quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

380 mortos e desaparecidos da "ditadura militar no Brasil".


Os partidários do extinto PCB, de imediato, deram início a uma autocrítica frente ao esquerdismo assumido durante o governo deposto. Porém, tal postura não foi unânime, fazendo com que dirigentes abandonassem o partido, como foram os casos de Carlos Mariguella (ALN) e Apolônio de Carvalho (PCBR). Criticava-se, então, o que se denominava "etapismo", ou seja, uma estratégia que pregava a revolução por etapas, cabendo ao PCB apoiar a burguesia nacional no processo de constituição de uma sociedade democrática, antifeudal e antiimperialista, deixando para um futuro distante a luta pela implantação do socialismo. De acordo com os dissidentes, a estratégia do PCB facilitara a implantação da ditadura, pois subordinara o movimento operário aos acordos da cúpula com as lideranças populistas. [...]
A ausência de resistência ao golpe militar fez com que esse tipo de interpretação ganhasse muitos adeptos. Entre 1965 e 1967, amplia-se o número de dissidências, fragmentação que atinge até mesmo as organizações que haviam sido formadas alguns anos antes. [...] 
Entre a esquerda oposicionista nascem, então, propostas de luta armada. Há, sem dúvida, inúmeros matizes entre um grupo e outro. No entanto, a perspectiva de uma revolução iminente parece ser um traço comum às diversas siglas. [...] 

O estudante Edson Luis de 16 anos é metralhado no restaurante
Calabouço (Rio de Janeiro). A morte de Edson Luis virou um marco
 na luta estudantil contra a ditadura.
A novidade do período era que os grupos revolucionários recém-formados recrutavam seus militantes na classe média. Havia mesmo, em partidos que aderiram à luta armada, o predomínio de estudantes e professores universitários. Esse segmento, segundo os processos da justiça militar, respondia por 80% do Movimento de Libertação Popular (MOLIPO), 55% do Movimento Revolucionário 8 de outubro (MR-8) e 53% do Comando de Libertação Nacional (COLINA) [...].

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Bobbio, justiça e liberdade

Nascido em Turim, no dia 18 de outubro de 1909, filho de uma família burguesa do norte da Itália, Norberto Bobbio praticamente viveu o século XX por inteiro, vindo a falecer na mesma cidade aos 94 anos, no dia 9 de janeiro de 2004. Ele tornou-se, nos últimos anos, o pensador político italiano mais famoso do mundo e, bem ao contrário de Nicolau Maquiavel, seu conterrâneo que viveu no Renascimento, tornou-se um diligente ativista dos direitos individuais e não um apologista dos poderes do estado. Bobbio, emérito professor de Direito e Política em Turim, um filósofo da democracia, foi um insuperável combatente a favor dos direitos humanos.

Norberto Bobbio (1909-2004)

No partido da ação


"Cultura é equilíbrio intelectual, reflexão crítica, senso de discernimento, aborrecimento frente a qualquer simplificação, a qualquer maniqueísmo, a qualquer parcialidade". 

N. Bobbio, em carta a G.Einaudi, julho de 1968

Numa Itália dilacerada desde a queda de Mussolini, ocorrida em 25 de julho  de 1943, assistindo as forças alemãs do marechal Kesselring e as anglo-americanas do marechal Alexander a travarem batalhas de vida e morte, é que renasceu o pequeno Partito d´Azione, o partido da ação. No século XIX, no chamado Ressurgimento, época das lutas pela unificação nacional, ele fora o instrumento dos patriotas G.Mazzini e de Garibaldi. Voltara à vida liderado por Guido Calogero e por Aldo Capitini, congregando basicamente um

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Aberração sob o teto do Senhor


Por Leila Cordeiro*
Um velho ditado afirma que “de técnico de futebol, médico e louco , todo mundo tem um pouco”.  Mas eu vou além disso, todo mundo também palpita quando o assunto é religião e cada um a encara de um jeito diferente, de acordo com a fé que pratica ou não.
Sinceramente, e isso é uma opinião minha, acho que ultimamente as pessoas andam afastada das religiões e isso não é difícil de entender. Afinal, são tantas e tão graves denúncias contra padres, pastores e outros religiosos que não há fé que resista a tanta decepção.
As notícias estão aí, quase todos o dias. São religiosos acusados de abusar de crianças, pedófilos ultrajantes, sujos e vis, comungando junto com inocentes fiéis que apenas queriam um porta-voz de Deus para orientá-los sobre o  melhor caminho a seguir.
Inacreditável que possa haver tamanha aberração sob o teto do Senhor.  Tem gente que coloca esses seres de personalidades distorcidas como exceção à regra,  mas as exceções são tantas que viraram regra e  fazem  tremer  a credulidade de nossas bases e convicções.
Sem dúvida,  um caminho triste e nebuloso trilhado por padres católicos e pastores e bispos de seitas e igrejas que se autointitulam “pentecostais progressivas”.
Essas últimas só faltam mandar a fatura da fé para a casa dos coitados dos fiéis,  que chegam a se atolar em dívidas para poderem  pagar o tributo/dízimo cobrado pelas bençãos divinas apregoadas com a maior cara de pau por esses verdadeiros “agiotas religiosos”. Sim, porque é como se estivessem cobrando o empréstimo de dádivas concebidas por Deus que eles personificam como se fosse um ser material, interessado apenas em receber.
É por essas e por outras que, cada vez mais, as pessoas vem procurando respostas no sobrenatural, querendo saber quem vai pagar a conta pela sua própria existência. E é aí que as convicções sobre a vida após a morte vem ganhando força. Em livros ou filmes, hoje há um diálogo natural sobre a sobrevivência da alma sobre o corpo perecível .
Evidentemente,  não vou traçar aqui uma discussão sobre o tema, apenas lembrar que o sempre tão combatido espiritismo tem sido importante no cenário mundial na medida em que ele não exige nada, não cobra nada e nem enriquece ninguém.
Chico Xavier, uma das maiores personalidades da doutrina espírita dos tempos modernos, morreu deixando como legado material uma cama com colchão velho e duro, uma peruca que escondia a calvície precoce e uma casinha lá no interior de Minas. A mesma onde morou por tantos e tantos anos de renúncia, atendendo millhares de pessoas que o procuravam em busca de alívio e consolo .
É revoltante ver que a cada dia as pessoas estão se  “desvangelizando”, porque não adianta louvar a Deus aqui e desrespeitá-lo ali adiante, não adianta pregar falsos conceitos só para sair bem na foto, quando as atitudes não combinam com as palavras, não adianta querer convencer a quem está atento que o caminho é aquele a seguir, quando o próprio conselheiro  já está “ no desvio” há muito tempo.
Parece simplório dizer isso, mas é a única palavra que me ocorre. É muito triste ver a deterioração do ser humano em todos os sentidos, mas principalmente no que diz respeito à fé. Desde que o mundo é mundo, nos primórdios dos primatas e das eras palenteológicas, todo ser vivo precisa crer em alguma coisa.
Hoje, com tanta tecnologia e modernidade, parece que estamos voltando aos tempos da escuridão com uma fé de oportunidade e o interesse material muito acima do espiritual. Parece que o mundo está de cabeça pra baixo e nós, pobres servos mortais, estamos pendurados  junto com ele sob o julgo  daquela célebre frase: “cada um por si, Deus por todos”...assim mesmo se deixarem que ele nos ajude!
Abaixo um vídeo que procuro assistir todas as vezes em que me recordo das aberrações da fé, seja ela, qual for.

Leila Cordeiro* Começou como repórter na TV Aratu, em Salvador. Trabalhou depois nas TVs Globo, Manchete, SBT e CBS Telenotícias Brasil como repórter e âncora. É também artista plástica e tem dois livros de poesias publicados: "Pedaços de mim" e "De mala e vida na mão", ambos pela Editora Record. É repórter free-lancer e sócia de uma produtora de vídeos institucionais, junto com Eliakim Araujo, em Pembroke Pines, na Flórida.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Quem trabalha para o PiG o faz por opção, portanto que arque com as consequências!


Sinceramente, não tem coisa mais ridícula do que ver jornalista que trabalha no PiG querendo dar lição de moral quando algum coleguinha é hostilizado na rua por pessoas que não aguentam mais serem estupradas todos os dias pelas mentiras que publicam em seus veículos.

Quem trabalha para o PiG o faz por opção, ninguém o está obrigando. Então, que arque com as consequências, ora!

Eu sou totalmente contra a violência. Porém, veículos midiáticos que plantam a violência (como apoiar uma ditadura por 21 anos ou tentar derrubar todos os dias governos democraticamente eleitos), vão colher violência (inclusive contra seus funcionários).

Chega dessa hipocrisia ridícula de neguinho achar que só porque é reporterzinho de merda é ser humano superior, está acima do bem e do mal. Vão plantar batatas e se não estão contentes, procurem um emprego numa empresa decente. Até ser assessor de imprensa do Tiririca é mais honrado do que se prostituir para o PiG.

Via Tudo em Cima

Vídeo mostra detentos sendo torturados em Aracruz, diz TJ-ES

Agente penitenciário fez as imagens e enviou denúncia ao tribunal.
Sete servidores do Centro de Detenção Provisória foram afastados.

 

Uma denúncia de tortura e maus tratos a internos do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Aracruz, no Norte do estado, foi encaminhada ao Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJ-ES) no mês de fevereiro. Em vídeos realizados por um agente penitenciário do local, e divulgados nesta quinta-feira (23), vários detentos são colocados em filas, ficam nus e realizam exercícios físicos solicitados por funcionários. Segundo presidente do TJ-ES, o desembargador Pedro Valls Feu Rosa, os presos foram expostos a situações vexatórias. Como medida administrativa, a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) afastou sete membros da direção do CDP do município. O Ministério Público do Espírito Santo (MP-ES) e a promotoria de Aracruz também investigam a situação. 
De acordo com o Tribunal de Justiça, o vídeo foi gravado por um agente penitenciário nos dias 8 e 16 de dezembro de 2011, e 22 de janeiro de 2012, e chegou ao tribunal na última sexta-feira (17). Segundo a Sejus, este servidor foi transferido para outra unidade penitenciária, por ter recebido ameaças.
Segundo o tribunal, esta é a primeira denúncia recebida de tortura acompanhada de provas, desde o surgimento do torturômetro há um mês. Além da denúncia comprovada, o T-JES também recebeu outras denúncias de tortura em presídios espalhados pelo estado. De acordo com Feu Rosa, as apurações vão continuar para que os envolvidos sejam penalizados criminalmente.
O presidente do TJ-ES, considerou a situação em Aracruz inaceitável. "Isso é um tapa na cara do sistema legal, um tapa na cara do mundo das leis e de toda a sociedade capixaba. Esse pessoal não respeita nada. Chegou a hora do estado e de toda a população se unir para reagir a esses feitos", disse.
Capacidade do CDP
No Centro de Detenção Provisória (CDP) de Aracruz, há cerca de 210 detentos que ainda não foram julgados pela justiça. Segundo a Sejus, a capacidade total é de 178, mas atualmente está superlotada. O presídio conta com 72 agentes.
O secretário estadual de Justiça, Ângelo Roncalli, foi cauteloso ao comentar os excessos dos servidores em Aracruz. "Não dá para fazer um pré-julgamento, temos que apurar toda a situação. O governador Renato Casagrande já foi notificado e a diretoria do presídio afastada. Quanto às outras denúncias recebidas em outras unidades, ainda não há provas. Uma sindicância foi aberta e vamos agilizar a apuração", conta.
Imagens
Nos mais de 40 minutos de vídeos divulgados pelo Tribunal de Justiça, diversos detentos são colocados em filas, ficam nus, realizam exercícios físicos solicitados por agentes, além de realizarem uma série de agachamentos. Os agentes intimidam os presos durante as ações com xingamentos e palavras de ordem. "Vocês vão ficar aí até atingirem a perfeição desse procedimento", diz um dos agentes penitenciários no vídeo.
Mesmo sem a presença de agressões físicas nos vídeos, o desembargador William Silva afirmou que a tortura é psicológica. "Este é o pior tipo de tortura. Só se identifica com ressonância. Agressão é fácil de saber, psicológica não", comentou.
Tortura em Aracruz (Foto: Reprodução / Tribunal de Justiça do Espírito Santo)Tortura em Aracruz (Foto: Reprodução / Tribunal de Justiça do Espírito Santo)
Outras denúncias
Além do ocorrido em Aracruz, a Comissão de Prevenção e Enfrentamento à Tortura do Tribunal de Justiça do Espírito Santo também recebeu outras denúncias de tortura em 2012. Presídios da Serra, Viana e Vila Velha, na Grande Vitória, em São MAteus, no Norte, e Colatina, no Noroeste, também tiveram presos torturados, mas sem provas. "Temos muitas denúncias, mas ainda temos que apurar porque há muitos relatos anônimos, registros inconclusivos, mas são denúncias que serão apuradas", explica William Silva.
Motivação dos crimes
Sobre o que poderia motivar os agentes penitenciários a cometerem os atos de tortura, o presidente da Comissão de Direitos Humanos do Espírito Santo, Gilmar Ferreira de Oliveira, alega que o governo precisa orientar melhor os servidores. "É uma questão de formação. O estado tem que orientar mais, tem que dar boas condições de trabalho. É possível que num levantamento mais profundo a gente possa detectar melhor os motivos. Mas nenhuma justificativa é aceitável. Salário, condições de trabalho, nada justifica", salientou.

 

Regulação da mídia: dez fatos que a "grande" imprensa esconde da sociedade

As entidades que reúnem as grandes empresas de comunicação no Brasil usam e abusam da palavra "censura" para demonizar o debate sobre a regulação da mídia. No entanto, são os seus veículos que praticam diariamente a censura escondendo da população as práticas de regulação adotadas há anos em países apontados como modelos de democracia. Conheça dez dessas regras que não são mencionadas pelos veículos da chamada "grande" imprensa brasileira.

- por Marco Aurélio Weissheimer, na Carta Maior


O debate sobre regulação do setor de comunicação social no Brasil, ou regulação da mídia, como preferem alguns, está povoado por fantasmas, gosta de dizer o ex-ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Franklin Martins. O fantasma da censura é o frequentador mais habitual, assombrando os setores da sociedade que defendem a regulamentação do setor, conforme foi estabelecido pela Constituição de 1988.

Regulamentar para quê? – indagam os que enxergam na proposta uma tentativa disfarçada de censura. A mera pergunta já é reveladora da natureza do problema. Como assim, para quê? Por que a comunicação deveria ser um território livre de regras e normas, como acontece com as demais atividades humanas? Por que a palavra “regulação” causa tanta reação entre os empresários brasileiros do setor?

O que pouca gente sabe, em boa parte por responsabilidade dos próprios meios de comunicação que não costumam divulgar esse tema, é que a existência de regras e normas no setor da comunicação é uma prática comum naqueles países apontados por esses empresários como modelos de democracia a serem seguidos.

O seminário internacional Comunicações Eletrônicas e Convergências de Mídias, realizado em Brasília, em novembro de 2010, reuniu representantes das agências reguladoras desses países que relataram diversos casos que, no Brasil, seriam certamente objeto de uma veemente nota da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) denunciando a tentativa de implantar a censura e o totalitarismo no Brasil.

Ao esconder a existências dessas regras e o modo funcionamento da mídia em outros países, essas entidades empresariais é que estão praticando censura e manifestando a visão autoritária que tem sobre o tema. O acesso à informação de qualidade é um direito. Aqui estão dez regras adotadas em outros países que os barões da mídia brasileira escondem da população:

1. A lei inglesa prevê um padrão ético nas transmissões de rádio e TV, que é controlado a partir de uma mescla da atuação da autorregulação dos meios de comunicação ao lado da ação do órgão regulador, o Officee of communications (Ofcom). A Ofcom não monitora o trabalho dos profissionais de mídia, porém, atua se houver queixas contra determinada cobertura ou programa de entretenimento. A agência colhe a íntegra da transmissão e verifica se houve algum problema com relação ao enfoque ou se um dos lados da notícia não recebeu tratamento igual. Após a análise do material, a Ofcom pode punir a emissora com a obrigação de transmitir um direito de resposta, fazer um pedido formal de desculpas no ar ou multa.

2. O representante da Ofcom contou o seguinte exemplo de atuação da agência: o caso de um programa de auditório com sorteios de prêmios para quem telefonasse à emissora. Uma investigação descobriu que o premiado já estava escolhido e muitos ligavam sem chance alguma de vencer. Além disso, as ligações eram cobradas de forma abusiva. A emissora foi investigada, multada e esse tipo de programação foi reduzida de forma geral em todas as outras TVs.

3. Na Espanha, de 1978 até 2010, foram aprovadas várias leis para regular o setor audiovisual, de acordo com as necessidades que surgiam. Entre elas, a titularidade (pública ou privada); área de cobertura (se em todo o Estado espanhol ou nas comunidades autônomas, no âmbito local ou municipa); em função dos meios, das infraestruturas (cabo, o satélite, e as ondas hertzianas); ou pela tecnologia (analógica ou digital).

4. Zelar para o pluralismo das expressões. Esta é uma das mais importantes funções do Conselho Superior para o Audiovisual (CSA) na França. O órgão é especializado no acompanhamento do conteúdo das emissões televisivas e radiofônicas, mesmo as que se utilizam de plataformas digitais. Uma das missões suplementares e mais importantes do CSA é zelar para que haja sempre uma pluralidade de discursos presentes no audiovisual francês. Para isso, o conselho conta com uma equipe de cerca de 300 pessoas, com diversos perfis, para acompanhar, analisar e propor ações, quando constatada alguma irregularidade.

5. A equipe do CSA acompanha cada um dos canais de televisão e rádio para ver se existe um equilíbrio de posições entre diferentes partidos políticos. Um dos princípios dessa ação é observar se há igualdade de oportunidades de exposição de posições tanto por parte do grupo político majoritário quanto por parte da oposição.

6. A CSA é responsável também pelo cumprimento das leis que tornam obrigatórias a difusão de, pelo menos, 40% de filmes de origem francesa e 50% de origem européia; zelar pela proteção da infância e quantidade máxima de inserção de publicidade e distribuição de concessões para emissoras de rádio e TV.

7. A regulação das comunicações em Portugal conta com duas agências: a Entidade reguladora para Comunicação Social (ERC) – cuida da qualidade do conteúdo – e a Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), que distribui o espectro de rádio entre as emissoras de radiodifussão e as empresas de telecomunicações. “A Anacom defende os interesses das pessoas como consumidoras e como cidadãos.

8. Uma das funções da ERC é fazer regulamentos e diretivas, por meio de consultas públicas com a sociedade e o setor. Medidas impositivas, como obrigar que 25% das canções nas rádios sejam portuguesas, só podem ser tomadas por lei. Outra função é servir de ouvidoria da imprensa, a partir da queixa gratuita apresentada por meio de um formulário no site da entidade. As reclamações podem ser feitas por pessoas ou por meio de representações coletivas.

9. A União Européia tem, desde março passado, novas regras para regulamentar o conteúdo audiovisual transmitido também pelos chamados sistemas não lineares, como a Internet e os aparelhos de telecomunicação móvel (aqueles em que o usuário demanda e escolhe o que quer assistir). Segundo as novas regras, esses produtos também estão sujeitos a limites quantitativos e qualitativos para os conteúdos veiculados. Antes, apenas meios lineares, como a televisão tradicional e o rádio, tinham sua utilização definida por lei.

10. Uma das regras mais importantes adotadas recentemente pela União Europeia é a que coloca um limite de 12 minutos ou 20% de publicidade para cada hora de transmissão. Além disso, as publicidades da indústria do tabaco e farmacêutica foram totalmente banidas. A da indústria do álcool são extremamente restritas e existe, ainda, a previsão de direitos de resposta e regras de acessibilidade.

Todas essas informações estão disponíveis ao público na página do Seminário Internacional Comunicações Eletrônicas e Convergências de Mídias. Note-se que a relação não menciona nenhuma das regras adotadas recentemente na Argentina, que vem sendo demonizadas nos editoriais da imprensa brasileira. A omissão é proposital. As regras adotadas acima são tão ou mais "duras" que as argentinas, mas sobre elas reina o silêncio, pois vêm de países apontados como "exemplos a serem seguidos" Dificilmente, você ouvirá falar dessas regras em algum dos veículos da chamada grande imprensa brasileira. É ela, na verdade, quem pratica censura em larga escala hoje no Brasil.

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