segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Linfonodos e Câncer


O corpo humano tem uma rede de vasos linfáticos e linfonodos, que é parte do seu sistema imunológico. Ela coleta líquidos, material de desperdício e outros elementos, como vírus e bactérias, que se encontram nos tecidos do corpo, fora da corrente sanguínea.

Os vasos linfáticos são muito parecidos com as veias que conduzem o sangue através do corpo. Mas, ao invés de transportar sangue, estes vasos transportam um líquido claro chamado linfa.

O Sistema Linfático

A linfa circula por fora dos vasos capilares banhando as células dos tecidos do corpo. Ele transporta oxigênio e outros nutrientes até as células, recolhendo produtos residuais, como o dióxido de carbono (CO2), produzidos pelas células. O líquido linfático também contém glóbulos brancos do sangue, que ajudam no combate às infecções.

O líquido linfático eventualmente poderá se acumular e provocar edema (inchaço) se não for drenado de alguma forma. Esse é o papel dos vasos linfáticos. Os vasos linfáticos drenam a linfa em torno das células enviando-a para o tórax através do conduto linfático. O líquido linfático é drenado em um vaso sanguíneo perto do coração.

Função dos Linfonodos

Os vasos linfáticos conduzem o líquido linfático por todo o corpo. Os linfonodos (gânglios linfáticos) são pequenas estruturas que funcionam como filtros para substâncias nocivas. Eles contêm células do sistema imunológico que ajudam no combater às infecções atacando e destruindo germes que são transportados  pelo líquido linfático. 

Existem centenas de gânglios linfáticos em todo o corpo. Cada linfonodo filtra o líquido e substâncias dos vasos que chegam até ele.  O líquido linfático dos dedos, por exemplo, drena em direção ao tórax, juntando-se ao líquido drenado do braço. Este líquido é filtrado nos gânglios linfáticos do cotovelo ou da axila.  O líquido linfático da cabeça, couro cabeludo e rosto flui para baixo através dos gânglios linfáticos do pescoço. Alguns linfonodos se encontram em locais profundos dentro do corpo, como entre os pulmões ou ao redor do intestino, para poder filtrar o líquido dessas áreas. A linfa circula lentamente por todo o corpo, até voltar ao tórax. No fim do circuito, os fluidos, sais e proteínas filtrados são despejados de volta na corrente sanguínea.

Aumento de Tamanho dos Gânglios Linfáticos

Quando existe um problema perto de um nódulo linfático,  por exemplo, uma infecção, feridas ou câncer, o gânglio ou o grupo de gânglios linfáticos nessa área pode inchar ou aumentar de tamanho à medida que se encarregam de filtrar as células "ruins". Isso é chamado de linfadenopatia. O aumento de tamanho dos gânglios linfáticos indica que algo não está certo, mas outros sintomas podem ajudar a identificar o problema. Por exemplo, dor de ouvido, febre e aumento dos gânglios linfáticos perto da orelha levam a uma suspeita de uma infecção no ouvido ou um resfriado. 

Algumas áreas em que os linfonodos aumentam de tamanho são no pescoço, virilha e axilas. Na maioria dos casos, apenas uma área de linfonodos aumenta de tamanho de cada vez. Quando mais de uma área de linfonodos está acometida é denominada de linfadenopatia generalizada. Algumas infecções (tais como infecções na garganta e catapora), determinados medicamentos, doenças do sistema imunológico e câncer, como linfoma e leucemia são alguns exemplos de acometimento linfonodal. O médico irá procurar mais informações para descobrir a causa do problema. O aumento de tamanho de um linfonodo geralmente é causado por outro problema que não o câncer.

Câncer nos Gânglios Linfáticos

O câncer pode aparecer nos gânglios linfáticos de duas maneiras: ele pode começar no local ou pode chegar aos linfonodos a partir de outro local.

Câncer que começa nos linfonodos é chamado de linfoma.

Mais frequentemente, o câncer começa em outro local e depois se espalha para os gânglios linfáticos. 

Como o Câncer se espalha para os Gânglios Linfáticos

O câncer pode se espalhar a partir do local onde começou (sítio primário) para outras partes do corpo.

Quando células cancerosas se desprendem do tumor, elas podem viajar para outras partes do corpo, quer através da corrente sanguínea ou do sistema linfático. Se elas são conduzidas através da corrente sanguínea podem chegar a órgãos distantes. Mas, se forem conduzidas através do sistema linfático, as células cancerosas podem acabar nos gânglios linfáticos. De qualquer maneira, a maioria das células cancerosas que conseguem se desprender do tumor morrem ou são mortas antes que possam se desenvolver em algum outro local. Mas, uma ou duas podem se situar em um novo local, começam a crescer e formam novos tumores. Esta disseminação do tumor para uma nova parte do corpo é chamada de metástase.

Para que as células cancerosas possam chegar a novas partes do corpo, elas têm que passar por várias alterações. Primeiro têm que ser capazes de desprender-se do tumor original e, em seguida, se fixar na parte externa de um vaso linfático ou vaso sanguíneo. Segundo, devem mover-se através da parede do vaso para circular junto com o sangue ou linfa até um novo órgão ou linfonodo. 

Quando o câncer cresce no interior dos gânglios linfáticos, geralmente acomete os linfonodos próximos ao tumor. Estes linfonodos são os que fizeram a maior parte do trabalho de filtrar ou matar as células cancerosas.

Detecção do Câncer nos Gânglios Linfáticos

Os linfonodos normais são pequenos e podem ser difíceis de serem detectados, mas quando há uma infecção, inflamação ou câncer, os gânglios podem aumentar de tamanho. Os localizados próximos da superfície do corpo, podem aumentar de tamanho e serem sentidos com os dedos, e alguns podem até ser vistos. Mas, se há apenas algumas células cancerosas em um linfonodo, podem não ser vistas e não se sentir nada. Nesse caso, o médico verifica a existência de câncer mediante a remoção de todo ou parte do linfonodo. 

Quando um cirurgião opera para remover um tumor primário, um ou mais dos gânglios linfáticos próximos (regionais) podem também ser retirados. A retirada do um gânglio linfático é chamada de biópsia. Quando muitos linfonodos são removidos, é chamada de amostragem ou dissecção linfonodal. Quando o câncer já se espalhou para os gânglios linfáticos, existe um risco aumentado de que o câncer possa voltar após a cirurgia. Esta informação ajuda o médico a decidir se mais tratamentos, como a quimioterapia ou radioterapia, são necessários após a cirurgia.

Os médicos também podem colher amostras de um ou mais linfonodos usando agulhas. Geralmente, isto é feito em gânglios linfáticos aumentados de tamanho. O procedimento é chamado de biópsia por agulha. O tecido retirado é estudado sob o microscópio por um patologista (médico que diagnostica doenças utilizando amostras de tecido) para descobrir se existem células cancerosas na amostra. 

Sob o microscópio, todas as células cancerosas nos linfonodos retirados se parecem às células onde está localizado o tumor primário. Por exemplo, quando o câncer de mama se espalha para os gânglios linfáticos, as células nos linfonodos  se parecem com as células de câncer de mama. O patologista elabora um laudo anatomopatológico, que detalha o que foi encontrado. Se um linfonodo contém câncer, o laudo descreve em detalhes o achado quanto à aparência e quantidade de doença que foi observada. 

Os médicos também podem usar exames de imagem para estudar os gânglios linfáticos ao redor de um tumor em caso de se encontrarem em locais mais profundos no corpo. 

O que significa a presença de Câncer no Linfonodo?

Depende. Às vezes há tão poucas células cancerosas no linfonodo que o patologista deve realizar exames especiais para encontrá-las. No caso de encontrar somente algumas células cancerosas em um nódulo linfático, isto não modifica o esquema de tratamento do câncer.

Em caso de encontrar grande quantidade de células cancerosas em um linfonodo, é possível observá-las mais facilmente. Se o câncer está se desenvolvendo fora do gânglio linfático através da camada de tecido conjuntivo para o lado de fora (cápsula) é denominada extensão extracapsular.

Grandes quantidades de células cancerosas nos gânglios podem significar que o câncer está em rápido crescimento e/ou mais propenso a se espalhar para outros locais do corpo. Mas, se os nódulos linfáticos próximos são o único local onde o câncer foi encontrado além do sitio primário, a cirurgia para remover o tumor e os linfonodos próximos pode ser suficiente para retirar toda a doença. 

O câncer que se espalhou para os gânglios mais distantes do sitio primário é mais provável que precise de tratamento adicional, como quimioterapia ou radioterapia. Por exemplo, se os linfonodos contralaterais (do outro lado do corpo) são acometidos, o câncer certamente necessitará de terapias adicionais.

Acometimento dos Linfonodos x Estágio do Câncer

O tratamento do câncer está baseado no tipo de câncer e no estágio da doença. Os médicos utilizam um sistema para atribuir um estágio para o câncer. O sistema de estadiamento mais comum é o sistema TNM. O T na significa Tumor, o M significa Metástase, e o N significa Nódulo Linfático. Se não são encontradas  células cancerosas nos gânglios linfáticos próximos ao tumor, se atribui ao N um valor de 0. Se nós linfonodos próximos ou distantes é encontrado câncer, ao N se atribui um número, que pode ser 1, 2 ou algumas vezes 3, dependendo de quantos gânglios estão afetados, a quantidade de doença presente, o tamanho e sua localização. 

Um câncer com estágio TNM baixo é geralmente mais fácil de tratar e tem uma melhor expectativa de sobrevida. Por exemplo, um câncer T1, N0, M0, corresponde a um câncer que foi diagnosticado precocemente, antes de se disseminar. O T1 significa que é um tumor pequeno, o N0 significa que nenhum linfonodo está acometido, e o M0 significa que não foram encontradas metástases.

Efeitos da Retirada de Gânglios Linfáticos

Os linfonodos que foram retirados durante uma cirurgia, podem deixar parte do corpo sem uma forma eficiente de drenar  a linfa da área afetada. Muitos dos vasos linfáticos não têm mais onde drenar já que o linfonodo aonde chegavam foi retirado, o que pode provocar o retorno do líquido linfático. Isto é denominado linfedema, e pode tornar-se um problema a longo prazo. Quanto mais gânglios linfáticos são retirados mais a chance que isto ocorra.

Via Oncoguia

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