sábado, 3 de março de 2012

Os 3 tipos básicos de sofrimento

A Ignorância, o Apego e a Aversão.


A ignorância é como uma cegueira mental. Apesar de acumularmos muitos conhecimentos úteis durante nossa vida, não conseguimos aprender o mais importante dos conhecimentos: saber lidar com a impermanência dos estados de prazer, alegria e felicidade.
Esta ignorância gera os outros dois sofrimentos: o apego e a aversão, criando a dualidade de nosso estado mental confuso.

Quando somos crianças queremos situações e sensações boas e evitamos as sensações ruins. Isto é saudável nesta idade infantil, mas nossos problemas começam quando nos tornamos adultos e nos apegamos aos momentos bons. Tentamos segurar as sensações prazerosas e tentamos evitar que elas terminem. Não estamos preparados para as mudanças que podem acontecer. Chamamos de apego esta ilusão de acharmos que temos controle sobre a duração da felicidade. Mas não temos controle algum sobre isto.

Como não temos consciência da impermanência dos acontecimentos, queremos segurar a vida e os momentos de felicidade. Ao pensar e agir desse modo, deixamos de viver o momento presente. Passamos a viver de uma felicidade que já passou ou que esperamos que aconteça. Para tentar satisfazer nossos desejos sensoriais, fazemos de tudo para evitar o sofrimento. Mas o sofrimento faz parte da vida e nem sempre podemos evitá-lo. Precisamos saber lidar com ele, enfrentá-lo, tentar transformar o sofrimento em estados mais equilibrados e compreender que são oportunidades de evolução e aprendizado.
Sentir aversão por alguma coisa ou por alguém gera sofrimento. Ódio e raiva são emoções negativas que trazem muitas inquietações.

Ao praticarmos a bondade, a amabilidade, a paciência, tornamos nossos relacionamentos mais naturais, espontâneos e verdadeiros. Por meio destas virtudes, edificamos um mundo mais humano e aprendemos a eliminar tanto o nosso sofrimento como o dos outros, e desta maneira, somos mais felizes.
Vamos tomando consciência da dor dos outros à nossa volta. E assim, percebemos a necessidade de ajudá-los a terem consciência de como podem amenizar e aceitar a dor para não serem infelizes. Daí surge a virtude da compaixão que é uma grande chave para nossa libertação.

A compaixão é uma qualidade essencial para nos livrarmos de nossas ansiedades e aversões. Compaixão não é sentir dó ou piedade. É uma atitude de valorizar a outra pessoa, percebendo que somos todos iguais. Abrimos nosso coração para sentir sentimentos como compreensão e aceitação.
A compaixão vai se desenvolvendo à medida que cultivamos a equanimidade, o não julgar, o não criticar e, passamos a ter o mesmo zelo pelo bem-estar dos outros como temos pelo nosso.

Para entendermos melhor os altos e baixos da vida, temos que compreender a lei cármica da impermanência.
Carma não é punição, é uma lei de causa e efeito. O carma não é um destino imutável. É impermanente, manipulável, transformável e pode ser extinto ou diminuído.
As sementes cármicas, boas ou más, têm o potencial de produzir frutos bons ou maus. Ao entender isso, você compreende que pode mudar seu destino e que pode segurar as rédeas de seu destino nas mãos se desenvolver boas virtudes.

Mesmo uma pequena ação pode ter uma grande consequência, positiva ou negativa. Às vezes, pequenos gestos gentis e favores, que você faz para alguém e nem se lembra mais, podem gerar bons frutos no futuro, pois aquela pessoa se lembra de sua bondade e procura lhe ajudar de outras maneiras.
Quanto maior a compaixão e a bondade de uma pessoa, maiores são as suas experiências subjetivas de felicidade. Quanto maior a negatividade, maior o seu sofrimento e dor. A realidade de nossa vida cotidiana é o resultado cármico dos nossos pensamentos, intenções, palavras e ações.


Pescado do Vyaestel

sexta-feira, 2 de março de 2012

Renato Casagrande tenta apaziguar aliados, mas perde influência no pleito em Vitória


Foto capa: Arquivo SD
Renata Oliveira

Depois do desconforto causado pelo episódio do suposto convite para Ricardo Ferraço (PMDB) ser candidato a prefeito de Vitória, o governador Renato Casagrande tenta apaziguar os ânimos dos aliados, destacando a potencialidade da candidatura da deputada federal Iriny Lopes (PT). Mas, para a classe política, a atuação do governador fez com que ele perdesse a condição de influir no pleito da Capital.

Os comentários são de que Casagrande não teria feito um convite para Ricardo Ferraço disputar a eleição, mas depois do boato lançado pela mídia nacional, não teve condições de desmentir o convite. Daí teve que arcar com as consequências da escolha e tenta agora apagar o incêndio causado no tabuleiro eleitoral não só de Vitória, mas do Estado.

Isso porque os partidos estão com sua atenção voltada para Vitória, que é a segunda maior vitrine eleitoral do Estado, depois do governo. Como o posicionamento de Casagrande não foi firme, criou uma situação desconfortável para os demais aliados.

Isso fecha as portas para que o governador possa influir na disputa da Capital, assim como já não tem espaço para influenciar na disputa em Vila Velha. Depois do episódio envolvendo o convite do governador para a filiação do ex-prefeito Max Filho ao PSB, que acabou não acontecendo por conta da reação da classe política.

A situação é mais complicada em Vitória, devido ao cenário radicalizado de PSDB e PT, que se alternam na prefeitura a um quarto de século. O PT já havia confirmado a candidatura da deputada federal Iriny Lopes. O PSDB vinha indeciso entre César Colnago e Luiz Paulo Vellozo Lucas, mas em reunião com os dois principais agentes tucanos, a definição já caminha para a disputa de Luiz Paulo em Vitória, enquanto Colnago vai comandar o processo eleitoral no Estado.

Por isso, a ação creditada a Casagrande mostra uma interferência em um processo tradicional em Vitória e de uma forma truculenta. Para esquentar mais ainda o processo, a avaliação positiva da atual gestão na área da Saúde, pode recolocar o prefeito João Coser (PT) como figura de influência na disputa por sua sucessão.

Além do campo PT e PSDB, Casagrande incomodou ainda os demais partidos que apresentaram nomes ao pleito, a maioria integrante de sua base aliada, o que deixa a situação ainda mais desconfortável para o governador.

Via Século Diário

A elite miserável do Brasil

Por Urariano Mota, no sítio Direto da Redação:

No dia em que Lula recebeu o título de doutor honoris causa na França, o diretor do Instituto de Estudos Políticos de Paris, Ruchard Descoings, chamou a imprensa para uma coletiva. É claro que jornalistas do Brasil não poderiam faltar, porque se tratava de um ilustre brasileiro a receber a honra, pois não? Pois sim, deem uma olhada no que escreveu Martín Granovsky, um argentino que honra a profissão, no jornal Página 12. Para dizer o mínimo, a participação de “nossos” patrícios foi de encher de vergonha. Seleciono alguns momentos do brilhante artigo de Martín, "Escravistas contra Lula":



“Para escutar Descoings foram chamados vários colegas brasileiros... Um deles perguntou se era o caso de premiar quem se orgulhava de nunca ter lido um livro. O professor manteve sua calma e deu um olhar de assombrado. Talvez Descoings soubesse que essa declaração de Lula não consta em atas, embora seja certo que Lula não tenha um título universitário. Também é certo que quando assumiu a presidência, em primeiro de janeiro de 2003, levantou o diploma que é dado aos presidentes do Brasil e disse: ‘Uma pena que minha mãe morreu. Ela sempre quis que eu tivesse um diploma e nunca imaginou que o primeiro seria de presidente da República’. E chorou.

‘Por que premiam um presidente que tolerou a corrupção?’, foi a pergunta seguinte. Outro colega brasileiro perguntou se era bom premiar alguém que uma vez chamou de ‘irmão’ a Muamar Khadafi. Outro, ainda, perguntou com ironia se o Honoris Causa de Lula era parte da política de ação afirmativa do Sciences Po.

Descoings o observou com atenção antes de responder. ‘As elites não são apenas escolares ou sociais’, disse. ‘Os que avaliam quem são os melhores, também. Caso contrário, estaríamos diante de um caso de elitismo social. Lula é um torneiro mecânico que chegou à presidência, mas pelo que entendi foi votado por milhões de brasileiros em eleições democráticas’ ”.



Houve todas essas intervenções estúpidas e deprimentes. Agora, penso que cabem duas ou três coisas para reflexão. A primeira delas é a educação de Lula. Esse homem, chamado mais de uma vez pela imprensa brasileira de apedeuta, quando o queriam chamar, de modo mais simples, de analfabeto, burro, jumento nordestino, possui uma educação que raros ou nenhum doutor possui. Se os nossos chefes de redação lessem alguma coisa além das orelhas dos livros da moda, saberiam de um pedagogo de nome Paulo Freire, que iluminou o mundo ao observar que o homem do povo é culto, até mesmo quando não sabe ler. Um escândalo, já veem. Mas esse ainda não é o ponto. Nem vem ao caso citar Máximo Górki em Minhas Universidades, quando narrou o conhecimento que recebeu da vida mais rude.


Fiquemos na educação de Lula, este é o ponto. Será que a miserável elite do Brasil não percebe que o ex-presidente se formou nas lutas e relações sindicais? Será que não notam a fecundação que ele recebeu de intelectuais de esquerda em seu espírito de homem combativo? Não, não sabem e nem veem que a presidência de imenso sindicato de metalúrgicos é uma universidade política, digna dos mais estudiosos doutores. Preferem insistir que a maior liderança da democracia das Américas nunca passou num vestibular, nem, o que é pior, defendeu tese recheada de citações dos teóricos em vigor. Preferem testar essa criação brasileira como se falassem a um estudante em provas. Como nesta passagem, lembrada por Lula em discurso:


"Me lembro, como se fosse hoje, quando eu estava almoçando na Folha de São Paulo. O diretor da Folha de São Paulo perguntou pra mim: ‘O senhor fala inglês? Como é que o senhor vai governar o Brasil se o senhor não fala inglês?’... E eu falei pra ele: alguém já perguntou se Bill Clinton fala português? Eles achavam que o Bill Clinton não tinha obrigação de falar português!... Era eu, o subalterno, o colonizado, que tinha que falar inglês, e não Bill Clinton o português!’


O jornalista argentino Martín Granovsky observa ao fim que um trabalhador não poderia ser presidente. Que no Brasil a Casa Grande sempre esteve reservada para os proprietários de terra e de escravos. Que dirá a ocupação do Palácio do Planalto. Lembro que diziam, na primeira campanha de Lula para a presidência, que dona Marisa estava apreensiva, porque não sabia como varrer um palácio tão grande... Imaginem agora o ex-servo, depois de sentar a bunda por duas vezes no Planalto, virar Doutor na França. O mundo vai acabar.


O povo espera que não demore vir abaixo. 


 

Windows 8 Consumer Preview passa de 1 milhão de downloads

A Microsoft liberou a versão Consumer Preview do Windows 8 na manhã do dia 29/02, e o sucesso do Beta é medido na casa dos milhões. Apenas nas primeiras 24 horas da liberação da versão prévia do sistema, foram registrados mais de 1 milhão de downloads em todo o mundo. Rumores dão conta de que a versão definitiva do sistema será lançada oficialmente no princípio do segundo semestre deste ano.

O volume de downloads de um arquivo de 3.3 GB na versão 64 bits chega a impressionar por conta do período. Para se ter uma ideia, significa que a cada hora, 41 mil downloads completos foram realizados da imagem do sistema operacional. A Microsoft teve sucesso em despertar o interesse e curiosidade de toda essa massa por seu novo sistema.
Mas quando se compara o volume de downloads da prévia aos números totais da difusão do Windows enquanto plataforma, fica claro que a Microsoft tem um longo caminho pela frente. Só o Windows 7 está em 450 milhões de computadores, e a isso soma-se ainda parcelas significativas de usuários de XP e Vista. Conquistar esse volume de pessoas é fundamental para que o Windows 8 não fique marcado por apenas um bom começo.
Via The Next Web

quinta-feira, 1 de março de 2012

Rui Rodrigues - Argentina Kirchner


As coisas não vão muito bem pelo mundo, de modo geral, envolvido que está numa crise econômica que só encontra precedentes na de 1929 – Queda da bolsa de N. York, e nos templos bíblicos quando José teve que emigrar para o Egito.

A bela Cristina Argentina Kirchner ouviu dizer que um barco de guerra inglês tinha entrado nas ilhas Malvinas para operações de treinamento militar. Viu nessa oportunidade o grande momento para esvanecer os problemas internos. Poderia ter feito uma reclamação formal e ficar por isso mesmo, sem nem sequer dar importância para o resultado da reclamação, porque não iria mudar nada no equilíbrio político mundial nem nas Malvinas, nem na Argentina ou na Inglaterra, mas foi mais longe.

Pede boicote aos produtos ingleses. É a teoria do suicídio posta em prática. Critica o boicote americano a Cuba e propõe um boicote à Inglaterra, como se não percebesse como está dividido o poder no mundo e pior, não percebesse o quanto ela mesma se desvia do bom senso. Ademais, a Inglaterra e a União Européia são um dos maiores parceiros comerciais da Argentina... A teoria do suicídio posta em prática não pode ter apoio na sensatez pelo contrário, parece ato tresloucado, ato para por a culpa de tudo o que acontece de mal na Argentina, no mundo exterior e em particular, na Inglaterra.

A bela Cristina Argentina Kirchner passou a fase de deslumbramento no poder e chegou agora à fase de desespero no poder. A partir daqui é só descida em sua vida política, porque a base deste seu desespero está na constatação de que sua economia e os atos de seu governo não levarão a Argentina onde os argentinos pensam que seriam levados. Ela vai para o outro lado.


 Debate fórum facebook grupo Mea Cuba
Marco Lisboa Uma parte da esquerda brasileira sofre o que eu chamo de carência ideológica aguda. Com o desmoronamento do bloco socialista e a perda de conteúdo ideológico do PT e de vários outros partidos de esquerda, criaram o que eu chamo de Mancha Vermelha. Esta organizada tem coligadas no mundo todo. São vários os critérios para esta coligação. O primeiro é nominal - colocaram Comunista ou mesmo socialista no nome, é dos nossos. O pequeno Kim entra nesta cota. Tempos atrás uma diretora da Mancha caiu de pau na Veja porque chamou o Kimzinho de ditador. Eu perguntei como os milhões que passam fome e os 200.000 norte-coreanos presos em campos de concentração deveriam chamá-lo. Outro critério é o discurso antiamericano. Kadafi, Saddam, El-assad e outros entram nesta cota. Estes fanfarrões massacram o seu povo e usam como desculpa um imperialismo com o qual convivem perfeitamente. Kadafi chegou ao ponto de colaborar intimamente com a CIA, além de financiar as campanhas de Sarkozy e Berlusconi. Mas são dos nossos. Finalmente, qualquer caudilho com um discurso populista é coligado. Chavez é um exemplo clássico. A Kirchner também. O trágico, além da perda de credibilidade, é a perda da independência política. O PSUV de Chavez obrigou a todos os partidos de esquerda que apoiavam Chavez a se integrarem a ele. Não existe outro projeto político oficial além do Chavismo. No Brasil, em nome da governabilidade, tornou-se obrigação da Mancha defender todo corrupto da base aliada pego em flagrante pela grande imprensa. Que foi batizada de PIG. Em vez de repensar a sua política de alianças, a Mancha lançou uma campanha diversionista pedindo um marco regulatório. Eles fazem questão de confundir o tempo todo imprensa com concessões de rádio e televisão e obrigação de ter um conteúdo com valor social com censura política e ideológica. Eu não diria que os conceitos de esquerda e de direita estão ultrapassados. Mas com certeza, boa parte de nossa esquerda está ultrapassada.
Alvaro Luiz Magalhães Marques Esta análise do Marco Lisboa está perfeita e é provavelmente a mais incisiva dentre todas que as já foram feitas aqui, vindo ao encontro de praticamente tudo que penso da esquerda hoje. Faria apenas um acréscimo, que na verdade apenas consubstancia o que já está sugerido na construção do argumento, e que diz respeito às lacunas éticas características de todo discurso autojustificado, ferramenta essencial de que qualquer ditadura lança mão sem hesitar. Voltarei a isto mais tarde, mas acho que todos entendem o significado dessa fragilidade básica.
Já especificamente com relação aos conceitos de esquerda e direita, talvez precisássemos cotejar com mais acerácea nossos pontos de vista, o que, inobstante, não compromete o conjunto da argumentação. A princípio, contudo, vejo-os diluídos e sem muita razão de ser se quisermos falar em democracia, e numa tentativa de defini-la de forma mais ou menos universal. Não me parece possível sustentar, a partir de fundamentações filosóficas ou sócio-econômicas, que ou direita ou esquerda queiram um mal-definido "bem do povo" uma mais do que a outra. Os experimentos concretos de ambos os lados, por sua vez, tampouco me parecem autorizar qualquer distinção conclusiva. A esquerda, especialmente no Brasil, ficou muito associada à luta contra a ditadura militar, mas isto não é suficiente para credenciá-la a ser mais favorável ao povo, mais "progressista", e sua adesão à causa democrática é não só recente como difusa e por vezes ainda meramente utilitária. E aí é que eu não admito ditadura de pseudo-vanguardas "pelo bem do povo" - vai mandar em casa, na mulher e na filharada que já faz muito. Daí é que desponta a idéia de democracia e de participação (cada vez mais direta e menos mediada por ideologias) como algo que, quase por definição, já estabelece o que é bom para o povo sem a presença impertinente atravessadores ideológicos.
Marco Lisboa Uma das grandes cagadas do socialismo real foi a sua pretensão ao totalitarismo: ele reivindicava que o Estado sabia o que era melhor no terreno da arte, da moral, da religião, da opção sexual, etc. Outra cagada, conseqüência da primeira, foi a divisão entre revolução e os inimigos do povo. Se um caminho era melhor do que outro, quem optava pelo caminho errado estava indo na direção da contra-revolução, logo era um inimigo do povo. Como conseqüência, veio a repressão, já que um estado tão onipresente e tão onipotente não podia tolerar a ação do inimigo dentro de seu organismo. Isto pelo lado do estado. Acho que é isto que o Álvaro chama de discurso autojustificado.

Do lado do povo, cresce o oportunismo, a apatia, o carreirismo, já que num estado que está em toda a parte, não há como se esconder. É preciso mostrar com clareza que se é um revolucionário e não um inimigo do povo. Em Cuba, apesar de não terem se produzido os excessos soviéticos, os CDR (comitês de Defesa da Revolução) acabaram por se transformar num instrumento de fiscalização da vida alheia. No fim, todos se vigiam o tempo todo.
Uma outra questão que precisa ser repensada é a questão do partido e da vanguarda. Todo processo revolucionário necessita uma organização revolucionária ( ou uma frente). A primavera árabe não é um contra-exemplo válido, porque a derrubada de Mubarak acabou passando o poder para os militares e o vazio está sendo ocupado pela irmandade muçulmana e seus aliados.
O problema começa com o exercício do poder. Como separar Estado e Partido (ou Frente)? Como evitar que a vanguarda substituía o povo? A questão não é nem um pouco simples, porque um processo revolucionário não é limpinho, perfeito e arrumadinho. É turbulento, com ações violentas interna e externamente. Cuba, por mais que Fidel fizesse um discurso humanista, tinha que bater de frente com os americanos, porque o país vivia praticamente num neo-colonialismo, exportando açúcar para comprar caramelo, com disse o próprio. Com a máquina do estado desmantelada, são precisas ações emergenciais, não dá para submeter tudo a uma assembléia. Sem falar que o novo poder necessita de instrumentos de auto defesa, um exército, uma polícia e um corpo diplomático, que não se prestam a um exercício da democracia direta.
Nesse sentido, o governo cubano errou por demorar mais de 10 anos para se institucionalizar, errou por adotar uma liderança carismática e errou por impor um partido único, ainda por remontado de cima para baixo.
 

Juiz recorre à bíblia para negar indenização por espera em banco

O juiz Rosaldo Elias Pacagnan, do 1º Juizado Especial Cível da Comarca de Cascavel (PR), recorreu à Bíblia e a um personagem de histórias em quadrinhos para rejeitar uma ação movida por um advogado que pretendia ser indenizado pelo banco Bradesco por esperar 38 minutos na fila de atendimento.
"Tudo tem seu tempo determinado", sentenciou o juiz, citando o texto bíblico de Eclesiastes. "Há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de colher o que se plantou". Na sentença, o magistrado emendou: "Há tempo de ficar na fila, conforme-se com isso".
Para Pacagnan, "o dano moral não está posto para ser parametrizado pelos dengosos ou hipersensíveis". Ele afirmou isso porque o autor colocou na petição que qualquer ser humano com capacidade de sentir emoção "conseguirá perceber que não estamos diante de mero dissabor do cotidiano" ao se referir à demora do atendimento.
O magistrado reconheceu que a demora causou estresse, perda de tempo, angústia e até ausência para a realização de necessidades básicas, mas afirmou que desde que ele --o próprio juiz-- se "conhece por gente", se considera bem humano e não tem redoma de vidro para protegê-lo. "Aliás, o único sujeito que conheço que anda com essa tal redoma de vidro é o Astronauta, personagem das histórias em quadrinhos do Maurício de Souza; ele sim, não pega fila, pois vive mais no espaço sideral do que na Terra", diz a sentença.
As filas, segundo o juiz, integram o cotidiano e são indesejáveis, porém, toleráveis. "Nem tudo pode ser na hora, pra já, imediatamente, tampouco em cinco ou dez minutos! Nem aqui, nem na China", escreveu.
Pacagnan disse ainda, na sentença, que o Poder Judiciário está sendo entupido "com a mania de judicializar as pequenas banalidades".
LEGISLAÇÃO
No Paraná, a Lei Estadual 13.400/2001 estabelece um limite máximo de 20 minutos para o atendimento em agências bancárias. Nas vésperas e após feriados, o prazo se estende para 30 minutos. A lei também vale para espera em caixas de supermercados.
As denúncias devem ser feitas no Procon e podem render multas que variam de mil a 10 mil UFIRs (Unidade Fiscal de Referência).
O advogado Éden Osmar da Rocha Junior disse que vai recorrer da sentença.
"Apesar de ser um bom juiz, que dá sentenças bem fundamentadas, desta vez ele não foi feliz", disse.

Errou o juiz em desrespeitar uma lei estadual, errou ao citar um livro religioso na sentença em um país laico.
O Brasil caminha rapidamente para se tornar uma teocracia radical.

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