
Zarattini
tinha câncer na medula e sofria das intercorrências provocadas pela doença
Morreu
neste domingo (15) o ex-deputado federal Ricardo Zarattini. Engenheiro, foi um
dos 15 presos políticos soltos, em 1969, em troca da libertação do embaixador
americano Charles Burke Elbrick. Pai do líder do PT na Câmara, o deputado
federal Carlos Zarattini, e irmão do ator Carlos Zara (1930-2002), ele tinha 82
anos e estava internado havia dez dias na UTI do hospital Sírio-Libanês, em São
Paulo.
Zarattini
tinha câncer na medula e sofria das intercorrências provocadas pela doença. Seu
corpo será velado a partir das 22h na capela do Cemitério São Paulo, em
Pinheiros (zona oeste), e o enterro será na tarde desta segunda-feira
(16).Líder estudantil aos 16 anos, o político foi um dos participantes da
campanha "O Petróleo é Nosso", que culminou com a criação da
Petrobras.
Ex-integrante
do PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário), foi preso pela primeira
vez no dia 10 de dezembro de 1968, em Pernambuco, três dias antes da decretação
do AI-5, o Ato Institucional nº 5. Torturado, foi encarcerado no Quartel Dias
Cardoso (PE).
Em
1969, conseguiu fugir com a ajuda dos soldados aos quais dava aulas e que o
apelidaram de "o professor". Ficou escondido por um mês no Convento
das Doroteias, graças ao auxilio de dom Hélder Câmara. Voltou clandestinamente
para São Paulo. Em julho, foi preso pela Oban (Operação Bandeirante). Detido e
torturado na cadeia do Dragão por 14 dias, foi libertado em setembro daquele
ano em troca do embaixador americano sequestrado por militantes de esquerda.
No
grupo dos 15 libertados, estava o ex-ministro José Dirceu. Em 2013, na
comemoração dos 78 anos, Zarattini fez um ato de desagravo aos petistas
condenados no processo do mensalão. Ao comentar a morte do ex-deputado, Dirceu
lembrou ter convivido com ele em Cuba e como era conhecido: "velho
Zara".
Zarattini
foi assessor de Dirceu na Casa Civil, no primeiro ano do primeiro governo Lula,
e assumiu uma vaga de deputado em 2004, já que era suplente de bancada. O
ex-ministro o descreve como um homem dedicado "ao combate ao
imperialismo".
"Não
tenho palavras para expressar minha gratidão ao companheiro Zara",
escreveu Dirceu.
Zarattini
tinha mobilidade e fala comprometidas em decorrência da doença e de torturas.
Caminhando com auxílio de uma bengala e, no fim da vida, em cadeira de rodas,
ele participava nos últimos tempos de atos em defesa do ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva.
"Perdemos
um grande companheiro, Ricardo Zarattini, revolucionário, socialista e
petista", escreveu o ex-presidente do PT Rui Falcão.
Zarattini
iniciou sua militância política quando ainda era secundarista e foi presidente
da União Estadual dos Estudantes (UEE) de São Paulo. Após sua libertação em
troca do embaixador Elbrick, Zarattini foi para o México, Cuba e Chile. Em
1974, voltou ao Brasil clandestinamente. Em maio de 1978, foi novamente preso e
torturado, sendo libertado no ano seguinte no processo de anistia.
O
ex-deputado foi o primeiro brasileiro a ter o banimento revogado, filiando-se
em seguida PDT, de Leonel Brizola. Em 1993, a convite de Brizola, foi trabalhar
na liderança do PDT na Câmara dos Deputados, onde permaneceu até 2002, mesmo
depois de se filiar ao PT. Em 2002, concorreu pelo PT à Câmara. Como era
suplente, assumiu uma vaga em 2004.Em 2013, foi inocentado de ser um dos
responsáveis pela explosão de uma bomba no saguão do aeroporto do Recife,
ocorrida em 1966. Documentos dos órgãos de segurança, apresentados pela
Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara, desvinculavam o
político da acusação. (Folhapress)
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