domingo, 5 de janeiro de 2014

Maconha legal é debate que assusta presidenciáveis


Quem tem medo da descriminalização da maconha? Os presidenciáveis, pode-se dizer; de Dilma Rousseff (PT) a Eduardo Campos (PSB), somente Aécio Neves (PSDB) tocou recentemente no tema, afirmando ser contra a legalização da canabis; a presidente e o governador driblam até aqui o assunto; "Uma droga nunca anda sozinha", rechaçou Dilma na campanha de 2010; mas a legalização pega fogo no mundo de 2014; após o Uruguai, do presidente Pepe Mujica, ter liberado plantio, comercialização e consumo, estados americanos do Colorado e Washington aprovaram uso "recreativo"; em outros 18 Estados dos EUA erva vale para fins medicinais; Bob Marley (1945-1981) segue sendo ícone dos adeptos; vídeo com Peter Tosh (1944-1987), de 'arma' em punho

Por Marco Damiani, do 247
Blog Dag Vulpi – Pode-se tapar os ouvidos, fechar os olhos, calar a boca e, sobretudo, apertar o nariz, mas o fato é que nunca esteve tão aceso no mundo, como agora, o debate sobre a descriminalização e a legalização do uso da maconha.
No Brasil, porém, o tema é tabu entre os principais presidenciáveis. Líder nas pesquisas para a reeleição, a última vez que a presidente Dilma Rousseff tocou no assunto foi em julho de 2010, ao responder a uma pergunta de repórter quando concorria pela primeira vez ao cargo.

"Uma droga nunca anda sozinha", disse Dilma, manifestando posição contrária à legalização.

Do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, não se tem igualmente declaração recente sobre o tema. O chefe do PSB, no entanto, tende a se manifestar contrário à liberação, uma vez que é visto como um forte repressor da droga em seu Estado, conhecido como o principal produtor da erva no País.

Pelo PSDB do ex-presidente Fernando Henrique, líder nacional da posição favorável à descriminalização da canabis, o pré-candidato Aécio Neves também é contra mexer na atual legislação que aponta o usuário ou como traficante ou como viciado. Ele sustenta que o uso de drogas consideradas leves, como a marijuana, pode levar ao uso de drogas mais nocivas à saúde.

Apesar da verdadeira ojeriza dos presidenciáveis ao tema – que, de resto, já derrubou o prestígio de políticos em todo o Brasil, especialmente do então candidato a prefeito de São Paulo, Fernando Henrique, em 1985 -, gostem eles ou não o fato é que o assunto está na ordem do dia pelo mundo. E não apenas no Uruguai.

Nos Estados Unidos, após plebiscitos realizados nos Estados de Colorado e de Washington, em novembro, a maconha foi liberada para uso "recreativo". Em outros 18 Estados a mesma erva já tem autorização para ser usada para fins medicinais. Pesquisa nacional entre a população americana apontou que 49% dos habitantes do país são favoráveis à sua descriminalização. "Não é uma das nossas prioridades", respondeu o presidente Barack Obama quando perguntado sobre se achava importante reprimir o uso dessa droga.

"Consideramos como uma infração de trânsito, temos coisas mais importantes a combater", disse, durante seu mandato, o agora ex-prefeito de Nova York Michel Bloomberg.

No Brasil, muito em razão do medo disseminado por donos de espaços na mídia tradicional e familiar, o debate sobre a descriminalização da maconha vem sendo interditado por ano a fio. E continuará sendo, caso ninguém se apresente formalmente para levá-lo, consistentemente, adiante. FHC está discreto quanto a isso, mas o ministro do STF José Roberto Barroso pede uma discussão profunda e responsável sobre o assunto.

Pelo jeito, os presidenciáveis preferem manter a discussão longe da campanha – mas e você? Não acha que é hora de discutir essa incômoda verdade de frente?

Assista a um vídeo com o cantor jamaicano Peter Tosh:

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