sábado, 10 de março de 2012

O POBRE, O NEGRO, O GORDO E O MONGOLÓIDE.

 

Aqui no Brasil, sempre houve o mito de que não há preconceito. Afinal, todos convivem harmonicamente e não existem conflitos raciais em nosso país, não é? E eu concordo. Em nosso país,o que existe é o preconceito de aparência e classe social. Duvida? Eu te provo:

Durante a noite numa rua escura, um homem branco e bem vestido se aproxima sorrateiramente de você. Certamente você estranhará, mas pensará que é uma cantada, uma pessoa que trabalhou num escritório durante todo o dia e está cansada indo para casa ou milhares de outras coisas. Em última análise, você achará que é um ladrão.

Agora, se o mesmo homem branco apresentar-se vestindo um bermudão meio largo, uma toquinha, andando com um gingado estranho ou mal vestido. A primeira coisa que você pensará é: “Dancei”.
Se um negro aparece na televisão, dirige um carrão e mostra que é bem de vida é recebido alegremente em qualquer rodinha. Pois, com certeza, é “aquele” sambista ou pagodeiro de sucesso. Mas, se o mesmo negro aparecer na naquela rua escura a pé e mal vestido, seja você branco, negro, mulato ou oriental, você também (mesmo que lá no íntimo) vai se preocupar.

Se você vê um gordo na televisão, com dinheiro, falando vários idiomas e estourando de sucesso em várias mídias; você pensa: “Ele é fofo, charmoso e inteligente”. Agora se esse mesmo gordo, passa por você na rua e é mais um anônimo. Mesmo que ele seja gordo por uma doença ou distúrbio qualquer, você pensa: “Que feio! Ta assim porque é preguiçoso ou esganado”. Faça o teste, vá até uma lanchonete e observe. Se um magrelo comer seis “sandubas” seguidos, você se pegará pensando: “Tadinho, deve estar faminto”. Mas se um obeso pedir um segundo sanduíche… lá vem aquela vozinha: “É por isso que é uma baleia. Come pra caramba!”

Se a filha do Romário ou a atriz mirim da antiga novela da oito aparece, todos dizemos: “Nossa! Que lindinha!” Na realidade, quantos de nós gostaríamos de ter um filho com síndrome de Down? Tenho certeza de que ninguém. Mas se esse mesmo portador dessa Síndrome nascesse numa favela de pais pobres, seria ”aquele mongolóide“.

Inúmeros exemplos vivos estão a nossa frente todos os dias. Ou você acha que se o Ronaldo “O Fenômeno” morasse em Bento Ribeiro e trabalhasse de boy num escritório, mulheres lindíssimas cairiam aos seus pés. Ou o Ronaldinho Gaúcho, seria aclamado por milhares de mulheres nos estádios: “Lindo! Lindo! Lindo!” Jô Soares, se fosse pobre e mal falasse o português, seria endeusado por várias mulheres?
Há em nosso país uma grande hipocrisia. Importaram dos E.U.A. o termo “Afro-Americano” e lançaram o “Afro-Brasileiro” como uma condição de afirmação racial. Penso que esse termo é muito mais uma afirmação de segregação. Ninguém é “Afro-Isso”, “Ítalo-Aquilo”, “Luso-Aquilo Outro”, ou “Nipo-Sei Lá Das Contas”. Todos somos BRASILEIROS. Negros, brancos, amarelos, vermelhos, altos, baixos, gordos, magros, carecas, cabeludos ou de qualquer outra etnia ou aparência física.

A ciência, recentemente, jogou por terra todas essas definições estúpidas de raça. O D.N.A. não mente, somos todos iguais. Oriundos do mesmo “caldo” evolutivo e iremos para o mesmo buraco, onde apodreceremos e seremos digeridos e defecados por vermes e insetos.

O preconceito, qualquer que seja, é antes de tudo uma estupidez. Há negros de bom caráter, há negros de mau caráter, há brancos honestos, há brancos corruptos e ladrões, bem como ricos e pobres que são boas e más pessoas. O que deve prevalecer são os atos e os exemplos pelos quais se vive; e não sua aparência, classe social, cor da pele, religião, etc…

Preconceito = Pré–Conceito = Antes de ter um conceito = Antes de conhecer = Pura Burrice.

Preconceito, o mal que vive dentro do ser humano


O Homo sapiens destaca-se como a única espécie consciente de sua finitude, ciente de que um dia enfrentará a morte. Curiosamente, essa percepção não nos deteve diante dos desafios naturais que surgiram ao longo de nossa trajetória evolutiva. Em vez de simplesmente "curtir a vida" como muitos animais o fazem, questionando a lógica de buscar realizações ou aprimoramento quando a morte é inevitável, os seres humanos optaram por forjar uma narrativa de imortalidade e empreenderam uma jornada rumo à conquista do planeta.

Num estágio evolutivo considerável, apesar do breve período de nossa existência, a humanidade direciona sua atenção para o firmamento, ansiosa por desvendar os mistérios cósmicos e compreender as leis que governam os movimentos mais íntimos das estrelas. Acreditamos que somente ao desbravar esses segredos celestiais poderemos lançar-nos ao desconhecido, conquistar novas fronteiras e satisfazer nossa insaciável sede de conhecimento e curiosidade infinita.

Apesar de nossa evolução como espécie, comparativamente aos outros habitantes do planeta, o ser humano carrega consigo, no âmago de sua alma, um antigo flagelo que assolou nossa existência nos árduos anos de obscurantismo intelectual e ignorância que antecederam nosso estágio atual de evolução. Este flagelo é feroz, emergindo quando menos esperamos. Mesmo diante de pensamentos elevados e realizações notáveis, ele espreita nas profundezas de nossas almas e mentes. Ao menor indício de fragilidade, suas garras afiadas trespassam a carne e o espírito de nossos semelhantes, relegando-nos a um estado primitivo e animal do qual nos envergonhamos profundamente. Esse flagelo sagaz, voraz e implacável é o preconceito.

Cada um de nós carrega consigo algum grau de preconceito, que pode variar desde os mais repugnantes, como o preconceito racial (lembrando que raça é uma construção, não uma realidade biológica), de gênero, religião ou nacionalidade, até preconceitos menos impactantes, como aversões a certos alimentos, estilos de roupa, entre outros.

O preconceito está intrinsecamente entrelaçado com a condição humana, tão essencial quanto o ar que respiramos e as partículas cósmicas. Ele revela, essencialmente, duas facetas: a ignorância e o medo. Afinal, o desconhecido é a raiz de todos os nossos temores, e o preconceito é, de fato, seu descendente mais íntimo. É como um demônio interior que sussurra: "Se algo é desconhecido ou não compreendido, deve ser maligno; escape ou enfrente".

Contudo, se o preconceito surge do nosso receio do desconhecido, como podemos acalmar esse monstro interior e mantê-lo sob controle? Com o poder do conhecimento.

A luz da informação é capaz de dissipar as sombras mais profundas da ignorância, transformando o preconceito em algo vergonhoso e frágil. Quer um exemplo prático?

Em um passado distante, a Igreja proclamou que os negros eram descendentes de Caim e que sua cor de pele era uma "marca" imposta por Deus ao assassino do irmão. Essa crença estigmatizou os negros, negando-lhes alma e humanidade, assim como foi dito sobre os povos indígenas. A ignorância e a escuridão alimentaram um dos preconceitos mais cruéis.

Contudo, a luz da ciência desfez essas crenças, tornando o preconceito racial repulsivo e característico dos desinformados e insensatos. Ao evidenciar que não existem raças humanas distintas, apenas uma única raça humana, e ao demonstrar que todos compartilhamos uma ancestralidade africana comum, a ciência desmantelou as bases desse preconceito terrível, provando que, nesse aspecto, todos somos iguais.

O ser humano pode um dia explorar o espaço e maravilhar-se com as estrelas distantes em toda a sua grandiosidade. No entanto, para que isso se torne uma realidade, é imperativo que ele domine o mal que reside dentro de si. Eliminar para sempre e relegar ao mais profundo e inacessível canto de sua mente e espírito esse demônio impiedoso e nocivo que representa o pior em nós.

Pense nisso.

Preconceitos

"As mais lindas coisas da vida, não podem ser vistas nem tocadas mas sim sentidas pelo coração." Raqueli Paula
Preconceito é uma postura ou idéia pré-concebida, uma atitude de alienação a tudo aquilo que foge dos “padrões” de uma sociedade. As principais formas são: preconceito racial, social e sexual.


O preconceito racial é caracterizado pela convicção da existência de indivíduos com características físicas hereditárias, determinados traços de caráter e inteligência e manifestações culturais superiores a outros pertencentes a etnias diferentes. O preconceito racial, ou racismo, é uma violação aos direitos humanos, visto que fora utilizado para justificar a escravidão, o domínio de alguns povos sobre outros e as atrocidades que ocorreram ao longo da história.

Nas sociedades, o preconceito é desenvolvido a partir da busca, por parte das pessoas preconceituosas, em tentar localizar naquelas vítimas do preconceito o que lhes “faltam” para serem semelhantes à grande maioria. Podemos citar o exemplo da civilização grega, onde o bárbaro (estrangeiro) era o que "transgredia" toda a lei e costumes da época. Atualmente, um exemplo claro de discriminação e preconceito social é a existência de favelas e condomínios fechados tão próximos fisicamente e tão longes socialmente. Outra forma de preconceito muito comum é o sexual, o qual é baseado na discriminação devido à orientação sexual de cada indivíduo.


O preconceito leva à discriminação, à marginalização e à violência, uma vez que é baseado unicamente nas aparências e na empatia.

Do tempo em que ler "O Pequeno Príncipe" era obrigação



Reproduzo a seguir artigo da Dra. Fátima Oliveira sobre o livro o Pequeno Príncipe e sua atualidade.

Quando eu era adolescente, a resposta clássica a qualquer entrevista de uma candidata a miss que se prezasse - o concurso de Miss Brasil arrastava multidões e tinha prestígio - é que "O Pequeno Príncipe" era o seu livro de cabeceira! Nem pensar numa miss que não lera o célebre livro de Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944), piloto da Segunda Guerra Mundial, escritor e ilustrador francês, que aos 44 anos, pilotando um avião militar, foi abatido pelos alemães, num vôo de reconhecimento entre Grenoble e Annecy, na França. Era julho de 1944. Em 2004, os destroços de seu avião foram encontrados na costa de Marselha.

As aspirantes a miss banalizaram um livro, literária e filosoficamente, precioso, cuja leitura era obrigatória em meu tempo de ginasiana. É rara a pessoa com menos de 30 anos que o leu. No máximo conhece algumas de  suas belas e filosóficas frases que pululam na web. Já faz tanto tempo em que crianças e jovens liam Saint-Exupéry por obrigação e depois se encantavam com ele para sempre. Em geral, quando falo sobre o tema, ouço: "É a nova! Do tempo em que era obrigatória a leitura de O Pequeno Príncipe!".

Lamento que não seja mais. Por vários motivos. Um deles é que "O Pequeno Príncipe" é uma alegoria em prosa-poema sobre a amizade e a transcendência dela; sobre a sofrença e o encanto do amor e seu entorno filosófico; e nos ensina o valor da ética da responsabilidade e das coisas que não estão à vista, mas no horizonte: "O que torna belo um deserto é que ele esconde um poço em algum lugar". Outra razão, é que livros como ele são companhias prazerosas e enriquecedoras a qualquer momento. É engano considerá-lo piegas, apesar de que pieguice tem serventia e hora - nem sempre é coisa boba, condenável ou execrável, podendo, inclusive, ser terapêutica.

"O Pequeno Príncipe" expressa uma visão de mundo decente e nele há insumos que se prestam com propriedade para adoção no cenário da política. Alguns cabem como uma luva para a conjuntura política brasileira. Se eu fosse conselheira da presidente Dilma Rousseff diria que ela deveria sugerir ao vice-presidente Michel Temer sessões de biblioterapia - o livro como recurso terapêutico - para o PMDB, usando "O Pequeno Príncipe", com convites extensivos a alguns parlamentares e ministros do PT e da "base aliada".

No momento, é a única vereda que vislumbro para dar algum lustro ético ao PMDB e dotá-lo de sensibilidade para minorar a petulância partidária e estimular o amor ao povo brasileiro. O que pode ser aprendido com os diálogos da raposa com o Pequeno Príncipe: "Para enxergar claro, basta mudar a direção do olhar", e que "só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos".

Sempre que releio "O Pequeno Príncipe" descubro algo arrebatador. Nunca deixo de ler a dedicatória: "Peço perdão às crianças por dedicar este livro a uma pessoa grande/ Tenho uma desculpa séria: essa pessoa grande é o melhor amigo que possuo no mundo./ Tenho uma outra desculpa: essa pessoa grande é capaz de compreender todas as coisas, até mesmo os livros de criança./ Tenho ainda uma terceira: essa pessoa grande mora na França, e ela tem fome e frio. Ela precisa de consolo. Se todas essas desculpas não bastam, eu dedico então esse livro à criança que essa pessoa grande já foi./ Todas as pessoas grandes foram um dia crianças. (Mas poucas se lembram disso)./ Corrijo, portanto, a dedicatória: A Léon Werth, quando ele era pequenino".

Ninguém lê "O Pequeno Príncipe" e continua a mesma pessoa.

Fátima Oliveira é Médica e escritora. É do Conselho Diretor da Comissão de Cidadania e Reprodução e do Conselho da Rede de Saúde das Mulheres Latino-americanas e do Caribe. Indicada ao Prêmio Nobel da paz 2005. 

Portal Vermelho. 

Escândalo na Justiça: CNJ investiga esquema milionário em fundação de tucanos mineiros

A denúncia do jornalista Leandro Fortes, da revista Carta Capital, acerca da ação do funcionário do Tribunal Superior do Trabalho Renato Parente, levará o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a uma averiguação quanto ao repasse de recursos da Fundação Renato Azeredo, com sede em Belo Horizonte. Segundo fonte ouvida pelo Correio do Brasil, na condição de anonimato, o Conselho pedirá informações ao Ministério Público de Minas Gerais sobre as transferências do Poder Judiciário à fundação presidida por um ex-assessor especial do então governador Aécio Neves, no valor de R$ 23,3 milhões.
Segundo apurou o jornalista, “Renato Parente é um assessor especialmente influente nos tribunais superiores. Foi fiel escudeiro de Gilmar Mendes no Supremo Tribunal Federal (STF) e até pouco tempo ocupava a chefia da comunicação do Tribunal Superior do Trabalho, presidido por João Oreste Dalazen. Por uma questão formal, Dalazen rebaixou Parente de função, mas manteve seus poderes, que consistem basicamente em administrar as verbas do setor no TST, naco de um filão milionário do Poder Judiciário onde reina a Fundação Renato Azeredo, de Minas Gerais. Trata-se de um eficiente sorvedouro de dinheiro público comandado pelo PSDB”.
Ainda segundo o texto, o objetivo inicial da Fundação Renato Azeredo, criada em 1996 com o nome do pai do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), era o de auxiliar projetos de pesquisa da Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG). A instituição, de direito privado e sem fins lucrativos, a partir de 2003, bateu recordes de faturamento.
“Apenas em Minas Gerais, entre 2003 e 2011, a Fundação Renato Azeredo faturou R$ 212,1 milhões de verbas repassadas diretamente do governo de Minas, graças a contratos firmados em gestões tucanas, duas de Aécio Neves e, desde o ano passado, a de Antonio Anastasia. A fundação é presidida pelo farmacêutico Aluísio Pimenta, ex-assessor especial de Aécio. Sob pretexto de notória especialização, a fundação sempre foi contratada pelos governos tucanos sem licitação. Na primeira gestão de Neves, por exemplo, a entidade recebeu cerca de R$ 20 milhões, limpos, dos cofres estaduais, para serviços em área de comunicação social”, apurou Leandro Fortes.
A tevê estatal mineira, a Rede Minas, repassou à Fundação Renato Azeredo, por transferência direta, R$ 17,6 milhões, também em quatro anos. Os dados que serão pedidos por setores do CNJ ao governo mineiro estão contidos na investigação ainda em curso no Ministério Público Estadual, que detectou, em 2008, uma transferência de R$ 23,3 milhões. “Mas nada comparado ao ano eleitoral de 2010, quando a Renato Azeredo levou uma bolada de R$ 51,7 milhões, R$ 35,9 milhões dos quais apenas no primeiro semestre, às vésperas das eleições. Os promotores suspeitam que a fundação possa ter substituído o esquema de caixa 2 montado por Eduardo Azeredo com o publicitário Marcos Valério de Souza, mais tarde importado pelo PT e revelado no chamado ‘escândalo do mensalão”, acrescenta Fortes.
“Ao contrário dos promotores mineiros, os procuradores da República em Brasília ainda não atinaram para o mesmo esquema montado no Poder Judiciário Federal, com verbas da União. Desde 2010, a Fundação Renato Azeredo passou a substituir outro baluarte do tucanato, a Fundação Padre Anchieta, responsável pela TV Cultura, de São Paulo, até então dona das contas de comunicação social do Supremo Tribunal Federal (STF), Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e Superior Tribunal de Justiça (STJ). Sem aviso e sem justificativa, naquele ano eleitoral, a fundação do tucano paulista decidiu abandonar os tribunais e abrir espaço para a coirmã mineira, num esquema de revezamento pouco sutil”, relata o jornalista.
Fratura exposta
No STJ, de acordo com a matéria, “a Fundação Renato Azeredo ganhou, sem licitação, em 2010, um contrato de R$ 10,5 milhões por ano (depois reduzido para R$ 6,6 milhões). Foi beneficiada por decisão do ex-presidente do tribunal César Asfor Rocha, amigo dileto do ministro Gilmar Mendes, do STF, fundamental para garantir a presença de Renato Parente na história”.
– Renato Parente é a fratura exposta de um sistema que usa, no Poder Judiciário, as áreas de comunicação social para arrecadar fortunas em contratos fajutos e mal fiscalizados. Por 20 anos, ele fraudou esse mesmo sistema, com um currículo falso, mas se mantém prestigiado por conta de um apadrinhamento político, no mínimo, estranho: Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello – afirmou Fortes.
Procurado no TST, Parente não foi encontrado em seu local de trabalho, mas coube ao coordenador da assessoria de imprensa, Alexandre Machado, confirmar que ele é funcionário da repartição e estaria movendo um processo contra o jornalista de Carta Capital. A questão, porém, era pessoal e Machado, que somente poderia falar em nome do Tribunal, não teria dados sobre a ação. O Tribunal, no entanto, não movia até aquele momento nenhuma ação contra Fortes, segundo o assessor.
Em uma rede social, Fortes reforça que Parente seria “um afilhado funcional do ministro Gilmar Mendes, do STF, que passou os últimos 20 anos ocupando ilegalmente cargos comissionados no Poder Judiciário de posse de um currículo falso, no qual afirmava possuir um diploma de curso superior que nunca teve. Pego pela burocracia do TST, onde foi flagrado defendendo interesses de uma fundação tucana, Renato Parente já tem uma estratégia de defesa para tentar se safar: me processar! Por que será que não estou surpreso?”, escreve o jornalista.
No próprio CNJ, que agora passa a investigar as denúncias contra Parente, “a Fundação Renato Azeredo foi contratada também sem licitação, em 8 de março de 2010, durante a gestão de Gilmar Mendes, por um prazo de seis meses”, revela o jornalista. O valor desse primeiro contrato teria sido de R$ 1,6 milhão. Em 22 de setembro de 2010, o contrato fora renovado automaticamente por um ano, pelo valor de R$ 4,2 milhões, “situação que se mantém até agora”, afirma a matéria.
No Supremo, com a saída da Fundação Padre Anchieta, assim que assumiu o lugar do presidente Gilmar Mendes, Cezar Peluso teria promovido uma licitação, vencida pela Fundação Legião da Boa Vontade (LBV), de Brasília, em julho de 2010. Esta, porém, fora desqualificada “por não conseguir preencher os requisitos técnicos para a produção de noticiários para a TV e a Rádio Justiça, mantidas pelo Supremo. Classificada em segundo lugar, a Fundação Renato Azeredo levou o contrato de R$ 15 milhões”, relata Fortes.
“No TSE, a fundação mineira também venceu a concorrência e abocanhou dois contratos. Um, de junho de 2010 a junho de 2011, de R$ 4,2 milhões. Outro, a vencer em junho próximo, de R$ 3,1 milhões. A diferença de R$ 1,1 milhão é parte de uma regra do Tribunal que garante valores maiores para contratos firmados em anos eleitorais”, apurou.
Parente surgiu como elo nos processos milionários apenas no ano passado, “quando a burocracia interna do TST descobriu que, desde 1992, ele ocupa cargos comissionados de nível superior dentro do Poder Judiciário sem nunca ter-se formado em nada, apesar de se apresentar como jornalista e publicitário”, escreveu o repórter. “Mesmo sem diploma, ele disponibilizou currículos fraudulentos nos quais constava a seguinte informação: Graduado pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM)’, de São Paulo. Há seis meses, uma ligação do TST para a direção da famosa escola paulista bastou para desmontar a farsa”, acrescenta.
“Técnico judiciário de nível médio do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo, Parente foi assessor de imprensa do juiz Nicolau dos Santos Neto, o Lalau, responsável por desvio de dinheiro das obras do tribunal em 1998. Em 2001, sempre montado na história do falso diploma, foi levado pelo ministro Marco Aurélio Mello para o STF, para assumir a Secretaria de Comunicação Social. Em 2006, ainda pelas mãos de Mello, passou a ocupar o mesmo cargo no TSE. Nas duas oportunidades, contratou, sem licitação, a Fundação Padre Anchieta, subordinada ao tucanato paulista”, apurou.
E acrescenta: “Em 2008, Parente tornou-se o braço midiático do então presidente do STF, Gilmar Mendes, de quem passou a zelar como se fosse um capataz. A um repórter, no Acre, que ousou perguntar se Mendes era pecuarista, Parente ofereceu um pisão no pé. Em 2009, a pedido do chefe, conseguiu censurar temporariamente um programa da TV Câmara, no qual o autor desta matéria fazia críticas ao seu padrinho e patrão”.
Segundo o Diário Oficial da União, Parente foi exonerado “a pedido”, em 29 de dezembro de 2011, numa tentativa “desesperada de evitar o vazamento da informação sobre a fraude funcional”, revela a matéria. “No mesmo ato, Parente virou chefe de um “Núcleo de Comunicação Institucional”, que, como o nome indica, não significa nada. Na verdade, a solução interna achada pelo ministro Dalazen (lembrete: presidente do Tribunal Superior do Trabalho!) foi fazer com que um subordinado de Parente, o jornalista diplomado Alexandre Gomes Machado, passasse a assinar os papéis da secretaria e a responder, jurídica e administrativamente, por um cargo que não exerce”, disse Fortes. Machado preferiu não responder à entrevista do Correio do Brasil, por telefone, e pediu que as perguntas sobre as denúncias contidas na matéria de Carta Capital lhe fossem enviadas por mensagem eletrônica.
“O assessor tentou fixar o dia 7 de janeiro como data de exoneração porque há ao menos um documento interno assinado por Dalazen, datado de 6 de janeiro, para emissão de passagens aéreas e diárias para o ‘secretário de Comunicação Social’ Renato Parente”. O texto, ao qual a revista teve acesso pelo site do TST, “refere-se à emissão de passagens e diárias relativas a uma viagem a Caucaia (CE)”, segue adiante a matéria.
Outro fato que denuncia a ação de Parente, segundo apurou o jornalista, ocorreu no ano passado. Ele tentava levar a Fundação Renato Azeredo para o TST, sem licitação, mas foi impedido “pela burocracia, que o obrigou a realizar um pregão eletrônico”, relata Fortes. “Tropeço do acaso, algum funcionário da fundação tucana não conseguiu apresentar a proposta da entidade a tempo, pela internet. A solução encontrada foi a de melar o processo e impedir que a empresa vencedora, a AP Comunicação, de Brasília, ganhasse o contrato, orçado em R$ 8,8 milhões por ano, por cinco anos”.
“A agência vencedora foi enganada: um informe enviado pela internet depois do expediente deu 15 minutos a ela e a quatro outras classificadas para apresentar um plano de execução de serviços de produção de vídeo. Na manhã seguinte, os concorrentes souberam que tinham sido retirados do processo. A AP, contudo, entrou com um mandado de segurança para permanecer no páreo, mas Parente nem deu bola. Revogou o pregão sob a justificativa de que a proposta da agência vencedora era muito alta. Outra mentira: o edital publicado pelo tribunal estabelecia o valor do contrato em R$ 10 milhões”, conclui.
By: Correio do Brasil

quinta-feira, 8 de março de 2012

A Devassa da Devassa - "A Inconfidência Mineira"

"A Devassa da Devassa - A Inconfidência Mineira: Brasil e Portugal 1750-1808"


“Delinear a ampla interação de Brasil e Portugal na segunda metade do século XVIII” (MAXWELL, p. 13) é, segundo Kenneth Maxwell, o objeto do seu “A Devassa da Devassa – A Inconfidência Mineira: Brasil e Portugal 1750 – 1808”. (link para baixar o livro em PDF no final da postagem)

Lançado em 1973 na Inglaterra, país natal do autor, com o título original de “Conflicts and Conspiracies: Brasil & Portugal 1750 – 1808”, o livro chega aos 500 anos do Brasil na sua terceira edição, e com o status de leitura obrigatória sobre o período. Resultado de uma minuciosa pesquisa, que se faz presente na constante exposição de dados quantitativos, “A devassa da devassa” em nenhum momento corre o risco de ser mais um livro sobre a Inconfidência Mineira. Kenneth Maxwell vai muito além da simples exposição dos fatos que compuseram o episódio e tampouco se deixa levar pela livre especulação que as lacunas documentais tornam tentadora. O livro mostra um autor preocupado em colocar suas hipóteses mas sem nunca deixá-las sem o respaldo de um documento e/ou raciocínio que a sustente. E desta forma vai penetrando na História de um Brasil-Portugal imerso numa crise cuja solução extrapola o período selecionado, sem nunca esquecer de situá-la na Europa pré e pós-Revolução Francesa.

O livro mostra o eterno esforço de Kenneth Maxwell em tentar encontrar a versão mais lógica para os acontecimentos que nortearam a relação de brasil e Portugal entre 1750 e 1808. Daí a opção pela ordem cronológica dos fatos, que em alguns momentos chega a se aproximar da estrutura narrativa. O tempo é usado como fio condutor para a sucessão de informações costuradas por análises para chegarem à categoria de hipótese.

Dentro deste padrão geral que dá unidade à obra, “A Devassa da Devassa” é dividida em oito capítulos de títulos simples e diretos, sempre seguidos de duas citações documentais sobre o assunto a ser tratado, e quase sempre contemporâneas ao mesmo.

Tudo começa em julho de 1750, com a morte de D. João V, que leva D. José I ao trono. Está dada a deixa para o tema que permeará todo o primeiro capítulo e, de forma geral, todo o livro: Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marques de Pombal, e sua atuação no governo. Após uma apresentação da situação econômica e política de Portugal, o autor debruça-se sobre as façanhas pombalinas, sempre remetendo-se à relação entre Portugal e Inglaterra como fator imprescindível à compreensão do processo. É dado assim um panorama geral sobre a situação do Brasil das Companhias de Comércio, dos jesuítas, do contrabando. Os capítulos seguintes, “Mudança” e “Divergência”, continuam, cronologicamente, a expor os movimentos principalmente econômicos que geraram a situação que culminaria no episódio central do livro, a Inconfidência Mineira.

A crise do ouro aparece como fator de desenvolvimento não só de Portugal, mas também do Brasil, ambos impulsionados pela substituição de importações, o que acaba por gerar uma burguesia incompatível com a política pombalina de altamente mercantilista. A morte do Rei, a demissão de Pombal e a Independência dos Estados Unidos levam o autor a apresentar a década de 1780 como cenário quase óbvio para a Inconfidência: a nova política metropolitana era desastrosa e os interesses coloniais ganhavam força.

Nesse contexto, Kenneth Maxwell apresenta Minas Gerais com seus personagens. Terra de economia dinâmica e intelectualidade efervescente, entre outros atributos. Terra do grupo de Vila Rica, terra de Tiradentes, o tão proclamado herói da República. E é exatamente essa glorificação, essa imutabilidade nacionalista de uma História sedenta por heróis, como a nossa, que é questionada no livro. Questionamento que se dá via fatos, via raciocínio lógico, sem qualquer fúria tendenciosa. O autor começa descrevendo cada um dos participantes da chamada Inconfidência mineira, apresentando-os como endividados membros da plutocracia mineira, em conflito com um governo cada vez mais rígido principalmente no que cerne à cobrança de tributos. É a partir daí que se dá a desmistificação do movimento.

O capítulo “Conspiração” e uma descrição quase em tom de romance, não fossem os vários e precisos dados apresentados pelo autor, da preparação tentativa de revolução. Descrição física, detalhamento de horário, composição do cenário, números das dívidas. Tudo é descrito. E é nesse momento que aparece com força a tese do autor de que Inconfidência foi movida única e exclusivamente por motivos pessoais, por homens que viam na proposta de um Estado independente a única solução para seus problemas bem menos nobres que uma preocupação ideológica de fundo nacionalista. O nacionalismo era sim exaltado, mas como veículo natural para uma revolução que buscava a independência. E o povo também era convocado por razões não menos óbvias, como coloca o autor: “A conspiração dos mineiros era, basicamente, um movimento de oligarcas e no interesse as oligarquia, sendo o nome do povo invocado apenas como justificativa” (idem, p. 119).

A historiografia institucionalizou a versão de que , estando a revolução programada para a ocasião em que fosse imposta a derrama (já que era necessário um contexto de insatisfação popular), e sabendo-se que Joaquim Silvério dos Reis delatou a intenção do movimento para o governador de Minas Gerais, Barbacena, este último teria cancelado o imposto em função da
denúncia. A proposição de outra versão por Maxwell é talvez um dos pontos mais interessantes da sua tentativa de repensar o episódio. Diante de várias evidências por ele reunidas, o autor chega à conclusão de que a suspensão precedeu a denúncia, e que a atitude de Joaquim Silvério dos reis correspondeu a uma tentativa de ter sua dívida perdoada por fidelidade à coroa, já que com a suspensão da derrama a rebelião fracassaria.

Outro ponto que “A devassa da devassa” mostra-se uma obra inovadora é na apresentação de evidências de que, ao contrário do que mostram os documentos oficiais, Cláudio Manoel da Costa, um dos inconfidentes, teria sido assassinado, e não provocado suicídio.

Mas o ponto principal em que toca Kenneth Maxwell ao propor uma nova visão da Inconfidência mineira diz respeito a Tiradentes, hoje tido como grande herói da Inconfidência e, consequentemente, da Independência. O livro traz a tese de que o alferes Joaquim José da Silva Xavier trazia em si todas as condições para ser “eleito” bode expiatório, sendo o único a ter sua sentença efetivamente executada. Indivíduo em busca de ascensão social, elemento periférico dentre os plutocratas que compunham o grupo revolucionário. É assim que Tiradentes é mostrado, e o autor sugere até mesmo que aquele que viria a ser herói não atuava além das questões práticas, sendo posto de lado nas decisões do movimento, preterido pelos próprios companheiros. A sua morte, espetáculo público, usada como exemplo por um governo temeroso e ainda atônito, fez dele um símbolo. E Maxwell nos lembra que, ao ser interrogado, o inconfidente defendeu ferrenhamente os ideais de República e Independência, trazendo para si toda a responsabilidade da rebelião fracassada. E aí reside seu mérito incontestável: a coragem a e determinação que o transformaram em herói póstumo.

Mas não fossem as circunstâncias a coragem de um homem não teria força para firmar-se como feriado nacional séculos depois. Em “A devassa da devassa” fica claro o papel paradigmático que a fracassada Inconfidência mineira assume no momento de crise entre metrópole e colônia em que ela ocorre. O autor nos lembra que, dentre tantas revoltas, esta ganha destaque por ter sido pioneira no seu nacionalismo e na clareza com que atacava o sistema colonial. E o fato de não terem conseguido o que planejaram, ou a verdadeira natureza de suas motivações não fazem o grupo de Vila Rica menos importante como agente histórico. Nada voltaria a ser como antes. A morte de Tiradentes em nada intimidaria uma sociedade que passava a ver em Portugal um obstáculo, e não uma matriz incondicional. A Inconfidência trouxe à tona um sentimento cujo controle escapava às garras de um mercantilismo já senil.

Desde 21 de abril de 1792 seriam quase três décadas. Foi este o tempo da gestação de uma independência concebida na clandestinidade mineira.
Maxwell encerra o livro fazendo uma análise dos anos que se seguiram, até a vinda da corte portuguesa para o Brasil, em 1808. Anos de conflitos políticos na Europa e de incertezas quanto ao Brasil, movimentado pela Revolta dos alfaiates, na Bahia. E, como se já não bastasse a prolixidade com que expõe dados e ideias, o autor disponibiliza, ao final, mapas, gráficos e tabelas que ilustram todo o período tratado. Uma verdadeira devassa sobre Brasil-Portugal de 1750 a 1808.

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