sexta-feira, 15 de junho de 2012

Presidente do TJES completa seis meses no cargo após ‘tiro certeiro’ em sistema de poder


Era uma tarde ensolarada de quinta-feira, dia 15 de dezembro de 2011. Tomava posse na presidência do Tribunal de Justiça do Estado (TJES) o desembargador Pedro Valls Feu Rosa, magistrado mais novo a ocupar uma cadeira no Pleno, aos 28 anos de idade, em 1994. Depois de uma atuação inovadora à frente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Pedro Valls prometia acabar com as “improbidades assassinas”, modernizar a máquina do Judiciário capixaba, que se recuperava dos efeitos da “Operação Naufrágio”, e abrir as portas do tribunal para a participação social.

Seis meses após o imponente discurso, quando pediu desculpas àqueles que “têm sede e fome de justiça”, Pedro Valls foi além e confrontou o antigo sistema de poder da Corte. Avança em metas ousadas, como a limpeza do estoques de júris populares em aberto e a celeridade na tramitação de ações populares e de improbidade administrativa, que ganhou uma vara exclusiva para o julgamento destes tipos de processos.
 Após cumprir um quarto do mandato, o novo presidente do TJES caminha para desarticular o conjunto de forças que “dava as cartas” no Judiciário. Vice-presidente do TRE durante a gestão de Pedro Valls, o desembargador Álvaro Bourguignon viu o então sistema de poder – ligado ao ex-governador Paulo Hartung (PMDB) – sofrer um grande abalo.

Atuando de forma mais pragmática, Pedro Valls acabou com o loteamento político de importantes postos do Judiciário, em especial da 2ª Vara dos Feitos da Fazenda, que concentrava as ações contra desafetos do ex-governador sob exame de magistrados ligados ao ex-presidente interino. De quebra, as mudanças impactaram as grandes bancas de advocacia que perderam o então inabalável prestígio de outrora, ainda sobre o impacto dos desdobramentos da “Operação Naufrágio”.
 Entre os colegas de Pleno, Pedro Valls pediu 100 dias para que começasse a apresentar os resultados da nova gestão. Durante o período, o presidente do TJES inovou ao assinar 17 protocolos de intenção para atuar em variadas áreas. Com reuniões regulares com autoridades dos demais Poderes e representantes de entidades civis, o Judiciário participa no enfrentamento inédito à tortura, combate à violência contra a mulher, desenvolvimento de ações na segurança pública e saúde, além do acompanhamento do sistema prisional.

Em outros setores, a nova gestão dá sinais que poderá “não ter perna” para concluir os projetos, como a mudança do Fórum de Vitória para o bairro de São Pedro – onde seria instalada a Vila da Justiça – ou a contestada intenção de se associar à ONG empresarial Espírito em Ação, para formulação de um plano estratégico para o TJES no modelo do Espírito Santo 2025 (hoje o revisado ES 2030).
 A incompatibilidade com antigos atores políticos do “novo Espírito Santo” ficou evidenciada em uma das principais ações pelas mãos do próprio Pedro Valls. Em 19 de abril deste ano, o desembargador determinou a prisão de 28 pessoas envolvidas em fraudes na prefeitura de Presidente Kennedy durante a “Operação Lee Oswald” – deflagrada com a participação de equipes da Polícia Federal.

No bojo da decisão, Pedro Valls incluiu a transcrição de denúncias de irregularidades cometidas durante o governo Paulo Hartung. Desde as suspeitas da utilização de informação privilegiada na operação de compra e venda de terrenos para a Ferrous Resources, até supostas irregularidades em contratos milionários no sistema prisional, a sentença do desembargador colocou em xeque o “arranjo institucional” montado pelo ex-governador e solicitou a vinda de uma força-tarefa da PF ao Estado para acabar com qualquer suspeitabilidade.
 A iniciativa do chefe do Judiciário capixaba foi criticada por autoridades locais – até mesmo setores da mídia corporativa se manifestaram –, que rejeitaram a necessidade de uma intervenção da PF. Mas acabaram vestindo a carapuça e começaram a tocar em episódios que ficavam acima de qualquer suspeita. Exemplo disso é a abertura de investigação nas dispensas de licitação nas obras de presídios – que chegaram a quase meio bilhão de reais desde 2004 –, anunciadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). O órgão tem metade dos seis conselheiros ativos nomeados pelo ex-governador.

Por outro lado, as reações contra a vinda da força-tarefa fomentaram um movimento popular, puxado por entidades civis, sindicatos e setores da sociedade, que foram às ruas para apoiar os termos da decisão de Pedro Valls. Em dois atos simbólicos, o batizado Fórum em Defesa do Interesse Público (Fedip) “lavou” as escadarias da sede do TCE e do Palácio Anchieta – neste último, em protesto à notícia da movimentação do governador Renato Casagrande para convencer o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, sobre o “momento inoportuno” para a vinda dos federais.
 Ficou acertada em reunião entre o presidente do Tribunal de Justiça e o ministro da Justiça a disponibilidade de equipes da PF no Estado para reforçar as investigações conduzidas pelo Ministério Público Estadual (MPES) e o Judiciário. Nos bastidores, uma decisão que fica no meio do caminho entre a recusa do pedido de reforço ou de uma intervenção da Polícia Federal.

Apresentadas como outras das novidades durante o discurso de posse, a instalação de painéis para acompanhar o andamento de processos, logo no rol de entrada da sede do TJES, são recheados de simbolismo. A colocação de uma lupa sobre cada ação de improbidade, execuções fiscais ou presos provisórios representou um acompanhamento cada vez mais rigoroso das atividades da Justiça.
 Hoje, seis meses após aquela solenidade, os monitores – um deles retirado inclusive da sala da presidência – permanecem no mesmo lugar. Mas uma certeza é de que o Judiciário capixaba não está mais no lugar comum. Nerter Samora 

Excesso de candidatos à prefeitura de Vitória mina mais votos de Iriny que de Luiz Paulo


Cresce o número de observadores políticos que defendem a tese de que o inchaço de candidatos na corrida eleitoral à prefeitura de Vitória é benéfico à candidata do PT Iriny Lopes. A coluna Plenário, do jornal A Tribuna, nesta sexta-feira (15), revela que há uma movimentação de lideranças petistas tentando convencer os candidatos que ainda não firmaram os nomes na disputa que o façam o quanto antes.

A tese do “quanto mais, melhor” aposta que a bonança de candidatos será decisiva para empurrar a candidata petista para o segundo turno. Já o cenário minguado de candidatos tenderia para a polarização entre PT e PSDB, reduzindo as chances de a deputada federal Iriny Lopes passar para o segundo turno.
 Há quem diga que a tese já tem seus desdobramentos práticos. Lideranças petistas estariam costurando com o governador Renato Casagrande a manutenção da candidatura do vereador socialista Sérgio Magalhães. Outras frentes petistas estariam empenhadas em estimular as candidaturas de Lelo Coimbra (PMDB) e José Esmeraldo (PR).

Os estrategistas petistas, ou parte deles, entendem que a disputa polarizada entre Luiz Paulo Vellozo Lucas e Iriny Lopes pode levar mais partidos para o lado do tucano, enfraquecendo a petista.
O raciocínio, no entanto, segue na contramão de uma lógica eleitoral que se repete em quase todos os pleitos. As pesquisas já cansaram de mostrar que o candidato que recebe o apoio da máquina, caso da candidata petista, herda, de saída, de 20 a 30% dos votos. Sem contar que Iriny foi ministra de Dilma e ainda goza do apoio do governo federal, o que também pesa nessa conta, considerando a alta aprovação da presidente.

Nesse cenário, os postulantes a vereador de outras legendas tendem a se “abrigar” no guarda-chuva do candidato do governo, que indiscutivelmente é mais promissor para os candidatos que também querem pegar carona na máquina.
Fora isso, as últimas pesquisas mostraram que o prefeito de Vitória João Coser, que já esteve com a reputação administrativa mais em baixa, já dá sinais consistentes de franca recuperação de sua popularidade, o que também pesa na hora dos candidatos escolherem em que barco irão entrar. SD

Ação no ES quer fim de terminal da Petrobras em 'área de preservação'


MPF e MP-ES movem ação contra a empresa.
Terminal de Regência está em local de desova de tartarugas ameaçadas.

MPF e MP-ES querem retirada do Terminal de Regência (Tereg) em Linhares. (Foto: Divulgação/MPF e MP-ES)
Os ministérios públicos Federal e Estadual anunciaram nesta quinta-feira (14) que estão movendo uma ação civil pública contra a Petrobras e a Petróleo Transportes (Transpetro). Os órgãos querem o fim do Terminal de Regência (Tereg), em Linhares, na Região do Rio Doce, no Espírito Santo. De acordo com o MPF e o MP-ES, o terminal está localizado em Área de Preservação Ambiental Permanente (APP), em local de desova de tartarugas ameaçadas de extinção, na região de Comboios. A Petrobras disse que ainda não foi notificada dessa a ação e por isso não pode se manisfestar.
Os órgão dizem que a ação é a favor da defesa do meio ambiente e do patrimônio público. O MPF e o MP-ES estipularam um cronograma de 30 dias para desmobilização, deixando o local livre de interferência humana e sem risco de vazamento de petróleo. Além disso, as empresas devem apresentar o Plano de Recuperação de Área Degradada ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Ibama).
De acordo com O MPF e MP-ES, a localidade de Comboios, região costeira do município de Linhares, tem especial proteção por suas características e biodiversidade. Desde a década de 40 a região já havia sido identificada por ambientalistas como celeiro de tartarugas marinhas. Em 1953 o governo do Estado doEspírito Santo a decretou como reserva para fins de constituição do “Parque Ecológico da Região Leste” a área de terrenos devolutos denominada “Ilha de Comboios”.
Anos depois, segundo os órgãos, após novos levantamentos nessa então Reserva Estadual da Ilha de Comboios, os ambientalistas relataram que na área ‘existiam muitas espécies dignas de serem protegidas e algumas já assinaladas na Lista Internacional de espécies em vias de extinção’.

Produtores rurais recuperam fontes de água em Baixo Guandu, ES


Participação dos produtores rurais possibilita a recuperação das fontes.
Já foram recuperadas cerca de 90 fontes no total.


Nascentes de água são recuperadas com reflorescimento em Baixo Guandu, na região Centro-Oeste do Espírito Santo. Quem passa pela BR-259, em Colatina, já pode ver a mudança na paisagem. Há quatro anos, o Instituto Terra começou a recuperar a área de mais de 105 mil hectares. "Muitos animais estão voltando para o ambiente, como tamanduá, gambá, macaco, cobras. Isso tudo em função do que a gente está fazendo aqui", explicou Renivaldo de Andrade, que trabalha no reflorestamento.
As propriedades rurais da região também sentiram a necessidade contribuir com o meio ambiente, como é o caso do produtor rural Ernesto Ropke, que mantém uma área de sua fazendo para plantar árvores e preservar uma nascente. "Os gados passavam aqui e pisoteavam tudo. Eu não sei se a água ia acabar, mas quando os animais passavam sujava tudo e a água da nascente sumia toda. A água boa deve ser protegida", contou o produtor rural.
A participação dos produtores rurais está possibilitando a recuperação das fontes. "Com o engajamento deles no processo, o resultado é satisfatório. A água continua correndo e aumenta o volume, dessa forma, esse olha de água forma uma grande fonte de água", afirmou o assistente de educação Marcelino Mendonça de Aquino. Em Colatina e em Baixo Guandu foram recuperadas cerca de 90 fontes no total.
As mudas usados no reflorescimento das áreas de nascente dos municípios vem do Instituto Terra, que tem capacidade de produzir um milhão de mudas de 100 espécies diferentes de plantas por ano.

Exposição reúne obras de artistas capixabas em galeria da Ufes


Mostra inicia nesta sexta (15) e segue até o dia 31 de julho.
Entrada é gratuita na Galeria de Arte Espaço Universitário.

Obras de Vitor Monteiro ficará exposta em galeria
da Ufes. (Foto: Divulgação/Ufes)
A Galeria de Arte Espaço Universitário, localizada na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), no campus de Goiabeiras, em Vitória, recebe a partir de sexta-feira (15) a exposição Multiplicações, dos artistas plásticos capixabas Raphael Araújo e Vitor Monteiro. Nas obras, os artistas utilizam métodos como colagens e tipografias. O acesso à exposição, que fica na galeria até o dia 31 de julho, é gratuito.

A mostra aborda a versatilidade dos desenhos e pretende promover maior reflexão sobre a liberdade de criação. O coordenador do evento, Luciano Cardoso, destacou que o ato de desenhar surge de forma espontânea e livre, na maioria das vezes, é impulsionado por um simples rabisco. “Todo desenho apresenta uma situação, um código criado pelo autor e é essa ideia que torna ainda mais fascinante a maneira como o outro compreende a obra”, falou.



Obra de Raphael Araújo exposta na Galeria de Artes da Ufes (Foto: Divulgação/Ufes)

Serviço
Exposição Multiplicações
De 15 a 31 de julho
Galeria de Arte Espaço Universitário - Ufes - Campus Goiabeiras
Segunda à sexta-feira, das 8h às 18h
Entrada franca

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Agressão a preso zera torturômetro do Tribunal de Justiça após 22 dias sem registro


Exames comprovarem que um preso sofreu lesões corporais no Centro de Detenção Provisória II de Viana
O torturômetro do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) voltou a ser zerado nesta quarta-feira (13), após exames comprovarem que um preso sofreu lesões corporais no Centro de Detenção Provisória II de Viana. O laudo foi apresentado ao Núcleo de Comissões da Presidência do Tribunal.
O detento teria sofrido violência física no dia 14 de maio. O laudo do Departamento Médico Legal (DML) constatou que o presidiário recebeu uma coronhada de arma calibre 12 na testa. Segundo o TJES, a mulher do presidiário disse ainda que um agente do presídio teria aberto a cela de seu companheiro no primeiro dia deste mês para que os detentos de outra cela, também aberta pelo mesmo agente, pudessem invadir o local e agredi-lo.
A mulher solicitou à Justiça que o marido seja transferido para uma Penitenciária, já que ele é preso condenado. O depoimento foi encaminhado ao presidente da Comissão de Combate e Prevenção a Torturas, desembargador Willian Silva, para que providências sejam tomadas.
Outro lado
A Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) informou, por meio de nota, que o preso teria agredido fisicamente um agente penitenciário, da unidade prisional onde está detido, no momento em que era retirado da cela. O agente teria imobilizado e algemado o detento.

A nota salienta que durante a ação não foi registrado o uso ou a presença de armas no local. Após o fato, o presidiário teria sido encaminhado à Polícia Civil para o registro da ocorrência e para exame de lesões.

A Sejus acrescenta que todo o episódio foi filmado pelo circuito interno de TV da unidade prisional, fotografias do preso foram feitas, e não houve o registro de qualquer agressão por parte dos agentes penitenciários.

Na época do episódio foi aberto procedimento administrativo pela Corregedoria da Sejus e toda a documentação referente ao fato (imagens, fotos, laudos e depoimentos) foi também encaminhada ao Poder Judiciário e ao Ministério Público, segundo a Secretaria de Justiça.
Saiba mais
O torturômetro - mecanismo criado para monitorar as denúncias de tortura no Estado - havia sido zerado no dia 22 de maio, quando a comissão recebeu a denúncia de agressão a um menor, ocorrida em Linhares, no Norte do Estado.

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