quinta-feira, 8 de março de 2012

Com 'tsunami monetário', Copom corta Selic em 0,75 ponto porcentual

Trata-se do quinto corte consecutivo feito durante o governo Dilma. Questão cambial leva autoridade a aumentar velocidade da redução da taxa de juros

Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, durante evento em 2011 Alexandre Tombini, presidente do Banco Central: questão cambial faz BC aumentar o corte (Dida Sampaio)
Na segunda reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de 2012, o Banco Central (BC) decidiu nesta quarta-feira reduzir a taxa básica de juros (Selic) em 0,75 ponto porcentual, para 9,75% ao ano. É o quinto corte consecutivo efetuado pelo Copom durante o governo da presidente Dilma e o maior desde junho de 2009. Também é a primeira vez, desde 2010, que a Selic recua a menos de 10% ao ano. Ao contrário das reduções anteriores, que não representaram surpresa alguma para o mercado, a de hoje levantava algumas dúvidas.
Até poucos dias atrás, a maior parte dos analistas apontava para um corte de 0,5 ponto porcentual. Esse impasse justifica o fato de, segundo o comunicado do BC, a decisão atual ter tido cinco votos a favor e dois votos pela redução da Selic em 0,5. O que mostra que o corte maior é visto com ressalvas até mesmo entre os próprios diretores do órgão. A autoridade monetária afirmou, em nota, que o corte dá "seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias" - o mesmo discurso usado para justificar as decisões anteriores.
Como o câmbio voltou a ser foco de ataque do Planalto, com direito até mesmo à criação de uma metáfora por parte da presidente - o "tsunami monetário" -, o mercado começou a considerar a possível intenção do BC de anunciar um corte  maior para a Selic. Tanto que, na manhã desta quarta-feira, o mercado futuro de juros mantinha apostas majoritárias em um corte de 0,75 p.p.
Enquanto alguns arriscavam esse palpite, outros mais vorazes já apostavam na redução de um ponto. Segundo o analista da Moody's para América Latina, Alfredo Coutiño, a Selic ideal para o momento é de 9,5%. "Se a política monetária continuar restritiva, a atividade econômica continuará fraca", afirma o analista. Já a escola mais ortodoxa não via razão ainda para um corte maior. "O Brasil não tem hoje fundamentos econômicos que justifiquem um corte de 0,75. A única justificativa é a intenção do governo de tirar a força do real", afirma o economista Robert Wood, da Economist Intelligence Unit (EIU).
Na avaliação do mercado, o corte de 0,75 é motivado não só pelo aumento da entrada de dólares no país - tema que vem causando a ira do governo nas últimas semanas - mas também pelo pífio resultado do Produto Interno Bruto (PIB) de 2011, divulgado na terça-feira, e que apontou crescimento de 2,7% para a economia brasileira. Outro número levado em consideração na decisão, na avaliação do mercado, é o dado da produção industrial de janeiro, divulgado na manhã desta quarta, e que apresentou retração de 2,1% - número abaixo do esperado para o período.
Inflação continua o cerne da questão -  O aumento da velocidade da redução da Selic aponta para um questionamento constante que ocorre desde meados de 2011. Até que ponto, para o governo, o crescimento do PIB é mais importante que o controle da inflação? A decisão de hoje mostra que, ainda que a economia brasileira dê sinais recentes de recuperação (o crescimento do PIB do quarto trimestre foi de 0,3%), e a inflação enfim comece a ensaiar uma volta a algo mais próximo do centro da meta (o mercado aponta para o IPCA a 5,24% em 2012), os números parecem não satisfazer a ânsia desenvolvimentista da equipe econômica. Se é preciso sacrificar o PIB para controlar a inflação, a presidente Dilma já deu sinais suficientes de que não irá fazê-lo.
Promessa de crescimento - Na terça, logo após o anúncio do dado, a presidente afirmou, ainda na Alemanha, que o governo anunciará medidas de estímulo à economia - além do corte ampliado da Selic. "O governo brasileiro terá uma posição proativa no sentido de ampliar, cada vez mais, a taxa de crescimento no Brasil de forma sustentável, respeitando o equilíbrio macroeconômico com finanças públicas e uma estrutura fiscal sólida", disse Dilma, em Hannover. Em coletiva de imprensa em Brasília, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, mostrou sintonia com a chefe do Executivo e afirmou que o governo tomará novas ações no decorrer do ano para garantir um crescimento mais forte. Mantega prometeu estímulos à indústria e disse que os bancos públicos continuarão reduzindo juros e o spread bancário.
O primeiro veículo de estímulo deverá ser o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O governo já ordenou o barateamento das linhas de financiamento voltadas para novos investimentos e um aporte de 30 bilhões de reais para a instituição este ano. Com a Selic mais baixa, o governo irá revisar as linhas de financiamento do Programa de Sustentação dos Investimentos (PSI), que contam com subsídios do Tesouro Nacional.
A presidente Dilma também determinou a ampliação das medidas do Plano Brasil Maior (a política industrial lançada no ano passado) para dar estímulos mais fortes ao setor que sofre com o câmbio desfavorável. Segundo assessores próximos, Dilma - e todo o empresariado - está insatisfeita com o programa, que ainda está longe de surtir os efeitos desejados para a indústria.

As piadas estão ficando sem graça?

Pânico chega à Band pedindo liberdade que Rafinha Bastos não teve; ele saiu do CQC depois de piada sobre Wanessa Camargo e o bebê; a trupe de Emílio, no entanto, acumula processos judiciais; humor precisa se reinventar?

Foto: Divulgação 

Por que trabalhar com humor ficou tão perigoso no Brasil? Dá processo, indenização, polêmica… O que está errado: o ofício dos humoristas, cuja vocação é fazer rir, ou a cultura do “politicamente correto”, que tenta higienizar deboche e ironia de todas as partes, inclusive dos programas humorísticos? A alta cúpula da Band está se deparando com essas questões e terá que bater martelo sobre um pedido de seus mais novos funcionários. Recém-chegada da RedeTV!, a irreverente galere do Pânico quer mais do que salários e bônus advindos de merchandising. A coluna Outro Canal, da Folha, informa nesta terça, 21, que os humoristas pediram “liberdade total” no programa.

A preocupação da gang do Pânico é tomar um pito da Band, que tirou do CQC Rafinha Bastos, em outubro do ano passado. O motivo foi a declaração de Rafinha no programa, considerada por muitos infeliz, de que “comeria” Wanessa Camargo e o filho. Os fãs do humorista acharam uma bobagem a dimensão que a brincadeira tomou… Virou caso de Justiça, com direito a feto como autor de ação e uma sentença proferida de maneira ligeiríssima, muito diferente de inúmeras ações que tramitam na Justiça brasileira, condenando Rafinha.



 

A repercussão desse episódio fez o Pânico se certificar de que não vai ser repreendido na nova casa. Para decidir se atende ou não à trupe bem-humorada, a Band poderá levar em conta o histórico judicial da trupe de Emílio, Carioca e Sabrina. O programa já perdeu ações na Justiça da ordem de milhares de reais para globais como Carolina Dieckmann, Luana Piovani e continua enfrentando outros processos, como da própria TV Globo (por uma hilária invasão no Big Brother Brasil).

Além de Band e RedeTV!, a própria TV Globo está na mira do que os humoristas consideram patrulhamento do “politicamente correto”. A dupla mais badalada do programa Zorra Total, Valéria e Janete, foi alvo de uma representação do Sindicato dos Metroviários de São Paulo. A entidade defende que as cenas incentivam assédio sexual porque um homem sempre encosta e abusa de Janete no final do quadro “Metrô Zorra Brasil”. Segundo a Folha, a Globo rebate a carta do sindicato e frisa que nunca incitou abuso sexual e, ao contrário, sempre defendeu os direitos da mulher.

Um entretenimento de sábado à noite, para aqueles que ficaram em casa e não saíram para festa e farra é tão prejudicial assim? O espectador pode mesmo achar que é engraçado atacar Janetes no metrô e sair por aí abusando?



 

Não dá para culpar o humor por um crime… O que se pode discutir é o quanto o humor pode deseducar. Ou, até por causa disso, o quanto pode ser pedagógico. Um bom exemplo é o quadro de Valéria e Janete mesmo.

Ali, reforçam-se estereótipos. Por um lado, a travesti escandalosa está doida atrás de um homem. Por outro lado, a jovem “socialmente feia” não sabe falar direito e é desprezada pela espertalhona Valéria.

Ora, toda travesti faz escândalo e quer homem? Não seria possível fazer uma personagem diferente e tão engraçada quanto? Que tal uma travesti nerd e virgem? Muito inverossímil? Que tal uma jovem “socialmente feia”, Ugly Betty da vida, muito esperta e pegadora? Pegadora, tipo o mulherengo, e não tipo a piranha!

Se você considera que o humor é de mau gosto, vale questionar se você não foi contagiado pela febre do “politicamente correto”. Ao mesmo tempo, se realmente os excessos (de ofensas e preconceitos) é que estão dominando a telinha e as redes, talvez seja o momento de o humor se reinventar. Mas esse é um trabalho duplo: do humorista e do público.

Afinal, o que é que te faz rir?


By: Brasil247

quarta-feira, 7 de março de 2012

Brasil pode passar França em 2012 e ser 5ª economia


PIB brasileiro superou o britânico em 2011 e, segundo consultoria britânica pode subir mais um degrau neste ano

Com mudanças, país perderá em tamanho somente para os PIBs dos EUA, da China, do Japão e da Alemanha

Por ÉRICA FRAGA,

A economia brasileira se tornou a sexta maior do mundo no ano passado, deixando para trás a britânica, e deverá alcançar a quinta posição ainda em 2012, ultrapassando a francesa.

Os prognósticos, da consultoria britânica EIU (Economist Intelligence Unit), indicam que o país avança no ranking de maiores economias a um ritmo rápido.

"Esses desenvolvimentos pareceriam improváveis há cinco anos, mas refletem como as economias avançadas foram atingidas pela crise e como a brasileira tem se expandido, impulsionada pelas exportações de commodities", diz Robert Wood, economista sênior da EIU.

"As mudanças também refletem um real mais forte." Embora tenha sido considerada fraca, a expansão brasileira de 2,7% em 2011 foi bem superior ao crescimento de 0,8% do Reino Unido.

Isso levou o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil, medido em dólares, a ultrapassar o britânico por uma pequena margem.

O mesmo deverá ocorrer em relação à economia francesa em 2012, quando a consultoria espera que o Brasil crescerá 3,3% e que a França ficará estagnada. Movimentos das taxas de câmbio ajudarão o Brasil a ultrapassar o país europeu.

A EIU estima que o real fique relativamente estável em relação ao dólar ao longo deste ano, enquanto o euro deve se desvalorizar. Com as mudanças, a economia brasileira só perderá em tamanho para os PIBs dos EUA, da China, do Japão e da Alemanha.

Projeções de dados econômicos envolvem riscos significativos. Mas analistas dizem que o avanço do Brasil no ranking das maiores economias é bastante provável.

No entanto, prognóstico do economista indiano Arvind Subramanian mostra que, mesmo se tornando uma economia maior, a participação do Brasil no PIB mundial deve permanecer estagnada até 2030, próxima a 3,3%.

Isso porque o Brasil crescerá mais do que países desenvolvidos, mas menos que outros emergentes. O cálculo aparece em livro recente do economista ("Eclipse: Living in the Shadow of China's Economic Dominance").

Ele afirma que o indicador é importante porque é usado, por exemplo, no cálculo do poder de voto dos países no Fundo Monetário Internacional (FMI).

O economista Otaviano Canuto, vice-presidente do Banco Mundial para a Redução da Pobreza, concorda que o peso da economia dos países no PIB global pode ajudar a fortalecer sua influência.

Mas ressalta que o aspecto mais importante do avanço do Brasil no ranking das maiores economias é a evolução da renda per capita:

"O fundamental é que o Brasil consiga se tornar um país de renda alta".

A renda per capita brasileira equivalia a cerca de um terço da britânica e menos de 30% da americana em 2011

Demóstenes Torres: demo “ético” caiu

Por Altamiro Borges 
A revista Época, que sempre deu generosos espaços para o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) posar de paladino da ética, acaba de perder mais um entrevistado. O demo foi flagrado em suas intimas relações com um dos maiores corruptos do país, o famoso Carlinhos Cachoeira. O próprio sítio da revista confirmou ontem a denuncia. Só falta agora sair no Jornal Nacional da TV Globo. Será?Vale à pena conferir trechos da reportagem de Andrei Meirelles e Marcelo Rocha, que deve ter decepcionado os filhos de Roberto Marinho. Quem as Organizações Globo irão entrevistar agora? Todos os “éticos” da direita estão sendo defenestrados.*****Na quarta-feira (29), a Polícia Federal deflagrou a Operação Monte Carlo, com a prisão do empresário de jogos Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e dezenas de policiais civis e militares, acusados de envolvimento na exploração ilegal de máquinas caça-níqueis em Goiás e na periferia de Brasília…Segundo a apuração da PF, Carlinhos Cachoeira mantinha forte influência na política goiana. Nas cerca de 200 horas de gravações telefônicas, captadas com ordem judicial, Cachoeira conversa com freqüência e intimidade com deputados federais de vários partidos e com o senador goiano Demóstenes Torres, líder do DEM no Senado Federal.De acordo com os investigadores, em julho do ano passado Carlinhos Cachoeira deu um generoso presente de casamento para o senador goiano: uma cozinha completa. Época ouviu Demóstenes. O senador confirma ter recebido um fogão e uma geladeira do casal Cachoeira. “Sou amigo dele há anos. A Andressa, mulher dele, também é muito amiga da minha mulher”, diz Demóstenes.Segundo o senador, Cachoeira mantém conversa também com políticos de todas as tendências em Goiás. “Depois do escândalo Waldomiro Diniz, eu pensei que ele tivesse abandonado a contravenção, e se dedicasse apenas a negócios legais”, afirma Demóstenes. “Para mim, foi uma surpresa as revelações feitas por essa operação da Polícia Federal”.*****A desculpa esfarrapadaA reportagem também aponta que o “empresário de jogos” operava no governo tucano de Goiás. “Entre os presos na Operação Monte Carlo, o ex-presidente da Câmara Municipal de Goiânia, Wladimir Garcez, era interlocutor freqüente do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Segundo investigadores, Garcez trocou dezenas de torpedos pelo celular com o governador”.Todos os envolvidos nas denúncias da PF agora tentam tirar o corpo fora. A desculpa mais esfarrapada, porém, foi a do líder dos demos no Senado: “Eu pensei que ele tivesse abandonado a contravenção, e se dedicasse apenas a negócios legais”. O paladino da ética, que ganhou os holofotes da mídia com suas falsas campanhas moralistas, diz desconhecer a atuação do mafioso. É hilário!Um mafioso com muito poderDe acordo com as primeiras revelações da Operação Monte Carlo, Carlinhos Cachoeira explorava uma rede de caça-níqueis e de cassinos ilegais em cinco estados brasileiros. Os seus cassinos em Goiânia e Valparaíso, nas cercanias de Brasília, rendiam cerca de R$ 3 milhões por mês, segundo os procuradores Daniel de Resende Salgado, Lea Batista de Oliveira e Marcelo Ribeiro de Oliveira. Além disso, o bicheiro preso mantinha jornalistas na sua folha de pagamento, possuía uma rede de espionagem ilegal e nomeou integrantes no governo tucano de Marconi Perillo. Segundo o juiz da 11ª Vara Criminal da Justiça Federal de Goiás, “descobriu-se a influência de Carlos Cachoeira na nomeação de dezenas de pessoas para ocupar funções públicas no Estado de Goiás”. A “inocência” dos paladinos da éticaCarlinhos Cachoeira ganhou os holofotes da mídia no primeiro mandato do ex-presidente Lula. Na época, ele liderava a campanha de bastidores pela liberação dos bingos. Num vídeo que ficou famoso, ele aparece com Waldomiro Diniz, ex-subchefe da Casa Civil, num flagrante de suborno. A mídia deu ampla repercussão para o caso. Será que agora ela dará o mesmo tratamento à Operação Monte Castelo, que envolve o demo “ético” Demóstenes Torres e o tucano Marco Perillo? Ou será que a mídia demotucana também acha, como o inocente senador, que o “empresário de jogos” havia “abandonado a contravenção”.

Assunto relacionado: Demostenes Torres desapareceu da midia

segunda-feira, 5 de março de 2012

O significado de ateu - (Arthur Virmond de Lacerda Neto)

Por:Arthur Virmond de Lacerda Neto

O vocábulo ateu apresenta três acepções:
1ª) Em sentido corrente, ateu é quem não crê na existência de um ser superior, tal como o concebem as religiões teológicas, ou seja, no que se chama de "deus", criatura onipotente (ele pode tudo quanto quer), onisciente (ele sabe tudo), onipresente (ele acha-se em toda a parte), onimisericordioso (é dotada de infinita bondade) e criador do universo e do ser humano. Neste sentido, todo positivista é ateu pois nenhum positivista acredita na existência de tal ser.
2ª) Ateu é quem nega a existência de deus. Enquanto no primeiro sentido, o ateu apenas não crê na sua existência, é incréu, caracteriza-se pela ausência de uma convicção, nesta segunda acepção ele caracteriza-se por uma afirmação, a de que deus não existe.
Há duas formas de negação: a) a negação relativa, em que se nega por falta de prova em contrário, ou seja, por jamais se haver demonstrado faticamente, com base na observação, a existência da divindade, b) a negação absoluta, em que o ateu afirma a inexistência de deus, mediante a confutação dos argumentos que pretendem provar-lhe a existência ou mercê da formulação de outros, que demonstram a impossibilidade desta existência.
A negação relativa corresponde a uma certa indiferença à idéia de deus; a negação absoluta, a uma atitude ativa, de caráter negador. Na primeira, o indivíduo aguarda que os deístas provem a existência de deus, na segunda, empenha-se em negá-lo. A primeira é o que se chama também de agnosticismo (e então, é-se agnóstico), enquanto que na segunda, é-se ateu em sentido ativo, ateu "militante" ou "praticante".
Algumas pessoas declaram-se agnósticas, porque indiferentes à existência de deus, da qual não cogitam nem para afirmá-la, nem para negá-la. Para estas pessoas, a idéia de deus simplesmente não interessa, sob aspecto nenhum. Alguns positivistas declaram-se agnósticos, outros, ateus militantes.
3ª) Ateu é quem, rejeitando as soluções da teologia, ocupa-se das suas questões.
Teologia é a área do pensamento humano relacionado com deus, que lhe afirma a existência, que pretende provar, e da qual deduz a política, a moral, a cosmogonia, a religião, as explicações da origem dos fenômenos etc. São questões teológicas, por excelência, a indagação das causas primeiras e das causas finais. As causas primeiras consistem em averigüar-se a origem do mundo, pela indagação: quem fez o mundo? As causas finais consistem em averigüar-se a finalidade do mundo: por que se fez o mundo? As causas também indagam porque os fenômenos acontecem: por que a maçã que se desprende da macieira, cai para baixo ao invés de tomar outro rumo ?
A teologia responde a tais questões com base em deus: ele criou o mundo, para a sua glória, ou para o seu divertimento, ou por desfastio etc. A maçã desloca-se para baixo, porque a este movimento corresponde a vontade divina, porque deus quer.
Ateus, nesta acepção, são os pensadores que formulam as mesmas indagações relativas às causas primárias, finais e dos fenômenos, rejeitando, porém, a solução teológica (a idéia de deus).
Eles caracterizam-se por uma nota negativa, a ausência de divindade nas suas especulações, e por uma positiva, a de especularem sobre as questões teológicas.
Neste sentido, nenhum positivista é ateu pois o Positivismo não se ocupa da investigação das causas primárias, finais e dos fenômenos. Ele ocupa-se de averigüar como os fenômenos se produzem, e não o porque desta produção; ele empenha-se em descobrir as leis naturais que constituem a ciência e que, permitindo a previsão dos fenômenos, é útil ao homem, sob a forma de tecnologia; ao passo que o ateu, neste sentido, especula sobre questões a cujo respeito pode-se pensar, porém jamais conhecer, ou seja, pode-se alcançar conclusões derivadas do puro pensamento embora inverificáveis pela experiência, ou seja, conclusões metafísicas.
Augusto Comte censurou o ateísmo da terceira acepção e para evitar a confusão entre ela e os positivistas, em que se chamasse os positivistas de ateus (na terceira acepção, que não lhes cabe), adotou o termo emancipados, como sinônimo de ateus nas primeira e segunda acepções (que lhes cabem). Emancipado é quem libertou-se da tutela mental da teologia, é aquele que rejeita a concepção de deus e tudo quanto se lhe relacione. Todo positivista é emancipado; todo aquele que rejeita deus também o é.
No primeiro significado, há incredulidade pura e simples; no segundo, há incredulidade por ausência de verificação da divindade, pela negação dos argumentos que lhe afirmam a existência ou pela afirmação dos que a negam; no terceiro, há a especulação em torno dos temas teológicos, sem a solução da teologia (é a metafísica).
Em nenhum dos três casos comparece a idéia de deus e os seus desdobramentos.
Os positivistas são ateus, sempre, no primeiro caso; são-no em o segundo, sob a forma de agnosticismo ou de ateísmo militante, dependendo das convicções de cada qual; jamais o são no terceiro.
18.VIII.2003
Arthur Virmond de Lacerda Neto é positivista ortodoxo.

Corrupção na ILHA.

Por Mário Augusto Jakobskind
 
Cuba vive há mais de 50 anos sob um bloqueio sem precedentes na história contemporânea. Os prejuízos totalizavam 975 bilhões de dólares em fins de 2010, segundo o governo cubano. Raúl Castro, que a mídia de mercado se refere apenas como o “irmão de Fidel”, como se ele não tivesse vida própria e ocupasse o cargo de presidente em função dos laços familiares, está conduzindo o processo revolucionário cubano, que na fase atual tenta se inserir no mercado mundial. Segundo analistas, Cuba se adapta ao mundo e não como era antes, quando Cuba queria que o mundo se adaptasse a Cuba.
Independente do bloqueio de mais de 50 anos, hoje Cuba enfrenta também outro perigo, tão ruim ou pior, nas palavras do Presidente Raúl Castro, do que o criminoso bloqueio estadunidense.

Raul Castro está preocupado com a corrupção do tipo colarinho branco, que provoca grandes danos ao Estado, consequentemente ao povo cubano. Burocratas de colarinho branco agem de forma perniciosa e acumulam grana em detrimento do povo. O próprio Fidel Castro, que continua a acompanhar os acontecimentos em Cuba e no mundo com suas reflexões, mesmo não ocupando mais a Presidência, já havia advertido em discurso para estudantes em 2005 que fenômenos internos negativos ameaçam a revolução socialista cubana.

Agora, ao discursar no encerramento do VIII Período Ordinário de Sessões da Assembleia Popular, no último dia 23 de dezembro, Raul Castro foi incisivo e não deixou dúvidas ao afirmar que “estou convencido que a corrupção é hoje um dos principais inimigos da revolução, muito mais perniciosa do que a atividade subversiva e de ingerência do governo dos Estados Unidos e seus aliados dentro e fora do país”.

Nesse sentido, vale lembrar o que se passou em determinado momento no Vietnã, quando dirigentes socialistas advertiam sobre os malefícios que a corrupção provocava ao povo. Indignados com o que acontecia nessa matéria alertavam que se os vietnamitas tinham conseguido derrotar militarmente o imperialismo da potência hegemônica estadunidense, não poderiam perder a batalha contra a corrupção praticada até mesmo por alguns “companheiros” colocados em postos importantes.

No discurso de fim de ano, Raul Castro citou o exemplo das “fraudes nos produtos agropecuários nos mercados da capital, que não existiram, nem se cultivaram, gerando um desfalque de mais de 12 milhões de pesos devido à atuação de diretores, funcionários e outros trabalhadores de empresas estatais que praticam o comércio, bem como de pequenos agricultores que se prestaram como testas de ferro”. E a todos eles, acrescentou Raúl Castro, “serão exigidos responsabilidades administrativas e penais, de acordo com a gravidade dos fatos”.

Cuba, em suma, não é nenhum paraíso, como entendem os áulicos e acríticos da revolução socialista. Não é nenhum inferno como dizem os setores radicais de direita cubano-americana. É apenas um país da face da terra com qualidades e defeitos. Quando a chamada mídia de mercado ataca o regime cubano,  o motivo de um modo geral é mais pelas qualidades do regime do que por seus defeitos.

A ilha caribenha tem um grande capital que nos dias de hoje vale muito mais do que qualquer cotação na bolsa de Wall Street. É a questão da segurança. Ao contrário do que acontece no México, no Brasil, na Venezuela e agora mesmo em países europeus que enfrentam grave crise, em Cuba o visitante circula com a maior tranquilidade, mesmo por ruas pouco iluminadas. Não corre riscos como nos países mencionados.

À noite, nas ruas pouco iluminadas de Havana,  o visitante pode ter a certeza que nada lhe acontecerá em matéria de assalto à mão armada ou sem arma. Pode até tropeçar ou cair numa falha do asfalto imperceptível no escuro. E só. Dirigindo automóvel pode parar em sinal a qualquer hora, pois estará certo que nada lhe acontecerá. E isso hoje em dia na América Latina é de grande valor.

As reformas estão presentes e merecem análise mais aprofundada.   Para muitos os resultados não tardarão. E tudo está sendo feito com a máxima cautela, para evitar que amanhã ou depois Cuba se veja atropelada pelos fatos.

Muita coisa que era proibida em décadas anteriores, hoje é absolutamente legal. Por exemplo, cubanos possuírem moedas estrangeiras e assim sucessivamente. Recentemente, o governo cubano permitiu a compra e venda de moradias e veículos. O número de trabalhadores por conta própria já supera os 350 mil, sendo que 80% deles optaram por se associarem a Central dos Trabalhadores Cubanos (CTC).

Assim, em síntese, caminha a ilha caribenha nesta nova fase de adaptação ao mundo atual. A direita golpista e terrorista em vários quadrantes continua furiosa e utilizando os valores da época da Guerra Fria quando diziam que Cuba era satélite da URSS. Como a URSS já era, a direita velhaca passou a utilizar outros adjetivos, que tentam induzir a opinião pública a repudiar o regime cubano.  Querem Cuba como nos velhos tempos de prostíbulo do Caribe. Este tempo acabou em 1 de janeiro de 1959.
 
Artigo pescado no blog Solidários
Titulo Original: Cuba 2012
 

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