quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

”E se Guantánamo fosse aqui?”


O Desembargador Pedro Valls Feu Rosa escreveu nesta semana um excelente artigo, intitulado, “Onde fica a prisão de Guantánamo?”. Lendo somente o titulo, uma resposta perfeitamente aceita seria: - A Prisão de Guantánamo, oficialmente Campo de Detenção da Baía de Guantánamo é uma prisão militar estadunidense, parte integrante da Base Naval da Baía de Guantánamo, que, por sua vez, está incrustada na baía homônima, na província também homônima, na ilha de Cuba.

Porém, o objetivo do Desembargador não é o de simplesmente testar os conhecimentos gerais de seus leitores quanto à localização geográfica da tal prisão, ele descreve com propriedade, e a seriedade que o assunto requer, sobre a entrevista da escritora Mahvish Khan, publicada na revista Superinteressante. Ele nos convida a fazer um comparativo entre a prisão americana onde as condições dos presos mantidos no campo de Guantánamo foram motivo de indignação internacional e alvo de duras críticas, tanto por parte de governos como de organizações humanitárias internacionais [1], e o sistema prisional brasileiro.

O Desembargador descreveu algumas peculiaridades de Guantánamo “A maioria fica presa sozinha em celas de concreto de 2,10 m x 2,40 m – o tamanho de um colchão King-Size. Ali ficam a cama, o banheiro e a pia. Eles comem e rezam sozinhos. Muitos não vêem a luz do Sol durante meses, porque só podem sair uma hora ou menos por dia, no meio da noite. Vários são submetidos a buscas nas cavidades do corpo [por drogas e armas] na frente dos outros." disse ele.

Estes tratamentos dispensados aos internos de Guantánamo que o Desembargador credita à entrevista da escritora Mahvish Khan, parecem não ser piores que os praticados no sistema carcerário das prisões brasileiras.

Proponho uma comparação: Ele descreve que a maioria, ou seja, alguns têm tratamento um pouco melhor, mas vamos à maioria que segundo ele ficam confinados sozinhos, antes só que mal acompanhado digo eu, em espaços de 2,10 m x 2,40 m. na maioria dos cubículos brasileiros o espaço entre presidiários é de, quando muito 0,5 m, ou seja, praticamente 4 vezes menor que o espaço que os presos tem em Guantánamo. Lá eles têm cama, banheiro e pia individual, aqui há casos de um banheiro para cada 50 presos. Cama aqui só para os “chefes”, mesmo assim o colchão é chão. Lá eles comem e rezam sozinhos, aqui eles mal comem, quanto a rezar, bem, os poucos que ainda tem alguma fé devem rezar muito, devem pedir a Deus para que nossas autoridades tomem alguma providencia, para que  ao menos equiparem a situação dos presos daqui à dos presos de lá. Lá eles fazem buscas nas cavidades dos corpos à procura de objetos. Aqui não há procura, mas em compensação, os mais fracos sofrem com a excessiva introdução de enormes “objetos” em suas cavidades.

O que posso concluir do artigo do desembargador é que só temos a lamentar, não serem as prisões brasileiras cópias idênticas a Guantánamo. Pois, por mais que as condições de Guantánamo sejam subumanas e com várias denúncias, de diversos órgãos internacionais de defesa de direitos humanos, as nossas ainda conseguem ser bem piores. 

[1O jornal estado-unidense The New York Times publicou informaçons que confirmam a participaçom de médicos militares nas sessons de torturas a prisioneiros mussulmanos na base naval de Guantánamo, território cubano ocupado polas forças armadas norte-americanas onde 520 pessoas de 40 nacionalidades permanecem ilegalmente detidas num campo de concentraçom.
Os médicos assessorárom sobre métodos para aumentar os níveis de estrés e para aplicar coacçons psicológicas aos detidos a partir das fraquezas que mostravam, segundo alguns desses doutores relatárom a jornalistas do citado diário novaiorquino.

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Dag Vulpi

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