segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

O Brasil não é para principiantes

Por Wesley Sousa no Trincheiras

Saiu a notícia que Lula “era o comandante máximo” do esquema da Lava-Jato.
É ‘óbvio’ isso, mas não por ser verídico, aliás. Honestamente, as pessoas andam tendo uma visão baseada no “senso comum” (ler Gramsci). Houve um tempo onde o termo “senso comum” era justamente o oposto do que é hoje. Senso Comum era aquilo que tinha evidências científicas, aquilo que faz parte do conhecimento dos fatos.

Hoje, senso comum se tornou o terceiro modo do conhecimento, definido por Espinosa como conhecimento por “ouvir dizer”. Ou seja, senso comum é o que se ouve no bar, no jantar em família e na Globo. A mídia é o aparato de manipulação do povo para que um grupo político se mantenha no status quo e desmoralizando aquilo que é ‘inimigo’ (ler Noam Chomsky).

Outra coisa, e, talvez a mais fundamental, seja o fato do pensamento maquiavélico estar bem atual: o que move a política, segundo Maquiavel, é a luta pela conquista e pela manutenção do poder, não importando como. Assim, para se alcançar um objetivo (o poder e sua manutenção) vale utilizar-se de qualquer método – até mesmo praticando golpe de Estado via Parlamento.

Dizemos que Maquiavel é o fundador do pensamento político contemporâneo, pois foi o primeiro a pintar os fatos “como realmente são” e não mais “como deveriam ser”. Ou seja; ao contrário de Hannah Arendt, a questão da moralidade na política é apenas caricata. Hannah Arendt dizia que quando alguém está no poder é porque tem a autorização do grupo para falar em seu nome. Ledo engano. Mas uma coisa ela acertou: Direito [Justiça] é na verdade um complexo fenômeno de relações sociais, políticas, econômicas e culturais. O Direito é comunicação, é fetiche, é sentimento, é proibição, é coação, é instrumento de mando. Entretanto, eu complemento: aparelhado ao poder político, a moralidade pouco importa, e é nisso que Maquiavel está à frente de Arendt.

A prisão de Lula já foi sacramentada, só faltam inventar o crime. Mas por que? Para dar o golpe de misericórdia na ala progressista brasileira (já que a mídia implementou a ideia no povo sendo ele a figura maior desta). Não importa a moral ou a Justiça, pedir a cabeça dele é aliviar os maquiavélicos que estão no poder.

Trata-se, portanto, mais que uma alerta sobre as arbitrariedades das instituições brasileiras considerando as inconsistências da peça acusatória. A esquerda precisa se reorganizar, e o quanto antes.

Como disse Tom Jobim: “O Brasil não é para principiantes”.

3 comentários:

  1. Respostas
    1. Bom dia Ivan Balbino.

      Não podemos confundir provas com acusações. Há um grande equívoco por boa parte da ´população, em especial para aqueles que demonizam o PT, quando aqueles afirmam que Lula o Lula já deveria estar preso e coisa e tal. Na verdade não existe nenhuma prova contra o Lula, o que existem são acusações e "convicções" contra ele, aliás, foi uma dessas "convicções" de um dos membros da operações lava jato que criou grande constrangimento para o MPF, quando o tal delegado sugeriu a prisão do Lula mesmo sem ter provas contra ele, mas sim pelo fato de o delegado ter a CONVICÇÃO de que Lula seria culpado. No final das contas o MPF teve que se explicar e ficou muito ruim para a já desgastada imagem da instituição. Nação basta alguém querer que ele seja preso. Não basta acusar o Lula ou qualquer outra pessoa, para aquela ser presa é preciso que existam provas e que aquele seja julgado com base naquelas provas.

      Abração

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  2. quando vejo comentarios como esse sobre lula.............
    lembro dos ex companheiros dele falando quem e lula.......
    caio fabio ,conhece lula muito bem.................

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