domingo, 1 de abril de 2012

Saindo do armário: Direita, eu?

Para se identificar alguém de direita é preciso observar o conjunto dos atos e o tom do discurso, uma mistura de falsa simulação ideológica que inclui a negação das divisões políticas ou, no limite, da própria política. Outra saída é dizer que odeia política, que é apolítico (?), que político é tudo canalha, que não vai mais dar o voto para ninguém. Mentira: vai votar na direita.
-  por Leandro Fortes

Chega a ser engraçado essa coisa de, no Brasil, ninguém ser de direita. Por aqui, alguém só se diz de direita quando quer chocar ou demonstrar certa ferocidade política e pessoal do tipo “sou de direita mesmo, vai encarar?”. Coisa de cabo eleitoral da TFP e bestas-feras do gênero.

Mas a regra é diferente. Quem é de direita só abre a boca quando percebe receptividade no ambiente. Mais ou menos como quem é racista. Normalmente, para se identificar alguém de direita é preciso observar o conjunto dos atos e o tom do discurso, uma mistura de falsa simulação ideológica que inclui, necessariamente, a negação das divisões políticas ou, no limite, a própria negação da política.

Dessa forma, ao ser questionado sobre pendores ideológicos, o indivíduo de direita se sai sempre com o clichê da queda do muro de Berlim – embora a maioria apenas desconfie, ligeiramente, do verdadeiro significado do evento e do processo que o deflagrou. Depois da queda do muro de Berlim, portanto, não tem mais direita nem esquerda, é tudo muito relativo. Outra saída é dizer que odeia política, que é apolítico (?), que político é tudo canalha, que não vai mais dar o voto para ninguém. Mentira: vai votar na direita.

No Brasil, há casos clássicos de políticos e intelectuais que migraram para a direita, um pouco pelo desencanto do comunismo, pela perda natural dos ideais que a idade provoca, mas muito pela oportunidade de ficar rico ou fazer parte da elite nacional que toma uísque escocês e freqüenta balneários de luxo, ainda que forma subalterna e humilhante. Não é preciso citar nomes, mas muitos pululam pelos parlamentos, partidos políticos e redações de jornais. Pergunte a qualquer deputado ou senador se ele é de direita, e não vai aparecer nenhum.

Todo mundo tem uma desculpa para não ser de direita, mesmo os mais conservadores e reacionários, mesmo as viúvas da ditadura militar, mesmo os risíveis neodemocratas de plantão. Todos vão dizer que esquerda e direita não existem mais. Que depois da queda do muro de Berlim, etc,etc,etc.

A verdade é que ninguém quer se admitir de direita porque, no Brasil, ou em qualquer outra nação latino-americana que tenha sido submetida a regimes neofascistas comandados por generais, ser de direita tem pouco a ver com a clássica postura liberal econômica ou com a defesa das leis de mercado. Tem a ver é com truculência, violência, racismo, fundamentalismo religioso, obscurantismo político, coronelismo, ódio de classe e, é claro, golpismo. Por isso há tão poucos direitistas assumidos.

Assim, de cabeça, aliás, não lembro de nenhum. Ah, de repente me lembrei de uma confissão antológica do ex-deputado Wigberto Tartuce, o Vigão, parlamentar do PTB brasiliense, de riquíssimo prontuário policial, temeroso de ser confundido na multidão: “Eu sou de direita, mas sou honesto”. Até agora, a única confirmação das autoridades policiais é a de que Vigão é mesmo de direita.

Via Tudo em Cima

O 31 de Março deveria ser feriado nacional

Deveríamos transformar o 31 de Março em feriado nacional. Talvez assim possamos garantir que esse dia nunca seja encarado por nós e, principalmente, pelas gerações que virão como um grande Primeiro de Abril, como se o golpe de 1964 nunca tivesse existido.

Cicatriz que não deveria ser escondida mas permanecer como algo incômodo, à vista de todos, funcionando como um lembrete. Não vivemos três décadas de piada, apesar da elite militar e parte da elite econômica do país terem rido muito às custas de quem pedia liberdade e democracia nos Anos de Chumbo.

Pouco me importa o que pensam os verde-oliva da reserva que tomam seu uísque nos Clubes Militares enquanto, saudosos, lançam confetes ao Dia da Revolução (sic). Demonstrações de afeto a um período autoritário são peça de museu, então que fiquem, democraticamente, com quem faz parte do passado. Mas eles precisam saber que, desta vez, a História não vai ficar com a versão dos golpistas. E que o mundo que eles ajudaram a construir, mais cedo ou mais tarde, vai embora com eles. Não por vingança, mas por Justiça.

Em nome de uma suposta estabilidade institucional, o passado não resolvido permanece nos assombrando. Seja através de um olhar perdido da mãe de um amigo que, da janela, permanece a esperar o marido que jaz no fundo do mar, lançado de helicóptero. Seja adotando os métodos desenvolvidos por eles para garantir a ordem e o progresso.

Durante a ditadura, os militares armaram uma farsa para encobrir o assassinato do jornalista Vladimir Herzog. A explicação trazida à público, de suicídio na cela, não convenceu e a morte de Vlado tornou-se símbolo na luta contra o regime. Mas fez escola.

Tempos atrás, aqui em São Paulo, um homem de 39 anos foi encontrado enforcado pouco mais de duas horas depois de ter sido preso. Supostamente, era traficante e transportava cocaína. Supostamente, teria se enforcado usando um cadarço de sapato. Questionado por jornalistas se não é praxe da polícia retirar os cadarços de sapatos de presos, um policial afirmou que o acusado usou um pedaço de papelão para arrastar um cadarço que estava fora da cela. Seria cômica se não fosse ofensiva uma justificativa dessas.

Como aqui já disse, o impacto de não resolvermos o nosso passado se faz sentir no dia-a-dia dos distritos policiais, nas salas de interrogatórios, nas periferias das grandes cidades, em manifestações, nos grotões da zona rural, com o Estado aterrorizando ou reprimindo parte da população (normalmente mais pobre) com a anuência da outra parte (quase sempre mais rica). A verdade é que não queremos olhar para o retrovisor não por ele mostrar o que está lá atrás, mas por nos revelar qual a nossa cara hoje.

Lembrar é fundamental para que não deixemos certas coisas acontecerem novamente. Que o governo tenha a decência de instalar urgentemente a Comissão da Verdade que, mesmo esvaziada na versão em que foi aprovada, trará um pouco de luz às trevas. Que o Supremo Tribunal Federal considere que crimes contra a humanidade, como a tortura, não podem ser anistiados, nunca. Que a história dos assassinatos sob responsabilidade da ditadura seja conhecida e contada nas escolas até entrar nos ossos e vísceras de nossas crianças e adolescentes a fim de que nunca esqueçam que a liberdade do qual desfrutam não foi de mão beijada.

Mas custou o sangue, a carne e a saudade de muita gente.
Texto de Leonardo Sakamoto

sexta-feira, 30 de março de 2012

Vídeo mostra deputado goiano negociando doação com Cachoeira

Convesas levantam suspeita de caixa dois para campanha de Rubens Otoni.
Petista nega ter recebido dinheiro “legal ou caixa dois” do empresário. 

O deputado federal Rubens Otoni (PT), pré-candidato petista ao governo de Goiás, aparece em dois vídeos negociando doação de campanha com o empresário Carlinhos Cachoeira, preso na semana passada na Operação Monte Carlo. Veja o vídeo
Na primeira parte da gravação, Carlinhos Cachoeira oferece dinheiro ao deputado. Eles negociam R$ 100 mil e o empresário insinua já ter contribuído com a mesma quantia em outro momento. "Eu te ajudei em R$ 100 mil, vou ajudar em mais R$ 100 mil meu", diz.
Outra conversa levanta suspeita de caixa dois para a campanha, movimentação de dinheiro não declarada à Justiça Eleitoral, que é considerada crime. Cachoeira pede a Otoni para não declarar a doação.  "Eu não posso aparecer não. E os R$ 100 mil também você não declara não", diz o empresário. O deputado concorda: "Claro! Não, não, claro que não!".
O deputado comentou os vídeos e negou ter recebido dinheiro “legal ou caixa dois” de Cachoeira. Otoni disse que o encontro ocorreu em 2004, quando o petista foi candidato a prefeito de Anápolis (GO). "Eu tive uma conversa com Carlos Cachoeiro no sentido de tentar ajudá-lo com a empresa dele. Não foi possível ajudá-lo e passei a ser inimigo número um dele", justifica.

A assessoria de comunicação da Polícia Federal em Brasília informou que os vídeos do encontro entre Rubens Otoni e Carlinhos Cachoeira não fazem parte do inquérito da Operação Monte Carlo. A ação da PF desarticulou a chamada máfia dos caça-níqueis em Goiás.

STF abre inquérito e determina quebra de sigilo de Demóstenes


Demóstenes Torres (Foto: Agência Senado)
O senador Demóstenes Torres no plenário do Senado (Foto: Agência Senado)

Senador é suspeito de vínculo com empresário preso por jogo ilegal.
Advogado vê 'ilegalidades' nas provas e diz que quebra de sigilo é favorável.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski determinou nesta quinta-feira (29) a abertura de inquérito para investigar a ligação do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) com o empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, suspeito de chefiar uma quadrilha de jogo ilegal.
O ministro também determinou a quebra do sigilo bancário do senador pelo período de dois anos - Lewandowski não informou o período de início e fim da quebra de sigilo.
O advogado de Demóstenes avaliou como "positiva" a quebra de sigilo bancário e afirmou que a medida seria pedida pela defesa. "Essa quebra de sigilo é positiva e será uma fonte de provas a favor do senador", disse Castro. O advogado voltou a dizer que houve "ilegalidades" na coleta de provas anteriores. Ele se refere às escutas telefônicas feitas pela PF em que o senador aparece conversando com Cachoeira.
Demóstenes e os deputados Sandes Júnior (PP-GO) e Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) foram citados em relatório da Operação Monte Carlo, deflagrada pela Polícia Federal em fevereiro e que prendeu Carlos Cachoeira.
No pedido ao Supremo, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, também solicitou o desmembramento do inquérito para investigar os demais parlamentares. Em relação ao envolvimento de pessoas sem foro privilegiado, Gurgel pediu que fosse desmembrado para análise da primeira instância da Justiça.
Sobre o desmembramento e a investigação aos deputados Sandes Júnior e Carlos Alberto Leréia, Lewandowski pediu mais informações ao procurador-geral antes de tomar uma decisão.
O ministro determinou ainda o envio de ofício ao Banco Central para ter acesso a movimentações financeiras do senador e também pediu que órgãos públicos federais e estaduais enviem ao PGR cópia de contratos celebrados com empresas mencionadas em diálogos interceptados pela PF. Além disso, Lewandowski pediu à PF a degravação de 19 diálogos telefônicos que estão apenas em áudio.
O ministro do Supremo também enviou pedido ao presidente do Senado, José Sarney, para que remeta uma relação das emendas parlamentares apresentadas por Demóstenes Torres ao orçamento da União. A PGR suspeita de irregularidades na aprovação desses recursos.
Lewandowski negou pedido do procurador de acesso automático aos dados financeiros do senador. Esse tipo de acesso permitiria que, ao longo da investigação, o sigilo do parlamentar estivesse aberto a qualquer momento ao procurador sem necessidade de autorização judicial.
Lewandowski também negou pedido de Gurgel para interrogar o senador. Segundo o minsitro, a solicitação ainda é "prematura".
A decisão de Lewandowski garante ao advogado do senador acesso ao inqúerito. Ele negou pedido de acesso às informações ao Democratas, aos senadores Randolfe Rodrigues e Pedro Taques e a órgãos de imprensa.
Gurgel analisou as gravações da Operação Monte Carlo por aproximadamente 20 dias. A decisão de pedir investigação sobre o senador foi tomada pelo procurador-geral após a análise de 10 meses de interceptações telefônicas feitas pela PF na Operação Monte Carlo.
"Considerei [as gravações] graves o suficientes para que houvesse o pedido de instauração de inquérito. É um volume muito grande de interceptações telefônicas e de um período bastante longo", afirmou Gurgel ao pedir o inquérito.
O presidente nacional do DEM, senador Agripino Maia (RN), considerou como correta a decisão do Supremo de abrir o inquérito.
"O Supremo fez o julgamento correto. As investigações têm de seguir seu curso", disse o presidente. Segundo o presidente, o partido espera que o senador se manifeste "em breve" sobre as denúncias.
"Eu espero que ele [Demóstenes] se manifeste em breve, tendo em vista que agora ele teve acesso ao processo. Espero que ele se manifeste com a brevidade possível", disse Maia.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Escultores usam toneladas de areia para criar obras em exposição no Japão

Tema da exposição deste ano é Londres, cidade sede dos Jogos Olímpicos

Uma exibição de esculturas feitas com toneladas de areia será aberta em abril na cidade de Tottori, no Japão.
O tema da exposição deste ano é Londres, cidade sede dos Jogos Olímpicos.
Ao invés de ficarem expostas aos danos causados pela chuva e vento, as esculturas ficarão dentro de um galpão, o Museu da Areia de Tottori.
Para os produtores da exposição, o fato de os escultores trabalharem dentro do galpão permite que as obras sejam mais delicadas.


Assista o vídeo sobre estas esculturas no final da página do blog, logo abaixo dos meus peixinhos! rsrs


Novo regime de Previdência para servidores públicos: uma questão de responsabilidade

 Venceu o bom senso: o Senado aprovou nesta quarta-feira o novo modelo de previdência do servidor público federal. As aposentadorias vão ficar limitadas ao teto do Regime Geral da Previdência Social, que é de R$ 3.916,20 e vale para os trabalhadores da iniciativa privada. Para complementar a aposentadoria, os servidores terão a opção de aderir a fundos fechados de previdência complementar, um para cada Poder da República – Executivo, Legislativo e Judiciário.
Quem já está no serviço público vai ter dois anos para escolher se quer ou não aderir ao novo regime previdenciário – em caso positivo, a contribuição de 11% para o INSS incidirá apenas sobre o teto de R$ 3.916,20, não mais sobre todo o salário. Mas para os novos servidores o novo regime vai ser obrigatório. Ou seja: a proposta marca um tempo novo no funcionalismo público, mas respeita direitos adquiridos.
Cortar aposentadoria não é fácil. Depois de uma vida inteira de trabalho, é claro que os servidores – e todos os trabalhadores – mereceriam um bom salário, até para encarar as dificuldades da velhice. Mas, com todo respeito aos servidores federais, não há como negar que a decisão foi equilibrada, diante do atual déficit previdenciário, de R$ 56 bilhões. O pagamento de aposentadorias e pensões a 1,1 milhão de servidores e seus familiares é o maior impulso para que essa bola de neve continue rolando e crescendo montanha abaixo.
Seria uma enorme irresponsabilidade política não encarar de frente o desafio da Previdência Social , num país cuja população está envelhecendo num ritmo mais acelerado. Segundo os dados do Censo 2010, todas as faixas etárias até 25 anos têm peso menor na população do que em 2000, ao passo que os demais grupos ampliaram sua participação. A participação da faixa com mais de 65 anos avançou de 5,9% em 2000 para 7,4% em 2010.
E, venhamos e convenhamos, não é nem um pouco justo que o grosso da população brasileira amargue aposentadorias irrisórias – ou mesmo o colapso da Previdência – à custa de uma situação privilegiada do funcionalismo público. Mudar o regime de Previdência dos servidores é começar a mudar toda uma cultura em que servidores são vistos como uma parcela ‘especial’ da população – e essa mudança, por mais difícil que seja, acende a esperança de um Brasil mais justo e equilibrado.

Via Senador Ricardo Ferraço

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