terça-feira, 15 de março de 2016

Governo reconhece que manifestações foram vigorosas, diz Jaques Wagner


O ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, disse hoje (14), após a reunião da coordenação política com a presidenta Dilma Rousseff, que o governo reconhece que as manifestações ocorridas nesse domingo (13) foram “vigorosas”, mas que também foram produzidas por federações de empresas. 

“O que não tira o seu valor. Nessa manifestação tem uma agenda que considero negativa porque não tem uma proposição. Tem um “tira fulana” e pronto. Isso não vai resolver o problema do Brasil. Impeachment não é remédio nem para impopularidade nem para crise econômica. De qualquer forma, deve ter animado a oposição”.

Segundo o ministro, o governo não tem “nada de bombástico para anunciar” como resposta às ruas. “O que a gente vai fazer é apressar o que já vem fazendo. Tem vários componentes, mas o componente que considero fundamental é o da economia. Se a economia estiver apontando desemprego e diminuição da atividade econômica, não há alegria nas pessoas. Se você tem um processo que é de baixa da atividade econômica, evidentemente que há um mau humor no comércio, na casa das pessoas, nas famílias. Este [retomada econômica] é o único remédio que eu acho que tem que ser feito e esse remédio está sendo pensado”, acrescentou.

Na avaliação de Wagner, os protestos de ontem não enfraquecem o governo. “As pessoas que estão indo à rua têm um perfil claramente oposicionista. Se 51 milhões de pessoas foram às urnas na eleição [de 2014] para ser contra o governo da presidenta Dilma ou do PT, acho que o protesto não enfraquece. É uma parcela [da população]. O que o governo precisa para ter mais gás é a recuperação da economia, a volta da geração de empregos. É o bem-estar da população que dá o pró e o contra de um governo. Protesto faz parte da vida democrática. O protesto mostra que o povo quer instituições transparentes e fortes, que respeitem umas às outras como está previsto na Constituição.”

Para o ministro, diferentemente dos atos no período da Diretas Já, em 1984, e do impeachment do ex-presidente Fernando Collor, em 1992, a manifestação atual contra o governo é grande, mas segmentada. “É óbvio que tem gente que votou nela [Dilma Rousseff] e não está satisfeito. É só olhar as pesquisas [de avaliação]. Nós perdemos musculatura e isso nós reconhecemos. Não necessariamente perdemos musculatura para eles [oposição]”.

Processo de impeachment
O ministro informou que o governo está reunindo os ministros e as lideranças políticas aliadas para montar a estratégia de defesa da presidenta no processo de impeachment na Câmara dos Deputados.

“Porque, a depender da decisão do Supremo, se sai ou não na quarta-feira (16), acho que sai, pode começar o processo. Então, nós vamos ter de cuidar da montagem da comissão e depois conversar com todo mundo. Tenho tranquilidade para dizer que a gente tem tudo para barrar esse processo ainda na Câmara. Acho que teremos mais de 172 votos. Não tem nenhum crime de responsabilidade atribuído à presidenta Dilma Rousseff. O processo está sendo muito mais político, de tentar consertar a economia com impeachment. Acho que esse é o pior remédio porque vai paralisar o país por mais 120, 180 dias e aí perdemos mais um ano”.

O Supremo Tribunal Federal deverá concluir esta semana o julgamento dos embargos apresentados pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ao rito do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

Criminalização da política
O ministro Jaques Wagner disse que vê com preocupação a criminalização da política pelo fato de políticos da oposição também terem sido hostilizados durante as manifestações de ontem (13).

“Quando vejo o deputado José Carlos Aleluia [DEM] vaiado na Bahia, e o governador de São Paulo [Geraldo Alckmin, PSDB] e o senador de Minas Gerais [Aécio Neves, PSDB] também não serem bem recebidos, então é bom acender a luz amarela em todo mundo que gosta da democracia e da política. Porque o país, com a criminalização da política, pode cair no autoritário. Não vou botar na minha boca que quem estava na rua está pregando o autoritarismo para não entrar num território que eu acho errado. Mas ali foi um pouco a negação da política. Quem achou que ia dar uma faturada, pelo visto, não faturou. Isso aumenta a minha preocupação: quando as pessoas dizem que não quero esse [político] e não quero nenhum”.

Alckmin e Aécio foram hostilizados e vaiados na manifestação na Avenida Paulista.

Como saída para a crise, o ministro defende a reforma política. “A bandeira verdadeira que todos os democratas da política, da economia, da imprensa deveriam levantar bem alto é a da reforma política. Se não tiver reforma política estruturante neste país, estamos jogando a democracia brasileira para fora. Não me parece razoável ter mais de 30 partidos, porque eu não conheço 30 e tantas opções de caminho para o Brasil”.

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