sábado, 24 de março de 2012

A Constituição brasileira, a religião, a bancada evangélica e os cultos afro-brasileiros: “entre a cruz e a encruzilhada”



A Constituição é aquela tentativa de um povo de definir alguns pontos, básicos e fundamentais, que serão aceitos por todo cidadão. A encrenca começou de cara, bem no comecinho da Carta:  Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.

Sob a proteção de Deus, me garantem os juristas de plantão, não acresce nem retira nenhum direito nosso e nem concede a Deus poder jurisdicional sobre o cidadão brasileiro: Assim espero!

Mas vem daí, desta pequena e negociada inserção, uma outra interpretação das bancadas cristã e evangélicas. Não bastando nos colocar sob a proteção pretendem nos colocar sob jurisdição. Fica a pergunta: É, ou não, inconstitucional a atuação de uma bancada religiosa na casa que cria as nossas leis?

Pelo artigo 19 da Constituição , abaixo na íntegra (É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público;), considero que sim.

Não bastasse o flagrante delito perpretado contra as religiões afro-brasileiras (VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença), que nunca foi suficientemente apurado e nem resultou em sanção a quem quer que fosse. Nos vemos nas mãos de pessoas que gostariam de transformar nosso país em um estado teocrático...

Convém reparar que se os evangélicos aumentaram em 233%  em 20 anos (1980/2000), os  sem religião aumentaram 456% no mesmo período. Vamos deixar a minoria se impor no grito?

Abaixo alguns textos e uma reportagem que serviram de subsídio para a proposta desta discussão.  

A religião na Constituição:
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva;
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;

Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público;
II - recusar fé aos documentos públicos;
III - criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si.


Textos abaixo retirados deste link:
http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/civitas/article/v...
Tabela 1
Religiões declaradas nos censos do Brasil
em 1980, 1991 e 2000 (população residente)
Religião 
1980
1991
2000
Católicos
89,2
83,3
73,7
Evangélicos
6,6
9,0
15,4
Espíritas
0,7
1,1
1,4
Afro-brasileiros
0,6
0,4
0,3
Outras religiões
1,3
1,4
1,8
Sem religião  
1,6
4,8
7,3
TOTAL (*)
100,0%
100,0%
100,0%
(*) Não inclui religião não declarada e não determinada.
Fontes: IBGE, Censos demográficos.

Tabela 2
Religiões declaradas nos censos do Brasil
em 1980, 1991 e 2000 (população residente)
Religião 
1980
1991
2000
Católicos
89,2
83,3
73,7
Evangélicos
6,6
9,0
15,4
Espíritas
0,7
1,1
1,4
Afro-brasileiros
0,6
0,4
0,3
Outras religiões
1,3
1,4
1,8
Sem religião  
1,6
4,8
7,3
TOTAL (*)
100,0%
100,0%
100,0%
(*) Não inclui religião não declarada e não determinada.
Fontes: IBGE, Censos demográficos.

Antes de tudo é preciso observar que, no caso das religiões afro-brasileiras, o censo oferece sempre cifras subestimadas de seus seguidores.

Isso se deve às circunstâncias históricas nas quais essas religiões se constituíram no Brasil e ao seu caráter sincrético daí  decorrente.

Para o candomblé, que está mais perto do pensamento africano que a umbanda, o bem e o mal não se separam, não são campos distintos. A umbanda, porém, quando se formou, se imaginou também como religião ética, capaz de fazer a distinção entre o bem e o mal, à moda ocidental, cristã.

Mas acabou criando para si uma armadilha. Separou o campo do bem do campo do mal. Povoou o primeiro com seus guias de caridade, os caboclos, pretos-velhos e outros espíritos bons, à moda kardecista. Para controlar o segundo, arregimentou um panteão de exus-espíritos e pombagiras, entidades que não se acanham em trabalhar para o mal quando o mal é considerado necessário. Ficou dividida entre dois campos opostos, “entre a cruz e a encruzilhada”, na feliz expressão de Lísias Nogueira Negrão (1996). 

Tratado durante muito tempo com discrição e segredo, o culto dos exus e pombagiras, identificados erroneamente como figuras diabólicas, veio recentemente a ocupar na umbanda lugar aberto e de realce (Prandi, 1996, cap. 4; 2001). Era tudo de que precisava um certo pentecostalismo: agora o diabo estava ali bem à mão, nos terreiros adversários, visível e palpável, pronto para ser humilhado e vencido. O neopentecostalismo leva ao pé da letra a idéia de que o diabo está entre nós, incitando seus seguidores a divisá-lo nos transes rituais dos terreiros. Pastores da Igreja Universal do Reino de Deus, em cerimônias fartamente veiculadas  pela televisão, submetem desertores da umbanda e do candomblé, em estado de transe, a rituais de exorcismo, que têm por fim humilhar e escorraçar as entidades espirituais afro-brasileiras incorporadas, que eles consideram manifestações do demônio (Almeida, 1995; Mariano, 1999).

Por fim foram deixados em paz pela polícia (quase sempre), mas ganharam inimigos muito mais decididos e dispostos a expulsá-los do cenário religioso, contendores que fazem da perseguição às crenças afro-brasileiras um ato de fé, no recinto fechado dos templos como no ilimitado e público espaço da televisão e do rádio. Não foi um ato isolado e gratuito o discurso do pastor fluminense Samuel Gonçalves, da Assembléia de Deus, um dos apoiadores do candidato evangélico Anthony Garotinho à presidência da república, em que afirmou que uma das “três maldições” do Brasil é a religião africana (Folha de S. Paulo, 30/07/2002, p. A6). Pouco antes do primeiro turno das eleições presidenciais, o Painel da Folha de S. Paulo deu a seguinte notícia, com o intertítulo de Guerra santa: “Panfletos distribuídos por evangélicos reclamam que Brasília ‘está se transformando em um terreiro de candomblé’, pois estátuas de orixás foram colocadas em um parque.

Para mudar isso, diz o documento, só há uma solução: (eleger) Garotinho para presidente e Benedito Domingos (PPB-DF) para governador” (Folha de S. Paulo, 24/09/2002, p. A4). Se se confirma esse novo horizonte político-partidário, em que os evangélicos se fazem presentes até mesmo numa candidatura como a de Lula à presidência da república, na espantosa coligação entre o PT e o PL, em parte controlado pela IgrejaUniversal do Reino de Deus, não há de ser muito alvissareiro o futuro das religiões afro-brasileiras. Nos tempos atuais, a perseguição sofrida pelas religiões afro-brasileiras passou de órgãos do Estado para instituições da sociedade civil. Pode bem voltar ao Estado, se os governos caírem em mãos religiosas intolerantes?

AE - Agência Estado
08 de outubro de 2010 | 12h 03
Com o ataque à descriminalização do aborto e ao casamento gay como bandeiras, a bancada evangélica aumentou sua participação no Congresso Nacional em quase 50%. A bancada de bispos, pastores e integrantes das igrejas evangélicas saiu das eleições de domingo com mesmo número de parlamentares do PSDB. Só perde agora para as bancadas do PT e do PMDB, partidos com o maior número de representantes no Congresso.

Levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) registra a reeleição de 32 dos 45 parlamentares da bancada e a eleição de mais 34 integrantes de igrejas evangélicas. Com Assembléia de Deus à frente na contabilidade, a bancada tem agora 63 deputados e 3 senadores.

Os números mostram que a bancada evangélica reverteu o desfalque sofrido nas eleições de quatro anos atrás - e que interrompeu um crescimento iniciado nos anos 80. A bancada minguou na eleição de 2006 em decorrência do envolvimento de parte de seus integrantes nos escândalos do mensalão e da máfia dos sanguessugas. Esse último flagrou parlamentares no esquema da compra de ambulâncias por preços superfaturados.

A lista de novatos no Congresso inclui o ex-governador Anthony Garotinho (PR-RJ) - que disputou a eleição graças a uma liminar obtida na Justiça - e a cantora gospel Lauriete Rodrigues (PSC-ES).

Outro novato na Câmara, o diácono da Assembleia de Deus Erivelton Santana (PSC-BA), disse ontem que a prioridade no mandato será se opor aos projetos que "não se identificam com princípios bíblicos", como a  descriminalização do aborto. Santana afirmou que também foi eleito para defender interesses institucionais das igrejas evangélicas, como evitar a cobrança de impostos sobre contribuições e dízimos dos fiéis.
O presidente da Frente Parlamentar Evangélica, deputado João Campos (PSDB-GO), um dos reeleitos, já apostava no crescimento da bancada. Segundo ele, o aumento foi movido pelo combate a propostas de lei "consideradas nocivas à sociedade". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O infarto é uma das principais causas de morte no Brasil.

Postagem original no blog jairheuert.com
Diante de um grande problema silencioso que ocorre com a saúde da sociedade brasileira, precisamos difundir ao máximo as dicas para reconhecer os sintomas e para se prevenir desse mal que mata milhões de pessoas todos os anos no mundo.

Apesar de parecer bastante difundido, o principal sintoma de um infarto – a dor no peito que se espalha pelo braço esquerdo – nem sempre é identificado de forma clara. Segundo pesquisa recente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), dos mais de 600 entrevistados que já sofreram um infarto, apenas 2% souberam reconhecer os indícios do problema.

 “Pode ser que a dor venha acompanhada de enjoo, vômitos, mal-estar, tontura, desmaio ou suor frio. A intensidade pode variar, mas na maioria dos casos é forte e não melhora com analgésicos comuns ou posições”, explica Marcelo Cantarelli, cardiologista da Angiocardio.

O infarto, junto com o acidente vascular cerebral (AVC), é a principal causa de morte no Brasil. Em média, os dois matam entre 10% e 15% das suas vítimas.

Segundo o médico, os principais vilões para o coração são a pressão alta, o diabetes, o colesterol, a obesidade, o sedentarismo, o tabagismo, o estresse e a herança familiar. De acordo com o Ministério da Saúde, um quarto da população brasileira tem pressão alta e a proporção de hipertensos é maior entre as mulheres.

Os especialistas defendem que o problema pode ser evitado com a mudança de hábitos alimentares. “A dieta ideal para o coração deve conter baixo teor de gorduras saturadas e colesterol, pouco sal e açúcar, além de conter elementos antioxidantes. Nesta linha, seria importante ter sempre no prato peixes, azeites, castanhas, fibras, verduras, legumes e carnes magras”, destaca o cardiologista.

Cantarelli explica ainda que a depressão e problemas emocionais também podem causar infartos, por estimular o organismo a produzir alguns hormônios, como a adrenalina, que elevam a pressão arterial e a frequência cardíaca. É importante lembrar, segundo o médico, que estes casos estão associados ao tabagismo e ao consumo de bebidas alcoólicas.
Fonte: Folha Universal

Deputados da oposição visitam obras de transposição do São Francisco em Mauriti (CE) e criticam baixa execução

Um grupo de parlamentares da oposição visitou nesta sexta-feira (23) as obras de transposição do Rio São Francisco no município de Mauriti (CE) e saíram de lá com duras críticas à condução do governo sobre o projeto.
A principal queixa dos oposicionistas é quanto ao aumento do preço da obra sem resultados concretos. Inicialmente, a transposição do Rio São Francisco estava orçada em R$ 4,5 bilhões. O valor já foi aumentado seguidas vezes e atualmente está previsto que a obra custará R$ 8,2 bilhões.
“A obra não só está parada como há um grave processo de deterioração com erosões, crescimento da vegetação, concreto sendo perdido. Uma obra que em 2012 foi repactuada quase no dobro do valor inicial. E ainda com cheiro de novos aumentos de preços”, disse o líder do PSDB na Câmara, deputado Bruno Araújo (PE).
Araújo conta que viu casos de pessoas que tiveram as terras desapropriadas e agora estão em situação difícil. "O que nós vimos é um descaso não só com o dinheiro público, mas também com a criação de falsa expectativa com uma população de uma região pobre”. Ainda de acordo com Araújo, dos 16 lotes da obra só os dois onde o Exército trabalhou chegaram a 90% de execução.
Depois da experiência nas obras do São Francisco, os deputados de oposição pretendem percorrer o país para fiscalizar o investimento público em outras áreas. No que eles chamam de Caravana da Verdade, os parlamentares querem observar os gastos nas áreas de Saúde, Educação, Meio Ambiente, etc.
“Estou convencido da necessidade de montar uma caravana para contrapor a propaganda oficial do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento]”, disse Araújo que falou com a Agência Brasil em nome da comitiva.
Participaram da visita ao Ceará os deputados Raimundo Gomes de Matos (PSDB-CE), Vanderlei Macris (PSDB-SP), Nilson Leitão (PSDB-MT), Eduardo Azeredo (PSDB-MG), César Colnago (PSDB-ES), Eduardo Gomes (PSDB-TO), Carlos Brandão (PSDB-MA), Simplício Araújo (PPS-MA) e Felipe Maia (DEM-RN).
Também hoje o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, visitou outro trecho das obras. Bezerra esteve em Pernambuco, onde se encontrou com os representantes dos consórcios executores para cobrar metas e resultados. Segundo informações do ministério, 11 dos 16 lotes estão em atividade e mais um será retomado até o final de março. Em outros três, os contratos estão sendo rescindidos e uma nova licitação deverá ocorrer até o final de abril.
De acordo com texto na página do Ministério da Integração,  “o novo investimento de R$ 8,2 bilhões resulta do acréscimo de novas condicionantes ambientais exigidas pelo Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis] serão mais de R$ 900 milhões de recursos para esta área, da revisão de obras civis em decorrência dos projetos executivos, dos gastos com eletromecânica e da supervisão e gerenciamento da obra em função do prolongamento do prazo”.
Atualmente 3,5 mil pessoas trabalham no Projeto de Integração do Rio São Francisco. Este número deve chegar a 6,5 mil até o fim do ano.

sexta-feira, 23 de março de 2012

PF: Demóstenes Torres pediu dinheiro a Carlinhos Cachoeira

Gravações revelam que senador do DEM solicitou ajuda para despesa de táxi-aéreo

BRASÍLIA - Gravações da Polícia Federal revelam que o senador Demóstenes Torres (GO), líder do DEM no Senado, pediu dinheiro e vazou informações de reuniões oficiais a Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, acusado de chefiar a exploração ilegal de jogos em Goiás. Relatório com as gravações e outros graves indícios foi enviado à Procuradoria Geral da República em 2009, mas o chefe da instituição, Roberto Gurgel, não tomou qualquer providência para esclarecer o caso. O documento aponta ainda ligações comprometedoras entre os deputados Carlos Leréia (PSDB-GO) e João Sandes Júnior (PP-GO) com Cachoeira.
O relatório, produzido três anos antes da deflagração da Operação Monte Carlo, escancara os vínculos entre Demóstenes e Cachoeira. Numa das gravações, feitas com autorização judicial, Demóstenes pede para Cachoeira “pagar uma despesa dele com táxi-aéreo no valor de R$ 3 mil”. Em outro trecho do relatório, elaborado com base nas gravações, os investigadores informam que o senador fez “confidências” a Cachoeira sobre reuniões reservadas que teve no Executivo, no Legislativo e no Judiciário. Parlamentar influente, Demóstenes costuma participar de importantes discussões, sobretudo aquelas relacionadas a assuntos de segurança pública.
O relatório revela ainda que desde 2009 Demóstenes usava um rádio Nextel (tipo de telefone) “habilitado nos Estados Unidos” para manter conversas secretas com Cachoeira. Segundo a polícia, os contatos entre os dois eram “frequentes”. A informação reapareceu nas investigações da Monte Carlo. Para autoridades que acompanham o caso de perto, esse é mais um indicativo de que as relações do senador com Cachoeira foram mantidas, mesmo depois da primeira investigação criminal sobre o assunto. O documento expõe também a proximidade entre Cachoeira e os deputados Leréia e Sandes Júnior.
Leréia também usava um Nextel para conversas secretas com Cachoeira. A polícia produziu o relatório com base em inquérito aberto em Anápolis para investigar a exploração de bingos e caça-níqueis na cidade e arredores. Como não pode investigar parlamentares sem autorização prévia do Supremo Tribunal Federal (STF), a PF enviou o material à Procuradoria Geral em 15 de setembro de 2009. O relatório foi recebido pela subprocuradora-geral Cláudia Sampaio Marques. Caberia ao procurador-geral, Roberto Gurgel, decidir se pediria ou não ao STF abertura de inquérito contra os parlamentares. Mas, desde então, nenhuma providência foi tomada.
No segundo semestre de 2010, a PF abriu inquérito para apurar exploração ilegal de jogos em Luziânia e se deparou com as mesmas irregularidades da investigação concluída há três anos. Procurado pelo GLOBO, Gurgel disse, por meio da assessoria de imprensa, que estava aguardando o resultado da Operação Monte Carlo para decidir o que fazer em relação aos parlamentares. O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, confirmou o uso do Nextel por Demóstenes.
Segundo ele, o senador usou o telefone, mas não se lembra desde quando. O advogado não fez comentários sobre o suposto pedido de pagamento de despesas e o vazamento de informações oficiais.

Fonte 

Aécio não consegue explicar repasses para rádio Arco-Íris


Apesar de chamar a denúncia de factóide e ofender a Oposição,  Aécio não dá respostas concretas às denúncias e não explica o repasse de verbas à sua rádio. Como explicar a aquisição de um Land Rover e pelo menos outros cinco carros de luxo da rádio?
Inquérito é “factoide”, diz PSDB
Em nota institucional divulgada ontem em seu site, o PSDB mineiro chamou de “velho factoide da oposição” o inquérito aberto nesta semana pelo Ministério Público (MP) de Minas Gerais para investigar repasses do governo estadual à rádio Arco-Íris, ligada ao senador Aécio Neves e a sua irmã Andrea Neves, entre 2003 e 2010, período no qual o tucano foi governador. “O Ministério Público já investigou o assunto e, comprovada a regularidade de todos os procedimentos, arquivou a denúncia em julho de 2011″, destaca a nota.
No comunicado, os tucanos acusam o deputado estadual Rogério Correia (PT), autor da representação de “tentar confundir a cena política mineira”, em referência às denúncias de falsificação da chamada “Lista de Furnas” nas quais o petista está envolvido.
Já petista alega que entrou com nova representação por discordar do argumento utilizado pelo procurador geral, Alceu Marques, no despacho que arquivou a investigação em 2011.
No pedido, o deputado ressalta que o decreto que criou o Grupo Técnico de Comunicação Social, presidido por Andrea, determina como atribuições do órgão “coordenar e acompanhar a alocação de recursos financeiros”. O trecho, segundo ele, extrapola o caráter consultivo do conselho.
A assessoria do senador disse que, de 2003 a 2010, a rádio recebeu “o mesmo número de inserções comerciais realizadas nas mais de 300 emissoras do Estado” e destacou o “caráter político da iniciativa” de Correia. Em nota, o governo alegou que Minas é um dos Estados que menos gasta em publicidade. (Cristiano Martins).
O Jornal O TEMPO publicou também a  matéria em que assessores de Aécio estão ganhando cerca de 46 % mais do que recebem no Senado, pagos por estatais mineiras, outro factóide?
“Jeton”

Assessores de Aécio recebem também de estatais mineiras
Três funcionários integram conselhos da Copasa, da Cohab e da Codemig

FOTO: WALDEMIR BARRETO/AGÊNCIA SENADO – 29.2.2012

Histórico. Segundo jornal, Aécio nomeou assessores para conselhos quando ainda era governador
BRASÍLIA. Assessores do gabinete do senador e ex-governador de Minas Aécio Neves (PSDB) recebem rendimentos extras por meio de cargos que ocupam em conselhos de estatais mineiras. Segundo o jornal “O Estado de S.Paulo”, três servidores do tucano são beneficiados pela dupla função. Além do salário do Senado, eles são pagos pelas empresas ligadas ao governo de Minas, aumentando, assim, seus rendimentos em até 46%. Nas estatais, os conselheiros são exigidos a ir a no máximo a uma reunião por mês.
Segundo a reportagem, o administrador Flávio José Barbosa de Alencastro recebe R$ 16.337 como assessor técnico de Aécio. No conselho de administração da Copasa, ele tem direito a até R$ 5.852 por mês. Alencastro foi eleito para o grupo em 15 de abril de 2011, menos de um mês após a nomeação no Senado.
Também assessora do ex-governador, com salário de R$ 16.337, a jornalista Maria Heloísa Cardoso Neves recebe R$ 5.000 por mês da Companhia de Desenvolvimento Econômico de MG (Codemig) para participar, obrigatoriamente, de três reuniões anuais do conselho de administração e outras extraordinárias. No ano passado, foram três. Heloísa foi indicada para o colegiado em 2004, pelo então governador, e admitida pelo Senado em 2011. A atribuição de Heloísa é, conforme informou, cuidar de estratégias de comunicação e projetos ligados à área.
Já Maria Aparecida Moreira, segundo o jornal, trabalha como atendente no escritório político do tucano na capital, com salário de R$ 3.202 pago pelo Senado. A Companhia de Habitação de Minas (Cohab-MG) garante a ela outros R$ 1.500 mensais por integrar seu conselho de administração. Segundo o órgão, os integrantes participam de “até uma reunião ordinária mensal”. A assessora está no conselho desde 2003 e no Senado desde agosto.
Resposta. Questionadas pelo “Estado de S.Paulo”, Heloísa Neves e Maria Aparecida disseram que não há irregularidade e que a documentação referente aos conselhos foi entregue ao Senado, sem objeções. Flávio Alencastro não se pronunciou, assim como a Casa.
Posicionamento
Assessoria. Aécio disse que não há vedação legal entre as funções, que a acumulação indevida, prevista na Constituição, não se aplica aos casos e que os assessores cumprem carga regular no Senado.

Fonte: Jornal O TEMPO

A coragem política de Dilma

Por Luiz Cezar*
O país vive um clima de bonança e isso não é bom para a oposição. No cenário interno a economia continua exibindo robusto crescimento de quase 3% , a inflação recua em direção aos 4,5% ao ano, os juros caminham para alinhar-se com as taxas de longo prazo de 6% e o desemprego é menor a cada nova contagem do IBGE, aproximando-se dos 5,5% da população economicamente ativa;  um dos menores percentuais do mundo.  
A onda de choque vinda da Europa, que se esperava repercutisse no País com força o bastante para por em xeque as políticas de governo, vem sendo dissipada em nova rodada de depreciação do euro que, se não é bom para competitividade da moeda brasileira, tampouco representa um desastre contra o qual não há remédio à disposição nas prateleiras do Ministério da Fazenda.
O ambiente político se desanuviou com o aproveitamento que soube fazer em seu favor o governo das formações nebulosas dos escândalos ministeriais recentes, a fim de extrair a energia necessária para conduzir uma reforma ministerial à frio que arrancou a presidente do garrote que lhe pretenderam impor às vésperas de eleições os partidos aliados.
A mídia já não pode falar de corrupção como antes, porque foram retirados do comando das respectivas pastas ministros contra os quais pesavam suspeitas de irregularidade. Sem que se desse conta, a oposição colaborou com sua fanfarra para que fosse emprestado ao governo o respaldo necessário a uma  reforma ministerial que desse perfil próprio ao governo Dilma.
Naturamente não ficaram contentes os partidos aliados com essa espécie de reforma extra-agenda que lhes impôs o governo com o apoio da mídia, e fez marcar seu desagravo com o ato de sublevação que representou a não condução do indicado oficial ao cargo de diretor geral da Agência Nacional dos Transportes.
Coerente com a estratégia que havia posto em movimento, a presidente não titubeou diante da rebeldia encetada e afastou, de uma só pernada, os dois representantes do governo nas duas casas do parlamento, egressos dos dois principais partidos de sua base de sustentação. Também neste episódio teve a mídia a seu favor e com ela parcela preponderante da opinião pública.
É a isso que chamam agora de crise: a perplexidade de partidos aliados que dormiram sonhando com um parlamentarismo contingente, em que teriam o executivo por refém, e acordaram no presidencialismo de forte predomínio do chefe do executivo que vigora historicamente no arranjo institucional brasileiro.
Em ano eleitoral, em que precisam mais do que nunca de instrumentos e garantias federais para o sucesso na disputa de vida e morte que travam pela hegemonia nas grandes cidades do País – e com isso, também pelo tamanho futuro das bancadas – a rebeldia que agita os partidos da base de apoio ao governo não deverá ter vida longa.
Resistir à chantagem que terá lugar quando das negociações visando a composição de chapas para a disputa municipal e a votação de matérias de interesse do governo no Congresso, será o gesto natural que adotará a presidente no jogo corajoso que decidiu jogar.
As composições de chapas constituem questão de economia interna dos partidos político e deverão ser resolvidas com a permuta de apoios em cidades julgadas de importância pelas lideranças para a configuração de forças no período pós-eleitoral.
As matérias de interesse do governo deverão de todo modo aguardar melhor oportunidade de votação, e a nova correlação de poder que haverá de emergir depois das eleições de outubro permitirá com maior percuciência completar a reforma ministerial já iniciada bem como reconfigurar a aliança para a sucessão presidencial.    
Lula, vivo como nunca, será a carta na manga de que disporá o PT para fazer lembrar aos aliados de agora que, por questão de imposição física, alianças se fazem a partir do elo mais forte de uma corrente. 
  Luiz Cezar* Economista, Linguista, Mestre em Cultura, Mestre em Tecnologia (todos pela USP) e Master em Gestão Econômica de Projetos pela GV

Sobre o Blog

Bem‑vindo ao Blog Dag Vulpi!

Um espaço democrático e apartidário, onde você encontra literatura, política, cultura, humor, boas histórias e reflexões do cotidiano. Sem depender de visões partidárias — aqui prevalecem ideias, conteúdos e narrativas com profundidade e propósito.

Visite o Blog Dag Vulpi