quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

USP dá diploma honorífico a dois estudantes mortos na ditadura militar

Segundo a instituição, ao todo 33 estudantes serão homenageados

Publicado em 24/12/2023 - 13:57 Por Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil - São Paulo

Cinquenta anos depois de serem assassinados na ditadura militar brasileira, dois estudantes da Universidade de São Paulo (USP) foram homenageados pela universidade com diplomas honoríficos neste mês. Mortos em 1973, Alexandre Vannucchi Leme e Ronaldo Mourt Queiroz foram alunos do Instituto de Geociências (IGc) na década de 1970 e também militantes do movimento estudantil da USP.

A homenagem faz parte do projeto Diplomação da Resistência, uma iniciativa da Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP) e da vereadora paulistana Luna Zarattini (PT), em parceira com o Instituto de Geociências da USP.

As duas diplomações póstumassão as primeiras entre 33 homenagens que a universidade deve promover por meio do projeto para estudantes que foram assassinados pela ditadura militar. O objetivo, informou a instituição, é “reparar as injustiças e honrar a memória dos ex-alunos”.

“Diplomar estudantes que foram assassinados na ditadura significa reparar uma dívida histórica que a universidade tem com esses estudantes. Muitos deles se destacaram academicamente, politicamente e, por razões óbvias, não puderam finalizar seus estudos porque estavam mortos”, disse Renato Cymbalista, coordenador da Diretoria de Direitos Humanos e Políticas de Memória, Justiça e Reparação da Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento. “É muito importante que a universidade reconheça essa enorme ruptura, essa tragédia, e se coloque em uma posição de solidariedade e de empatia com os familiares, com os amigos e com os parentes das vítimas e também consiga se colocar como uma instituição que não aceita a violação de direitos humanos”, acrescentou, em entrevista à Agência Brasil.

Em 2013, a universidade criou a sua própria Comissão da Verdade para examinar e esclarecer as graves violações aos direitos humanos que foram praticadas contra docentes, alunos e funcionários da universidade durante a ditadura militar brasileira. No relatório final, a Comissão da Verdade concluiu que a ditadura militar foi responsável pela morte de 39 alunos, seis professores e dois funcionários da universidade.

“Uma das recomendações da Comissão da Verdade da USP foi justamente a diplomação honorífica. Algo que nós agora estamos seguindo”, disse Cymbalista.

Alexandre Vannucchi Leme

Alexandre Vannucchi Leme tinha apenas 22 anos e estudava Geologia da USP. quando foi preso, torturado e morto por agentes do Destacamento de Operações de Informação - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) paulista, um órgão subordinado ao Exército.

Nascido em Sorocaba, era filho de professores e militava na Ação Libertadora Nacional (ALN) na época de sua prisão. Segundo a Comissão Estadual da Verdade, ocorrida na Assembleia Legislativa de São Paulo, Leme foi visto pela última vez no dia 15 de março de 1973, assistindo aulas na USP. No dia 16 de março, ele foi preso por agentes do DOI-Codi e submetido a intensas sessões de tortura. Um inquérito policial instaurado na época informava que ele foi preso “para apurar atividades subversivas da ALN”. No dia seguinte à sua prisão, Leme morreu em decorrência das torturas.

O estudante foi enterrado como indigente e a causa da morte divulgada pelo governo foi atropelamento, que teria ocorrido, segundo a versão militar, enquanto Vannucchi tentava fugir da polícia. Apenas em 2014 sua certidão de óbito foi retificada, com a informação de que havia sido morto no DOI-Codi por tortura.

Ronaldo Mourt Queiroz

Ronaldo Mourt Queiroz também era estudante de Geologia e vinculado à ALN. Foi presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP e, sob o pseudônimo de Mc Coes, produziu um jornal independente que fazia críticas políticas bem-humoradas.

Queiroz foi morto a tiros por agentes do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), em 6 de abril de 1973, três semanas após a morte de Vannucchi, enquanto estava em um ponto de ônibus. A versão oficial dizia que Queiroz teria morrido após uma troca de tiros com militares, mas testemunhas que estavam no mesmo ponto de ônibus disseram ter visto ele ser executado.

Conceder o diploma honorífico a esses estudantes é um caminho para a memória e a reparação desse período. No entanto, os familiares e amigos das vítimas da ditadura militar no Brasil ainda prosseguem na luta por justiça e condenação. “O Brasil não foi capaz de fazer justiça. Ele não foi capaz de condenar explicitamente os algozes da ditadura. Isso porque, quando a gente teve a nossa lei da anistia, nós anistiamos tanto aqueles que tinham sido perseguidos pela ditadura, que estavam em exílio ou que estavam na clandestinidade quanto os torturadores. E isso teve algumas consequências bastante problemáticas porque a gente nunca conseguiu realmente fazer justiça como, por exemplo, aconteceu na Argentina, onde perpetradores foram para a cadeia e estão pagando por seus crimes. Isso não aconteceu aqui no Brasil”, disse Cymbalista.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

A Lição do Sapo na Festa Celestial


Dag Vulpi

Em meio às memórias de sua educação em um colégio de padres, trago à baila uma história impactante que ecoa lições atemporais. É a fábula do sapo que desafiou os limites celestiais sem convite, uma narrativa que ressoa com reflexões sobre astúcia, imprudência e as consequências inesperadas que podem advir de nossas escolhas.

Seguindo minha trajetória como estudante em um colégio de padres, resgato uma história que permeou minha juventude, uma parábola que ecoa até os dias atuais. Trata-se do conto do sapo que, desafiando a ordem celestial, ousou comparecer a uma festa no céu sem ser convidado. Sua sagacidade o levou a se esconder na viola do urubu, único convidado para a celebração. Contudo, a "esperteza" do sapo teve um custo elevado, revelando uma lição valiosa sobre as implicações de nossas escolhas.

Na jornada de volta, o urubu, embriagado pelo excesso de vinho celestial, deixou a viola cair, resultando na queda do sapo, cuja beleza divina concedida por Deus desde sua criação foi irremediavelmente perdida. A história serve como um lembrete impactante de que a imprudência pode desencadear consequências imprevistas, mesmo para os mais astutos entre nós. Um testemunho atemporal sobre os perigos de desafiar limites e a importância de ponderar nossas ações diante das festividades da vida.

Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.


Anand Dilvar*

"Para de ficar rezando e batendo no peito! O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.

Para de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.

Para de me culpar da tua vida miserável: eu nunca te disse que há algo mau em ti, ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau. O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.

Para de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho… Não me encontrarás em nenhum livro!

Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho? Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.

Para de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz… Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio.

Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti? Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?

Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti. Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia.

Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é a única que há aqui e agora, e a única que precisas.

Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro. Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.

Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho: vive como se não o houvesse. Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei. E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste… Do que mais gostaste? O que aprendeste?

Para de crer em mim – crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar.

Para de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja? Aborrece-me que me louvem. Cansa-me que me agradeçam. Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo. Sentes-te olhado, surpreendido?… Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.

Para de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que precisas de mais milagres? Para que tantas explicações?

Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro de ti. Aí é que estou."

*Francisco Javier Ángel Real - conhecido pelo pseudônimo de Anand Dilvar

Quem participa de uma bolha política possuí um código de barras estampado nas suas argumentações


Dag Vulpi - 30 de março de 2023

Faço essa analogia da bolha política e de um código de barras, inspirado em personagens reais e suas previsíveis convicções nos debates realizados em grupos políticos.
Imagine que uma pessoa radicalizada politicamente é como um código de barras: uma série de linhas verticais que representam suas crenças e ideologias. Assim como um código de barras é único e identifica um produto específico, as crenças de uma pessoa podem ser exclusivas e identificá-la como um membro de um determinado grupo político.
No entanto, assim como um código de barras pode ser lido por diferentes dispositivos para obter informações sobre um produto, as crenças de uma pessoa podem ser influenciadas por diferentes fontes, como a mídia, as redes sociais, a família e os amigos. Essas influências podem distorcer as crenças originais da pessoa, assim como a leitura incorreta de um código de barras pode levar a informações incorretas sobre um produto.
Além disso, assim como um código de barras pode ser escaneado em diferentes ambientes, as crenças de uma pessoa podem ser moldadas por diferentes contextos, como eventos políticos, culturais e sociais. Se a pessoa vive em uma bolha política, cercada apenas por pessoas que compartilham suas crenças, ela pode ter uma visão distorcida da realidade e ser incapaz de considerar outras perspectivas.
Assim como um código de barras pode ser usado para controlar o estoque de produtos, as crenças de uma pessoa podem ser usadas por políticos e grupos de interesse para controlar a opinião pública. Se a pessoa não for crítica em relação às fontes de informação que recebe e não buscar uma compreensão mais ampla da realidade, ela pode ser facilmente manipulada por esses grupos.
Portanto, é importante para uma pessoa radicalizada politicamente sair de sua bolha política e buscar diferentes perspectivas e fontes de informação. Assim como um código de barras pode ser lido por diferentes dispositivos para obter informações mais precisas sobre um produto, a exposição a diferentes ideias e pontos de vista pode levar a uma compreensão mais completa e equilibrada da realidade política.

Auxílio Reclusão no Brasil: Entenda Como Funciona



Dag Vulpi

Muito se fala sobre o Auxílio Reclusão no Brasil, mas poucos compreendem realmente como esse benefício opera. Contrariando algumas percepções equivocadas, o Auxílio Reclusão não é destinado aos detentos, mas sim a seus dependentes. Neste texto, desvendarei os mitos e explicarei de forma clara como esse auxílio funciona no contexto brasileiro.

O Auxílio Reclusão é um benefício previdenciário garantido pela Constituição Federal brasileira, destinado a amparar os dependentes econômicos de segurados do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) que foram recolhidos à prisão. Contrariamente ao que muitos pensam, esse benefício não é concedido diretamente aos detentos, mas sim aos familiares que dependem financeiramente do segurado preso.

Para ter direito ao Auxílio Reclusão, o segurado do INSS deve estar contribuindo para a Previdência Social no momento de sua prisão. Além disso, é necessário que a renda mensal do segurado seja inferior a um determinado valor estabelecido pela legislação previdenciária.

Os dependentes que podem requerer o Auxílio Reclusão incluem cônjuge, companheiro(a), filhos menores de 21 anos ou inválidos, pais e irmãos não emancipados, desde que comprovem dependência econômica do segurado preso. A análise do direito ao benefício leva em consideração a última contribuição efetuada pelo segurado antes da prisão.

O valor do Auxílio Reclusão corresponde a uma média das últimas contribuições do segurado e varia de acordo com o salário de contribuição. É importante ressaltar que o benefício é suspenso caso o segurado seja libertado, faleça ou tenha a pena convertida para regime aberto.

Em meio às discussões e desinformações, é crucial compreender que o Auxílio Reclusão desempenha um papel fundamental na proteção social dos familiares dos detentos. Portanto, ao entender corretamente como funciona esse benefício, podemos contribuir para uma discussão mais informada e esclarecedora sobre a previdência social no Brasil.

Fonte de Pesquisa: Auxílio-reclusão: entenda como funciona esse benefício

quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

Lei Rouanet: Desvendando os Mecanismos de Incentivo à Cultura no Brasil

Dag Vulpi - 21/12/2023

No cenário cultural brasileiro, a Lei Rouanet desponta como um dos principais instrumentos de fomento à produção artística e cultural. Controversa, por vezes mal compreendida, a legislação tem um papel crucial na promoção da diversidade cultural e no estímulo à participação da iniciativa privada no apoio à cultura. Neste texto, explorarei os fundamentos, mecanismos e impactos da Lei Rouanet, buscando esclarecer seu papel na construção do panorama cultural do país.

A Lei Rouanet, formalmente conhecida como Lei Federal de Incentivo à Cultura, foi instituída em 1991 com o propósito de estimular a produção cultural brasileira por meio de incentivos fiscais. Seu nome homenageia o então ministro da Cultura, Sérgio Paulo Rouanet, que desempenhou um papel fundamental na sua concepção.

O mecanismo principal da Lei Rouanet consiste na possibilidade de empresas destinarem uma parcela de seu Imposto de Renda devido para projetos culturais aprovados pelo Ministério da Cultura. Esses projetos podem abranger diversas áreas, como música, teatro, cinema, literatura, artes visuais e patrimônio cultural. É importante ressaltar que a lei não concede recursos diretamente; ela cria um ambiente favorável para captação de recursos por parte de produtores culturais.

Um dos pontos mais discutidos acerca da Lei Rouanet é a alegação de que ela beneficia apenas artistas renomados e grandes empresas. No entanto, defensores da legislação argumentam que ela desempenha um papel crucial na democratização do acesso à cultura, permitindo que projetos de menor porte também recebam apoio financeiro.

Ao longo dos anos, a Lei Rouanet tem passado por revisões e ajustes, visando aprimorar sua eficácia e transparência. Críticas e elogios à parte, não se pode negar que ela desempenha um papel significativo na promoção da diversidade cultural brasileira, ao incentivar a produção e preservação artística em um país de dimensões continentais.

Em meio às discussões sobre o papel do Estado na cultura e os desafios enfrentados pelos artistas, a Lei Rouanet permanece como uma ferramenta importante para o desenvolvimento do setor cultural no Brasil, contribuindo para a construção de uma identidade cultural rica e plural.

Fonte de Pesquisa: O que você precisa saber sobre a Lei Rouanet

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