Na tentativa
de costurar uma posição em torno dos vetos presidenciais a proposições
aprovadas no Congresso Nacional, o governo promove reuniões nesta semana com
líderes das duas Casas. ontem (9), líderes de dez partidos da base aliada na
Câmara dos Deputados debateram o assunto com a presidenta Dilma Rousseff e com
os ministros da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, do Planejamento, Miriam Belchior,
da Saúde, Alexandre Padilha, e de Relações Institucioanais, Ideli Salvatti,
além do vice-presidente Michel Temer e de representante do Ministério da
Fazenda. Amanhã (10), às 11h30, está marcado encontro de Dilma com os líderes
do Senado.
O principal
esforço do governo é para que não seja derrubado o veto ao fim da multa de 10%
do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para empresas que demitirem
empregados sem justa causa. Durante a tramitação do projeto, os parlamentares
retiraram a cobrança, mas o governo quer que a multa continue sendo paga. O
Projeto de Lei Complementar 200/2012 foi aprovado pela Câmara dos Deputados e vetado pela presidenta em julho.
O principal
argumento do governo para defender a manutenção do veto é financeiro. A
ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, disse que “a retirada
desse recurso de forma abrupta causaria impacto nas contas do governo, na
política de geração de emprego, de benefício para a população”. Segundo ela, a
receita do governo com a multa está em torno de R$ 3,5 bilhões.
Em entrevista
coletiva após a reunião, a ministra reforçou a posição do governo de que a
eventual ausência desses recursos poderá prejudicar recursos do Minha Casa,
Minha Vida, programa do governo que facilita a aquisição da casa própria para
pessoas de baixa renda.
Ainda de
acordo com Ideli, o valor arrecadado gera cerca de 1,4 milhão de empregos. A
apresentação dos dados aos deputados foi feita pela ministra Miriam
Belchior. Segundo ela, caso o governo não cobre mais a multa, os
beneficiários do programa e trabalhadores da construção civil ficariam
prejudicados. “Não poderíamos manter o mesmo ritmo de construções de milhões de
unidades [de moradias], como estão sendo feitas. Isto acarretaria também uma
diminuição de emprego, já que normalmente cada unidade habitacional do Minha
Casa, Minha Vida gera quatro empregos”.
Apesar de
concordar com o veto e de afirmar que sua manutenção é a primeira proposta que
está sendo levada em consideração pela base, o líder do governo na Câmara,
Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse que as condições da manutenção ainda devem ser
analisadas pelos deputados. “Saímos com a incumbência de construir, se
necessário, até outra proposta”, disse.
Segundo o
líder, há uma dificuldade “extremada” em o Congresso referendar a decisão da
presidenta. “Nós vamos começar com este debate, mas vamos ouvir as várias
bancadas para ver se surge alguma outra proposta.”
Outro
argumento levantado de ambos os lados, integrantes do governo e deputados, para
que o veto seja mantido, trata da relação trabalhista. "Nós não temos a
menor dúvida que [a queda do veto] trará também uma maior facilidade na
rotatividade de mão de obra”, disse Ideli.
Para a
ministra, os setores que utilizam mão de obra jovem e de baixa qualificação, em
que já ocorre alta rotatividade, seriam os mais afetados. “A rotatividade
acarreta também redução do salário, porque você demite você emprega outra
pessoa com salário muitas vezes menor”, argumentou.
Ideli disse
ainda que alguns líderes já se manifestaram no sentido de propor que o dinheiro
da multa fique com o trabalhador, que o receberia de volta na aposentadoria.
“De qualquer forma, não fechamos posição, apenas apresentamos os impactos para
que as bancadas pudessem avaliar e a gente poder ao longo da semana ir
trabalhando esse tema”.
Ainda de
acordo com Ideli, uma nova reunião dos líderes da base na Câmara deve ser
marcada para a próxima segunda-feira (16), para recolher as propostas de cada
partido e buscar uma posição consensual.
Agência Brasil
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