da década de 1990,
vi alguns esquerdistas dizerem que havia um livro escolar de Geografia nos
Estados Unidos que mostrava que a Floresta Amazônica não fazia mais parte do território
brasileiro, e que se tratava de uma área de preservação controlada pela ONU.
Era mentira. Não havia Orkut, Twitter e Facebook naquele tempo, mas esta farsa
foi muito difundida em correntes de email. Porém, não se tratava de uma lenda
urbana exclusivamente de uso esquerdista. Nacionalistas de direita também
colaboraram com a difusão. Mais recentemente, logo depois da votação no
plenário da Câmara da PEC do teto dos gastos, alguns amigos meus de esquerda
colocaram no Facebook uma foto de deputados de direita segurando uma faixa com
a frase “ESTAMOS CONCERTANDO O BRASIL”. O “CONCERTANDO” com C era uma montagem.
Na verdade, a faixa estava escrita corretamente mesmo, com o “CONSERTANDO” com
S. Mas uma vez revelada a farsa, nenhum desses amigos esquerdistas meus
continuaram insistindo.
As grandes empresas de mídia no Brasil são de centro-direita, defendem o liberalismo econômico, mas não defendem o conservadorismo patriótico, militarista e religioso. Há tanto sites de esquerda, quanto sites de extrema-direita, que criticam as grandes empresas de mídia no Brasil. Mas
apenas os sites de extrema-direita usam a notícia falsa como meio de fazer
política. Alguns sites de esquerda utilizam algumas formas criticáveis de
argumentação. Quando é noticiado que algum político do PT se envolveu em algum
escândalo de corrupção, alguns desses sites lembram de escândalos semelhantes
que ocorreram no passado que envolveram políticos adversários do PT. Podemos
criticar esses sites por estarem relativizando, passando no pano nos escândalos
de políticos do PT. Mas os escândalos que esses sites utilizam para mostrar que
“todo mundo fez” não são notícias falsas. São notícias que saíram, embora com
menor destaque, na grande mídia. Alguns sites de esquerda costumavam mostrar
uma foto de Eduardo Cunha conversando com os ministros do STF para “provar” que
o STF estava protegendo Eduardo Cunha. A ideia defendida por ser equivocada.
Eduardo Cunha era o presidente da Câmara, e, por causa do seu cargo, é bastante
normal conversar com ministros do STF. Mas a foto era verdadeira, não foi
montagem, a conversa realmente aconteceu, portanto, não se trata de notícia
falsa.
O
tema “informações falsas como arma política” é bastante discutido atualmente,
principalmente por causa do aumento da importância das redes sociais no debate
político. Como foi dito anteriormente, as farsas existem bem antes da Internet,
mas a Internet aumentou a potência das farsas. Por causa do aumento de
importância do tema, é possível que apareçam “isentões” escrevendo sobre isso,
querendo mostrar exemplos de farsas de esquerda e farsas de direita em igual
número. Estes “isentões” não seriam isentos, pois sua “isenção” não
corresponderia à realidade. A hoax é uma arma muito mais utilizada pela
direita.
Se
vocês têm colegas, ex-colegas e familiares que insistem em repetir farsas e que
vocês sabem que esses aí são pessoas que têm inteligência suficiente para saber
que trata de farsas, mas que consideram politicamente conveniente a difusão,
saiba que vocês estão perto de pessoas que não são boas. Se vocês vivem perto
de gente que insiste em difundir farsas, vocês têm que mandar essa gente tomar
no cu.
Obs:
Se algum leitor acha que fui viesado e injusto e que há mais exemplos de farsas
difundidas por meios de comunicação de esquerda, sintam-se livres para deixar
seus comentários e mostrar estes exemplos.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2017
Estudo da USP embasa lista dos 10 maiores sites de "falsas notícias" no Brasil
Alexandre
Aprá*
Um
levantamento feito pela Associação
dos Especialistas em Políticas Públicas de São Paulo (AEPPSP), com base em
critérios de um grupo de estudo da Universidade de São Paulo (USP), identificou
os maiores sites de notícias do Brasil que disseminam informações falsas,
não-checadas ou boatos pela internet, as chamadas notícias de
"pós-verdades".
O estudou
da AEPPSP utilizou os critérios do "Monitor
do Debate Político no Meio Digital" - criado por pesquisadores da USP
-, uma ferramenta que contabiliza compartilhamentos de notícias no Facebook e
dá uma dimensão do alcance de notícias publicadas por sites que se prestam ao
serviço de construir conteúdo político "pós-verdadeiro" para o
público brasileiro.
Não
são sites de empresas da grande mídia comercial, tampouco veículos de mídia
alternativa com corpo editorial transparente, jornalistas que se
responsabilizam pela integridade das reportagens que assinam, ou articulistas
que assinam artigos de opinião.
Tratam-se
de sites cujas "notícias" não têm autoria, são anônimos e estão
bombando nas bolhas sociais criadas pelo Facebook e proliferam boatos,
calúnias, difamações e até correntes de WhatsApp.
Características em comum
Todos
os principais sites que se encaixam no conceito de "pós-verdade" no
Brasil possuem algumas características em comum:
1.
Foram registrados com domínio .com ou .org (sem o .br no final), o que
dificulta a identificação de seus responsáveis com a mesma transparência que os
domínios registados no Brasil.
2.
Não possuem qualquer página identificando seus administradores, corpo editorial
ou jornalistas. Quando existe, a página 'Quem Somos' não diz nada que permita
identificar as pessoas responsáveis pelo site e seu conteúdo.
3.
As "notícias" não são assinadas.
4.
As "notícias" são cheias de opiniões — cujos autores também não são
identificados — e discursos de ódio (haters).
5.
Intensiva publicação de novas "notícias" a cada poucos minutos ou
horas.
6.
Possuem nomes parecidos com os de outros sites jornalísticos ou blogs autorais
já bastante difundidos.
7.
Seus layouts deliberadamente poluídos e confusos fazem-lhes parecer grandes
sites de notícias, o que lhes confere credibilidade para usuários mais leigos.
8.
São repletas de propagandas (ads do Google), o que significa que a cada nova
visualização o dono do site recebe alguns centavos (estamos falando de páginas
cujos conteúdos são compartilhados dezenas ou centenas de milhares de vezes por
dia no Facebook).
Produtores
Os
produtores de "pós-verdades" mais compartilhados nas timelines dos
brasileiros são os seguintes:
*
Ceticismo Político: http://www.ceticismopolitico.com/
*
Correio do Poder: http://www.correiodopoder.com/
*
Crítica Política: http://www.criticapolitica.org/
*
Diário do Brasil: http://www.diariodobrasil.org/
*
Folha do Povo: http://www.folhadopovo.com/
*
Folha Política: http://www.folhapolitica.org/
*
Gazeta Social: http://www.gazetasocial.com/
*
Implicante: http://www.implicante.org/
*
JornaLivre: https://jornalivre.com/
*
Pensa Brasil: https://pensabrasil.com/
Uma
pesquisa mais profunda poderá confirmar a hipótese de que algumas destas
páginas foram criadas pelas mesmas pessoas, seja por repercutirem
"notícias" umas das outras, seja por utilizarem exatamente o mesmo
template e formato.
Distribuição
Todos
esses sites possuem páginas próprias no Facebook mas, de longe, os sites com
mais "notícias" compartilhadas são o JornaLivre e Ceticismo Político,
que contam com a página MBL - Movimento
Brasil Livre como seu provável principal canal de distribuição, e o site Folha Política, que conta com a página Folha Política para distribuir suas
próprias "notícias". Ambas as páginas possuem mais de um milhão
de curtidas e de repercussões (compartilhamentos, curtidas, etc.) por semana
realizadas por usuários do Facebook.
O
que é "Pós-verdade"?
O
jornal eletrônico Nexo fez uma reportagem explicando o conceito de pós-verdade
(https://goo.gl/iYgOSp).
Seguem alguns destaques:
"Anualmente
a Oxford Dictionaries”, departamento da University of Oxford responsável pela
elaboração de dicionários, elege uma palavra para a língua inglesa. A de 2016
foi “pós-verdade” (“post-truth”).
Para
diversos veículos de imprensa, a
proliferação de boatos no Facebook e a forma como o feed de notícias funciona
foram decisivos para que informações falsas tivessem alcance e legitimidade.
Este e outros motivos têm sido apontados para explicar ascensão da pós-verdade.
Plataformas
como Facebook, Twitter e Whatsapp favorecem a replicação de boatos e mentiras.
Grande parte dos factóides são compartilhados por conhecidos nos quais os
usuários têm confiança, o que aumenta a aparência de legitimidade das histórias.
Os
algoritmos utilizados pelo Facebook fazem com que usuários tendam a receber
informações que corroboram seu ponto de vista, formando bolhas que isolam as
narrativas às quais aderem de questionamentos à esquerda ou à
direita." (Com informações da AEPPSP)
Nota
Metodológica
A
AEPPSP publicou, após o post, uma nota metodológica explicando os critérios
para a aferição dos sites. Confira:
O
mapeamento de sites que têm perfil de produção de notícias falsas e que contam
com ampla distribuição em páginas do Facebook aqui realizado baseou-se nos oito
critérios abaixo elencados e na lista de fontes utilizadas pelo Monitor (que
não tem qualquer responsabilidade por estudos derivados dos dados que eles
publicam, vale reforçar).
O
principal critério utilizado foi o anonimato, mas não o único. Pareceu-nos um
bom critério: "Constituição Federal, Art. 5º, IV - é livre a manifestação
do pensamento, sendo VEDADO O ANONIMATO;".
Catalogamos
todos os sites listados pelo Monitor nas categorias imprensa e comentário
alternativo de esquerda e de direita e então, dentre aqueles cuja
responsabilidade pelos conteúdos publicados não é possível de ser identificada
(os sites e/ou as matérias são anônimos), aplicamos os demais critérios.
Isto
não quer dizer que sites autorais estejam livres de produzir notícias falsas,
tampouco que sites cujos autores preferem não se identificar não possam
produzir material honesto e de qualidade jornalística.
Para
evitar distorções e qualquer viés neste estudo ainda inicial, preliminar,
ampliaremos a listagem inicial com TODOS os sites mapeados seguindo unicamente
o critério de ANONIMATO, e nenhum outro.
Deste
modo, entendemos que pesquisas mais refinadas possam ter neste nosso mapeamento
uma fonte de inspiração. Compartilhamos
aqui uma planilha online para dar a máxima transparência deste
levantamento que, reforçamos, ainda é bastante preliminar e pode ser aprimorado
por qualquer pesquisador interessado no assunto.
Finalmente,
lamentamos por quaisquer incompreensões e distorções derivadas deste mapeamento
e estamos abertos para aprimorá-lo. Nosso objetivo é contribuir com todos
aqueles que estão empenhados na luta para que a Internet brasileira seja um
espaço democrático e livre — livre, inclusive, de haters, de discursos de ódio
e de notícias falsas.
Lista
com os 17 sites ANÔNIMOS mapeados, ordenados em ordem alfabética e sem outros
filtros:
*
Ceticismo Político: http://www.ceticismopolitico.com/
*
Click Política: http://clickpolitica.com.br/
*
Correio do Poder: http://www.correiodopoder.com/
*
Crítica Política: http://www.criticapolitica.org/
*
Diário do Brasil: http://www.diariodobrasil.org/
*
Folha do Povo: http://www.folhadopovo.com/
*
Folha Política: http://www.folhapolitica.org/
*
Gazeta Social: http://www.gazetasocial.com/
*
Implicante: http://www.implicante.org/
*
JornaLivre: https://jornalivre.com/
*
PassaPalavra: http://www.passapalavra.info/
*
Pensa Brasil: https://pensabrasil.com/
*
Política na Rede: http://www.politicanarede.com/
*
Pragmatismo Político: http://www.pragmatismopolitico.com.br/
*
Rádio Vox: http://radiovox.org/
*
Rede de Informações Anarquista: https://redeinfoa.noblogs.org/
*
Revolta Brasil: http://www.revoltabrasil.com.br/
*Alexandre Aprá é jornalista, editor do
blog Isso É Notícia
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
O bullying midiático sobre o PT
Por Leonardo Boff, em
seu blog:
Há um fato inegável que após a reeleição da presidenta Dilma em 2014 irrompeu muita raiva e até ódio contra o PT e o atual governo. Atesta-o um ex-ministro do partido da oposição, do PSDB, Bresser Pereira, com estas contundentes palavras:
“Surgiu um fenômeno que eu nunca tinha visto no Brasil. De repente, vi um ódio coletivo da classe alta, dos ricos, contra um partido e uma presidente. Não era preocupação ou medo. Era ódio. Esse ódio decorreu do fato de se ter um governo, pela primeira vez, que é de centro-esquerda e que se conservou de esquerda. Fez compromissos, mas não se entregou. Continua defendendo os pobres contra os ricos. O ódio decorre do fato de que o governo revelou uma preferência forte e clara pelos trabalhadores e pelos pobres”(FSP 01/03/2015).
Este ódio foi insuflado fortemente pela imprensa comercial do Rio e de São Paulo, por um canal de TV de alcance nacional e especialmente por uma revista semanal que não costuma primar pela moral jornalística e, não raro, trabalha diretamente com a falsificação e a mentira. Esse ódio invadiu as mídias sociais e ganhou também as ruas. Tal atmosfera envenena perigosamente as relações sociais a ponto de que já se ouvem vozes que clamam pela volta dos militares, por um golpe ou por um impeachment.
Tal fato deve ser lamentado por revelar a baixa intensidade do tipo de democracia que temos. Sobretudo deve ser interpretado. Nem chorar nem rir, mas tentar entender.Talvez as palavras do ex-presidente Lula sejam esclarecedoras:
“Eles (as classes dirigentes conservadoras) não conseguem suportar o fato de que, em 12 anos, um presidente que tem apenas o diploma primário colocou mais estudantes na universidades do que eles em um século. Que esse presidente colocou três vezes e meia mais estudantes em escolas técnicas do que eles em 100 anos. Que levou energia elétrica de graça para 15 milhões de pessoas. Que não deixou eles privatizarem o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e os bancos do Espírito Santo, de Santa Catarina e do Piauí. Que nos últimos 12 anos nós bancarizamos 70 milhões de pessoas, gente que entrou numa agência bancária pela primeira vez sem ser para pagar uma conta. Acho que isso explica o ódio e a mentira dessas pessoas. Pobre ir de avião começa a incomodar; fazer faculdade começa incomodar; tudo que é conquista social incomoda uma elite perversa”(discurso no sindicato dos bancários do ABC no dia 24 de julho de 2015: Jornal do Brasil online de 25/07/2015).
Posso imaginar a enorme dificuldade que possuem as classes proprietárias com seus poderosos meios de comunicação de aceitar a profunda transformação que surgiu no país com o advento do PT, vindo de baixo, do seio daqueles que sempre estiveram à margem e aos quais se negaram direitos e plena cidadania. Como escreveu acertadamente o economista Ladislau Dowbor da PUC de São Paulo:
”Eles querem a volta ao passado, a restrição das políticas sociais, a redução das políticas públicas, o travamento da subida da base da pirâmide que os assusta”. E acrescenta: “A máquina administrativa herdada foi feita para administrar privilégios, não para prestar serviços. E os privilegiados a querem de volta”(Carta Maior, 22/09/2015).
Efetivamente, o que ocorreu não foi uma simples troca de poder mas a constituição de uma outra base de poder, popular e republicana que deu centralidade ao social, fazendo com que o estado, bem ou mal, prestasse serviços públicos, incluindo cerca de 40 milhões de pessoas, fato de magnitude histórica.
Para entender o fenômeno do ódio social socorrrem-nos analistas da violência na história. Recorro especialmente ao pensador francês René Girarad (*1923) que se conta entre os melhores. Segundo ele, quando na sociedade se acirram os conflitos, o opositor principal consegue convencer os demais de que o culpado é tal e tal pessoa ou partido. Todos então se voltam contra ele, fazem-no de bode expiatório sobre o qual colocam todas as culpas e corrupções (cf. Le bouc émissaire, 1982). Assim desviam o olhar sobre suas próprias corrupções e, aliviados, continuar com sua lógica também corrupta.
Ou pode-se atribuir aos acusadores aquilo que o grande jurista e politólogo alemão Karl Schmitt (+1986) aplicava a todo um povo. Este para “garantir sua identidade tem que identificar um inimigo e desqualificá-lo com todo tipo de preconceito e difamação” (cf.O conceito do político,2003). Ora, esse processo está sendo sistematicamente feito contra o PT, um verdadeiro bullying coletivo. Com isso procura-se invalidar as conquistas populares alcançadas e reconduzir ao poder aqueles que historicamente sempre estigmatizaram o povo como jeca-tatu e ralé e ocuparam os aparelhos de estado para deles se beneficiar.
Distorce minha intenção quem pensar que com o que escrevi acima estou defendendo os que do PT se corromperam. Devem ser julgados e condenados e, por mim, expulsos do partido.
O avanço do povo através do PT é precioso demais para que seja anulado. As conquistas devem continuar e se consolidar. Para isso é urgente desmascarar os interesses anti-populares, frear o avanço dos conservadores que não respeitam a democracia e que almejam a volta ao poder mediante algum tipo de golpe.
sábado, 25 de julho de 2015
Quem daria o golpe? Quando e como?
Por Juliana Aquino
A oposição dos tempos
atuais não sabe fazer oposição, até por ausência de competência e por nojo à
democracia. Quer o poder e sabe-o inatingível por caminhos legais. Essa
oposição golpista contou sempre com o apoio da imprensa, a escrita, a falada e
a imaginada. O ruído provocado por ela atinge mais de 100 decibéis, que são
completados com os famosos bater-as-panelas, nas coberturas dos apartamentos de
abrigam o luxo das elites. Do que se sente falta? Da voz de autoridade que
brade: moleques, ponham-se no lugar que lhes cabe, não golpe porque nós não
queremos.
A História que se
repete: Vargas eleito, Carlos Lacerda pregou o golpe. Dilma Rousseff reeleita,
Aécio Cunha, FHC e seguidores pedem um terceiro turno, pregam um “golpe
democrático”, ridículo em si, mas que não dispensa aponta-lo enquanto tal. O
PSDB, sob a inspiração da ausência de escrúpulos de Jose Serra, não tem pejo em
vestir-se de União Democrática Nacional-UDN, a que, por ser golpista, tornou-se
a “vivandeira” dos quartéis. E por ai até que concordamos todos: não há mais
disponibilidade de tanques de guerra, nem mesmo de fantasias de vacas fardadas,
como as que se ostentaram em 1964.
Mas o que o PSDB/UDN
não apreendeu ainda: essa elite anacrônica não representa mais o capital
internacional, os banqueiros e os empresários, e nem a autoridade imperial dos
Estados Unidos. Ela é exatamente o anacronismo que a Constituição de 1988
permitiu sobreviver. Alienados, os golpistas enxergam uma Presidente
enfraquecida, a ser defenestrada por um simples sopro intestinal. Será assim?
Em diferentes momentos,
o STF mostrou-se parcial e disposto a golpear a fundo o PT e os que o
representam. Houve a sinfonia macabra, regida por um condutor catatônico. Ele
não está mais e os seus sucessores, figuras infelizmente desconfiáveis, não
possuem o mesmo grau de atrevimento. O ministro Mello não mostra insolência e
reconhece a legitimidade do mandato outorgado pelo povo a Dilma Rousseff. Por
certo, há um Gilmar Mendes, a cada dia mais andorinha só, a que não faz verão.
E a ameaça de
reprovação de contas de campanha? Lembre-se o 10 de dezembro de 2014: A
prestação de contas da campanha da candidata reeleita pelo PT à Presidência,
Dilma Rousseff, foi aprovada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Após
julgamento que se estendeu por quase quatro horas na noite desta quarta-feira
(10), por unanimidade, os ministros da Corte consideraram não ter havido falhas
suficientes na documentação apresentada para reprovar as contas.
Bem, e o julgamento das
“pedaladas” pelo TCU? Haja paciência. O TCU é uma repartição pública, prestigiada
apenas pela imprensa. Hoje tem a presidência de Aroldo Cedraz, político
pequeno, menino de recados de Antônio Carlos Magalhães. Não há mais o que
comentar sobre isso, depois da fala de um senador da República, membro do PSDB.
Tasso Jereissati, sobre tal figura, depois de ter ela cometido a ousadia de não
atender a uma convocação da Casa:
“Aroldo Cedraz não está
apto a ser presidente do TCU”. Ainda de acordo com o parlamentar, o ofício é
uma afronta ao Congresso Nacional porque não gostaria de comparecer à casa
antes da votação do Tribunal. “O presidente comete um grave erro. Ele não tem
que gostar ou não gostar, o TCU é uma casa auxiliar do Congresso”, ressaltou.
Jereissati afirmou ainda que o ofício foi ignorante. Pode-se imaginar, depois
disso, que o Senado volte a considerar algo que tenha origem desse “órgão
auxiliar.”? Só mesmo as analistas políticas, selecionadas pelo O Estado de São
Paulo, ainda darão ouvidos ao auxiliar infante.
Sejamos pacientes,
ouvindo os golpistas e seus porta-vozes da imprensa. Não compete à Justiça
decidir sobre impedimento de um presidente, mas ao Congresso. Os jornalistas
facciosamente apressados não contam a estória que precisa ser contada, para que
o povo a entenda: é necessário que 2/3 dos deputados acusem em votação nominal
a presidência, para que essa denúncia possa ser levada ao Senado, onde será
necessária a maioria absoluta de 2/3 dos membros do Senado para que seja
cassado o mandato presidencial. Esses são números inatingíveis. E sejamos muito
claros no que todos sabem: derrotados fatalmente, os eleitores do impedimento
poderão solicitar “auxílio desemprego”.
Já desprovidos de
munição de poder de fogo maior, os golpistas passaram a usar um marionete,
querendo fazê-lo tenor em teatro de ópera. Está moribundo e irá à falência,
incapaz de um mínimo de dignidade. Senadores, membros do PSDB, dizem de voz bem
dita que o impedimento de Dilma Rousseff não tem fundamento algum em nenhum
lugar. Eduardo Cunha morre agora, sem choros e nem velas. Suicidou-se como
decisão pessoal. O PMDB prescinde dele.
Sabidamente, não há
qualquer possibilidade de destituição da PresidentA com o uso de instrumentos
legais. Seria necessário um ato de violência. Quem poderia praticá-lo? E a que
preço? O Senado Romano apunhalou Júlio Cesar. E que aconteceu com os senadores
romanos?
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Entenda como funciona a máfia midiática - Parte 02
Segunda parte do vídeo em que jornalistas debatem o poder da grande mídia brasileira que, manipulando, mentindo ou omitindo, age em favor dos grandes conglomerados econômicos dos quais, aliás, ela faz parte. Por isso, em vez do compromisso com a notícia que abarque a verdade factual, a mídia simplesmente elege as pautas que venham a se encaixar nos interesses dos seus proprietários, todos alinhados com a direita retrógrada; o neoliberalismo que está ruindo em todo o mundo.
Mais que o poder econômico que ela representa, a máfia midiática deixou de ser um mero instrumento do poder oligárquico - para se firmar como o próprio poder. Assim, em vez de praticar a saudável concorrência em favor da notícia, os veículos de comunicação da máfia passaram a atuar de forma coordenada para dar corpo a qualquer factóide que sirva para passar como um trator por cima dos interesses dos poderosos. Por essas e outras a blogosfera passou a chamar a mídia simplesmente de "PIG" - o Partido da Imprensa Golpista.
Mediado por Beto Almeida, do programa Brasil Nação, o programa foi ao ar em 2009 - mas continua atual como nunca. Integram o debate os experientes jornalistas Leandro Fortes, Luis Carlos Azenha e Alípio Freire.
Tal a clareza didática com que os debatedores expõem o lado perverso do jornalismo, este vídeo deveria ser matéria obrigatória para estudantes de comunicação social.
Entenda como funciona a máfia midiática - Parte 01
Entenda como funciona a máfia midiática - Parte 03 (final)
Via youtube
Entenda como funciona a máfia midiática - Parte 01
Vídeo espetacular mostra jornalistas debatendo o impressionante poder da grande mídia brasileira que, manipulando, mentindo ou omitindo, age em favor dos grandes conglomerados econômicos dos quais, aliás, ela faz parte. Por isso, em vez do compromisso com a notícia que abarque a verdade factual, a mídia simplesmente elege as pautas que venham a se encaixar nos interesses dos seus proprietários, todos alinhados com a direita retrógrada; o neoliberalismo que está ruindo em todo o mundo.
Mais que o poder econômico que ela representa, a máfia midiática deixou de ser um mero instrumento do poder oligárquico - para se firmar como o próprio poder. Assim, em vez de praticar a saudável concorrência em favor da notícia, os veículos de comunicação da máfia passaram a atuar de forma coordenada para dar corpo a qualquer factóide que sirva para passar como um trator por cima dos interesses dos poderosos. Por essas e outras a blogosfera passou a chamar a mídia simplesmente de "PIG" - o Partido da Imprensa Golpista.
Mediado por Beto Almeida, do programa Brasil Nação, o programa foi ao ar em 2009 - mas continua atual como nunca. Integram o debate os experientes jornalistas Leandro Fortes, Luis Carlos Azenha e Alípio Freire.
Tal a clareza didática com que os debatedores expõem o lado perverso do jornalismo, este vídeo deveria ser matéria obrigatória para estudantes de comunicação social.
Entenda como funciona a máfia midiática - Parte 02
Entenda como funciona a máfia midiática - Parte 03 (final)
Via youtube
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Este é um blog de ideias e notícias. Mas também de literatura, música, humor, boas histórias, bons personagens, boa comida e alguma memória. Este e um canal democrático e apartidário. Não se fundamenta em viés políticos, sejam direcionados para a Esquerda, Centro ou Direita.
Os conteúdos dos textos aqui publicados são de responsabilidade de seus autores, e nem sempre traduzem com fidelidade a forma como o autor do blog interpreta aquele tema.
Dag Vulpi