segunda-feira, 7 de maio de 2012

Cachoeira e Veja: Luis Nassif revela as matérias plantadas pelo bicheiro na semanal da Abril

As digitais de Cachoeira e seus associados, incluindo o senador Demóstenes Torres, estão nos principais furos da Revista Veja ao longo do governo Lula: os dólares de Cuba, o dinheiro das FARC para o PT, a corrupção nos Correios, o espião de Renan Calheiros, o grampo sem áudio, o “grupo de inteligência” do PT

Em 2008 dei início à primeira batalha de um blog contra uma grande publicação no Brasil. Foi O caso de Veja, uma série de reportagens denunciando o jornalismo da revista Veja. Nela, selecionei um conjunto de escândalos inverossímeis, publicados pela revista. Eram matérias que se destacavam pela absoluta falta de discernimento, pela divulgação de fatos sem pé nem cabeça.

A partir dos “grampos” em Carlinhos Cachoeira foi possível identificar as matérias que montava em parceria com a revista. A maior parte delas tinha sido abordada na série, porque estavam justamente entre as mais ostensivamente falsas.

Com o auxílio de leitores, aí vai o mapeamento das matérias:
Do grampo da PF divulgado pela revista Veja este fim de semana.
Cachoeira: Jairo põe um trem na sua cabeça. Esse cara aí não vai fazer favor pra você nunca isoladamente, sabe? A gente tem que trabalhar com ele em grupo. Porque os grande furos do Policarpo fomos nós que demos, rapaz. Todos eles fomos nós que demos (…).

Cachoeira: Eu fiquei puto porque ontem ele xingou o Dadá tudo pro Cláudio, entendeu? E você dando fita pra ele, entendeu? (…)

Cachoeira: Agora, vamos trabalhar em conjunto porque só entre nós, esse estouro aí que aconteceu foi a gente. Foi a gente. Quer dizer: mais um. O Jairo, conta quantos foram. Limpando esse Brasil, rapaz, fazendo um bem do caralho pro Brasil, essa corrupção aí. Quantos já foram, rapaz. E tudo via Policarpo.

Graças ao grampo, é possível mapear alguns dos “furos” mencionados pelo bicheiro na conversa entre o bicheiro Carlinhos Cachoeira com o PM-araponga Jairo Martins, um ex-agente da Abin que se vangloria de merecer um Prêmio Esso por sua colaboração com Veja em Brasília. Martins está preso, junto com seu superior na quadrilha de Cachoeira, o sargento aposentado da Aeronáutica Idalberto Matias, o Dadá, fonte contumaz de jornalistas – com os quais mantém relações de agente duplo, levando e trazendo informações do submundo da arapongagem.

O primeiro registro da associação entre Veja e Cachoeira está numa reportagem de 2004, que desmoralizou uma CPI em que o bicheiro era investigado. Em janeiro daquele ano, Cachoeira foi a fonte da revista Época, concorrente de Veja, na matéria que mostrou Waldomiro Diniz, sub de José Dirceu, pedindo propina ao bicheiro quando era dirigente do governo do Rio (2002). Depois disso, Cachoeira virou assinante de Veja.
As digitais do bicheiro e seus associados, incluindo o senador Demóstenes Torres, estão nos principais furos da Sucursal de Brasília ao longo do governo Lula: os dólares de Cuba, o dinheiro das FARC para o PT, a corrupção nos Correios, o espião de Renan Calheiros, o grampo sem áudio, o “grupo de inteligência” do PT.

O que essas matérias têm em comum:

1) A origem das denúncias é sempre nebulosa: “um agente da Abin”, “uma pessoa bem informada”, “um espião”, “um emissário próximo”.
2) As matérias sempre se apoiam em fitas, DVDs ou cópias de relatórios secretos – que nem sempre são apresentados aos leitores, se é que existem.
3) As matérias atingem adversários políticos ou concorrentes nos negócios de Cachoeira e Demóstenes Torres (o PT, Lula, o grupo que dominava os Correios, o delegado Paulo Lacerda, Renan Calheiros, a campanha de Dilma Rousseff)
4) Nenhuma das denúncias divulgadas com estardalhaço se comprovou (única exceção para o pedido de propina de R$3 mil no caso dos Correios).
5) Assim mesmo, todas tiveram ampla repercussão no resto da imprensa.
Confira agora a cachoeira dos furos da Veja em associação com Demóstenes, arapongas e capangas do bicheiro preso:

1) O caso do bicheiro vítima de extorsão

Revista Veja Edição 1.878 de 3 de novembro de 2004
Trecho da matéria: Na semana passada, o deputado federal André Luiz, do PMDB do Rio de Janeiro, não tinha amigos nem aliados, pelo menos em público. Seu isolamento deveu-se à denúncia publicada por Veja segundo a qual o deputado tentou extorquir R$4 milhões do empresário de jogos Carlos Cachoeira. As negociações da extorsão, todas gravadas por emissários de Cachoeira, sugerem que André Luiz agia em nome de um grupo de deputados.
Nota: A fonte da matéria são “emissários de Cachoeira”, o “empresário de jogos” que Veja transformou de investigado em vítima na mesma CPI.

2) O caso do dinheiro das Farc

Capítulo 1 – Revista Veja Edição 1896 de 16 de março de 2005
Trecho da reportagem: Um agente da Abin, infiltrado na reunião, ouviu tudo, fez um informe a seus chefes (…) Sob a condição de não reproduzi-los nas páginas da revista, Veja teve acesso a seis documentos da pasta que trata das relações entre as Farc e petistas simpatizantes do movimento.
Capítulo 2 – Revista Veja Edição 1.899 de 6 de abril de 2005
Trechos da matéria: Na semana passada, a comissão do Congresso encarregada de fiscalizar o setor de inteligência do governo resolveu entrar no caso Farc-PT. Na quinta-feira passada, a comissão do Congresso decidiu convocar o coronel e o espião. Os membros da comissão também querem ouvir José Milton Campana, que hoje ocupa o cargo de diretor adjunto da Abin e, na época, se envolveu com a investigação dos supostos laços financeiros entre as Farc e o PT.
O senador Demóstenes Torres, do PFL de Goiás, teme que a discussão sobre o regimento sirva só para adiar os depoimentos.
– Para ouvir a versão do governo e tentar dar o caso por encerrado, ninguém precisou de regimento – diz ele.

3) O caso Mauricio Marinho

Capítulo 1 – Revista Veja Edição 1.905 de 18 de maio de 2005
Trecho da reportagem: Há um mês, dois empresários estiveram no prédio central dos Correios, em Brasília. Queriam saber o que deveriam fazer para entrar no seleto grupo de empresas que fornecem equipamentos de informática à estatal.
Foram à sala de Maurício Marinho, 52 anos, funcionário dos Correios há 28, que desde o fim do ano passado chefia o departamento de contratação e administração de material da empresa. Marinho foi objetivo na resposta à indagação dos empresários. Disse que, para entrar no rol de fornecedores da estatal, era preciso pagar propina. “Um acerto”, na linguagem do servidor. Os empresários, sem que Marinho soubesse, filmaram a conversa. A fita, à qual Veja teve acesso, tem 1 hora e 54 minutos de duração.
Nota: As investigações da PF e de uma CPI mostraram que o vídeo foi entregue à revista pelo PM-araponga Jairo Martins, que “armou o cenário” da conversa com Marinho a mando de concorrentes nas licitações dos Correios.

4) O caso dos dólares de Cuba

Revista Veja Edição 1.929 de 2 de novembro de 2005
Trecho da reportagem: (Vladimir) Poleto, (principal fonte da reportagem) até hoje, é um amigo muito próximo do irmão de (Ralf) Barquete, Ruy Barquete, que trabalha na Procomp, uma grande fornecedora de terminais de loteria para a Caixa Econômica Federal. Até a viúva de Barquete, Sueli Ribas Santos, já comentou o assunto. Foi em um período em que se encontrava magoada com o PT por entender que seu falecido marido estava sendo crucificado. A viúva desabafou: “Eles pegavam dinheiro até de Cuba!”.
Nota: A empresa de Barquete venceu a concorrência da Caixa Econômica Federal para explorar terminais de jogos em 2004, atravessando um acordo que estava sendo negociado entre a americana Gtech (antiga concessionária) e Carlinhos Cachoeira, com suposta intermediação de Waldomiro Diniz. O banqueiro teria deixado de faturar R$30 milhões m cinco anos.
A armação era para pegar Antônio Palloci, padrinho de Barquete. Pegou Dirceu.

5) O caso Francisco Escórcio

Revista Veja Edição 2.029 de 10 de outubro de 2007
Chamada no alto, à esquerda: “Renan agora espiona os adversários
Na semana passada, Demóstenes Torres e Marconi Perillo foram procurados por amigos em comum e avisados da trama dos arapongas de Renan. Os senadores se reuniram na segunda-feira no gabinete do presidente do Tribunal de Contas de Goiás, onde chegaram a discutir a possibilidade de procurar a polícia para tentar flagrar os arapongas em ação. “Essa história é muito grave e, se confirmada, vai ser alvo de uma nova representação do meu partido contra o senador Renan Calheiros”, disse o tucano Marconi Perillo. “Se alguém quiser saber os meus itinerários, basta me perguntar. Tenho todos os comprovantes de voos e os respectivos pagamentos”.
Demóstenes Torres disse que vai solicitar uma reunião extraordinária das lideranças do DEM para decidir quais as providências que serão tomadas contra Calheiros. “É intolerável sob qualquer critério que o presidente utilize a estrutura funcional do Congresso para cometer crimes”, afirma Demóstenes.
Pedro Abrão, por sua vez, confirma que os senadores usam seu hangar, que conhece os personagens citados, mas que não participou de nenhuma reunião. O empresário, que já pesou mais de 120 quilos, fez uma cirurgia de redução de estômago e está bem magrinho, como disse Escórcio. Renan Calheiros não quis falar.
Com reportagem de Alexandre Oltramari (que viria a ser assessor de Marconi Perillo).
Nota: Demóstenes é a única fonte que confirma a versão em que teria sido vítima.

6) O caso do grampo sem áudio

Capítulo 1 – Revista Veja, Edição 2022, 22 de agosto de 2007
Capítulo 2 – Revista Veja Edição 2073 de 13 de agosto de 2008
Capítulo 3 – Revista Veja Edição 2.076 de 3 de setembro 2008
Chamada acima do logotipo: “Poder paralelo”
Trecho do texto: O diálogo entre o senador e o ministro foi repassado à revista por um servidor da própria Abin sob a condição de se manter anônimo.
Trecho do texto: O senador Demóstenes Torres também protestou: “Essa gravação mostra que há um monstro, um grupo de bandoleiros atuando dentro do governo. É um escândalo que coloca em risco a harmonia entre os poderes”. O parlamentar informou que vai cobrar uma posição institucional do presidente do Congresso, Garibaldi Alves, sobre o episódio, além de solicitar a convocação imediata da Comissão de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso para analisar o caso. “O governo precisa mostrar que não tem nada a ver e nem é conivente com esse crime contra a democracia”.
Nota: O grampo sem áudio jamais foi exibido ou encontrado, mas a repercussão da matéria levou à demissão do delegado Paulo Lacerda da chefia da Abin.

7) O caso do “grupo de inteligência” do PT

Capítulo 1 – Revista Veja Edição 2.167 de 2 de junho de 2010
Trecho do texto: Não se sabe, mas as fontes de Veja que presenciaram os eventos mais de perto contam que, a certa altura…

Nota: A “fonte” não citada é o ex-sargento Idalberto Matias, o Dadá, funcionário de Carlinhos Cachoeira, apresentado a Luiz Lanzetta como especialista em varreduras.

Capítulo 2 – Revista Veja Edição de julho de 2010
Trecho de entrevista com o ex-delegado Onézimo de Souza, que sustentou (e depois voltou atrás) a história de que queriam contratá-lo para grampear Serra:
O senhor foi apontado como chefe de um grupo contratado para espionar adversários e petistas rivais?

Fui convidado numa reunião da qual participaram o Lanzetta, o Amaury [Ribeiro], o Benedito [de Oliveira, responsável pela parte financeira] e outro colega meu, mas o negócio não se concretizou.

Nota: O outro colega do delegado-araponga, que Veja não menciona em nenhuma das reportagens sobre o caso, é o ex-sargento Idalberto Matias, o Dadá, capanga de Cachoeira e contato do bicheiro com a revista Veja (o outro contato é Jairo Martins, o policial associado a Policarpo Jr.).

Luis Nassif é jornalista, editor do sítio Luis Nassif Online.

Veja vai destravar regulação da mídia

Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:

Imagem Blog Dag Vulpi
Faz-se necessária uma análise serena sobre o que pode e deve provir da reportagem sobre a revista Veja que a TV Record levou ao ar na noite do último domingo, pois pode inaugurar um novo ciclo do debate sobre a regulação da comunicação no Brasil.

O que de mais imediato se deve lembrar é que, à diferença do que alguns podem estar pensando, não foi a primeira grande matéria jornalística contendo críticas à imprensa em uma grande rede de televisão. Em 2009, no âmbito de efêmera guerra aberta que eclodiu entre Record e Globo e Record e Folha de São Paulo, todos esses veículos certamente perderam mais do que ganharam.

Desta vez, porém, será diferente.

A menos que alguma grande TV tome as dores da Veja, a nova guerra midiática será desigual. O público que a Record abrange é infinitamente maior que o da Veja. E não é só isso. As acusações entre Record, Globo e Folha não foram sobre fatos concretos como agora.

Agora, a Record não acusou a Veja por relações com a ditadura militar. Há um fato concreto, uma poderosa organização criminosa pode ter sido integrada pelo Grupo Abril, em última análise. E os crimes supostamente cometidos podem ser claramente tipificados.

Resta analisar o impacto da matéria sobre o público. Ainda à diferença de embates anteriores da Record contra veículos de comunicação, este, pelo que acaba de ser explicado, certamente induziu setores da população a uma reflexão sobre a mídia que certamente nunca fizeram.

É aquele setor da sociedade que só pensa em futebol, novela e Carnaval. Que se limita a ver telejornais sem prestar muita atenção e a ler capas de jornais e revistas pendurados nas bancas de jornais durante os dias úteis, quando esse perfil de cidadão sai pela manhã para trabalhar.

Eis que um dos principais entraves à propositura de uma lei da mídia ao Congresso pode ter sido fortemente reduzido, só não se sabe se ao ponto de desmontar a argumentação da mídia sobre “censura” quando se toca no assunto.

Todavia, a matéria da Record sobre a Veja preparou a sociedade para os debates sobre a mídia que deverão sobrevir da CPI do Cachoeira, conforme presidente e relator da investigação declararam que ocorrerão.

É infinitamente diferente uma matéria de capa da revista Carta Capital de uma reportagem de imensos 15 minutos na televisão, reportagem que granjeou 15 pontos no Ibope. No momento em que escrevo, milhões de brasileiros estão comentando o assunto.

Aliás, como a reportagem de domingo foi repetida mais de uma vez na segunda-feira, só quem vive no mato, sem qualquer meio de comunicação com o mundo exterior, poderá escapar. Todo o esforço que a mídia fez para ocultar o caso, foi em vão.

Não foi à toa que o presidente do PT, Rui Falcão, declarou que, após enfrentar os bancos, o novo oligopólio que o governo Dilma deverá enfrentar deve ser o da mídia. Nunca antes na história deste país existiram condições tão favoráveis para tanto.

Juventude exige convocação de Civita

Em defesa da liberdade de expressão e contra a postura criminosa da revista Veja, a União da Juventude Socialista realiza ato nesta terça-feira (8), às 15h, em frente ao prédio da Editora Abril, em São Paulo.

A revista Vevja de Roberto Civita entrou para as páginas policiais. Ontem em horário nobre a TV Record dedicou 15 minutos de seu programa “Domingo Espetacular” para denunciar a relação de Veja com a quadrilha de Carlinhos Cachoeira.

Com exceção da TV Record há um silêncio absoluto na “grande imprensa” sobre esse assunto. O caso é equiparado ao escândalo Murdoch na Inglaterra e coloca em pauta na sociedade a necessidade de um novo marco regulatório para as comunicações.

Os documentos a que o Domingo Espetacular teve acesso com exclusividade trazem provas de que as informações trocadas entre Cachoeira e o diretor da Veja resultaram ao menos em cinco capas da revista de maior circulação do País

As gravações registram ainda que a influência da revista esbarra em outras esferas do poder, como na pressão para demissão da cúpula do Ministério dos Transportes, que havia se desentendido com um dos aliados do contraventor, a construtora Delta. Por meio do que Cachoeira passava para ser publicado na Veja, vários funcionários do ministério foram afastados.

Ismael Cardoso, diretor de comunicação da UJS, ressalta que "o ato não tem por finalidade a cassação de nenhum veículo de informação, mas, que estes veículos devam ser tratados como suspeitos e convocados para depor na CPI do caso Carlinhos Cachoeira. Precisamos denunciar a sociedade o banditismo que se instalou nos meios de comunicação"

Para Altamiro Borges, presidente do instituto Barão de Itararé, "a revista instalou um verdadeiro vale tudo, se utilizando de práticas criminosas - desde escutas ilegais à complacência com o crime organizado. O caso é muito parecido com o que ocorre na Inglaterra, com Ruperth Murdoch, denunciado por crimes parecidos com os que a revista Veja cometeu. Precisamos denunciar".
Do sítio da União da Juventudade Socialista (UJS):

Raciocínio lógico pode afetar fé em Deus, diz pesquisa


O "ministério da cultura" adverte: contemplar a escultura "O Pensador", do francês Auguste Rodin (1840-1917), pode fazer com que você fique menos religioso.

A frase soa como loucura, mas esse é um dos achados de um estudo que acaba de sair na revista "Science".

Trata-se, na verdade, de um caso particular de um fenômeno mais amplo: aparentemente, levar as pessoas a pensarem de modo mais "racional", por meio de influências sutis (como a exibição da célebre imagem do homem refletindo), reduz as tendências religiosas dos sujeitos.

A pesquisa é assinada por Ara Norenzayan e Will Gervais, da Universidade da Colúmbia Britânica (Canadá), que estão entre os mais destacados estudiosos da psicologia da religião.

Eles partiram de uma hipótese apoiada por outros estudos, segundo a qual pessoas religiosas preferem usar a intuição ao processar dados, enquanto os não religiosos usam o raciocínio detalhado.


Os religiosos, por exemplo, acabam caindo com mais facilidade em "pegadinhas" lógicas, independentemente de seu QI ou nível educacional.

A dupla de pesquisadores combinou esse dado com uma técnica comum de psicologia experimental, o chamado "priming", que envolve o uso de um estímulo prévio para "preparar" a mente do participante de forma a reagir de certa maneira.

Sabe-se que o "priming" funciona em contextos educacionais. Se alunos de uma escola da periferia leem, antes de uma prova de ciências, sobre garotos pobres que se tornaram grandes cientistas, tiram notas melhores.

No estudo canadense, dezenas de voluntários tinham de realizar tarefas, metade das quais poderia levar a um "priming" do pensamento analítico, enquanto a outra metade era neutra.

Sabe-se que até ler um texto com letras miúdas pode favorecer a ativação desse tipo de raciocínio.

Os voluntários que fizeram as tarefas "analíticas" tiveram menos propensão a se declarar religiosos depois.

Para os pesquisadores, um motivo possível para isso é que a religiosidade depende de processos mentais intuitivos, como detectar "personalidade" no mundo -mesmo em contextos inanimados, como a natureza, o que levaria à crença em deuses. O raciocínio analítico poderia bloquear isso.

Folha de SP

VEJA QUEM SÃO OS REPRESENTANTES DOS CAPIXABAS NA ESFERA FEDERAL

Senadores:

Ricardo Ferraço (PMDB)


Ricardo de Rezende Ferraço foi eleito senador para o
mandato 2011/2014 com 1.557.409 votos.

Nasceu em 17 de agosto de 1963, em Cachoeiro de
Itapemirim, onde começou a carreira pública como vereador,
em 1982.

Deputado Estadual por dois mandatos, 1990/1994 e
1995/1998, presidiu a Assembléia Legislativa do Estado do
Espírito Santo em 1995/1996. Era o mais jovem parlamentar
da casa.

Em 1997, assumiu como secretário Chefe da Casa Civil do
Governo do Estado.

Em 1998 foi eleito Deputado Federal, sendo o mais votado do
Espírito Santo, com aproximadamente 75 mil votos. Cumpriu
mandato na câmara federal 1999/2002.

Antes de ser eleito vice-governador, ocupou a Secretaria de
Estado da Agricultura, Abastecimento, Aqüicultura e Pesca
(Seag), durante o primeiro mandato do governador Paulo
Hartung (2003/2006).

Vice-governador empossado em 2007, passou a responder
também pela Secretaria de Transportes e Obras Públicas
(Setop).

Aniversário:17/08
Estado Civil:Casado
Grau de Instrução:Superior Incompleto
Ocupação principal declarada:Outros
Telefone: (61) 3303 6590
E-mail: ricardoferraco@senador.gov.br

Ana Rita Esgário (PT/ES)


Ana Rita Esgário (PT) é suplente de Renato Casagrande(PSB)
no Senado, assumindo mandato a partir de fevereiro de 2011.
Ana Rita é formada em Serviço Social pela Universidade
Federal do Espírito Santo. Nasceu em Conceição do Castelo,
no dia 26 de julho de 1958. Em 1987, filiou-se ao Partido dos
Trabalhadores (PT). Foi eleita, por duas vezes, vereadora do
município de Vila Velha (ES), em 1993 e 2001.

Em 1985, trabalhou na Secretaria de Estado da Agricultura
atuando na equipe multidisciplinar do Programa de
Democratização do Acesso a Terra (Prodaterra) no processo
de assentamento de trabalhadores rurais no estado.

Foi presidente do Conselho Estadual de Assistência Social e
participou ativamente de diversos conselhos setoriais, como o
de Criança e Adolescentes, Mulher, Pessoas com Deficiência,
Idoso e da Comissão Estadual do Trabalho.

Como vereadora de Vila Velha, Ana Rita participou dos
conselhos municipais representando o poder legislativo e
contribuiu na construção da Agenda 21 do município.

Durante os dois mandatos, ocupou a presidência da Comissão
de Finanças da Câmara Municipal e promoveu várias
audiências públicas sobre temáticas da área social, ambiental
e orçamentária, tendo debatido com os movimentos populares
a Lei de Diretrizes Orçamentárias do Município.

Como dirigente do Partido dos Trabalhadores foi da Direção
Municipal do PT de Vila Velha e integrante da Direção
Estadual.

Aniversário: 26/07
Telefone: (61) 3303-1129
E-mail: ana.rita@senadora.gov.br

MAGNO MALTA - (PR - ES)


Cumpre o segundo mandato no Senado Federal. Foi como
deputado federal que se elegeu senador. Tem base
eleitoral em Cachoeiro (ES). É pastor evangélico e cantor
gospel. É o líder da bancada do PR no Senado.

Aniversário: 16/10
Naturalidade: Macarani (BA)
Ala Senador Alexandre Costa, gab. 05
Tel.: (61) 3311-4161/ 5867
Fax: (61) 3311-1656
E-mail: magnomalta@senador.gov.br



Deputados:
Audifax (PSB)


Audifax Charles Pimentel Barcelos foi eleito deputado federal
com 161.856 votos no ES, para exercer o mandato a partir de
2011.

Nascido em 9 de maio de 1964, foi prefeito do município de
Serra (ES) em 2004.

Ao concluir o mandato, assumiu o comando da Secretaria
Estadual de Planejamento e de Economia no governo de Paulo
Hartung.

Antes disso, Audifax foi auxiliar administrativo da Prefeitura
de Vitória e, em seguida, da Assembleia Legislativa do Espírito
Santo.

Depois, foi secretário de Planejamento em Vila Velha (ES) e
de Administração em Vitória.

Audifax Barcelos também foi diretor do Departamento
Administrativo da Universidade Federal do Espírito Santo
(Ufes) e secretário de Administração, de Finanças e de
Educação de Serra.

Nome completo: Audifax Charles Pimentel Barcelos
Aniversário: 09/05
Estado Civil: Casado(A)
Grau de Instrução: Superior Completo
Ocupação principal: Administrador
Telefone: (61) 3215 5574
E-mail: dep.audifax@camara.gov.br

CAMILO COLA - (PMDB - ES)


Não foi reeleito para Deputado Federal, apesar do número
expressivo de votos obtidos (70.285), mas assumirá a vaga
deixada por Iriny Lopes, licenciada para ocupar a Secretaria
de Política para Mulheres no governo Dilma. Em 2006, obteve
106.165 mil votos. Tem no município de Cachoeiro do
Itapemirim sua principal base eleitoral. Fundador do Grupo
Itapemirim.

Aniversário: 26/07

Profissões: Industrial, Administrador
Rural e Empresário de Transporte.

Gabinete: 822, Anexo IV, Fone: (61) 3215-5822
Fax: (61)3215-2822
E-mail: dep.camilocola@camara.gov.br

Mandatos Eletivos:
Deputado Federal, 2007-2011 - ES (PMDB)

Filiações Partidárias:
ARENA, 1964; PDS, 1980; PMDB, 1986.

César Colnago (PSDB)


Cesar Roberto Colnaghi foi eleito para o mandato 2011/2014
com 80.728 votos. Nasceu em Itarana em 22 de julho de
1958.

Chegou em Vitória no início da década de 70. Formou-se em
Medicina pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes)
em 1983 e fez especialização em Medicina Comunitária,
Saúde Ocupacional e Planejamento em Saúde.

Eleito vereador de Vitória em 1992, assumiu a Secretaria de
Meio Ambiente e em seguida a Secretaria de Educação da
Prefeitura da Capital.

O segundo mandato de vereador foi de 1997 a 2000, quando
presidiu a Câmara no biênio 1997/1998. Em 1999, assumiu a
Coordenadoria de Governo da administração do então prefeito
Luiz Paulo Vellozo Lucas.

Eleito para o terceiro mandato de vereador em 2000, César
voltou para Coordenadoria de Governo em 2001. Em 2002, foi
eleito deputado estadual.

No primeiro ano de mandato na Assembléia Legislativa, em
2003, foi escolhido líder do Governo Paulo Hartung.

Em 2006 foi reeleito deputado estadual. Em 2007 assumiu a
Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento,
Aquicultura e Pesca (Seag), permanecendo no cargo por 23
meses.

Em março de 2009, reassumiu seu mandato na Assembléia,
sendo escolhido novamente líder do Governo Paulo Hartung,
renunciando ao cargo em agosto do mesmo ano.

Nome completo: Cesar Roberto Colnaghi
Aniversário: 22/07
Estado Civil: Casado(A)
Grau de Instrução: Superior Completo
Ocupação principal: Deputado
Telefone: (61) 3215 5602
E-mail: dep.cesarcolnago@camara.gov.br

Dr. Jorge Silva (PDT/ES)


Ganhou a eleição com 67.262 votos para exercer seu primeiro
mandato de deputado federal, a partir de 2011.

Médico urologista, 58 anos, Jorge Silva ingressou na política
em 1992, como segundo vereador mais votado de São
Mateus.

Foi secretário de Saúde e superintendente regional de Saúde.

Formação profissional
Médico – formado em 1975 – EMESCAM
Urologista – Residência Médica – Hospital do
Servidor Público
Estadual – SP
Membro da Sociedade Brasileira de Urologia e Associação
Médica do Espírito Santo

Candidaturas:
1992 – vereador
1996 – vice prefeito
2006 – deputado federal (1º suplente)
2008 – prefeito

Cargos públicos
Diretor administrativo do HRAS
Diretor geral do HRAS
Secretário Municipal de Saúde
Vereador
Aniversário:03/06
Estado Civil:Casado
Grau de Instrução:Superior Completo
Ocupação:Médico
Telefone: (61) 3215 5383
E-mail: dep.drjorge@camara.gov.br

IRINY LOPES - (PT - ES)


Reeleita em 2010, com 74.534 votos, para terceiro mandato na
Câmara, Iriny se licenciou para ocupar a Secretaria de
Política para Mulheres no governo Dilma. Sua vaga será
ocupada pelo deputado Camilo Cola (PMDB).

Aniversário: 12/02
Mandatos Eletivos:
Deputada Federal, 2003-2007 - ES, (PT);
Deputada Federal, 2007-2011, ES, (PT).
Filiações Partidárias: PT, 1983.

Lauriete (PSC/ES)


Lauriete Rodrigues de Almeida, 40 anos, foi eleita com 69.818
votos para o primeiro mandato como deputada federal, a
partir de 2011.

Nasceu no dia 22 de fevereiro de 1970, em Vitória. É cantora
e compositora gospel, casada com o deputado estadual
Reginaldo Almeida, do mesmo partido.

Data de aniversário: 23 de fevereiro
Município de nascimento: Vitoria /ES
Estado Civil: Casada
Grau de Instrução: Ensino Médio Completo
Ocupação principal: Cantora e Compositora
Telefone: (61) 3215 5223
E-mail: dep.lauriete@camara.gov.br

LELO COIMBRA - (PMDB - ES)


Reeleito com 105.458 mil votos para segundo mandato na
Câmara Federal, onde é titular da Comissão de Educação e
Cultura, e suplente da Comissão de Seguridade Social e Família.
Foi vice-governador de Paulo Hartung e Secretário de
Educação. É presidente regional do PMDB e bem articulado
com a direção nacional da legenda.

Aniversário: 21/06
Profissões: Médico
Gabinete: 801, Anexo IV, Fone: (61) 3215-5801
Fax: (61) 3215-2801
E-mail: dep.lelocoimbra@camara.gov.br

Mandatos Eletivos:
Deputado Estadual, 1995-1999, ES, PSDB; Deputado
Estadual, 2000-2002, ES, PPS; Vice-Governador, 2003, ES,
PSB; Deputado Federal, 2007-2011, ES, PMDB.

MANATO - (PDT - ES)


Reeleito com 60,700 mil votos para terceiro mandato na
Câmara do Deputados. É titular da Comissão de Fiscalização
Financeira e Controle, e suplente da Comissão de Seguridade
Social e Família, além de membro da Mesa Diretora da Casa,
como primeiro suplente.

Aniversário: 07/08
Profissões: Médico
Gabinete: 280, Anexo III, Fone: (61) 3215-5280
Fax: (61) 3215-2280
E-mail: dep.manato@camara.gov.br

Mandatos Eletivos:
Deputado Federal, 2003-2007, ES, PDT;
Deputado Federal, 2007-2011, ES, PDT.

Filiações Partidárias: PSDB, 1994-2000; PDT, 2001.

Paulo Foletto (PSB/ES)


Paulo Roberto Foletto é deputado federal. Foi o 4º mais
votado no Espírito Santo, com 99.312 votos para exercer o
mandato de deputado federal a partir de 2011.

Paulo Foletto nasceu em Colatina-ES, em 30 de abril de
1956.
É ex-secretário da Ciência e Tecnologia do estado.

Médico, Foletto pertenceu ao histórico Movimento
Democrático
Brasileiro, MDB, de onde saiu para ajudar a fundar o PSB em
Colatina, tendo sido presidente do diretório municipal do
partido.

Foi vereador entre 1993 e 1996 e, em 2002, elegeu-se
deputado estadual, sendo reeleito em 2006.

Nome completo: Paulo Roberto Foletto
Aniversário: 30/04
Estado Civil: Divorciado
Grau de Instrução: Superior Completo
Ocupação principal: Médico
Telefone: (61) 3215 5839
E-mail: dep.paulofoleto@camara.gov.br

ROSE DE FREITAS - (PMDB - ES)


É o que se pode chamar de deputada-municipalista. Atua em
defesa dos municípios e se ele graças ao apoio de pelo
menos 25 prefeitos. Foi reeleita para o sexto mandato na
Câmara Federal, com 96.454 votos. É bem articulada com a
direção do PMDB, ministros e sub-relatora da Comissão de
Orçamento. Titular da Comissão de Minas e Energia, da
Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e
Fiscalização, e Suplente da Comissão de Desenvolvimento
Urbano. Em 2006 foi eleita com 73.049 mil votos. Só em
Santa
Maria de Jetibá teve 9.525 votos.

Aniversário: 23/01
Profissões: Jornalista, Radialista, Professora, Produtora
Rural, Desenhista-Projetista e Agrimensora.
Gabinete: 946, Anexo IV, Fone: (61) 3215-5946
Fax: (61) 3215-2946
E-mail: dep.rosedefreitas@camara.gov.br

Mandatos Eletivos:
Deputada Estadual, 1983-1987, ES, PMDB; Deputada Federal
(Constituinte), 1987-1991, ES, PMDB; Deputada Federal
(Congresso Revisor), 1991-1995, ES, PSDB; Deputada
Federal, 2001-2002, ES, PSDB; Deputada Federal, 2003-
2007, ES, PSDB; Deputada Federal, 2007-2011, ES, PMDB.

SUELI VIDIGAL - (PDT - ES)


Reeleita para segundo mandato na Câmara dos Deputados. Já
foi deputada estadual e tem uma boa atuação nas comissões
da Câmara. Atua na área social. É Vice-Presidente da
Comissão de Turismo e Suplente da Comissão de Direitos
Humanos. Tem o município da Serra como principal base
eleitoral. Obteve 118.127 mil votos na eleição de 2006.
Desse total, 68.245 só na Serra. Foi a segunda mais votada
em 2010 com141.578 votos. É mulher do Ex-Prefeito da Serra,
Sérgio
Vidigal, atual Secretário de Políticas Públicas de Emprego
do Ministério do Trabalho. Na Bancada Federal do PDT foi o
voto de Sueli que garantiu a Manato a vaga de suplente da Mesa.

Aniversário: 19/06
Profissões: Funcionária Pública
Gabinete: 812, Anexo IV, Fone: (61) 3215-5812
Fax: (61) 3215-2812
E-mail: dep.suelividigal@camara.gov.br

Mandatos Eletivos:
Deputado Estadual, 01/02/2003-01/01/2007, ES, PDT;
Deputada Federal, 2007-2011, ES, PDT.

Militantes do 'masculinismo' dizem que é hora de defender direitos dos homens

Militantes que defendem os direitos dos homens argumentam com cada vez mais veemência que a discriminação contra o homem está aumentando. Quem são esses ativistas?
Há décadas, grupos feministas fazem campanha por mais direitos para as mulheres. Como resultado, a discriminação contra a mulher vem sendo rigorosamente questionada - ao menos em países ocidentais.
Mas agora, um número cada vez maior de ativistas argumenta que os homens não desfrutam desse tipo de proteção.
Muitos deles dizem também que a mídia permite que mulheres transformem homens em objetos e os ridicularizem de uma forma que seria impensável se os papéis fossem invertidos.

Guarda dos Filhos

Entre os defensores dessas ideias está o professor de filosofia David Bernata, da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul.
No polêmico The Second Sexism (O Segundo Sexismo, em tradução livre), Bernata argumenta que, em todo o mundo, homens correm mais riscos de serem forçados a fazer serviço militar, serem alvo de violência, perderem a guarda de seus filhos e cometerem suicídio.
As leis que regulam os direitos sobre a guarda dos filhos são talvez o alvo mais conhecido das atividades dos militantes pelos direitos dos homens.
Na Grã-Bretanha, imagens de homens divorciados vestidos de super-heróis escalando prédios em Londres foram destaque na mídia em anos recentes.
"Quando o homem é o principal responsável por cuidar das crianças, suas chances de obter a guarda dos filhos são menores do que quando a mulher é a principal responsável", diz Bernata.
"Mesmo quando o caso (pedido de custódia pelo homem) não é contestado pela mãe, ele ainda tem menos chances de obter a guarda do que quando o pedido da mulher não é contestado."

Educação

Os aticistas afirmam ainda que a educação é mais uma área onde os homens estão ficando para trás.
Em 2009, exames feitos pelo Programme for International Student Assessment, um programa internacional de avaliação de estudantes, revelaram que, em todos os países industrializados, os homens estão em média um ano atrás das mulheres em alfabetização.
  • Grupo britânico Fathers 4 Justice (Pais por Justiça) faz campanha pelos direitos de divorciados de ter acesso aos filhos.
  • Organização americana National Coalition for Men (Coalizão Nacional para os Homens) conscientiza o público sobre as formas como a discriminação entre os sexos afeta homens e meninos.
  • Entidade indiana Save Indian Family Foundation (Fundação Salve a Família Indiana) oferece suporte a homens que são vítimas de acusações falsas feitas por mulheres.

O levantamento também concluiu que a maioria dos estudantes em cursos de graduação nas universidades hoje é composta por mulheres, segundo Bernata.
"Quando as mulheres são pouco representadas entre presidentes de companhias, isso é considerado discriminação. Mas quando meninos ficam para trás na escola, quando 90% das pessoas em prisões são homens, ninguém pergunta se os homens estariam sofrendo discriminação."
"Se quisermos alcançar a igualdade entre os sexos, a discriminação contra os homens tem de ser levada tão a sério quanto a discriminação contra a mulher", argumenta o filósofo.
Em países desenvolvidos como a Grã-Bretanha, a igualdade de salários é o barômetro. Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas do país, a discrepância salarial entre os sexos ainda é bastante pronunciada: advogadas ganham em média US$ 12 mil (R$ 23 mil) a menos do que advogados, presidentes de empresas ganham US$ 22 mil a menos do que seus equivalentes do sexo masculino e médicas ganham US$ 14 mil a menos do que médicos.
Mas esse quadro começa a mudar. No ano passado, a organização que controla admissões de estudantes em universidades britânicas concluiu que mulheres com idades entre 22 e 29 anos ultrapassaram os homens em salários pela primeira vez.
E uma pesquisa feita pelo Chartered Management Institute concluiu que gerentes do sexo feminino com idades entre 20 e 30 anos estão ganhando 2,1% a mais do que seus colegas do sexo masculino.

'Masculinismo'

Por tudo isso, ganha peso o argumento, entre alguns homens, de que eles precisam criar suas próprias estruturas de apoio.
A ONG The Men's Network (A Rede dos Homens), com sede na cidade inglesa de Brighton, tem como objetivo ajudar "todos os homens e meninos da nossa cidade a realizar ao máximo o seu potencial".
A campanha Movember, por exemplo, propõe que homens deixem a barba crescer durante um mês. Os idealizadores do movimento querem chamar a atenção para o fato de que doenças que afetam os homens, como cânceres da próstata e do testículo, não são levadas tão a sério como as que afetam mulheres.
Alguns argumentam que é hora de os homens criarem o equivalente masculino ao feminismo: o 'masculinismo'.
O fundador da International Association of Masculinists (Associação Internacional dos Masculinistas), o americano Aoirthoir An Broc, disse que há milhares de ativistas homens lutando contra as leis de divórcio indianas, que eles consideram desiguais.
"Desde o surgimento da pílula, as mulheres vêm ouvindo que podem e devem ter orgasmos. E porque não estão tendo, dizem que a culpa é do homem."
Tom Martin, ativista britânico
"Nós dizemos que todos os homens são homens, todos os homens são bons, todos os homens merecem amor e respeito independentemente de sua raça, sexualidade, religião. Não acreditamos em definições culturais dos homens", afirma.
Algumas das preocupações dos militantes pelos direitos dos homens são semelhantes às de militantes mulheres: a questão da imagem do corpo masculino é uma delas.
Eles dizem também que, enquanto o feminismo combate a discriminação contra as mulheres, conceitos ultrapassados em relação aos homens não são questionados.
O caso do ativista Tom Martin chamou a atenção da imprensa na Grã-Bretanha no ano passado após ele ter processado o Departamento de Estudos de Gênero da London School of Economics por discriminação sexual.
Ele diz que tornou-se um defensor radical dos direitos dos homens quando trabalhava em uma casa noturna no bairro boêmio do Soho, em Londres. "Eu via que os fregueses homens sofriam abusos o tempo todo."
Martin conta que os homens tinham de fazer fila e pagar para entrar enquanto as mulheres entravam de graça. Eles eram maltratados pelos seguranças, mas mulheres eram tratadas com respeito. Mas o pior, na opinião dele, é que as mulheres usavam os homens, convencendo-os a pagar bebidas para elas.
No centro disso tudo, diz Martin, está o sexo. "Desde o surgimento da pílula, as mulheres vêm ouvindo que podem e devem ter orgasmos. E porque não estão tendo, dizem que a culpa é do homem."
Martin conclui que "cabe às mulheres sua satisfação sexual, isso não é responsabilidade do homem".
O psicólogo e escritor Oliver James, ex-consultor do Ministério do Interior britânico, acha que os homens estão se sentindo "ameaçados sexualmente".
Para ele, as mulheres hoje em dia não têm inibições em expressar suas expectativas sexuais em relação ao parceiro. E não hesitam em avaliar a performance sexual do homem em público.
  • Na mitologia grega, as Amazonas eram uma raça de mulheres guerreiras.
  • No Estado de Meghalaya, na Índia, os direitos sobre riquezas e propriedades passam da mãe para a filha.
  • Na tribo Mosuo, na China, as mulheres determinam a linhagem da família e apenas as mulheres têm direito de receber heranças.
  • A etnia Minangkabau, na Indonésia, é matriarcal: as mulheres são donas de terras e de propriedades importantes.

Debate Antigo

Já as feministas, por sua vez, dizem que o movimento pelos direitos dos homens não traz novidades. "É o velho argumento de que o feminismo foi longe demais", diz a colunista do jornal britânico The Guardian, Suzanne Moore.
As discrepâncias salariais entre os sexos e o fato de que homens ainda dominam postos de liderança na vida pública mostram onde está a discriminação real, segundo ela.
Moore reconhece que há problemas na forma como meninos são educados mas diz que não se pode fazer "generalizações afirmando que todos os homens sofrem discriminação".
Kat Banyard, autora do livro The Equality Illusion (A Ilusão da Igualdade, em tradução livre), diz que os homens se enganam ao temer o feminismo quando, na verdade, o movimento oferece a eles a possibilidade de se libertarem dos conceitos ultrapassados de masculinidade.
Argumentar que os homens agora são vítimas da luta entre os gêneros é absurdo, ela diz. "Durante milhares de anos, mulheres foram subjugadas como cidadãs de segunda classe. Começamos a mudar isso nos últimos dois séculos e ainda temos um longo caminho a percorrer. Os militantes (pelos direitos) dos homens estão negando a História".
Os defensores dos direitos dos homens têm dificuldade em mudar sua imagem "mal humorada", argumenta o radialista Tim Samuels, que apresenta o programa Men's Hour (Hora do Homem, em tradução livre) na BBC Radio 5 Live.
Samuels diz que a maioria dos homens não se vê como parte de um movimento.
"O movimento dos homens tende a ser reduzido a alguns sujeitos escalando prédios vestidos de super-homem enquanto ao das mulheres é dada credibilidade."
Via BBC Brasil

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