sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O que é a taxa básica de juros?

Para entender a taxa básica de juros, é preciso primeiro saber o que é o juro. O dicionário Houaiss o define como "quantia que remunera um credor pelo uso de seu dinheiro por parte de um devedor durante um período determinado, ger. uma percentagem sobre o que foi emprestado; soma cobrada de outrem, pelo seu uso, por quem empresta o dinheiro". Em linguagem mais simples, Carlos Antonio Luque, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (USP), dá um exemplo de como isso funciona: "Se eu tiver à disposição uma maçã e se alguém quiser tomá-la emprestada, eu vou exigir que, no futuro, essa pessoa me devolva a maçã e mais um pedaço. Esse pedaço extra é o que representa os juros".
No Brasil, o governo federal emite títulos públicos e, por meio da venda deles, toma empréstimos para financiar a dívida pública no país e outras atividades como educação, saúde e infraestrutura. Quem compra esses títulos aplica seu dinheiro para, em troca, receber uma contrapartida: os juros. Mas quem define isso? "O Banco Central, que administra os leilões de títulos do governo, define uma remuneração sobre eles, que é a taxa básica de juros", explica o professor. Dentro desse órgão, existe outro chamado Comitê de Política Monetária, o Copom. Ele foi criado em 1996 e sua função é, como diz o próprio nome, definir as diretrizes da política monetária do país e a taxa básica de juros. Periodicamente, o Copom divulga a taxa Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia), que é a média de juros que o governo brasileiro paga pelos empréstimos tomados de bancos. É a Selic que define a taxa básica de juros no Brasil, pois é com base nela que os bancos realizam suas operações, influenciando as taxas de juros de toda a economia.

Aumentar ou reduzir esse imposto pode trazer diferentes implicações à economia de um país. "Quando o Banco Central aumenta a taxa de juros, ele está nos dando a seguinte orientação: 'Não consumam hoje os bens, peguem seu dinheiro e apliquem no mercado financeiro, pois assim vocês poderão consumir mais no futuro'. Quanto ele a reduz, diz o contrário, que é mais conveniente comprar os bens hoje e não aguardar o futuro para obtê-los", diz Carlos Antonio Luque. Ou seja, o aumento na taxa básica de juros atrai mais investimentos em títulos públicos e a quantidade de dinheiro em circulação diminui. Com isso, as pessoas compram menos. A lei de mercado faz com que a queda na demanda baixe os preços dos produtos e serviços em oferta. Assim, consegue-se conter o avanço da inflação, mas o ritmo da economia desacelera. Porém, se a taxa for reduzida, acontece o inverso: os bancos diminuem os investimentos nos títulos do governo e passam a aumentar o crédito à população, o que eleva a quantidade de dinheiro circulando e estimula o consumo. O crescimento na demanda de produtos e serviços aquece o setor produtivo e, consequentemente, a economia como um todo. Em compensação, faz os preços se elevarem e possibilita o avanço da inflação.

Marta coloca o PT na parede: "De mãos dadas com o Kassab?"

Senadora paulista traduziu em seu Twitter um sentimento que parece comum a boa parte dos petistas e simpatizantes

Por Glauco Faria
Hoje pela manhã, a senadora Marta Suplicy traduziu em seu Twitter um sentimento que parece comum a boa parte dos petistas e simpatizantes: “Como posso, neste momento, me integrar à campanha do Haddad se corro o risco, de uma hora para outra, de me ver de mãos dadas com o Kassab?” A dúvida pontual diz respeito não apenas a ela, mas à própria militância petista e a quem se interessa pelos rumos da política paulistana e nacional.
Em 1988, Luiza Erundina era a candidata oficial do PT à prefeitura de São Paulo. O processo de escolha, por meio de prévias, não foi exatamente pacífico. O candidato da Articulação, grupo do principal líder do partido, Lula, era Plínio de Arruda Sampaio, mas ele foi derrotado pela deputada estadual na escolha da militância. O resto da história, todos sabem: Erundina venceu, ainda que a contragosto de muitos petistas à época, e esteve à frente de uma gestão que teve grandes méritos, mas que também enfrentou conflitos internos bastante educativos para o partido. Dois anos depois, Plínio disputou o governo do estado, ficando em quarto lugar, com 12,1% dos votos.
Esse processo de ampla discussão interna sempre fez parte da vida do PT. Dinâmica que em algumas ocasiões prejudicou o partido; em outras, deixou evidente o acerto da decisão da maioria, como no caso citado acima. Há vários outros exemplos nos quais candidatos de correntes minoritárias conseguiram viabilizar suas candidaturas e vencer eleições. Em outras, não saíram vitoriosos, mas prepararam o terreno para triunfos futuros. Hoje, esse debate mingua cada vez mais no partido, que se iguala em seus processos decisórios a qualquer outra agremiação, à direita ou à esquerda, que concentra a determinação de seus rumos nas mãos de poucos. Em São Paulo, isso fica nítido.
Em plenárias e encontros do PT paulistano, segue a tentativa de convencimento de uma militância que bradou contra Kassab durante anos de que uma aliança com seu PSD é um bom negócio. A aliança é costurada por cima, e o cálculo é meramente eleitoral. Caso as negociações tenham êxito, o prefeito de São Paulo não traz somente o seu partido para a aliança, mas também teria influência para trazer outros que fazem parte da sua base aliada e que outrora foram aliados naturais do PT, leia-se PCdoB, PSB e PDT, aumentando seu tempo de televisão (nesse quesito, o PSD não agrega quase nada). Kassab também tem na manga lideranças populares da periferia que se aproximaram da sua gestão e que fizeram a diferença nas últimas eleições, em 2008. A estratégia isolaria o PSDB, que teria o enorme desafio de viabilizar qualquer um de seus pré-candidatos, todos sem densidade eleitoral.
Além do óbvio ônus político de carregar o alcaide paulistano no colo, constrangendo vereadores e ativistas que lutaram contra medidas elitistas, conservadoras e/ou higienistas da sua gestão, a aliança colabora ainda mais para confundir uma população que não vê na classe política nada além de um amontoado de interesses que se agrupam conforme as circunstâncias. Claro que o objetivo também envolve negociações em outras cidades do estado, assim como preservar a tal aliança para 2014, dando o tiro de misericórdia no mais importante bastião tucano, o governo paulista.
Mas, mesmo que se considere só a questão eleitoral imediata e de 2014, fica a dúvida: a estratégia é eficiente? Se a eleição não for decidida no primeiro turno, como pensam os estrategistas, imaginemos um segundo turno entre Fernando Hadadd e Gabriel Chalita, verdadeiro candidato do governador Geraldo Alckmin. Alguém acha realmente que será uma parada fácil ou ganha? Chalita não terá consigo o ônus da rejeição de Kassab (que deve diminuir, como sempre acontece na cidade com “investimentos pré-eleitorais”, mas não chegará a níveis de excelência) e poderá apontar o tempo todo a incoerência do rival. E não faltará ao peemedebista artilharia pesada de alguém que tem potencial de agregar muito mais o campo conservador do que o adversário.
Outro dado para entrar na conta, muito mais sério, é o “programático”. Que tipo de comprometimento com segmentos político-econômicos que estiveram no comando nos últimos anos vai existir em uma suposta gestão de Haddad? Projetos como o Nova Luz vão ser tocados? A cidade continuará entregue a interesses imobiliários? A ideia é derrotar um inimigo político, no caso, os tucanos, e alimentar um aliado circunstancial que se difere muito pouco do que pensa (e faz) o PSDB?
Mas o que o PT pode perder mesmo antes da disputa começar é a crença de militantes históricos que ainda acreditam que o partido pode voltar a ser diferente. Desde aquele longínquo 1988 que esse tipo de petista vem ficando cada vez em menor número, perdendo espaço para os “militantes profissionais” ou para outros que, por múltiplos interesses, tendem a defender toda e qualquer decisão que venha de cima, com baixíssima capacidade crítica. Perde o partido, perde o debate público e perde a cultura política.
Foto por Agência Senado

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Privatização X Concessão - Diferença Abissal.

Nas privatizações transferiu-se de forma permanente o patrimônio Público da união para GRUPOS ECONÔMICOS DA INICIATIVA PRIVADA

Nas concessões o patrimônio público continuará sendo da União, sob os cuidados dos concessionários. Ao final do contrato de concessão todos os investimentos e benfeitorias realizados reverterão para a União.


As concessões de serviços e melhorias de aeroportos oneram diretamente o usuário do serviço.


Os serviços e melhorias de aeroportos, por conta da União, oneram a todos os cidadãos, os que usam e os que não usam aviões.


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Governo faz gol de placa em licitação de aeroportos

José Augusto Valente

O governo federal, contrariando todas as expectativas, inclusive a minha, conseguiu realizar com sucesso a licitação de concessão da gestão dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília. Os valores de outorga superaram em muito os pisos estabelecidos. Foi um verdadeiro gol de placa, como diz a música de Jorge Ben.

A partir da assinatura dos contratos, os consórcios vencedores iniciarão a gestão desse aeroportos, cuidando de toda a infraestrutura de carga e de passageiros, atendendo aos padrões de qualidade requeridos.

Redução significativa de filas e de tempo de espera das bagagens e ambientes limpos e confortáveis, entre outros itens, terão que ser garantidos pelos concessionários, além de um fluxo permanente de recursos em manutenção.

A Infraero tem 49% de participação em cada um desses consórcios, o que garantirá a agregação da experiência de seus funcionários, especialmente na movimentação de cargas.

Ainda assim, algumas críticas foram e continuam sendo feitas, no movimento social e na blogosfera, que penso não procederem, conforme fundamentação abaixo:

1. Privatização versus concessão

A principal crítica é de que o governo Dilma realizou a privatização dos três aeroportos.

Não é fato, já que, entre outras coisas, o patrimônio continuará sendo da União, embora sob os cuidados dos concessionários. Ao final do contrato de concessão todos os investimentos realizados reverterão para a União.

O que o governo fez foi contratar a gestão, serviços e obras desses aeroportos, na modalidade de concessão com outorga, por um período de "x" anos. Esses contratos serão remunerados não com recursos orçamentários, mas com receitas auferidas pelos concessionários.

2. As concessionárias poderão fazer o que quiserem

Não é verdade. Insisto que as empresas apenas farão a gestão e os investimentos, conforme definido no Edital. As decisões estratégicas continuarão sendo da União. Aliás, hoje já é assim.

Afinal, não temos aeroportos isolados, mas um sistema aeroportuário, que funciona de forma integrada e que continuará sob a gestão da Infraero e da Secretaria Nacional de Aviação Civil e regulado pela ANAC.

3. As concessionárias ficarão com o "filé" e a Infraero com o "osso"

Essa fala quer dizer: as concessionárias ficarão com os aeroportos lucrativos do sul-sudeste maravilha e mais Brasília enquanto que os demais aeroportos de regiões mais pobres ficarão com a Infraero.

Serão arrecadados aos cofres públicos, ao longo dos anos, cerca de R$ 24,5 bilhões. Parte desses recursos serão reinvestidos no "osso". Outra parte terá destinações diversas.

Ainda assim, temos que pensar que esses três aeroportos são os mais demandantes de recursos orçamentários para as obras de ampliação de capacidade e modernização. Assim como os demais, que farão parte da segunda etapa de concessão. Como estes não demandarão mais recursos orçamentários, sobrará mais para o "osso".

4. É absurdo o BNDES investir recursos públicos nesses contratos

Na minha opinião, é melhor o BNDES investir - e ter retorno financeiro, ainda que com juro menor que o mercado - nesses contratos do que todos os contribuintes o fazerem a fundo perdido.

O BNDES, ao financiar os investimentos nos aeroportos, está financiando a ampliação e melhoria de patrimônio da União, já que, em momento algum, os ativos serão propriedade das concessionárias. Além disso, continuará financiando metrô, trem urbano e outros itens de infraestrutura de elevado interesse social. Portanto, investimentos nessas concessões não impedirá ou reduzirá os investimentos sociais.

Aqueles que defendem que somente sejam utilizados recursos orçamentários para a ampliação de capacidade e modernização dos aeroportos, sem que haja retorno financeiro desses investimentos, precisam dizer com todas as letras que preferem que todos paguem - mesmo aqueles que nunca utilizarão avião em suas vidas - do que apenas os usuários do sistema.

Eu defendo que apenas os usuários do sistema aeroportuário paguem, para que sobre mais recursos orçamentários para destinação social.

O governo federal está de parabéns pela competência demonstrada nessa licitação.

José Augusto Valente é Diretor Executivo do Portal T1

Comunismo em escola estadunidense


O assunto pintou na mídia estadunidense e promete desdobrar-se em uma bela polêmica.   A Roosevelt  High School (que atende alunos15 a 18 anos) em Des Moines, Iowa, distribuiu aos alunos do curso de estudos sociais um material impresso para explicar a diferença entre comunismo e capitalismo, durante o periodo da Guerra Fria.
O material passaria despercebido, visto apenas como uma burocrática aula teórica, não fosse pela charge nele contida.  Dividido em duas partes, o desenho retrata com certa perfeição, a visão das duas doutrinas sociais.
No lado que representa o capitalismo,   dois operários pobremente vestidos, com bolas e correntes em seus tornozelos, como escravos ou prisioneiros,  trabalham em frente a uma máquina enquanto um empresário bem vestido,  gordo, fumando um charuto, recolhe o ganho financeiro.
No lado que representa o comunismo,  dois operários felizes, com roupas decentes, trabalham em frente a uma máquina e uma seta indica que os lucros do seu trabalho voltam em benefício deles.
Abaixo da charge, em pequenos quadrinhos, segue o folheto indicando as tradicionais diferenças entre uma e outra doutrinas. Parte do texto acentua:
“Enquanto o lucro de qualquer empresa é igualmente compartilhado por todas as pessoas no comunismo, o lucro em uma estrutura capitalista pertence ao proprietário privado”.
Um texto desse teor numa escola estadunidense não poderia ter outra classificação que não fosse a de “subversivo”. 
O assunto explodiu, quando o pai de um aluno foi a uma rádio local se queixar de que estavam fazendo propaganda do comunismo ao filho dele.  Outros revoltados pais logo se juntaram ao primeiro queixoso, falando em “doutrinação comunista” e acusando os professores sindicalizados de “radicais que estão ensinando nossos filhos a se tornarem futuros anti-americanos”.
A escola se defende e argumenta que o curso de história do Século Vinte apenas enumera os argumentos que eram usados no período da Guerra Fria.
Não se sabe se alguma cabeça vai rolar diante de tão grande “ousadia”.
Cá pra nós, questionar material didático de indiscutível importância histórica, ensinado em todas as escolas do mundo, só mesmo na cabeça de pais que, de história,  só conhecem mesmo o macarthismo, passado de pai para filho desde a década de cinquenta do século passado.
Na contramão da escola de Iowa, uma professora de matemática de uma escola elementar (alunos de 5 a 8 anos) em Norcross, na Georgia, passou o seguinte problema às crianças: “Frederick leva duas surras por dia. Quantas surras ele levará em uma semana?
Advinha o destino dessa professora.

Rui Martins no Conselho


Berna (Suiça) - Em cumprimento à mensagem eletrônica de 3 de fevereiro 2012, enviada pelo chefe interino da Divisão das Comunidades Brasileiras no Exterior, Daniel Pereira Lisboa, informo estar assumindo as funções de membro titular no Conselho de emigrantes, pela região Europa, mais conhecido como CRBE.
Ex-membro titular eleito do Conselho Provisório, tendo participado das três conferências Brasileiros no Mundo e criado dois movimentos de cidadania, Brasileirinhos Apátridas (pela restituição da nacionalidade brasileira aos filhos dos emigrantes), e Estado do Emigrante (por um órgão institucional emigrante), quero informar, em primeiro lugar, aos emigrantes que têm me dado sua confiança, a importância dessa titulariedade.
Ainda há menos de um ano, estava às voltas com a ameaça de expulsão do CRBE, mesmo sendo suplente, por processo administrativo, tendo em vista minhas reiteradas críticas ao atual formato do CRBE, em palestras públicas e opiniões publicadas na imprensa. Agradeço a todos quantos assinaram o abaixo-assinado em meu favor, assim como agradeço aos membros do CRBE que optaram pelo arquivamento dessa tentativa.
Permaneço fiel ao programa defendido durante minha campanha, cujo lema principal era –diplomata é diplomata, emigrante é emigrante. Por uma política da emigração sem a tutela do Itamaraty - programa que defenderei dentro do CRBE.
Ao assumir a titulariedade, sei que algumas pessoas poderão perguntar por que aceito integrar o CRBE se tenho sido um de seus maiores críticos. Respondo – porque só estando dentro do CRBE é possível fazer avançar a reivindicação de um espaço institucional independente junto ao governo federal para os emigrantes.
Sei que hoje, depois de mais de um ano de CRBE, diversos colegas, entre suplentes e titulares, se questionam sobre a real validade do CRBE, cuja principal falha é a de ser monitorado, tutelado ou dirigido pelo Itamaraty. Um sentimento de frustração tem circulado, visível em emails, declarações e iniciativas tomadas unilateralmente por alguns membros.
O formato de um órgão simplesmente de assessoria, de consulta ou de interlocução, sem verba, sem agenda própria, sem lugar de reunião, sem liberdade de iniciativa ou de decisão é o grande responsável pelo desânimo de uns, pelo desinteresse de outros e pelo clima de nau sem rumo que se instaurou. São informações que não chegam ou resoluções tomadas pela SGBE sem a participação dos membros do CRBE, perguntas sem respostas, encontros adiados sine die, cortes de verbas e rumores pessimistas de um desinteresse do governo por esse Conselho.
A falha não vem de pessoas, embora possam ter contribuído, mas da estrutura da atual política da emigração, que considera a população brasileira do Exterior como um segmento secundário, sem direito a uma vida política própria e a uma autodeteminação.
O CRBE, na sua origem, foi concebido para ser apenas uma etapa, uma fase intermediária, não como um Conselho definitivo. O objetivo era e é, para a maioria dos emigrantes, a criação de um órgão institucional, que poderia funcionar agregado a um Ministério ou Secretaria de Estado, mas sem qualquer tipo de tutela.
Tenho falado e vou repetir mais uma vez – na I Conferência Brasileiros no Mundo, a grande maioria dos emigrantes ali presentes assinou um abaixo-assinado pedindo a constituição de uma Comissão de Transição, constituída por seus representantes e autoridades diversas, tendo em vista a criação de um órgão institucional emigrante independente.
Ora, esse abaixo-assinado foi ignorado, houve a tentativa para não ser incluído na primeira Ata Consolidada e, finalmente, desapareceu na última Ata Consolidada. Cerca de 50 intervenções de emigrantes foram encaminhas por ocasião da Audiência Pública, que seria submetida ao CRBE, na sua reunião de maio do ano passado, e de onde saiu o atual Plano de Ação. Todas essas intervenções foram ignoradas por não corresponderem, imagino, ao guião ou roteiro pré-fixado de se prosseguir com um CRBE tutelado pelo Itamaraty, sem vida própria.
Nesta minha primeira intervenção como membro titular do CRBE, em plena coerência com minhas posições desde a abertura da I Conferência Brasileiros no Mundo, pleiteio da SGBE e da Divisão das Comunidades Brasileiras do Exterior, que desenterre e retire do seu arquivo-morto o abaixo-assinado em favor de uma Comissão de Transição.
Que essa questão da criação de uma Comissão de Transição retorne à mesa, na próxima reunião dos membros do CRBE e na IV Conferência Brasileiros no Mundo (se houver) e que seja prioritária, justamente por ter sido a primeira levantada pelos emigrantes. Essa reivindicação foi depois canalizada segundo um pré-formato fixado pelo Itamaraty, de uma política de apoio aos emigrantes mas sem lhes conceder independência.
Não acredito que os emigrantes que enviam tantos bilhões de dólares ao Brasil, que estão se formando no Exterior nas melhores escolas e mais diversas profissões e atividades sem gastos para a Federação, enriquecendo o país no seu retorno, mereçam o tratamento de segmento populacional secundário.
Não vejo também porque a direção, organização e estruturação do movimento emigrante deva ficar a cargo de diplomatas, cuja vivência não propicia um real conhecimento da situação dos emigrantes.
Há um erro fundamental de visão, no tratamento da questão emigrante. Um exemplo pode ser a recente criação dos Conselhos de Cidadania que, ao invés de funcionar junto ao Consulados para exercer também uma função de controle de qualidade dos Consulados, vêm sendo criados para ficar sob a direção dos Consulados locais. Ou seja, submissos à mesma tutela exercida sobre o CRBE.
Ao assumir minha função de membro titular no CRBE gostaria de levantar junto aos colegas certas questões estruturais e que são básicas para seu funcionamento. E uma delas, além da necessidade de se poder tomar iniciativas, é a de dispor de um financiamento para suas atividades. Como os membros do CRBE podem levar a bom termo suas iniciativas sem verbas para viagens e manutenção durante encontros que possam promover ?
Será que os membros do CRBE sempre se contentarão em fazer o trabalho de campo para o Itamaraty ? A dependência dos seus membros de contribuições de particulares ou de associações para viagens não interfere na necessária imparcialidade ?
Enfim, acho que para funcionar e ser autêntica, uma política de emigração não pode se basear apenas num conselho, cuja constituição atual representa mais os detentores do mercado da emigração que os próprios emigrantes. Por isso defendemos o princípio de uma Secretaria ou Subsecretaria de Estado ligada diretamente ao governo, sem tutelas, mas podendo tratar das questões emigrantes em condições de igualdade com outros Ministério e Secretarias de Estado.
É verdade que, nestes últimos anos, o governo tem dado bastante atenção aos emigrantes, mas a política atual é paternalista e precisa evoluir para o reconhecimento da competência dos emigrantes para assumirem sua própria história.
Ao assumir a titulariedade, reafirmo meu respeito e mesmo admiração pela política externa desenvolvida nos últimos anos pelo Itamaraty. Minha divergência é a relacionada com a política da emigração, como uma crítica construtiva para que evolua no sentido de retirar sua tutela em favor de uma autodeterminação dos emigrantes.
Nossos objetivos são - um órgão institucional nomeado e ligado diretamente ao governo, parlamentares emigrantes eleitos por emigrantes e um amplo conselho de emigrantes, três elementos funcionando de maneira coordenada em favor dos emigrantes.
Sei que dentro do atual CRBE, com variantes diversas, cresce a aspiração de independência. Proponho que nos unamos, que possamos juntos levar ao governo um projeto básico de autodeterminação, para que evolua.
Que a constituição de uma Comissão de Transição seja discussão prioritária no próximo encontro, caso haja, ou que conste de um documento a ser encaminhado ao governo, em nome da maioria dos membros do CRBE ou em nome do CRBE.
Que juntos possamos construir um órgão duradouro e válido para os emigrantes, dotado de independência e sem tutela. Uma decisão dessas precisará muito esforço e muita luta, será necessária a criação de um lobby capaz de agir junto aos deputados, senadores e junto ao governo. Que nossas divergências desapareçam diante desse objetivo maior e que possamos agir como um coletivo, como um grupo dotado da consciência política necessária para termos nossa independência.
É com esse entusiasmo que assumo minha titulariedade no CRBE.

Rui Martins.
PS1. O objetivo de se chegar a um órgão institucional emigrante não é exclusivo do movimento Estado do Emigrante. O Partido dos Trabalhadores também tem um seu próprio projeto de Secretaria de Estado da Emigração e esse projeto foi aprovado no último encontro do PT do Exterior, em Londres, no ano passado.
PS2. O senador Cristovam Buarque tem um projeto em favor de deputados emigrantes eleitos por emigrantes, é a Proposta de Emenda Constitucional 05/05, já aprovada em primeira discussão no Senado. Esse projeto poderá ser uma solução como está redigido ou ser melhorado em comparação com representações de emigrantes no Parlamento, existentes em outros países.

Via diretodaredacao.com

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Dicas básicas sobre vinhos

Dicas essenciais para começar a apreciação de vinhos com o pé direito, aproveitando ao máximo o prazer proporcionado por esta bebida. Cuidados e dicas especiais poderão ser aprendidas com o tempo, em guias de degustacao ou em literatura específica, e serão complementares ao exposto aqui.


Armazenando o vinho
As garrafas devem permanecer inclinadas ou deitadas, pois de pé a rolha de cortiça seca e permite a entrada de ar externo, o que acelera a oxidação do vinho. Faz-se necessário manter o vinho em lugar fresco, longe da luz direta (preferencialmente no escuro) e da umidade excessiva. Vibrações como as de geladeiras são prejudiciais à boa conservação do vinho. Ficou difícil encontrar um lugar ideal na sua casa? Consulte então a Geladega®.

Abrindo o vinho
Corte a tampinha do gargalo e limpe possíveis impurezas em volta. Use os tipos mais modernos de saca-rolhas, que dispensam o uso de força e o apoio no bico da garrafa e possuem uma espiral helicoidal sem o “pino” central (semelhante a um prego com espiral em volta). Prefira os abridores com espiral de teflon flexível. O cuidado na escolha do abridor é realmente muito importante, pois evita que a rolha seja danificada (ou arrombada) na abertura do vinho!

 Quando a rolha se partir
Isto não é o fim! Segure a garrafa com firmeza e use de delicadeza e ângulo para ir tirando aos poucos a rolha. Assim, você evita que outros pedaços caiam dentro da garrafa. Verifique se a rolha está deteriorada - e possivelmente o vinho também, ou é somente uma rolha de baixa qualidade.



Quando a rolha cair no vinho

Acontece! Pedaços de rolha não estragam o vinho, mas atrapalham a degustação e o prazer dos bebedores. O mais indicado neste caso é coar o vinho, utilizando um filtro de papel de café e um vasilhame bem limpo. Se desejar, pode devolver o vinho à garrafa, mas sem agita-lo demais nos dois processos. Jamais utilize o coador de café (que certamente está do lado do filtro), pois ele já está impregnado com sabor e odor de café.


Reconhecendo o bom vinho
Em geral, verifique se a cor está transparente (límpido), com brilho, se existem quaisquer aromas desagradáveis, se a rolha está preservada e se produz lágrimas nas laterais do copo (ou seja, se o vinho escorre devagar no vidro formando filetes). Em seguida, confirme sentindo o paladar, pois o vinho é uma bebida bastante sensível e qualquer alteração se torna evidente. É justamente por este motivo que o garçom, ao abrir e servir uma nova garrafa, oferece uma pequena quantidade para aprovação de um dos presentes. Para degustações mais apuradas, consulte um bom guia de degustação.



A taça ideal
Acredite, a taça é muito importante: você gosta de tomar cerveja em copos lavados de requeijão? Imagine então beber um vinho bem elaborado neste mesmo copo ... 

A combinação entre o vinho e o prato está perfeita. E isso merece uma taça adequada: o ideal é o de bojo amplo, cujos lados afinem em direção à borda. Preferencialmente lisa e transparente, sem detalhes. Assim, você pode contemplar e sentir melhor os aromas do vinho.

Temperatura correta
É importante você desfrutar um vinho na temperatura correta. Gelar demais esconde os sabores e aromas, e torna os vinhos tintos mais adstringentes. Servi-lo quente ressalta mais o álcool, desequilibrando-o. Veja as temperaturas ideais: Espumantes (vulgo champagnes): de 5 a 7 graus; Brancos: de 7 a 10 graus; Tintos: de 15 a 18 graus (o que corresponde à temperatura ambiente na Europa). O vinho pode até ser colocado na geladeira, mas não por muito tempo. O ideal é ter uma adega climatizada, ou então uma geladega®. Para servi-los, tanto os brancos como os tintos, é melhor colocá-los em um balde com gelo pelo tempo necessário para que atinja a temperatura acima mencionada.

Bebendo vinhos diferentes
Brancos antes dos tintos. Beba os secos antes dos encorpados: vinhos fortes ou fortificados irão sobrepor-se aos mais leves. Vinhos envelhecidos merecem ser bebidos sozinhos. E lembre-se: troque as taças ao mudar o tipo de vinho servido.



Estações do ano
Os vinhos mais encorpados devem ser tomados no inverno, quando você poderá apreciá-los melhor, ou quando a harmonização com o prato a ser servido assim o pedir. No verão, quando a comida é mais leve, os melhores são os vinhos de baixo teor alcoólico: leves, brancos e rosés refrescantes ou até mesmo tinto leve são excelentes para essa época do ano.



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