sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Delator muda versão e diz que não houve propina na campanha de Dilma e Temer


O empreiteiro Otávio Marques de Azevedo, um dos delatores da Operação Lava Jato, disse ontem (17) em depoimento ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que não houve doação eleitoral em forma de propina para a chapa da campanha presidencial Dilma-Temer de 2014.  Azevedo é ex-presidente da Andrade Gutierrez.

Segundo advogados que presenciaram a audiência, Azevedo retificou depoimento prestado anteriormente no qual confirmou os repasses em forma de propina para os comitês da ex-presidenta Dilma e do então vice, Michel Temer.

O delator foi chamado a depor novamente na Justiça Eleitoral por determinação do ministro Herman Benjamim, que atendeu pedido feito pelos advogados da campanha de Dilma.

Diante de fatos como esse, onde um delator retifica sua delação ao bel prazer do momento, ou seja, alterando sua versão de acordo com a conveniência já que, a versão que antes prejudicou sobremaneira uma das partes beneficiando a outra com a mesma intensidade, agora é simplesmente retificada com o único intuito de proteger a parte que havia sido favorecida, da mostra do quanto podemos confiar na nossa justiça.

O maior interessado e beneficiado com essa retificação é o atual presidente em exercício, senhor Michel Temer que, até antes de conseguir seu objetivo de assumir a presidência, jamais defendera a companheira de chapa quando veio à tona a primeira versão de delação, onde foi dito pelo delator que a empresa que ele representava teria doado ao PT e consequentemente à ex-presidente Dilma um cheque no valor de 1 milhão de reais. Agora, depois de ser provado que o tal cheque estava nominal ao atual presidente, logo, se houve corrupção aquela teria sido cometida pelo beneficiado pelo cheque e não por sua companheira de chapa, a justiça aceita passivamente a tal retificação na delação original.

Estamos diante de mais um inequívoco caso onde a nossa justiça está a serviço dos interesses de alguns, ignorando os direitos dos demais. E mais, se nesse caso a nossa “justiça” agiu dessa forma, quem nos garante que esta mesma justiça não tenha igualmente agido outras tantas vezes? Neste caso, desculpem-me os puritanos e maus intencionados, mas até eu que não pactuo do tal discurso de que foi golpe, estou começando a pensar que de fato a possibilidade de isso ter ocorrido é enorme.

Os defensores afirmaram  ao TSE que cerca de R$ 1 milhão, valor que teria sido recebido de propina pela empreiteira e repassado como doação de campanha, foram transferidos em julho de 2014 para o diretório nacional do PMDB, e não do PT, como disse Azevedo em um primeiro depoimento.

De acordo com o advogado Flávio Guedes, representante do PMDB,  Azevedo retificou seu depoimento e disse que todas as doações feitas ao partido e para Dilma foram legais, inclusive o repasse que consta em um cheque de R$ 1 milhão repassado à campanha de Temer.

"Foi um depoimento de retificação em que ele apresentou a nova versão dizendo que se equivocou em relação ao primeiro depoimento e que, ao contrário do que disse, não houve da Andrade Gutierrez, nenhum valor de propina para a campanha presidencial de 2014." disse Guedes.

O advogado da campanha de Dilma, Flávio Caetano, também confirmou que Otávio de Azevedo reconheceu que "não houve nenhuma propina e nenhuma irregularidade na campanha de Dilma e de Temer".

"Dos 25 testemunhos de acusação, era o único que tinha dito que tinha alguma irregularidade na campanha. Hoje cai por terra toda e qualquer acusação de irregularidade na arrecadação da campanha de Dilma e Michel Temer", afirmou Caetano.

Após o depoimento, que durou cerca de duas horas, Azevedo foi abordado pela imprensa e evitou fazer comentários sobre seu depoimento, mas disse que está "tranquilo".


"Da minha parte estou bastante tranquilo, como vejo que tem que ser. Vamos continuar olhando para frente. Olhando para essa caminhada para frente".

Em dezembro de 2014, as contas da campanha de Dilma e do então vice-presidente Michel Temer foram aprovadas, por unanimidade, no TSE. No entanto, o PSDB questionou a aprovação por avaliar que havia irregularidades nas prestações de contas apresentadas por Dilma, como doações suspeitas de empreiteiras. Conforme entendimento atual do tribunal, a prestação contábil da chapa é julgada em conjunto.

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