segunda-feira, 25 de junho de 2012

Paraguai é suspenso do Mercosul e pode também sofrer sanções na Unasul


Assunção – O Paraguai está suspenso do Mercosul. A decisão foi anunciada hoje (24) à noite pelo Ministério das Relações Exteriores da Argentina. A medida é um protesto por parte do Brasil, da Argentina e do Uruguai, que compõem o bloco, e também dos países parceiros – o Equador, a Bolívia, Venezuela, o Chile, a Colômbia e o Peru. Os nove governos condenam de forma veemente a maneira como ocorreu o impeachment do presidente Fernando Lugo no último dia 22.
“[Todos os países que assinam o presente documento querem] expressar sua mais firme condenação da ordem democrática que ocorreu na República do Paraguai, pela inobservância do devido processo”, diz o comunicado. “[Decidimos] suspender  o Paraguai imediatamente”, acrescenta. “[É uma] declaração dos Estados-Partes do Mercosul e Estados Associados sobre violação da ordem democrática no Paraguai.”

De acordo com diplomatas que acompanham o processo político, a medida deve valer até abril de 2013, quando ocorrem as eleições presidenciais no Paraguai. Mas o comunicado conjunto não menciona prazos.
A iniciativa indica que o Paraguai também deve ser suspenso da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), da qual fazem parte os nove países que assinaram a medida do Mercosul mais o Suriname e a Guiana. Atualmente, o Paraguai é presidente pro tempore da Unasul. A próxima presidência será exercida pelo Peru.  
Em nota, a Chancelaria da Argentina informa também que a destituição de Lugo e o novo governo do presidente Federico Franco são os principais temas da Cúpula do Mercosul em Mendoza (na Argentina), nos dias 28 e 29. No comunicado, os nove governos informam que houve a ruptura da ordem democrática e que a decisão se baseou no Protocolo de Ushuaia sobre Compromisso Democrático no Mercosul, de 1998.
A presidenta Dilma Rousseff confirmou presença. De manhã, Lugo disse que participará da reunião. Ontem (23), o novo ministro das Relações Exteriores do Paraguai, José Félix Fernández Estigarribia, também disse que irá à cúpula. A decisão ocorreu depois de os nove governos terem chamado os embaixadores no Paraguai de volta aos seus países.
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi mais além: não só chamou o embaixador de volta a Caracas, como anunciou a suspensão do abastecimento de combustível para o Paraguai em protesto contra oimpeachment de Lugo. Pelo menos metade do combustível consumido no Paraguai vem da Venezuela.

Assunción nas garras do Condor - Urda Alice Klueger



Por Urda Alice Klueger* 

Lembro perfeitamente daquele dia em que Fátima Bernardes olhou soturnamente para a câmara e disse, na sua melhor voz de velório: “Hoje faz quatro meses que começou o escândalo do mensalão!” Penso que em seguida ela deve ter tido um orgasmo, depois daqueles quatro meses conseguindo levar o povo de cabresto, quase todo o país de olhos, narizes e emoções concentrados em Brasília e no Jornal Nacional, sem a menor chance de conseguir olhar para nada que se passasse um pouco além das nossas fronteiras.

Este é um dos grandes males de nosostros, brasileños: para a esmagadora maioria da nossa população, o mundo começa e acaba em Brasília, e o que acontecer além de Brasília não existe, o que quer dizer que coisas assim também não existam em outros países – vi um livro didático do Canadá que dava vontade de chorar: as crianças das escolas canadenses descobrem que há o Canadá – ao redor existem animais selvagens e alguns poucos homens ”selvagens” – portanto, para elas, nosostrossequer existimos.

Portanto, lá no começo do milênio ficamos quatro meses tão fascinados pelo escândalo do mensalão que sequer nos demos conta do que ele queria esconder: no nosso vizinho tão próximo, encostadinho, o Paraguai, naqueles quatro meses foram aprovadas leis que permitiam a instalação de uma base estadunidense naquele país, que concordavam que os soldados estadunidenses podiam roubar, matar, estuprar, torturar, em território paraguaio, sem sofrer sanções – e naqueles quatro meses a tal base foi devidamente instalada em Mariscal Estigarribia, ao norte do Paraguai, pertinho pertinho do Brasil, e tem lá um aeroporto IMENSO (4.000 m de pista – 3,85 m de espessura, em concreto), capaz de receber todo o tipo de aeronave, e eu fui lá vi tudo isso com estes olhos que a terra há de comer, e meu amigo que estava junto até tirou fotos de tudo! Portanto, a qualquer momento qualquer aeronave pode subir, lá, e encher de bombas lugares como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília ou Porto Alegre, sem contar que fica facilzinho facilzinho bombardear, também, lugares como La Paz, Caracas ou Buenos Aires. E nós, aqui, bobos, a gemer de raiva orquestrados pela voz melíflua e fúnebre de Fátima Bernandes, sem dar a mínima para o que acontecia do lado de lá da fronteira. Alguém importante deve ter dado os parabéns à Fátima Bernardes, elogiado sua atuação ao fazer um país inteiro ficar surdo e mudo para o mundo por conta do fascínio dela, enquanto se armava a grande arapuca para a nossa área!
(Em tempo: acabo de consultar São Google, e lá tem de tudo sobre a tal base e o aeroporto – embora também tenha gente lá dizendo que é tudo mentira. Mas que vi, vi, e, inclusive, junto com outros passageiros de um ônibus, fui bastante humilhada pelos tais soldados estadunidenses numa estrada ao norte do Paraguai, ali por perto.)
Então, agora, andava me coçando: o que é que estava acontecendo, DE VERDADE, por detrás do caso Cachoeira, que há meses mantém, de novo, os brasileiros de cabresto, a olhar para Brasília? Algo havia que ter, e coisa séria – cheguei a comentar tal coisa com algumas pessoas. Procurava ver, mas não clareava – mas para o público do Jornal Nacional estar tão fascinado pelo Cachoeira que acho que já nem se importa mais com futebol, coisa grossa estava à vista, mas eu ainda não conseguia enxergar. Ontem, então, a coisa ficou clara, claríssima: num sórdido golpe de estado que eu assisti passo a passo via Telesur (facilzinho de pegar via Internet: WWW.telesurtv.net – clicar senal en vivo), o presidente Lugo, do Paraguai, foi deposto pelo Congresso daquele país, e um títere foi colocado no seu lugar. Lugo acatou, saiu – não quis ver sangue inocente derramado nas praças de Assunción, aquela cidade tão linda e tão querida, que é um bálsamo para o meu coração e um tesouro na minha vida , impedindo, assim, o massacre de milhares de pessoas que já lá estavam para defender a legalidade da democracia e que já estavam levando bala de borracha e gás lacrimogêneo.

O Condor volta a voar nas Américas. Faz três anos devorou Honduras; agora, foi a vez do Paraguai – amanhã ou depois será a nossa vez. Se você ainda não sabe o que é a Operação Condor, sugiro que se informe, pois muito sangue e muita lágrima já correu aqui na nossa Terra de Santa Cruz e em outros lugares por causa dela, e parece que tudo se repete. Com São Google, hoje, não há como se manter ignorante de coisas assim, das quais depende o nosso futuro. E quando o Jornal Nacional começar a falar demais no mesmo assunto, ligue as antenas: alguma maldade MUUUUITO maior está para acontecer.

Aqui, choro, como chorei tanto ontem, pelo nosso irmão Paraguai que está tão dentro do meu coração. Assunción, a linda e a doce, onde estão as flores das árvores pejadas de História das tuas praças? Ainda haverá primavera para ti, minha querida Assunción, ou só te restará ser o ninho podre daquele Condor de voos baixos e rasantes, ao contrário dos livres voos dos condores das altas montanhas?
Ah! Assunción, minha querida, fico aqui torcendo pela tua primavera. Ao se despedir, ontem, Lugo disse que o povo era forte, forte, forte... Quem sabe possa voltar a primavera? Por enquanto, é tempo de chorar, e choro.


Via Direto da Redação | 

Urda Alice Klueger  é escritora, historiadora e doutoranda em Geografia pela UFPR. 

domingo, 24 de junho de 2012

PSDB lança Luiz Paulo prefeito da capital do ES com PSD na vice

O PSDB capixaba realizou hoje convenção no bairro Santa Lúcia e homologou o nome do ex-prefeito  convenção. 

O ex-prefeito e ex-deputado federal Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) foi confirmado candidato a prefeito em Vitória, tendo como vice-prefeito o vereador Max da Mata (PSD). 

Luiz Paulo argumentou que está articulando o apoio de outros partidos para a chapa majoritária. 

As convenções do PSDB e do PSD aconteceram ao mesmo tempo no cerimonial Oásis, no bairro de Santa Lúcia, em Vitória. 

O candidato frisou as prioridades do seu plano de governo. "Quero voltar a ser prefeito de Vitória e fazer da cidade a melhor capital do Brasil. Uma cidade que tem o nome de Vitória não pode almejar nada que não seja o primeiro lugar. O 'feijão com arroz' é pouco para esta cidade. Quero fazer uma cidade sustentável, verde, inteligente, criativa, que seja motivo de orgulho para o cidadão", disse. 

"A convenção superou nossas expectativas. Luiz Paulo é a imagem de uma gestão qualificada. Ele esboça uma cidade inteligente e sustentável. Queremos encontrar parceiros que façam crescer a cidade. Já conquistamos a adesão com o Partido Social Democrático (PSD), com Max da Mata. Ainda estamos analisando os nomes para o cargo de vice. Somos contra o loteamento de cargos. Vamos trazer a cidade para pensar conosco. Nosso modo de fazer é entregando o remo a cada um que quer fazer parte do nosso barco", destacou o Presidente do Diretório do PSDB de Vitória, Luiz Emanuel Zouain. 

A presença nacional foi a do deputado federal Jutahy Magalhães (PSDB/BA), e da ex-deputada Rita Camata. 

Na mesa conjunta do PSDB/PSD marcaram presenças, além do deputado federal baiano, a ex-deputada Rita Camata, o candidato a prefeito de Vila Velha, Max Filho, o deputado federal César Colnago, entre outras expressões políticas do Estado e do município.

Luiz Paulo, sem presença de tucanos de alta patente, disse que o PSDB está forte e tem uma boa experiência administrativa na Capital, sem precisar enumerar o que fez em dois mandados de rpefeito (1997/2000 e 2001/2004). | Por Paulo César Dutra/foto M.Rosetti ( Luiz Paulo e Rita)

PT faz convenção e confirma nome da ex-ministra Iriny para prefeitura

A deputada federal Iriny Lopes (PT), após enfrentar resistência de setores do próprio partido, venceu mais uma batalha ao ter o seu nome referendado na presença do presidente nacional do PT, Ruy Falcão, e da ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti.

Apesar das presenças do PDT, PTB, PC do B, PRtB, PSB e outros partidos sem bancada municipal, Iriny não definiu quem será o vice-prefeito da sua chapa. Há uma grande expectativa na aliança com o PMDB.

No PT, as lideranças negam que as vindas de Falcão e Ideli foram uma estratégia para recuperar o tempo perdido com a tentativa de "tratorar" Iriny da disputa em Vitória pelo grupo do prefeito João Coser, que só decidiu pelo apoio à colega após Paulo Hartung (PMDB) abrir mão de disputar a prefeitura.

João Coser fez questão de confirmar o apoio a Iriny.A convenção do PT foi a partir das 10 horas, no Centro de Convenções de Vitória, também em Santa Lúcia, na Capital capixaba.

Com a decisão de hoje a ex-ministra vence mais uma etapa na busca pela PMV. Primeiro ela teve que enfrentar o chamado "fogo amigo"do próprio PT, que não queria apoia-la.

O atual prefeito, João Coser, queria apoiar o ex-governador Paulo Hartung, para ter o apoio de Hartung em 2014, quando pretendia disputar o Senado.

Caberá a Iriny agora convencer o governador Renato Casagrande a apoiá-la. Eles são amigos de longa data. | 
Por Paulo César Dutra 

Quatro países não reconhecem novo governo do Paraguai

Equador, Argentina, Bolívia e Venezuela afirmaram nesta sexta-feira que não reconhecem o novo governo do Paraguai, depois que o liberal Federico Franco assumiu a Presidência no lugar do socialista Fernando Lugo, que teve impeachment aprovado pelo Congresso.
O presidente do Equador, Rafael Correa, foi o primeiro a anunciar que seu país não reconhece o novo governo do Paraguai, pois considera ilegítimo o processo de julgamento político feito pelo Congresso que resultou na destituição de Lugo.
Em um processo que durou dois dias, Lugo foi considerado culpado de não cumprir suas funções ao deixar que crescesse um conflito social no Paraguai. Poucos minutos após a destituição, o então vice-presidente Franco jurou como novo chefe de Estado.
“A decisão do governo equatoriano é de não reconhecer o novo governo paraguaio”, disse Correa a uma emissora de TV do Equador. “O que aconteceu é absolutamente ilegítimo.”
A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, também disse que seu país não reconhecerá o novo governo de Federico Franco ao considerar que foi consumado um golpe de Estado no Paraguai.
“A Argentina não vai validar o golpe de Estado que se acaba de consumar na República do Paraguai”, disse a jornalistas na Casa do Governo.
Na Bolívia, o presidente Evo Morales afirmou à agência oficial ABI que o novo governo do Paraguai “não surge das urnas” e convocou “os governos da América Latina a fazer uma única frente e a se unir para defender a democracia no Paraguai e o presidente Lugo.”
O mandatário venezuelano, Hugo Chávez, também se juntou aos líderes sul-americanos e disse durante um evento público em Caracas que o impeachment foi um “golpe da burguesia paraguaia… uma farsa para toda a nossa América.”
Procurado, o Itamaraty informou que qualquer ação a ser tomada pelo governo brasileiro será realizada no âmbito da Unasul.
Reuters

Paraguai tem novo presidente em meio a clima de incerteza


Com o centro tomado por barricadas, lojas fechadas e ruas desertas, a capital paraguaia, Assunção, assistiu na sexta-feira à queda de Fernando Lugo e a ascensão ao poder de Federico Franco – em um processo ‘relâmpago’ de impeachment visto com grande apreensão pela comunidade internacional.
Ao menos 5 mil partidários do presidente deposto se reuniram em frente ao Parlamento e entraram em confronto com forças policiais assim que o Senado anunciou o afastamento de Lugo do poder.
Mais de 4 mil policiais tentaram dispersar a multidão usando gás lacrimogênio e munição não letal. A ação levou confusão e desespero à multidão de manifestantes, que acabou se dispersando. Muitos voltaram depois, dessa vez para protestar pacificamente.
- Derrubaram Lugo – afirmou uma mulher de meia idade no aeroporto de Assunção. As reações dos demais variaram entre olhares graves, palavras de reprovação mas também indiferença.
Passageiros ouviam o desfecho do julgamento por meio de rádios ainda dentro do avião que chegava do Brasil. No desembarque, taxistas avisavam que o centro da cidade – onde fica o Congresso – havia sido interditado pela polícia após ser tomado pelos manifestantes
- Houve um golpe, é muito perigoso ir para lá agora – explicou um motorista, que concordou em deixar um grupo de jornalistas – entre os quais a reportagem da BBC Brasil – em um ponto a dez quadras do centro.
Bloqueios
Franco
Franco trai Lugo e assume a presidência do Paraguai em meio a um golpe de Estado
No caminho, as ruas vazias e o comércio fechado davam a impressão de uma tarde de domingo. À medida que o carro se aproximava da praça do Congresso, porém, barricadas e cercas vigiadas por policiais mostravam que não se tratava de um dia comum.
As barricadas haviam sido montadas com barris de metal enfileirados. Policiais usavam varas de metal para improvisar cancelas.
No trajeto de dez quadras a pé em direção ao centro, a BBC Brasil cruzou com cerca de 15 manifestantes solitários ou em pequenos grupos, que aparentavam cansaço e desalento. Diziam que o grosso da multidão já havia se dispersado e que retornariam às ruas no dia seguinte.
Mais numerosos eram jornalistas, arrastando malas e equipamentos de TV para seus hotéis, e principalmente policiais agrupados nas esquinas.
Num ponto de táxi nos arredores do Congresso, três taxistas assistiam à transmissão dos eventos na TV.
- Temos que esperar pelas reações: muita gente ainda não sabe o que está acontecendo, tudo foi muito rápido – diz o taxista Ariel Ortega. “Nós, paraguaios, somos tranqüilos, mas há limites”.
Reação internacional
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou que não reconhece o novo governo do Paraguai. Ele disse que a destituição de Lugo foi um golpe contra a população paraguaia, a Unasul (União de Nações Sul-Americanas) e que o atual governo é ilegítimo.
Os governo da Argentina, do Equador, da República Dominicana e da Bolívia também classificaram a destituição de Lugo como um “golpe de Estado”, segundo a agência de notícias Efe.
O secretário-geral da Unasul Ali Rodrigues Araque afirmou à BBC Brasilque a comunidade sul-americana está diante de “uma situação de fato, de um golpe de Estado”.
A Unasul avalia que não foi respeitado o devido processo legal para que Lugo pudesse se defender das acusações e que a democracia no país está ameaçada.
O presidente Chávez indicou ainda que poderá haver sanções contra o novo governo paraguaio por parte dos países da Unasul. “Isso não termina aí”, afirmou.
O Brasil liderou uma missão de chanceleres sul-americanos enviada ao Paraguai ainda na quinta-feira. A viagem se baseou em um protocolo da Unasul que dá aos seus membros a possibilidade de impor sanções a um país em caso “de ruptura ou ameaça de ruptura da ordem democrática”.
Um dos artigos do documento prevê como sanção o fechamento das fronteiras com o Paraguai. Até a madrugada de sábado, o Itamaraty não havia emitido posição oficial do Brasil sobre o impeachment de Lugo.
Processo relâmpago
A Câmara dos Deputados paraguaia aprovou na quinta-feira a abertura do processo de impeachment contra Lugo como reflexo de um conflito agrário que deixou 18 mortos – entre policiais e sem-terra – durante a reintegração de posse da fazenda de um empresário ocorrida há uma semana.
Horas depois da aprovação, deputados apresentaram no Senado cinco principais acusações contra o então presidente. A maioria delas se relacionava a ligações de Lugo com movimentos “carperos” (sem-terra), ao suposto emprego irregular de militares em ações políticas ou relacionadas à questão da terra, e ao resultado desastroso da reintegração de posse da semana anterior.
Lugo e sua equipe tiveram então 18 horas para preparar uma defesa e mais duas horas para apresentá-la aos senadores na tarde de sexta-feira. No início da noite, um Senado dominado por ampla maioria oposicionista considerou Lugo culpado das acusações por 39 votos a quatro.
Já destituído do cargo – pouco mais de um dia após o início do processo de impeachment – Lugo fez um discurso de despedida no qual acatou a decisão do Congresso, embora a considerasse “covarde”.
- Hoje não é Fernando Lugo que recebe um golpe, hoje não é Fernando Lugoquem é destituído, é a história do Paraguai e sua democracia – afirmou.
Minutos depois, seu ex-vice, Federico Franco, do PLRA (Partido Liberal Radical Autentico) recebeu a faixa presidencial prometendo respeito às instituições democráticas do país e garantindo que entregará o cargo ao próximo presidente, que deve ser eleito em 2013.
Lugo e Franco haviam chegado ao poder em 2008 formando uma aliança que quebrou uma hegemonia de seis décadas do Partido Colorado na Presidência. Mas, a aliança acabou sendo desfeita ao longo do mandato. O apoio do PLRA, que tem a segunda maior bancada no Senado, teve grande influência na aprovação do impeachment.
- O destino quis que eu assumisse a Presidência da República – disse Franco em sua posse.

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